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E beijar os filhos na boca? Pode-se? #2 (parece que não...)

por João Miguel Tavares, em 25.11.14

O Dr. Mário Cordeiro, que até costuma dar uma ampla liberdade às idiossincrasias dos pais, é absolutamente contra os pais beijarem os filhos na boca. Eis a sua argumentação:

 

Nããããão! É dar a ilusão de que a relação parento-filial se pode tornar numa relação conjugal, que é um interdito entre pais e filhos porque corresponde à fantasia dos dois anos de idade. As pessoas cumprimentam-se de todas as maneiras, e os homens com 3 beijos nos países árabes ou no sul de França, ou na Rússia.

 

Todavia, um beijo na boca é como dormir na cama dos pais - um sinal de inversão do triângulo pai-mãe-filho, e uma intrusão do filho na relação conjugal dos pais, com perturbação da sua futura relação conjugal (seja com o Noddy ou a Ursa Teresa, com o João ou a Teresa do Infantário, ou mais tarde com o Príncipe ou Princesa encantados).

 

Portanto, JMT: nãããããão !!!!! A menos que gostem de lançar bombas atómicas ou deixar o percurso de vida dos vossos filhos cheios de minas!

 

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publicado às 10:15


E beijar os filhos na boca? Pode-se?

por João Miguel Tavares, em 24.11.14

Antes que comecem a acusar-me, após a mega-polémica da amamentação, de me estar a transformar no Bloco de Esquerda da vida familiar - por aqui, é só temas fracturantes -, devo dizer-vos que a pergunta não é minha, mas da leitora Ana, que me desafia a opinar sobre dar beijos na boca dos filhos. E acrescenta:

 

Não acho nojo, mas incomoda-me.

 

Este "não acho nojo" é uma resposta directa ao conteúdo deste post da Joana Paixão Brás, no blogue A Mãe É que Sabe.

 

Eu não só não acho nojo como até acho fofinho de ver, pelo menos nos filmes de Hollywood. Mas pessoalmente não pratico. Até porque não saberia em que altura da vida parar. Se em 2020 alguém me apanhasse na rua a dar chochos a uma miúda de 16 anos corria o risco de acharem que não era minha filha - o que daria problemas em casa.

 

Mas parece que a questão começa a discutir-se em muito lado, incluindo nos países onde beijar na boca é habitual.

 

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publicado às 09:59


Coisas de que só o Gui se lembra #9

por João Miguel Tavares, em 24.11.14

O Homem-Balão:

 

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publicado às 09:56


Dia de chuva

por João Miguel Tavares, em 20.11.14

 

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Ser pai de quatro filhos em dias de Sol já não é muito fácil. Mas ser pai de quatro filhos em dias de chuva dá cabo de mim.

 

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publicado às 20:04


O tabu da amamentação #3

por João Miguel Tavares, em 19.11.14

Queria apenas acrescentar uma nota em relação ao já vasto debate sobre a questão da amamentação (aqui e aqui), que muito me tem surpreendido. Até porque, a meu ver, faltam opiniões de homens, que se têm envergonhado de participar, talvez por acharem que isto não é com eles.

 

Ora, eu sou daqueles que sempre preferiu ver a excelentíssima esposa amamentar com algum recato, por manifestas dificuldades em olhar para as suas mamas - ainda que apenas por três, seis ou nove meses - exclusivamente como um apêndice alimentar ao serviço de bebé. Aliás, muitos pais têm uma relação complicada com os filhos recém-nascidos, e existe até com frequência uma espécie de ciúme manhoso, em boa parte relacionado com a diminuição drástica da atenção da mamã para com o papá.

 

Aconteceu comigo quando nasceu a Carolina, e embora os pais não tenham quase nunca coragem de o verbalizar, existe efectivamente aquela sensação do "e se tirasses as mãos e a boca do meu brinquedo, ó desdentado!" A amamentação é, de certa forma, a prova definitiva da total perta de exclusividade - um conceito que é obviamente importantíssimo num casal monogâmico. Não sei se os vossos maridos alguma vez vos fizeram esta conversa, ou se sou eu que sou particularmente badalhoco, mas, de facto, senti tudo isto.

 

Dito isto, é aqui que alguns (ou melhor: algumas) dão um salto que me parece ilegítimo: o facto de eu preferir o recato, ou de me poder sentir desconfortável se uma amiga está alegremente a amamentar ao pé de mim - porque, em última análise, sou incapaz de des-sexualizar mamas -, não significa que eu exija o recato ou que me passe pela cabeça fazer qualquer espécie de observação em relação à pessoa que amamenta ao meu lado.

