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Sobre bater (ou não bater) nas crianças #3

por João Miguel Tavares, em 14.10.13

Fazendo eu parte do grupo de pais que não tem qualquer problema em sacudir o pó a um filho se ele passar dos limites e que, ainda por cima, não sente quaisquer problemas de consciência por causa disso, queria apenas comentar o comentário da Helena Araújo, em dois pontos.

 

O primeiro ponto é uma resposta a esta pergunta: "Agradeço que me expliquem como dizer a uma criança, de modo que ela possa compreender, que os pais podem bater, mas as crianças não." Essa para mim é muito fácil: basta dizer-lhe simplesmente "eu sou teu pai, tu és meu filho, nós não estamos no mesmo plano, não somos iguais, a nossa casa não é uma democracia, eu mando em ti, tu não mandas em mim, eu posso bater-te se passares das marcas, tu não me podes levantar a mão em circunstância alguma, e vai ser assim até tu seres maior de idade, independente, tomares conta de ti próprio e teres liberdade para deixares esta casa." Simples. Até porque nós, pais, chegamos a velhos mais depressa do que eles, e depois terão inúmeras oportunidades para se vingarem de nós.

 

Quem me conhece sabe que eu odeio profundamente argumentos de autoridade - mas odeio argumentos de autoridade entre dois adultos, não entre um adulto e uma criança. Numa relação pai-filho parece-me óbvio que a relação de autoridade tem de estar bem estabelecida. É evidente que sempre que pudermos explicar a um filho as razões das nossas acções devemos fazê-lo, e eu faço-o com certeza. Mas chegado a certo ponto de desentendimento, não vou estar a conversar com ele como se eu fosse o primeiro-ministro e ele a Heloísa Apolónia. Uma família não é um Parlamento. Claro que também não deve ser uma ditadura, mas se cá em casa votássemos em relação a tudo (na verdade, até votamos bastante), e colocássemos as crianças no mesmo plano que nós, a barbárie tomaria conta da civilização.

 

O segundo ponto tem a ver com o comentário final da Helena: "Ao ler o testemunho da Sofia Silva perguntei-me várias vezes 'mas porquê?' 
Porque é que a Sofia Silva precisava de fazer tantas asneiras? Porque é que precisava de ser respondona? Parece-me que perguntar-se 'porque é que a criança precisa de fazer isto' é meio caminho andado para encontrar uma solução que a ajude a crescer bem, em vez do pequeno descarrilamento que é a palmada."

 

Ora bem, aqui eu acho que a Helena entra naquele ardil meio psicoanalítico, meio fé no bom selvagem, que consiste em acreditar que por detrás de cada gesto desregrado existe um trauma escondido, que se for encontrado e devidamente eliminado elevará a criança ao esplendor dos altares. Detecta-se o mal interior, corrige-se com muito amor, e a partir temos um santinho, que levará o resto da sua vida a espalhar o bem pela Terra.

 

Vai-me desculpar, cara Helena, mas eu acho esta visão extremamente errada - ainda que ela me impressione pela tremenda fé na bondade interior e na racionalidade do homem. A verdade é que eu estou como o Po, a personagem principal do Panda do Kung Fu: não existe ingrediente secreto.

 

 

Que é outra forma de dizer: não existe uma determinada forma absolutamente correcta de educar uma criança, um caminho das pedras que conduza à felcidade eterna, uma fórmula geral que possa ser aplicada a todos os miúdos do planeta. E isso por uma razão muito simples: os seres humanos são demasiado complexos para que a sua educação siga uma determina matriz, universalizável, extensível a qualquer alma, independentemente dos seus genes, das suas sinapses, do cocktail químico que corre nas nossas veias, e que é diferente para cada um de nós.

 

Claro que existem caminhos, soluções partilháveis, aprendizagens que se vão acumulando - de outra forma não precisaríamos de pediatras para nada. Não estou a dizer que não temos nada a ver uns com os outros - estou a dizer que não podemos ser reduzidos a uma solução única, uma pedra filosofal capaz de transformar uma criança problemática num adulto exemplar.

 

É por isso que a questão da palmada não tem, na minha opinião, uma resposta única e definitiva, aplicável a todo o universo de miúdos. Para alguns, calmos e compreensivos, não é certamente a melhor forma de os educar. Para muitos outros, será um instrumento essencial de disciplina, que os ajudará a crescer mais articulados e com uma noção mais precisa dos seus limites. E por isso, parece-me tão fundamentalista (e não estou a dizer que seja o caso da Helena) aquele que acha que sem umas boas chineladas não há criança que se faça homem, como aquele que acha que uma palmada na hora certa é uma forma de violência doméstica que deve ser punida por lei.

