Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O superior interesse do aluno #2

por João Miguel Tavares, em 24.10.14

Já que estamos em maré educativa, aproveito para fazer mais uma pergunta aos meus caríssimos leitores, já que este blogue também é bué internacional.

 

Tendo em conta que é aparentemente possível, neste triste país, os alunos permanecerem ad aeternum sem professor substituto se o professor titular meter baixas - ainda que várias, ainda que consecutivas - com duração inferior a 30 dias, eu gostaria muito de saber se isto também se passa no ensino público americano, alemão, holandês, espanhol ou em qualquer outro lugar que não em Portugal.

 

Alguém por aí percebe disto? O que é que acontece nos outros países se um professor falta durante uma semana, por exemplo? Os putos pura e simplesmente não têm aulas?

Paralisacao-dos-professores-de-Joao-Pessoa-vai-dei

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:30


Ainda sobre o ensino doméstico

por João Miguel Tavares, em 24.10.14

Não sei se todos se recordam, mas aqui há um par de semanas abordámos o tema do homeschooling neste blogue, à boleia de um comentário da Teresa Power. Nesse post eu desafiava a Ana Rute Cavaco a partilhar um pouco da sua experiência, já que pratica o homeschooling - ou melhor, o ED, Ensino Doméstico - na sua vida.

 

A sua resposta ao desafio chegou esta semana via mail, e aqui fica ela para todos poderem ler, com um grande beijinho de agradecimento à Ana Rute pela delicadeza de não se ter esquecido. Estamos-lhe todos gratos por isso.

 

E agora, a palavra a quem sabe:

 

O ED em Portugal é legal e não é novidade, aliás, a escola tal qual a conhecemos tem o quê? Um século.  Foi apenas a partir do século XIX que a escolarização se deu e instituiu, a par da revolução industrial. Em Portugal, a primeira lei relativamente ao ensino doméstico data de 1948.

Para se fazer ED basta que um adulto, familiar ou não da criança, tenha mais do que um ciclo de ensino do que o que vai leccionar (o que na minha modesta opinião, diz muito acerca do que se considera necessário para ensinar, ou então de outra forma pode também dizer muito acerca da exigência do ensino em Portugal). A criança inscrita em regime de ED tem se ser matriculada numa escola da área da residência, onde fica vinculada administrativamente, e onde presta provas em cada final de ciclo (4º ano, 6º ano, 9º ano e 12º ano), caso contrário será considerada um caso de abandono escolar e portanto, poderá ter intervenção da segurança social.

Há muitas formas de ED, sendo a mais radical aquela em que os pais leccionam aos filhos em casa, não cumprindo um currículo, nem regras ditas tradicionais de aprender, sendo que são até os próprios alunos/crianças que aprendem consoante o interesse que demonstram e só prestam provas quando assim entendem. Deu, até, uma peça no telejornal há poucas semanas, com famílias que seguem este modelo.

É um modelo que respeito, mas com o qual a nossa família não se identifica.

A nossa mais velha andou no 1º, 2º e 3º ano de uma escola pública. No nosso entender, e por sermos cristãos evangélicos, achámos - em conjunto com outras famílias com as mesmas convicões que a nossa - que era possível ensinar de uma forma qualitativamente melhor, sem que algumas bases fundamentais da nossa educação fossem colocadas em causa. Se existem colégios católicos, se existem colégios muçulmanos, por que razão não deverão existir colégios cristãos evangélicos? Foi a isso que nos propusémos. A nossa escola funciona tal qual outra escola, mas com um número menor de alunos. Sonhamos que um dia seja legalizada (haja dinheiro) e reconhecida pelo Ministério da Educação.

Uma das reflexões a que chegámos, aquando das nossas questões sobre este modelo, e sobre a suposta formatação das crianças, que o Tiago escreveu no blogue dele no final de 2012, meses depois de termos visitado um projecto-escola cristã semelhante:

"Durante anos ouvi o Nuno Fonseca falar sobre a necessidade de uma escola cristã e sentia-me do lado de fora. Porque é melhor que os evangélicos não construam uma cultura de nicho, porque faz bem que as nossas crianças lidem com o mundo real, porque só podemos testemunhar a fé quando estamos junto do meio secular, e todas essas ideias que hoje me parecem tão superficiais quanto preguiçosas. Se tivesse de despachar rapidamente a questão, e reconhecendo que cresci em escolas oficiais e não sou um cidadão grandemente traumatizado por isso, diria que os meus filhos não são missionários. Poderão vir a ser mas essa será uma decisão da sua responsabilidade e maturidade. Até serem independentes não são experiências evangelísticas minhas, lançados para o reino das trevas para serem luz.