 

A civilização é isso: sermos capaz de combater os nossos próprios preconceitos. Podemos continuar a tê-los dentro de nós, mas não vamos tentar impô-los - ou sequer justificá-los - à humanidade. Ou seja: parece-me evidente que uma mulher tem todo o direito de alimentar o seu filho onde e quando lhe apetecer. Se alguém se sentir desconfortável - como eu próprio por vezes me sinto - azarucho: que vire a cara ou feche os olhos. Porque o direito daquela mulher a responder às necessidades do seu bebé obviamente se sobrepõe ao meu desconforto.

 

Acho que se aceitarmos isto encontramos com mais facilidade uma plataforma de entendimento. Eu prefiro o recato. Mas não me passa pela cabeça exigi-lo a uma mãe que está a dar de comer à sua criança.

 

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publicado às 09:00


O tabu da amamentação #2

por João Miguel Tavares, em 18.11.14

A discussão a propósito deste post, na caixa de comentários, está a atingir níveis particularmente acirrados, pelo que eu pedia um pouco mais de moderação aos leitores, para eu próprio não ser obrigado a moderar o que ali é dito. Como sabem, os meus níveis de tolerância argumentativa são bastante elevados, mas convém mantermo-nos dentro de certos limites de razoabilidade.

 

O que se querem são opiniões equilibradas e, de preferência, argumentadas, como é o caso desta da faty eilans:

 

Confesso que este debate acerca de amamentar me deixa muito frustrada. Ter um seio à mostra para dar de alimento a um filho está longe de ser obsceno, a natureza fez-nos fisiologicamente eficientes. Infelizmente, ter um seio à mostra é visto por uma sociedade dita evoluída como um acto sexual.

 

Logo, esteja o seio à mostra para amamentar ou por qualquer outro motivo, a interpretação do acto acaba por não ser diferenciada. Nos dias de hoje, em que uma mulher é julgada por se sentir capaz de suportar os olhares muito indiscretos na exposição do seu corpo, aceita-se mais facilmente uma Kim "artística" do que uma Alyssa "mãe que alimenta filho".

 

Respeito ambas, mas nunca julgarei uma mãe que alimenta um filho e que o partilhe numa rede social. Como mãe que sou e que amamenta, luto todos os dias contra o preconceito de amamentar em espaços públicos quando a minha filha precisa. Um seio à mostra para amamentação não é um acto sexual, seja ele visto ao vivo ou fotografado.

 

Países como o Reino Unido introduziram o Acto de Igualdade em 2010, de forma que a amamentação não seja ostracizada quando feita em público. Acto este que permitiu a defesa de uma mãe que foi fotografada sem saber a amamentar na rua e a sua foto publicada numa rede social com um título ofensivo. O debate sobre este tópico merece um pouco mais de construção e menos julgamento moral & trocas de insultos.

 

O caso que a leitora refere neste último parágrafo aconteceu em Março deste ano, quando uma inglesa chamada Emily Slough foi fotografada às escondidas a amamentar o filho na rua e a sua foto acabou vítima de insultos no Facebook. A imagem é esta e o inacreditável comentário está em baixo:

 

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O Daily Mail conta a história aqui. Várias dezenas de mães reagiram numa manifestação pública, em que deram de amamentar aos seus filhos no mesmo local em que Emily Slough foi fotografada.

 

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A questão, obviamente, não se coloca apenas em Inglaterra. Aqui encontram um texto brasileiro que faz um bom resumo da situação, e dá exemplos - a meu ver, inconcebíveis - de mulheres que são incomodadas, inclusivamente em instituições públicas, por amamentarem os filhos.

 

Foi o que aconteceu à modelo Priscila Bueno num museu de São Paulo, também este ano, o que deu origem a um protesto no mesmo local semelhante ao das inglesas em defesa de Emily Slough, a que os brasileiros dão o colorido nome de "mamaço". A história pode ser lida aqui.

 

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O facto de estarmos na presença de uma mulher muito bonita, apenas dá razão àquelas que defendem que o problema não está no acto em si mas na cabeça de quem olha para ele. Nesse sentido, não há como negar a utilidade do Equality Act referido pela faty eilans, e que no que diz respeito à amamentação pode ser consultado aqui.

 

O que o Acto de Igualdade diz é muito simples: é considerada discriminação sexual tratar desfavoravelmente uma mulher por estar a amamentar em público. Ninguém pode pedir que pare, nem recusar prestar-lhe um serviço (num café, por exemplo) por causa disso. Parece-me uma coisa básica - mas, pelos vistos, há coisas básicas que necessitam de ser verbalizadas.

