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Dilema dos amantes III

por João Miguel Tavares, em 12.03.13
Está fora de moda, cara Teresa, pela simples razão de que somos cada vez menos sensíveis ao adiamento das gratificações imediatas. Há um lado bom nisso, na medida em que durante séculos e séculos as pessoas viviam enfiadas em relações nas quais não acreditavam, e onde a traição masculina era aceite pacificamente. Que hoje em dia tal seja impensável é obviamente um ganho. Mas, por outro lado, exige-se agora que o amor seja uma paixão permanente, o que é de todo impossível. Resultado: as pessoas separam-se a velocidades estonteantes, sempre à procura de um Mr. Right que nunca aparece, ou que aparece apenas durante curtíssimos períodos de tempo. Eu diria que, nesta questão, a virtude está mais ou menos no meio: nem deixarmo-nos arrastar em relações sem futuro, nem levar o "carpe diem" a um extremo tal que parece que a única coisa que importa é o presente.


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publicado às 00:41


4 comentários

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De Isabel a 13.03.2013 às 11:27

Mas qual é o problema de assumir um compromisso e levá-lo a sério? Compromisso, vida em comum, "estar no mesmo barco", levar um dia de cada vez e não estar sempre a pensar se amanhã ainda vou estar apaixonada ou não, é tudo uma opção de vida.
Há dias em que o casal está de costas voltadas, outros dias os filhos não deixam sequer falar um com o outro e outros dias ainda em que acho que nascemos um para o outro. O denominador comum? Compromisso, Amor, Amizade, chavões que mesmo assim não conseguem explicar o que é preciso para se continuar juntos. Paixão também, de vez em quando acontece. Mas acho que não se deve viver para a paixão por outra pessoa, porque a paixão é um fósforo enganador, dura apenas uns segundos.
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De Teresa a 12.03.2013 às 11:12

Que honra ter um post de resposta! (Obrigada: um comentário bastava-me. E não, o primeiro comentário anónimo que deu origem ao outro post não foi de minha autoria.)

Talvez devesse ter formulado a minha pergunta de outra forma.

O João (ou eu, ou tantas pessoas que conheço, ou o Samuel Úria, que refere ou as pessoas que aqui no blog deixam comentários nesse sentido) conseguem pensar em mais do o estado de paixão permanente. Acha mesmo que somos uma minoria? Olhando para os casais que me rodeiam vejo as pessoas a negociar e a fazer um esforço para que tudo resulte bem para ambos como não se fazia na geração dos meus avós nem dos meus pais.(E tenho 30 anos.)

Diz - como diz muita gente, aliás, - que as pessoas se separam a velocidades estonteantes, sempre à procura de um Mr. Right (e de uma Ms. Right, acrescento eu) que nunca aparece mas é mesmo a isso que o João assiste nas pessoas que o rodeiam? É que a mim isso parece-me mais o Sex and the City do que a realidade que observo à minha volta.

E já que o João se deu ao trabalho de escrever um post para mim, tento retribuir com uma referência bibliográfica: Aboim, Sofia (2011). Vidas conjugais: do institucionalismo ao elogio da relação. In Almeida, Ana Nunes (Eds.), História da vida privada em Portugal: os nossos dias (pp. 80-111). Lisboa: Círculo de Leitores / Temas e debates
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De Anónimo a 12.03.2013 às 10:55

Tenho estado a ler atentamente os posts sobre este tema e, na verdade, não posso discordar mais. As pessoas devem ficar juntas porque é isso que querem e não apenas porque assumiram um compromisso. O problema de muitos relacionamentos é precisamente esse: centram-se no compromisso e nos planos para o futuro.
Olho à minha volta e, do alto dos meus 35 anos, vejo amigos que continuam (bem) casados, amigos que se divorciaram e recomeçaram uma nova vida (sozinhos ou acompanhados); alguns que continuam solteiros (por opção) e, felizmente, apenas dois ou três que vivem casamentos ou relações profundamente desgastadas.E o que esperam? Esperam comodamente que alguma coisa os vá arrancar dali. Não conseguem tomar uma atitude e estão à espera que alguém os salve (que tanto pode ser um novo amor como a tomada da decisão final pelo outro cônjuge).
Isto é, a meu ver, o progresso. Não vale a pena dizer que as pessoas não lutam, não se dão ao trabalho, não fazem sacrifícios, não pensam nos filhos (acho, aliás, este discurso uma coisa de há dois séculos). Hoje em dia, as pessoas, os casais, são apenas racionais: estão juntos enquanto isso os faz felizes. E adiar o fim acaba sempre por ser pior para toda a gente: para os próprios, para os filhos e para a família.

Marta Dinis
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De Bruxa Mimi a 12.03.2013 às 07:40

Muito bem! Concordo.

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