 

No que diz respeito à oposição luz/ trevas creio que grande parte do trabalho dos pais é ensinarem para a primeira ao mesmo passo que protegem da segunda. Quem não está em pânico pela educação dos seus filhos é porque provavelmente ainda não reparou que é pai. Eu, progenitor ansioso, me confesso: estou muito preocupado com a educação dos meus filhos (e reconheço também que se não fosse pela sensibilidade da minha mulher teria ainda menos consciência do problema).

 

Este ano quando tivemos a oportunidade de visitar o Nuno e a Marta Fonseca assistimos a um dos momentos que mais me emocionou nos últimos tempos. Um grupo de crianças é ensinado por eles com excelência e compromisso. Podia falar-vos da surpresa que é ver uma menina de quatro anos a soletrar de um modo que tantas vezes uma de sete não sabe na escola oficial mas não vou por aí. Há uma altura em que todos os alunos são recolhidos para cantar o hino que o Nuno e a Marta criaram para eles. O momento tem tudo para ser vagamente ridículo (meninos a cantarem o hino da escola à volta de uma guitarra?) mas de repente tenho de fazer um esforço para não me comover à frente deles. Cantavam sobre aprender como uma função de acreditar, de saber para ser. E pensava, é isto que quero para os meus filhos. É isto que quero para os meus filhos."

 

Foi isto. Chamem-lhe formatação. Que educação não formata, até a negligente?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:31


O superior interesse do aluno

por João Miguel Tavares, em 23.10.14

Por regra, os textos que escrevo no Público vão parar ao meu outro blogue, mas o desta semana tem uma temática que faz todo o sentido puxar aqui para o PD4: escola e criancinhas. Chama-se "O superior interesse do aluno" e, no final, conto uma história (sobre História) que envolve a Carolina:

 

A minha filha mais velha está sem aulas de História desde o início do ano lectivo. Aparentemente, o professor está de baixa; aparentemente, não vai regressar; aparentemente, está à espera de uma junta médica; aparentemente, a junta está atrasada; aparentemente, não pode ser substituído até a junta se pronunciar. Escrevi todos estes “aparentemente” porque obter explicações simples e directas numa escola, sem os clássicos “acho que”, “parece-me que” ou “isso não é comigo”, é um trabalho que nem Hércules superaria. Donde, não tenho a certeza absoluta de nada. Mas disto, tenho: há seis semanas que ela está sem aulas. E a facilidade com que se deixam alunos sem aulas, sem arranjar uma solução imediata, e alimentando um sistema de baixas médicas que colocam o direito ao posto de trabalho quilómetros à frente do direito ao ensino, é, pura e simplesmente, um escândalo.

 

O resto do texto pode ser lido aqui.

 

Mas, já que estou com a mão na massa e sei que há vários professores que de vez em quando passam por aqui, gostaria que me explicassem, se souberem, quais são exactamente as regras de substituição de professores em vigor a partir do momento em que um docente mete baixa médica. É que já ouvi mais do que uma versão, e na net não consegui encontrar a legislação que estabelece essas regras. Iluminem-me, por favor.

 

AED.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:28

[Esta conversa entre o Tomás e o Gui passa-se no banco de trás do carro, a caminho da catequese.]

 

Gui – Este dente já está quase a cair [NR: aponta para um incisivo lateral superior mesmo ao lado da grande janela que o Gui exibe desde a semana passada, quando ficou sem os dois incisivos centrais ao mesmo tempo]. Já sei o que vou pedir à fada dos dentes.

 

Tomás – O quê?

 

Gui – [A sussurrar ao ouvido do Tomás.] O pirata e o barco de remos que me faltam na colecção

 

Tomás – Isso é caro demais para a fada dos dentes. Acho que tens de o pedir ao Pai Natal.

 

Gui – E o Pai Natal tem dinheiro para isso?

 

Tomás – Não vês que são os papás que dão o dinheiro ao Pai Natal para eles comprarem as prendas, se tu te portares bem.

 

Gui – E como é que os pais sabem que é o Pai Natal que vai às compras?