 

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publicado às 11:02


116 comentários

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De Anónimo a 14.02.2017 às 09:30

Eu queria nunca ter que dá um tapa no meu filho mas quando ele tenta ter mais autoridade e faz birras com quase 11 anos de idade fico sem nenhuma opção, amo meus filhos mais que a minha própria vida não acredito que a violência seja a forma correta de educar, fico triste e até chorei muitas vezes, vou sempre pelo castigo primeiro tiro telefone, jogos , passeio , não adianta ele não obedece e ainda me enfrenta é triste bater em um filho mas quando ele é quase do seu tamanho e que te mostrar que tem mais força o quê fazer nesse momento????
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De Carla Marques a 06.08.2015 às 19:33



Não sou a favor de castigos corporais. Nem de gritos. Nem de admoestações que acabem com a caracterização de uma criança como: "mau", "feio", "burro" ou outras pérolas de simpatia.

Frases como: "Levei umas palmadas em criança e só se perderam as que caíram no chão" fazem-me tanto sentido como dizer: "A próxima vez que me atenderem mal no supermercado, levam um sopapo para aprenderem como devem tratar um cliente."

As palmadas de que falo são mesmo as "palmadinhas para sacudir as moscas da fralda", são as que não se sentem, as que não doem, porque palmadas que magoem mesmo a criança passam a deixar de ser um ato sujeito a opinião para ser um ato sujeito a punição legal.

Eis os meus argumentos contra o uso de "palmadas" na educação de crianças:

- A melhor forma de educar uma criança é pelos nossos atos, não pelas nossas palavras. Não adianta pedir-lhe para arrumar os brinquedos se nós, pais, deixarmos as nossas próprias coisas desarrumadas pela casa. Da mesma forma, se batemos aos nossos filhos quando fazem algo que não achamos correto estamos a dizer-lhes que é correto usar força física quando alguém faz alguma coisa que não nos agrada.

- Nós não batemos (ou concordamos que não o devemos fazer) aos nossos companheiros, aos nossos pais, aos nossos colegas de trabalho. Não batemos aos desconhecidos que, por vezes, se cruzam connosco e têm atitudes antipáticas ou menos corretas. Então porquê batermos aos nossos filhos, as pessoas que mais amamos no mundo?

- Todos desejamos que os nossos filhos nos admirem e nos respeitem. Também queremos que sejam pessoas honestas, educadas e com bom caráter. Vamos leva-los a agir da forma que achamos correta por acreditarem mesmo nos atos ou por terem medo de levar uma palmada?

- Existem pais que aplicam, calmamente, palmadas aos seus filhos como quem está a proceder de acordo com uma escola de educação milenar, aplicada com sucesso, a eles próprios. Esses pais encaram a palmada como um ato de amor. São aqueles que dizem: "Que lhes dói mais a eles que as filhos, as palmadas." Tenho a certeza que não o fazem por outra coisa que não a firme convicção de estarem a fazer o melhor pelos filhos.
Nisto sou um pouco radical, admito, mas o que depreendo é que estão a ensinar aos filhos que as pessoas que mais amor têm por eles batem-lhes em nome desse amor. Batem-lhes, porque é necessário, embora os amem. Estão a ensinar-lhes que está ok bater em alguém que amamos. Isto soa um bocado mal, não vos parece? Parece uma cena manhosa que os "homens" (ou mulheres) dizem à companheira (ou companheiro) depois de lhes aplicarem um tabefe.

Então como educar quando eles fazem grandes birras e não cedem a qualquer tipo de explicação ou tentativa de conversa da nossa parte?

Com todo o amor que temos por eles. Com todo o amor, paciência e tempo que eles merecem. Com castigos.
Demonstrando que os seus atos têm consequências. Demonstrando que o amor que temos por eles é incondicional, que os amaremos sempre, mas quando se portam mal existem consequências.

Não digo que nunca vá gritar com a minha filha ou dar-lhe uma palmada. Eu não posso prever isso, pode acontecer. Posso estar especialmente mal humorada, cansada ou stressada e não conseguir reagir com a calma necessária a uma birra. Mas vou tentar evitar isso ao máximo.

Neste momento a minha filha tem 16 meses e, nunca me passou pela cabeça dar-lhe uma palmada ou gritar-lhe. Ela tem dias particularmente difíceis, mas as suas birras ainda me dão mais vontade de rir do que aborrecimento.