 

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publicado às 09:22


O tabu da amamentação

por João Miguel Tavares, em 17.11.14

Os Estados Unidos são aquele país onde tudo se discute, e sempre de modo mais fervoroso do que em qualquer outro lado. Donde, a questão da amamentação é naturalmente um enérgico campo de batalha. E a luta é não só pelos benefícios (indiscutíveis) do aleitamento materno, mas também pela visibilidade da amamentação - um tema sempre sensível.

 

A actriz Alyssa Milano teve a sua primeira filha em Setembro e tem partilhado fotos desses momentos no Instagram. Numa das mais recentes partilhas, colocou fotos suas a dar de mamar ao bebé e houve alguma reacções de pessoas que defenderam que a amamentação é um momento íntimo entre mãe e filho, que não deve ser partilhado desta maneira.

 

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A resposta de Milano no Twitter teve graça:

 

Esperem! Eu não percebo. Sem desrespeito pela Kim, mas... as pessoas ficam ofendidas com a minhas selfies a amamentar e estão confortáveis com a sua (extraordinária) capa do rabo?

 

A "capa do rabo" de Kim Kardashian, como por esta altura quase todo o planeta saberá, é esta:

 

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E, como a própria Milano admite, é um "inacreditável rabo". Eu subscrevo. Mas Alyssa tem uma certa razão: suportamos com grande tolerância imagens de uma sexualidade explosiva, e depois encolhemo-nos com vergonha perante uma mãe a amamentar um filho. Suponho que Freud deva explicar. Mas eu não conheço essa explicação.

 

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publicado às 10:22


Coisas de que o Gui não se deveria lembrar

por João Miguel Tavares, em 17.11.14

O problema com o nosso Gui, agora que ele entrou para a escola primária, é que a sua criatividade, e as maluquices que lhe passam pela cabeça, vão com frequência longe demais.

 

Ontem de manhã a Teresa sentou-se para o ajudar a fazer os trabalhos de casa, pediu para trazer o seu estojo, e quando o abriu, para além do habitual conjunto de lápis todos roídos, encontrou isto:

 

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Isto, para o caso de alguém não perceber, até porque mais parecem cogumelos laminados, são os restos da falecida borracha do Gui, que ele decidiu cortar às postas, vá lá saber-se porquê.

 

Este início de primeiro ano tem sido para nós uma preocupação constante. O Gui, como seria de esperar, não tem nada a ver com os outros irmãos, e é tão difícil conseguir que a sua cabeça aterre como a sonda Philae acertar num cometa que viaja a 510 milhões de quilómetros da Terra. Em termos estritamente pedagógicos, não é uma coisa consoladora.

 

A Teresa acha que ele é o astronauta Spiff: mesmo quando olha para nós, não é a nós que ele está a ver.

 

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 Acho que a Teresa tem razão.

 

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publicado às 09:51


Carta às mães numa manhã de Outono em que estão 15ºC

por João Miguel Tavares, em 14.11.14

Caras mães

 

Quando vocês acordarem com frio de manhã, seja porque ainda estão a usar um pijama leve, seja porque se esqueceram de fechar a janela da casa de banho, vistam um casaco, uma blusa mais forte ou uma camisola interior. Mas, por amor de Deus, não coloquem quatro camadas de roupa em cima dos vossos filhos, como se estivéssemos a enfrentar uma vaga de frio polar. Lembrem-se da famosa máxima de Ambrose Pierce: "Casaco é aquilo que o filho usa quando a mãe sente frio." E tentem ultrapassar isso de uma vez por todas, se faz favor. Agradeço por antecipação.

 

Com os melhores cumprimentos,

 

Um pai que tem de ajudar a vestir vários filhos todos os dias pela manhã

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publicado às 08:42


Guerra dos sexos

por João Miguel Tavares, em 13.11.14

A Carolina e a Rita dormem no mesmo o quarto, e de vez em quando, ao final do dia, a Carolina fecha-se com a Rita, senta-a na cama dela e põe-se-lhe a mostrar coisas no tablet, que a Rita analisa com o maior interesse.

 

Ontem entrei no quarto quando elas estavam a praticar esta intensa actividade, e a Rita olhou para mim com ar zangado. E de repente:

 

Fóia! Fóia! Só mininas!

 

E eu: oi?

 

Fóia! Só mininas!

 

A Carolina, que é quase uma senhora, já exige que o pai bata à porta para entrar no seu quarto - sendo que para a mamãzinha é infinitamente mais tolerante. E agora até a catraia de dois anos acha que a minha condição de macho é impeditiva de frequentar os seus aposentos.

 

Já se cavam trincheiras nesta casa. Está oficialmente aberta a guerra dos sexos.

 

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publicado às 10:10


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Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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