 

Tomás – Ele deve pedir factura e põe lá o símbolo do Pai Natal.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:02


É preciso dar banho aos miúdos tooooooodos os dias?

por João Miguel Tavares, em 23.10.14

Nos comentário a este post, a minha amiga Teresa A., que vive há muitos anos na Alemanha, como bem sabe quem passa regularmente por este blogue, deixou uma questão que me parece bastante curiosa em relação aos banhos das crianças - sobretudo porque em Portugal é uma prática que ninguém põe em causa. Escreveu ela:

 

Já agora uma pergunta, se calhar para a excelentíssima esposa, que é médica, ou para o Dr. Mário, que é pediatra: porque é que os portugueses dão banho aos miúdos todos os dias?

 

Aqui na Alemanha não se faz isso e eu acho muito bem, sinceramente. Se calhar sou sensível ao assunto por ter dermite atópica e ter de evitar o mais possível a água, mas acho um exagero isso de dar banho tooooodos os dias. Porquê? A pediatra da minha filha sempre disse que uma vez por semana chega. Durante a semana basta a "lavagem de gato": limpar com um paninho húmido as zonas mais sujas, tipo cara e pés ;-)


Como a minha filha também tem tendência para a dermite atópica, só dou banho às sextas-feiras, depois de jantar. E nunca ouvi ninguém dizer que ela cheira mal, muito pelo contrário! Claro que ela muda de roupa todos os dias.

 

Algumas pessoas já responderam - de forma civilizada, como é suposto - na caixa dos comentários, e o normal é utilizarmos o argumento do clima. Mas se fosse só por causa do calor não seria preciso tomar banho todos os dias no Inverno - e os meus filhos tomam banho todos os dias, inclusivamente no Inverno.

 

Ora, será que tanto banho é mesmo necessário, sobretudo antes de os miúdos entrarem na puberdade, quando os seus odores corporais são mínimos? A verdade é que eu não tomava banho todos os dias quando era criança.

 

Claro que nós todos conhecemos a resposta óbvia à questão: o banhinho só traz vantagens. Mas o LA-C salta em defesa da Teresa A., com argumentos bem curiosos:

 

Cara Teresa A.

 

Um banho por semana chega perfeitamente. Os portugueses (especialmente as mães, parece-me) são uns obcecados com os banhos. Estragam a pele e o cabelo das crianças pequenas com tanto sabonete e champô. Depois, evidentemente, gastam um dinheirão em sabonetes e cremes para peles sensíveis (atópicas e afins) e amaciadores para evitar estragar ainda mais a pele e os cabelos, nem se dando conta de que bastaria esfregá-los um pouco menos.

 

Dada a mentalidade portuguesa, parece-me que um banho semanal será impossível, mas se se conseguisse educar os pais portugueses para darem banho duas vezes por semana já era um grande ganho. Claro que a partir dos 6 anos já se pode dar banho com mais frequência às crianças e, a partir da puberdade, podem tomar os banhos que quiserem.

 

Parece-me um bom assunto para debate.

 

cartoon3927.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:08


Teremos nós o direito de criticar Renée Zellweger?

por João Miguel Tavares, em 22.10.14

A propósito da plástica radical de Renée Zellweger, a jornalista Jennifer Gerson Uffalussy escreve um texto no Guardian em sua defesa, cujo título é suficientemente esclarecedor:

 

Nothing is wrong with Renee Zellweger's face. There's something wrong with us

 

O seu comentário vale a pena ser lido, e basicamente chama hipócrita a uma sociedade e a um sistema que deixa sem trabalho as actrizes que envelhecem, ou que as critica mal vislumbra um vestígio de celulite ou de barriga (o ridículo caso Jessica Athayde é uma boa defesa deste argumento), ao mesmo tempo que goza com elas e as tritura na praça pública se se atrevem a fazer plásticas.

 

Suponho que nos meios do cinema e da moda esse seja um argumento que faça sentido. Mas aqui no PD4 sempre nos honrámos de elogiar as marcas do tempo e sempre elogiámos essa extraordinária arte que é saber envelhecer.

 

Por isso, apesar da passagem do tempo ser cruel para todos nós, e sobretudo para as actrizes cuja beleza física é parte fundamental das suas carreiras, a verdade é que a transformação do corpo num campo de experiências plásticas que procuram perpetuar, de forma cada vez mais radical, uma juventude que já não existe, faz-me, de facto, muita impressão.