O que faço é impedi-la de proceder mal quando insiste em fazê-lo. Se mexe onde não deve, afasto-a do local. Quando começa a tentar pisar os livros ou o iPad, explico-lhe porque não o deve fazer e, se insistir no comportamento, retiro-lhe o objeto, mesmo que chore muito. Tenho esperança que perceba que, se continuar a proceder de uma forma que eu considero desadequada, vai ter consequências que lhe serão desagradáveis, embora delas nunca faça parte um ato agressivo ou menos amor por ela.

Vamo-nos entendendo, para já.
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De Patricia a 04.01.2017 às 10:59

Boa tarde.
Eu não sou nem a favor nem contra uma palmada na altura certa. Sou sim contra radicalismos, 8 ou 80.
Acho que cada criança é diferente, cada birra é diferente e em cada idade deve haver uma reacção diferente.
Com 16 meses é normal nunca se ter dado uma palmada a uma criança.... Mas com 2 anos e meio ou por volta dessas idades é normal que surjam diversas situações em que seja necessário uma palmada. Eu mesma acho que por vezes é a única forma da criança "sair do seu estado de transe" e perceber que está a reagir mal. Lembro-me de já o fazer e de seguida ter um pedido imediato de desculpas e imensos beijinhos. Há que estabelecer limites... e infelizmente o diálogo nem sempre resulta. Eu sou apologista do diálogo mas tentem dialogar com uma criança de 2 a 3 anos com uma birra infernal.... quem perde somos nós, pais. E isso sim desencadeia uma habituação nos filhos de que eles podem dominar-nos e nos manipular, e isso também não será saudável ao seu crescimento. Acho que em tudo tem de haver meio termo. Tentar dialogar sempre, mas se por alguma razão a birra predomina sem explicação plausível então a palmada aqui não a vejo como sinonimo de autoridade e agressividade, mas sim um limite à falta de respeito ou estado "de transe" da criança.
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De gis a 01.01.2015 às 23:14

as pessoas costumam pensar ah meus amigos não ficaram traumatizados, ai dizem eu também não, pergunto, será que realmente não ficaram? vocês por acaso entraram na mente das pessoas e de seus amigos?

miuitos ficam e não gosytam de falar pafra não magoar os pais.

outros se esquecem que exiwtem outros mundos além do o ao seu redor, e acharm que ninguém ficou traumatizado.

pois é e meus irmãos somos casos que ficamos, mas muitos de vocês vão achar que é invenção.

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De gus a 01.01.2015 às 23:11

vou escrever algo sobre minha vida, alguns vão dizer que eu estou inventando para impressionar, mas não, é a mais pura verdade.

minha mãe sempre dava palmada em mim e em meus 2 irmãos, meu pai nunca bateu na gente, apenas dialogava e ficava sem falar por algumas horas e fazia a gente pedir desculpa pelo menos uma vez, e ficava com cara de poucos amigos.

minha mãe insistia nas palmadas, hoje eu tenho 2 filhos e não dou palmadas de jeito nenhum, aplico castigos. mas não palmadas nem bato, os privo de coisas que eles gostam e funcionam muito bem.

quanto aos meus pais, sabem quem na época que éramos eu e meus irmãos crianças e adolescentes quem obedecíamos mais?


quem respondeu que era minha mãe por causa das palmadas errou, pois mesmo com as palmadas, repetíamos sempre os mesmos erros..

obedecíamos a meu pai, pois eles não nos batia, mas tínhamos mais respeito por ele do que por minha mãe.

e hoje somos os três e inclusive minha mãe traumatizados com palmadas.

um adulto em um acesso de impaciência com o filho pode vir a machucar a mão do filho severamente, mesmo que não seja naquele momento, mas no futuruo pode ter algum problema na mão, um amigo meu tem por causa das palmadas que levou, mas só quando adulto é que perceberam que era por causa das palmadas.

