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A mais estranha mnemónica da história das mnemónicas

por João Miguel Tavares, em 15.12.14

A Carolina acha a disciplina de Ciências Naturais a mais difícil do 5º ano, sobretudo porque já tem imensa coisa para decorar.

 

Na semana passada, ela estava fechada no quarto a estudar para o teste de final de 1º período, mas de cada vez que eu passava no corredor só a ouvia cantar. Bati à porta para perguntar que raio era aquilo e se ela achava que andar a cantorolar nas vésperas de testes era a melhor actividade a que podia dedicar o seu tempo.

 

Erro meu, do qual tive rapidamente que me penitenciar. Aparentemente, aquilo era mesmo estudo. E do mais original que já se viu. Tão original, aliás, que pedi logo autorização à Carolina para a gravar e partilhar com os leitores do PD4.

 

O som, como é hábito nos meus vídeos gravados no iPad, está uma bela treta (tenho de pedir um microfone de prenda de Natal), mas se colocarem o volume no máximo acho que dá mais ou menos para perceber.

 

 

Engenhoso, hein?

 

Bastante entusiasmado com a mnemónica melódica da minha filha mais velha, louvei o seu empenho e fiquei mais descansado: embora me parecesse mais fácil fixar as frases sem ter, ao mesmo tempo, de fixar tão intrincada melodia, aquilo era uma demonstração de indiscutível dedicação à disciplina de Ciências Naturais. 

 

Só que... 

 

Há um enorme SÓ QUE.

 

Quando fui confirmar a exactidão da letra cantada pela Carolina com os apontamentos originais, descubro subitamente que eu lhe tinha perguntado acerca do efeito de estufa e ela respondeu-me o que eram... as chuvas ácidas!

 

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Tal como um disco riscado, a Carolina andava a saltar faixas. E infelizmente, quando dei por isso, já ela tinha feito o teste.

 

Até tremo só de imaginar a nota que aí vem.

 

Para a próxima vou dizer-lhe para se deixar de mnemónicas e frases fixadas ao milímetro e perceber exactamente de que trata a matéria. De pouco me serve ter uma menina afinadíssima em termos de voz se depois desafina desgraçadamente em termos de letra.

 

Versos trocados em testes escolares? Um pai vê as coisas mais estranhas.

 

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publicado às 10:11


A amamentação contra-ataca

por João Miguel Tavares, em 10.12.14

Os leitores estão certamente recordados do entusiasmo, poucas vezes visto neste blogue, em relação à discussão sobre amamentar em público (posts aqui, aqui e aqui). Pois bem: mais uma vez, o PD4 mostra estar atento às grandes tendências do momento. E isto porque...

 

clar4.jpg

 Foto Reuters

 

...voltou a acontecer em Inglaterra. Desta vez por causa de uma senhora chamada Louise Burns, que quando se encontrava a amamentar a sua filha recém-nascida no Claridge's, um hotel de cinco estrelas de Londres, foi convidada por um empregado a cobrir-se com o pano que podem ver na imagem em baixo.

 

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Depois de colocar esta foto no twitter, a polémica estalou de imediato.

 

A coisa tomou tal dimensão que até já há declarações sobre o tema de um porta-voz de David Cameron e de Nigel Farage, do UKIP. O Independent conta toda a história aqui, o Guardian aqui e a BBC aqui.

 

No entanto, eu tive em primeiro lugar conhecimento dela através do óptimo texto de opinião da Maria João Marques no Observador. Citação para abrir o apetite:

 

Trata-se acima de tudo de alimentar um bebé. Há uma extensa informação sobre os benefícios da amamentação. E tendo em conta que estamos no Ocidente supostamente livre e igualitário – o que dá às doidivanas das mães a ilusão de que podem ir, acompanhadas dos seus bebés, às compras, passear, almoçar com amigos e outras atividades subversivas semelhantes – é uma inevitabilidade vermos uma mãe a amamentar um filho longe do recato da sua casa. Há quem escolha ofender-se com isso? Temos pena.

 

(Não que a visibilidade da amamentação seja novidade. Se viajarmos até uma galeria renascentista, encontraremos quadros com a Madonna a amamentar.)