 

Além disso, parece-me que Jennifer Gerson Uffalussy passa ao lado do fundamental. Porque se a mim me fazem realmente muita impressão as cirurgias plásticas de Meg Ryan (logo ela...)

Meg-Ryan.jpg

ou da própria Nicole Kidman,

490186969.jpg

é porque em boa parte porque estamos a falar de actrizes que fazem parte de um imaginário cinéfilo e sexual (as coisas misturam-se) que nos é muito caro. Contudo, manda o rigor admitir que o caso de Renée Zellweger é muito diferente.

renee3.jpg

Diante de nós não está alguém que procurou apenas rejuvenescer - está uma outra pessoa (bonita, por sinal), que nós não reconheceríamos se passasse ao nosso lado na rua.

 

Claro que podemos sempre questionar a nossa legitimidade para falar com tanta facilidade, e tanta crueldade, sobre uma pessoa que não conhecemos, só porque ela é actriz - no entanto, esse é um outro assunto (aliás, bastante discutível, diria eu).

 

No entanto, esta ideia de termos de ser outros para permanecermos jovens é, obviamente, chocante, e não me parece que haja aí qualquer espécie de hipocrisia. O que nós vemos nestas fotos é a mutilação de uma identidade. E perante ela, reagimos como reagiríamos diante de qualquer mutilação - com horror. E com pena. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:40


Primeiro comem as crianças, depois comem os pais #3

por João Miguel Tavares, em 22.10.14

E depois da partilha da Inês Teotónio Pereira, aqui fica a opinião do Dr. Mário Cordeiro. (Em relação à sugestão final, declino respeitosamente - e, se quiser, também tenho para troca):

 

Acho que depende muito da idade. E os seus [filhos] são ainda pequenos (uns... outros não). Creio que é de estimular as refeições em família, a conversa sobre o dia que passou em vez do "come-não come", etc, mas é preciso, mesmo sendo mais velhos, pôr ordem na freguesia, e para isso é que os pais existem...

 

É muito maçador (leia-se "chato") ter de estar a viver um kafarnaum no final do dia, quando apetece emigrar para uma ilha deserta. Todavia, se não os for ensinando eles não aprenderão, ou dito de outra forma, uma coisa são as "aulas teóricas", que é estar a dizer-lhes as boas maneiras, as prioridades, quem fala primeiro, etc, outra as "práticas" que é vivenciarem - pais e filhos - esses momentos.


Custa, João, mas dentro de 15 anos, entre Erasmus, estudos no estrangeiro e emigrações, terão mesmo de arranjar um cão para poder arengar com alguém à hora do jantar. Vai sentir saudades (não estou a ser cínico!). E um berro bem berrado de vez em quando, faz eco e testa a solidez do betão das paredes... (se precisar de mais três, de 12, 11 e 11 anos, disponha, por favor...)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:54


Primeiro comem as crianças, depois comem os pais #2

por João Miguel Tavares, em 22.10.14

Deixem-me, em primeiro lugar, agradecer a todos a partilha das descrições dos vossos jantares em família. Devo dizer que a maior parte delas são suaves quadros de horror - que eu li com aquela sensação de consolo própria de nos sabermos acompanhados nas pequenas desgraças quotidianas. Como afirma a leitora Ana, "os jantares caóticos são uma epidemia dos tempos modernos". Pelos vistos, são mesmo. Mas não tinha consciência da sua dimensão.

 

Vale a pena trazer para aqui a partilha da Inês Teotónio Pereira, que já vai em seis filhos. Ou seja, em casa dela tem tudo para ser o caos agravado, mas a sua experiência acaba com final feliz:

 

Pois eu tenho mesmo problema. Só o bebé é que janta primeiro, os outros cinco - que vão dos 14 aos 6 anos - jantam todos connosco à mesa. Há um ano inaugurámos esta nova rotina mas desistimos passadas duas semanas porque passávamos o jantar aos gritos com os miúdos para não deixarem cair comida para o chão, para não comerem de boca aberta, para não darem cotoveladas uns nos outros, para não entornarem água, etc. Além disso, quando acabávamos de servir o último, de cortar a carne, etc., o primeiro já estava a acabar e nós acabávamos por comer o nosso jantar frio. Sim, era um inferno.

