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É oficial: este é o fenómeno mais estúpido do ano

por João Miguel Tavares, em 09.10.13

OK, a malta já sabe que os putos são de modas. Mas entre as muitas modas altamente estúpidas que eles conseguem inventar, nenhuma supera a estupidez dos autocolantezinhos que estão - ao que parece - a bombar por aí, e que eles se entretêm a trocar na escola, depois de os descolarem das suas folhas de origem e de os colarem dentro de folhas de plástico, a que por cá chamam "micas" (eu nunca chamei micas às micas enquanto andei na escola, mas isso deve ser porque no Alentejo a expressão não se utiliza, dado o reconhecido bom gosto dos alentejanos - micas lembra micose, parece que uma pessoa pega naquilo e tem de ir logo a seguir consultar um dermatologista).

 

A minha excelentíssima esposa jura-me que não são só os nossos três filhos mais velhos a terem sido contaminados pela moda. Ela garante-me que todos os miúdos da escola andam naquilo, com grande entusiasmo e frenesim. Mas eu não quero acreditar que esta actividade de descolar autocolantes sem nenhuma ordem nem sentido, que tanto podem ser leões, como caveiras, como palavras, como ícones de Londres, como letras nojentas gelatinosas; a que se segue a sua colocação em "micas", a que se segue a colocação das micas em dossiês dedicados à colecção, a que se segue o transporte desses abortos estéticos para a escola; eu não quero acreditar, dizia, que isso possa ser uma coisa assim generalizada, daí ter vindo para aqui desabafar com vocês e mostrar fotografias do que falo.

 

E aquilo de que eu falo é isto:

 

Ou de isto, caso de uma excepção particularmente bela (a única), já que se tratam de autocolantes da Sapo:
Mas o que é isto, senhoras e senhores? Quando era pequenino eu adorava colecções de cromos, e de calendários, e de selos, e de moedas, e de berlindes, e até de latas de refrigerantes (sim, eu tenho idade para ter visto nascer a lata de refrigerante). Mas em tudo aquilo havia uma certa ordem estética, uma harmonia, um equilíbrio de formas. Isto, por seu lado, é a barbárie do coleccionismo! É a invasão de Roma pela anarquia da goma e da vinheta! Aquilo não é nada: é uma mera acumulação de autocolantes fajutos, que não servem para coisa nenhuma e só podem deleitar olhos vesgos.

 

Como se isso não bastasse, a coisa dá confusão da grossa cá em casa. Três vezes por dia há gritos domésticos porque os meus filhos se envolvem em discussões dignas de vendedores de tapetes magrebinos do século XVII. Porque um quer o autocolante X, e para ter esse é preciso trocar por Y, e depois há desfalques pelo meio que eles tratam como se fosse a falência do BPN, eu tenho de acudir para acalmar conflitos, de repente no meio do acudir eu encontro um autocolante W colocado ao sofá da sala, a Teresa tem de acudir para acalmar o meu conflito com eles por causa do autocolante W, eu entro em conflito com ela porque ela lhes continua a comprar os nojentos autocolantes e as nojentas micas, que por seu lado - acrescente-se a nota - andam a saltar de dossiês abertos quando são 8.50 da manhã e eles entram na escolas às 9.00 - enfim, é a p*** confusão.

 

E tudo isto porquê? Por causa da pior moda infantil de todos os tempos. Eh pá, consolem-me lá e digam-me que eu não sou o único idiota a ter de aturar isto em casa todo o santo dia. Porque se for o único, isto é obviamente uma conspiração da minha mulher para me conduzir à loucura. E o pior é que está a resultar.

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publicado às 15:55


28 comentários

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De Marta a 17.10.2013 às 19:21

Eu moro em Berlim e por aqui também se usa! Inclusive com as micas! Eu, como professora que distribuo autocolantes como recompensas, já me senti a contribuir directamente para estas transações...
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De Natalina a 11.10.2013 às 01:06

Olá! Também padeço do mesmo mal!!! O meu filho de 6 anos também foi contaminado. O pior de tudo é que não encontrava o raio dos "gelatinosos" em lado algum...até que lhe pedi (já cansada de o ouvir falar na mesma coisa) para perguntar aos amigos onde é que as mães os compravam...palavra mágica: CHINÊS!!! lá fui...não encontrava...o pior pior foi mesmo ter de explicar ao sr. chinês o que eram os "gelatinosos"...claro que não percebeu patavina do que eu lhe estava a dizer e levou-me para a secção dos cortinados de casa-de-banho...triste esta vida de mãe!!! não desisti...fui a outro CHINÊS e encontrei vários, de variadas formas...viva!!! comprei várias embalagens para o puto não me chatear mais. chegamos a casa. Ele todo orgulhoso a mostrar ao mano pré-adolescente a sua aquisição. O outro sem lhe ligar nenhuma...
agora outro drama...onde guardá-los?!?!? na capa de desenhos do mais velho, sem ele saber. Ok, assim foi, com o meu consentimento (bolas, não devia!). Eu depois haveria de arranjar outra capa para os desenhos do mais velho.
o mais velho descobriu de imediato...brigas, gritos e discussões!!! Aiiiii!!! eu queria era ver resolvida aquela cena dos pegajosos gelatinosos...fui novamente ao CHINÊS comprar outra capa para os desenhos do mais velho...Po...r....a!!! ok...tudo mais calmo.
na 2ª feira o orgulho com a capa debaixo do braço a caminho da escola era evidente...a meio da semana descobri que os pegajosos tinham sido quase todos trocados e dados e sei lá mais o quê! a capa está quase vazia...
SOCORRO!!!
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De Ssssstress a 10.10.2013 às 14:31

Meu caro Sr. Tavares, só me ocorre lembrar o que afirmam os Xutos:
Não, não és o único...