 

Já agora, só mais uma nota acerca do texto da Maria João Marques, já que lá para o meio ela aborda um outro tema que muito me interessa: as mamas e a sua firmeza. Escreve ela:

 

Confesso: sou parcial com a amamentação. Amamentei imenso tempo e adorei amamentar. Vem, reconheça-se, com uma das maiores mentiras que se conta às mães: que ajuda a perder os quilos da gravidez. (Desenganem-se: temos fome e só emagrecemos no fim.) Mas não se diz – e é grave a omissão, porque se trata de informação essencial – que um período de amamentação prolongado, com um desmame suave ao longo de meses, é o garante de acabar com o peito igual ao de antes da gravidez.

 

Existe uma ténica de desmame suave que permite ao peito retornar ao seu estado pré-gravidez? Ena. A Maria João tem duplamente razão: 1) nunca ouvi falar disso e 2) parece-me informação absolutamente essencial.

 

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publicado às 22:08


Estou farta de bola!

por Teresa Mendonça, em 08.12.14

Cá em casa tenho três tipos de loucos por futebol:

 

- Um, que adoraria ser um verdadeiro craque (leia-se "verdadeiro craque em potência", cujas hipóteses de sucesso foram goradas por um pequeno problema de balneário e pela falta de vontade dos seus papás em que ele se transformasse num menino cujo cérebro fosse uma brazuca), a quem chamam mini-Ronaldo na escola, e que passa o dia com uma bola nos pés. Uma "a sério", na escola, e outra em casa, bibelôs-da-mamã-friendly, made by IKEA, que o acompanha em todas as suas deslocações e tarefas domésticas (seja comer, dormir, estudar ou idas ao WC).

 

- Outro, mais pequenote, que adora o seu mano-craque da bola e que, apesar de não ter uma pinguinha de jeito para manobrar o esférico, não desiste de seguir o seu irmão para a escola com uma bola igual à dele, mas em miniatura, e umas gigantes luvas para ajudar o mano na necessidade permanente de ter à sua disposição um guarda-redes.

 

- Outro, mais entradote, que não perde uma oportunidade para dar uns chutos na bola, seja com mini ou macro-craques, e organiza toda a sua agenda (e a da sua família) de acordo com as marcações dos jogos do Benfica (mas nem pensar em assumir isso em voz alta). E de cada vez que o seu clube perde um jogo fica mais rabugento do que o capitão Haddock quando lhe roubam a garrafa de rum.

 

No meio disto tudo, passo o dia a levar com bolas na cabeça, a tratar feridas resultantes dos combates pelo esférico, a calar choros por fintas mais entusiasmadas e rasteiras por falta de fair play, a aturar rabujices por ter a veleidade de sair de casa para alguma actividade em família e não voltar a tempo do início do jogo do Benfica...

 

Help!!!

  

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publicado às 22:47


Pintar as axilas está a virar moda? Parece mesmo que sim

por João Miguel Tavares, em 03.12.14

O PD4, sempre atento aos mais recentes desenvolvimentos no mundo da moda e da beleza, já tinha avisado no início deste ano que a moda das axilas pintadas iria dar que falar, após mais esta provocação da senhora Madonna.

 

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E eis que, mais ou menos no mesmo dia em que a senhora Ciccone, do alto dos seus 56 anos, decide posar em topless para a Interview...

 

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(belos 56 anos - confesso que isto foi só uma desculpa gratuita para mostrar as maminhas da Madonna)

 

...eis que surgem notícias na comunicação social portuguesa (o Observador fala disso aqui) de que a moda das axilas pintadas está a ser cada vez mais discutida nas redes sociais. É procurar pela hashtag “dyedpits” e entrar no debate.

 

Eu confesso que à primeira vista me parece das coisas mais foleiras jamais inventadas pelo sexo feminino desde o início dos tempos, mesmo nos casos, como o de baixo, em que a coisa faz espectacular pendant com a toilette.

 

Mas admito perfeitamente que se trate de uma visão machista e redutora dos direitos da mulher.