 

Há três meses voltámos ao ataque com outro espírito e partindo de dois princípios: claro que não vai ser como nos filmes e temos de ser mais tolerantes. Passados estes três meses já conseguimos jantar em paz e sossego e todos fazem um esforço. Cada dia é melhor que o anterior: é uma questão de treino. Porque é que insistimos? Porque esta é a única altura do dia em que estamos quase uma hora centrados uns nos outros, em conjunto, e não focados na televisão, nos TPC, nos telemóveis, no trabalho ou noutra coisa qualquer. É a única altura do dia em que estamos mesmo em família.

 

O jantar é já uma rotina em que eles têm a função de levantar e de pôr a mesa, têm aprendido a falar um de cada vez e - o mais importante - a ouvirem o que os outros têm para dizer. No fundo, nós pais somos apenas moderadores e vamos em cada jantar monitorizando o estado da arte da família... Dá trabalho, exige paciência e exige tolerância. Só o fazemos porque é um pretexto para estarmos em família, sendo que muitas das vezes não apetece nada. Mas compensa: passados três meses acho que cada um de nós conhece melhor a nossa família. Como em tudo na educação é preciso persistência e paciência. Boa sorte!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:39


O que é que tu fizeste, Renée?

por João Miguel Tavares, em 21.10.14

Eu vi estas imagens e confesso que ainda estou em choque:

1413883238874_Image_galleryImage_Renee_Zellweger_a

1413897448602_Image_galleryImage_Mandatory_Credit_

Mostrem-me o BI, que eu não acredito que seja a Renée Zellweger. Até o Michael Jackson ficou minimamente reconhecível depois das suas delirantes plásticas. Mas isto? Isto é uma outra pessoa. Se eu passasse por ela na rua nem sequer a reconhecia. A febre das plásticas está a enlouquecer as estrelas de Hollywood. Queremos as bochechas da velha e linda Renée Zellweger de volta!

37943-218689.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:02


Primeiro comem as crianças, depois comem os pais

por João Miguel Tavares, em 21.10.14

Embora eu já tenha tido épocas com jantares agradáveis, a actual fase dos miúdos tem transformado as nossas refeições nocturnas num compêndio de resmungos, gritos e birras, que me anda a irritar sobremaneira. Não só tem sido altamente complicado conversarmos uns com os outros, como eu passo a refeição inteira a dizer "come!", "cala-te!", "fala um de cada vez!", "estás-te a sujar!", "como é possível que a colher tenha caído outra vez para o chão?!?", "sim, tens de comer as ervilhas!", "não, não podes comer gelado!", num tal frenesim de berraria que me apetece passar directamente da mesa para a cama.

 

Então, dei por mim a pensar no saudoso tempo em que os miúdos comiam primeiro e os pais jantavam depois - pensamento que desconfio ser muito politicamente incorrecto, mais típico de um tempo em que eram as criadas que alimentavam as crianças na cozinha para depois servirem os patrões na sala. Não é a esse tempo que quero voltar, obviamente, mas tenho conversado com a Teresa (sem sucesso) acerca da hipótese de durante a semana eles comerem antes de nós, para tudo ser mais rápido e para que consigamos ter ali cerca de uma hora, uma hora e meia, antes de os miúdos irem para a cama, de algum tempo de qualidade. A ideia era conseguirmos conversar sobre outra coisa que não regras para estar à mesa, ou para simplesmente vermos um filme em família.

 

Talheres misturados com a conversa não está a resultar, porque eles são muitos e estão em idades muito diferentes. O ritmo de chegar a casa, dar banho, ter um jantar aos gritos e enfiá-los na cama é um concentrado de stress que não se aconselha a ninguém. Claro que eu conheço toda a bela mitologia do jantar em família, só que as refeições na minha casa não andam nada parecidas com as dos filmes de Hollywood. Em vez de tempo de qualidade, andamos a ter tempo de irritabilidade.

 

Daí me ter lembrado de vir para aqui perguntar: há alguém por aí que jante, por opção, separado dos miúdos? E resulta? E aquelas famílias que jantam juntas durante a semana, estão na posse de algum segredo para terem uma refeição calma, sem que nunca vos apeteça enfiar um garfo na língua do puto de seis anos?

 

blog_cartoon_mom_dad_kid_dinner_table.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:32


Publicidade



Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D