Cumprimentos (e as melhoras).

*) sei que é alentejano porém questiono: é familiar do Tavares rico?
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De João Miguel Tavares a 10.10.2013 às 16:22

Nope. Infelizmente, não há Tavares ricos na minha família. Apenas remediados.
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De Viajante a 10.10.2013 às 13:22

Essa moda ainda não chegou cá a casa. O mais velho não deve achar muita graça à actividade, suponho. A do meio de 5 anos cola os autocolantes que apanha onde consegue chegar, mas sem selectividade particular dos autocolantes.
Mas ela tem um coleccionismo muito próprio - qual corvídeo, qualquer pequeno objecto com brilho ou que se assemelhe vagamente a uma jóia, ela gosta de coleccionar. Na escola têm um canto das "trapalhadas" onde brincam com roupas de adultos e adornos dados pelos pais para o efeito, com os quais eles adoram mascarar-se. Ora de vez em quando chegam-me vestígios das "trapalhadas", escondidos meticulosamente nos bolsos do bibe ou encontrados na máquina de lavar - o último foi algo tipo "pendente" de vidro(?) que poderia ser uma peça de um candeeiro... mas também podia ser de um brinco... Espero que este coleccionismo não evolua demais e não se estenda a outras "fontes"... Alguém têm outros exemplos de coleccionismo de objectos estranhos?
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De ana rute cavaco a 10.10.2013 às 11:06

nunca ouvi de falar de semelhante fenómeno...
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De João Miguel Tavares a 10.10.2013 às 11:42

Nem imaginas a sorte que tens...
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De Anónimo a 10.10.2013 às 11:02

Os meus ainda não estão em idade de colecções, mas lembro de coleccionar coisas estranhas como folhas cheirosas, borrachas (de milhões de formatos diferentes), postais e mais tarde e mais a sério selos e moedas.
Também coleccionei tous e lembro-me da colecção de latas de refrigerantes dos meus irmãos.
Mas as colecções têm, julgo eu, como um dos objectivos ser uma coisa ordenada. Com a colecção dos seus filhos penso que esse objectivo não existe. Não compreendo, de facto.
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De Maria Joao Almeida a 10.10.2013 às 10:54

Olá João, finalmente alguém que se debruça sobre este tema!
É todos os anos lectivos a mesma coisa, com álbuns e micas com autocolantes colados. Autocolantes de todo o tipo e feitio, sem qualquer (re)utilização possível, sem qualquer lógica nem estética. (vou fotografar também, pode ser que queira fazer umas trocas comigo!)
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De João Miguel Tavares a 10.10.2013 às 11:42

Quais trocas, Maria João... Se eu conseguisse distrair os miúdos (e a mãe) daquilo, eu fazia era doações.
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De Padrinhos Civis a 10.10.2013 às 09:59

Então nos anos 80 coleccionei autocolantes numa caixa, assim, só autocolantes numa caixa... Nunca os cheguei a usar... E as colecções de folhas de blocos (que chamávamos carinhosamente "folhinhas") - folhas!! Eram só folhas e foram dos maiores vícios das meninas dos anos 90... Eu tinha cento e tal folhas, mas nem era das que tinha mais, longe disso... Bastava a mãe comprar um bloco, que depois trocávamos cada folha por novas folhas... As folhas, enfim, não eram lisas, vá lá, eram até muito bonitas, cheias de bonequinhos, mas caramba, eram folhas de papel!! E que alegria a coleção de folhinhas nos dava! Acho que a coleção de autocolantes dos seus filhos não é tão má como as coleções de folhinhas dos anos 80... Está, enfim, ao mesmo nível...
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De Maria Cruz a 10.10.2013 às 13:57

Por favor, não diga isso dos meus amados : ¨ Papéis de carta¨ ( kkkkk), era assim o nome que utilizávamos no Brasil, para essas ¨ folhas¨!
Eram tão lindos... eu adorava!
Principalmente os da Sarah Kay (havia desses aqui também?). Eu tinha uma pasta com micas e nela ia colocando cuidadosamente minha coleção... Tinha até papéis com cheiro a morango, a chocolate!
Época boa!
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De Jorge a 10.10.2013 às 09:22

no meu tempo de jovem "incossiente" lembro-me de colecionar os "TOU...qualquer coisa"
era uma moda tão parva como esta

abraço de um seu conterrâneo
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De Blog Profissão Mãe a 10.10.2013 às 02:40

Lembro-me disso qd tinha uns 10 anos? 14? Se calhar tinha mais e o melhor é não dizer a idade :)

Mas ainda existe outra moda agora pelo menos lá fora uns miúdos e umas latas, a bater palmas e a tentar repetir aquilo depressa vezes sem conta...n encontro o link :(

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