 

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publicado às 10:30


As notícias da morte do PD4 são manifestamente exageradas

por João Miguel Tavares, em 03.12.14

Devo dizer que acordei com alguns problemas de consciência: é possível que o meu post de ontem tenha soado demasiado trágico. Ao ler a caixa de comentários, fiquei a achar que um cacharolete de gente entendeu o meu aviso de que vou passar a escrever com menos regularidade como um pré-anúncio de falecimento. Não, não, não. A ideia não é matar o PD4, ok?

 

Uma das minhas familiares favoritas até me mandou um sms comovente:

 

Queria dizer-te que também eu fiquei muito triste com a tua resolução. Embora não comentasse, era leitora assídua do PD4. Agora falta-me qualquer coisa para preencher as minhas tardes.

 

Bolas, fui logo a correr para o computador - portanto, nem que seja para manter informadas as pessoas de quem gostamos, e que estão longe, sobre os andamentos da nossa família, a malta manter-se-á por aqui.

 

Vai ser menos vezes, mas esperemos que continue, de cada vez, a ser muito bom para ambas as partes - tal como a vida sexual das pessoas casadas.

 

E agora, já de seguida, um post sobre axilas pintadas.

 

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publicado às 10:12


Mudanças no Pais de Quatro

por João Miguel Tavares, em 02.12.14

Nos últimos dias o PD4 bateu os seus recordes de visualizações, à boleia do post "Apelo aos professores por parte de um pai desesperado e farto de trabalhos manuais", que se tornou viral. Só na sexta-feira superámos as 60 mil visualizações, e ontem batemos o recorde de page views mensais, acima das 420 mil.

 

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No entanto, por manifesta incapacidade empreendedora da minha parte, nunca consegui, ao longo dos últimos dois anos, fazer do PD4 uma fonte de rendimento proporcional às visualizações que ele tem.

 

O PD4 não faz posts pagos, desde logo por eu ser jornalista e isso ser proibido pelas regras da profissão. E hoje em dia, infelizmente (digo "infelizmente" porque há com frequência uma falta de transparência associada a esse processo), o post pago é a actividade mais rentável no mundo dos blogues. 

 

A simples exploração de espaço comercial no PD4, através de MRECs e seus derivados, nunca foi um modelo que funcionasse para nós, nem na Clix, nem agora na Sapo, em boa parte porque sendo os números de publicidade inteiramente controlados pelo parceiro, a divisão de rendimentos é completamente arbitrária - no PD4 tivemos flutuações de RPM (preço pago por mil visualizações) na ordem dos 90% no espaço de um ano, o que não chega sequer a ser compreensível.

 

Ao mesmo tempo, a excelentíssima esposa nunca conseguiu dedicar ao PD4 a atenção que tínhamos inicialmente combinado, sempre por excelentíssimas razões, como é óbvio - mas isso conduziu a que eu fosse obrigado a dedicar ao blogue uma fatia de tempo muito mais significativa do que inicialmente esperava, com vista a escrever pelo menos um post por dia. Essa exigência tem, ainda por cima, vindo a aumentar, já que da última vez que a excelentíssima esposa escreveu no PD4 ainda havia dodós nas ilhas Maurícias.

 

Nesse sentido, e porque nos próximos meses vou andar bastante ocupado com um novo projecto, tenho a comunicar aos muitos milhares de leitores do PD4 esta dupla decisão:

 

1. Eu e a Teresa decidimos retirar a publicidade do blogue, que deixa de ser explorada pela Sapo, até encontrarmos um parceiro que esteja disposto a valorizar o PD4 e os seus leitores como eu e a Teresa acreditamos que merecem ser valorizados.

 

2. Eu decidi desobrigar-me de postar diariamente, o que vai, como é óbvio, diminuir a cadência de posts do PD4.

 

O Pais de Quatro não vai ser abandonado, porque ele tem sido uma fonte de inestimáveis partilhas, e toda a minha família aprendeu muito com os ensinamentos desta verdadeira comunidade que se formou em redor de um blogue que já passou a ser de muita, muita gente.

 

Além disso, sempre o encarei também como um diário da nossa vida familiar, que um dia estará à disposição da Carolina, do Tomás, do Gui e da Rita - não tenho dúvidas que, quando forem mais velhos, vão adorar ler aquilo que sobre eles escrevíamos quando eram crianças.

 

No entanto, e por um dever de honestidade para com quem nos segue já há tanto tempo, não quis deixar de informar os leitores do PD4 sobre estas mudanças, que estou certo que compreenderão. Um dos maiores orgulhos que eu tenho neste projecto é a qualidade dos leitores que ele conseguir agregar - modéstia à parte, não os encontro assim em tantos lados.

 

Discutir os assuntos da família em público é uma actividade foleira para muita gente culta e séria - mas é isso que andamos orgulhosamente a fazer por aqui há dois anos. E assim continuaremos.

 

 

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publicado às 09:09


Febre (natalícia) de segunda-feira à noite

por João Miguel Tavares, em 01.12.14

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É dia 1 de Dezembro - e eles não perdoam.

 

Para quem perguntar: "e a Rita?" A Rita está a dormir. Achou-se que a sua participação neste empreendimento pudesse não ser a mais construtiva.
 

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publicado às 21:10

Caros senhores professores que adoram mandar trabalhos para casa:

 

Após ter passado um serão inteiro a construir um Pai Natal com cartolina e algodão, seguido de uma madrugada a recortar e imprimir fotografias da família para um manual de Português, enquanto a excelentíssima esposa preparava com sofisticação universitária uma aula especial sobre água para a semana da Ciência, venho por este meio propor a grelha análise que se segue, com três curtos pontos, que deverão ser cuidadosamente ponderados antes de enviarem trabalhos para casa, ou simples pedidos académicos, às criancinhas:

 

1. Assegurem-se que essa criancinha não pertence a uma família numerosa. É bué giro fazer trabalhos de casa com um filho único, mas não tem graça nenhuma ter de responder às solicitações de quatro putos diferentes, três dos quais têm uma montanha de actividades extra-curriculares. Às tantas não há mãos, estão a ver? Um gajo não consegue estar trinta minutos com a mulher. Não consegue ver uma série. Não consegue testar as molas do colchão. E porquê? Porque está a fazer recortes. 

 

2. As citadas actividades extra-curriculares são outro detalhe importante, a que convém prestar muita atenção. Há pais chanfrados (olhem para mim a levantar o braço) que entendem que a aprendizagem não se esgota na escola, e que acreditam que os filhos devem experimentar outras coisas além do Português e da Matemática. Lembrem-se, se faz favor, que essas outras coisas existem, são fixes, e que a minha filha mais velha, por exemplo, por ser doida e achar graça a demasiadas cenas, tem quase tantas disciplinas extra-curriculares como disciplinas curriculares. Por isso, ela não chega a casa para ficar a ver três horas de televisão como um nababo. A miúda mal tem tempo para se coçar.

 

3. Nunca - mas nunca - enviem trabalhos de casa que eles não consigam fazer sozinhos! Perdoem-me o sublinhado, mas este é o ponto mais importante. Eles não são auto-suficientes para fazer aquilo? Não mandem! Claro está que não me refiro às dúvidas que surgem ao tentar resolver um exercício de Matemática ou de Português. Isso é naturalíssimo e estou cá para ajudar. Refiro-me àqueles trabalhos manuais de encher o olho, àqueles projectos especiais hiperbólicos que estimulam imenso a competitividade dos pais, porque não será o meu filho a ter um globo terrestre em alto relevo mais pobrezinho do que o do Asdrúbal.

 

Não, não não! Nãããããooooo!!!! Eu já não tenho trabalhos manuais desde o sexto ano! E não quero ter! Terminaram em 1984! Não quero trabalhos manuais! Não quero recortes! Não quero colagens! Quero que um juiz impeça qualquer cartolina de se aproximar a menos de 10 metros da minha pessoa!

 

Desculpem-me os pontos de exclamação e os sublinhados, que eu costumo prudentemente manter afastados da escrita. Mas isto tem sido demais. Eu só quero descansar a partir das dez da noite, antes de cair para o lado às onze. Dá para ter uma hora para mim? Dá para ter um momento em paz com a excelentíssima esposa? OK, é verdade que ela prefere a produção de cristais com bicarbonato de sódio à minha companhia. Mas eu prefiro definitivamente a sua companhia à construção de pais natal.

 

Senhores professores, tenham muita, muita atenção a estes três pontos, está bem? Eu estou meeeesmo a precisar da vossa ajuda.

 

Agradeço por antecipação,

 

João Miguel Tavares 

 

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publicado às 10:01


E beijar os filhos na boca? Pode-se? #3

por João Miguel Tavares, em 26.11.14

A quantidade de reacções aos postos dos beijos na boca tem sido muito supreendente - olhem ali para baixo, à direita, para a contagem dos posts mais comentados de sempre deste blogue: estão lá os dois -, e é impossível trazer para aqui todos os comentários interessantes já feitos pelos leitores.

 

Queria, no entanto, chamar a atenção para um acrescento do Dr. Mário Cordeiro, explicando porque é que o beijo na boca é tão diferente de outras manifestações de carinho:

 

O dar a mão, como se escreveu aqui abaixo, é um argumento que não colhe. Repare: se vir duas pessoas (não interessa agora se são homem e mulher, dois homens ou duas mulheres) de mão dada ou a dar um beijo na face ou um aperto de mão, fica sem saber a sua relação. Podem ser - imagine agora dois homens a beijarem-se na face, para ir buscar um exemplo que, no nosso país, não é tão comum - familiares, pai e filho ou até velhos amigos.

 

Não consegue descobrir a sua relação - no sul de França e em muitos outros locais os homens beijam-se em público, quando dois amigos se encontram. Agora, aqui ou na China, se vir duas pessoas a dar um beijo na boca, a relação só pode ser uma - a de amantes - porque se entrou numa intimidade que só tem um significado (salvo se for no ecrã de um cinema ou num teatro!). É essa a razão.

 

E queria também dar conta da partilha da C.S., não porque corrobore a opinião do Dr. Mário, que ele não precisa de guarda-costas, mas por demonstrar a impressionante complexidade das cabeças dos seres humanos.

 

Sou filha, não mãe, por isso o meu comentário vale o que vale. Sempre fui educada com regras q.b., palmadas no rabo e na cara q.b., puxões de orelha q.b., 'nãos', beijinhos na testa, na cara, na barriga, no "pescocinho delicioso" como dizia o meu pai, levei ataques de cócegas, tomei banhos familiares, recebi massagens para adormecer ou acalmar em pequenina e sempre andei de mão dada com a minha mãe pela rua.

Aos 20 anos encontrei o meu 'príncipe encantado' e sofri e fiz sofrer porque não lhe sabia 'demonstrar carinho e amor'. Após uma ida a um psicólogo/sexólogo percebemos, duas horas depois, que a proximação excessiva, já pouco nítida por causa da adolescência, entre mim e os meus pais (e não sou filha única, se é que a educação difere sendo um ou dois filhos) me estaria a bloquear a maneira de sentir e demonstrar os sentimentos.

Houve um afastamento q.b. dos meus pais para que pudesse dar lugar à minha relação. E agora estou bem amorosamente e amo muito mas mesmo muito os meus pais, e se alguma vez forem para um lar não será porque não os amo, apenas porque quero que tenham um resto de vida confortável e feliz, mas comigo e com a minha irmã sempre por perto :-)

Devem estar a pensar "o que tem a ver isso com o assunto?". Serviu-me de experiência para agora, 4 anos depois, poder 'ajudar' os pais de uma amiga que teve uma depressão assustadora (com risco de suicídio) aos 17 anos. Em tempos foi gozada por dar beijos na boca aos pais, acabou por se mostrar ao mundo cedo demais e agora não entende o sentido da vida.

Acredito a 100% que educar uma criança a quem queremos todo o bem do mundo e mais algum seja difícil, mas pela minha pouquíssima experiência de vida atrevo-me a dizer que "Tudo o que é demais, faz mal". A nós, filhos, e aos que nos querem bem.

 

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publicado às 14:41


Coisas de que só o Gui se lembra #10

por João Miguel Tavares, em 26.11.14

O "nosso hotel":

 

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Só espero que um dia esta criatividade toda e este incansável desejo de produzir obra seja canalizado para alguma coisa de jeito.

 

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publicado às 14:10



Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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