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De Elsa a 28.11.2014 às 09:09

Caro João, gosto muito do que escreve e concordo plenamente consigo. Sou mãe e psicanalista, e não diria melhor em muitos casos com tudo o que aprendi na ciência e experiência de vida e profissional. Deixe-me só corrigir uma ideia que escreve. O bom selvagem vem da filosofia, de Thomas Hobbes. Freud afirma o contrário, é a educação através da autoridade que faz a criança ser sociável. Os nossos instintos , sem educação que os transforme , são destrutivos e não naturalmente bons como dizia Hobbes. Cumprimentos ,
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De gus a 01.01.2015 às 23:01

se está defendendo a palmada e bater, e é psiquiatra, das duas uma ou você está mentindo ou é um péssimo psicanalista e psiquiatra.
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De Susy a 14.08.2014 às 01:13

Concordo consigo. Sou apologista da disciplina positiva como 1º abordagem, mas nao vou ficar ad infinitum a dialogar com a criança. Não tem cabimento sequer. Apos explicada a situação, as opções (se as houver) e as consequencias ( se necessario duas vezes), acabou-se. A partir desse momento se a criança decidir fazer aquilo que dissemos para não fazer, há que aplicar alguma consequencia que seja má para ela, e nao apenas falas mansas. No caso da palmada eu penso que serve mais como um "acorda para a vida" após o dialogo nao ter resultado e se queremos obter um dado comportamento imediato e para deixar claro q nao aceitamos de forma alguma dada situçao - exemplo: birras escandalosas em supermecados - com direito a se jogarem pro chao, atirar algo pro chao ou dar pontapes (ou isso td) - acho q exigem uma palmada imediata (e daquelas bem dadas), é q nem se poe a questao para mim. Para comportamentos a longo prazo o dialogo terá sempre q existir mas isso nao quer dizer q deixemos de corrigir de outras formas antes.
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De Mia a 02.08.2014 às 10:49

Não costumo entrar neste tipo de discussões porque normalmente não levam a lado nenhum. Temos opiniões tão opostas que as discussões facilmente ficam desrespeitadoras. Mas o que gostava de dizer é: Como tem essa opinião parabéns por ter escolhido viver num pais onde pode fazer este tipo de afirmações. Há países onde os seus filhos já não estariam consigo. Penso que não está interessado em saber sobre alternativas à palmada, mas se quiser avise que tenho todo o gosto em partilhar.
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De Patrícia Fernandes a 06.08.2014 às 20:06

Conte lá então, Mia. Gostava muito de saber quais são as alternativas que tem para nos oferecer.
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De Mia a 11.08.2014 às 21:51

Muito obrigada pela abertura em saber um pouco mais! São raros os pais que realmente querem as alternativas.

Em primeiro lugar a principal alternativa resume-se desta forma:
Crie um espaço entre emoção e reação. Neste espaço não existem palmadas e muitas vezes bastam uns segundos para conseguir faze-lo, desde que tenhamos essa consciência. E a partir daí, podemos escolher estratégias diferentes.

Também é importante referir que não há nenhuma solução para as crianças se ”portarem bem” sempre. Aliás, para as crianças se poderem ”portar bem” é obrigatório portarem se também ”mal”...

Quero aproveitar para partilhar dois artigos que falam bastante extensivamente sobre o porque de as palmadas não funcionarem e como podem ter consequências muito indesejadas. (saliento que o termo em inglês ”spanking” se refere à palmadas, ”sacudir o pó” e ”a palmada na hora certa” incluídos):

http://www.apa.org/monitor/2012/04/spanking.aspx
http://www.ahaparenting.com/parenting-tools/positive-discipline/should-I-spank-my-child

E agora para as alternativas. Isto é uma lista dos artigos que tenho guardado para situações em que pais realmente procuram alternativas. Porque há pais que as vezes utilizam a palmada mas que estão a querer deixar de faze-lo.
São artigos claros e muito úteis para quem tiver abertura. A melhor forma de os ler é com mente de principiante, evitando julgamentos enquanto os lemos, refletindo sem os filtros habituais. É muito fácil querer defender algo que utilizamos e parece estar a funcionar ( e a verdade é que a palmada pode realmente funcionar muito bem, no momento).

http://www.positive-parents.org/2012/04/alternatives-to-spanking.html
http://www.ahaparenting.com/parenting-tools/positive-discipline/Discipline-no-more
http://www.ahaparenting.com/_blog/Parenting_Blog/post/raising__great_kids_without_punishment/
http://www.janetlansbury.com/2010/04/no-bad-kids-toddler-discipline-without-shame-9-guidelines/
http://www.janetlansbury.com/2012/07/the-discipline-question-no-one-can-answer/
http://www.awareparenting.com/twenty.htm

Partilho também alguns artigos escritos por mim que poderão eventualmente ser úteis para quem quer evitar dar palmadas.

http://mamamiaparentalidade.blogspot.se/2014/07/como-entender-o-comportamento-os-6.html
http://mamamiaparentalidade.blogspot.se/2014/04/5-dicas-para-prevenir-birras.html
http://mamamiaparentalidade.blogspot.se/2013/09/o-mundo-das-consequencias.html
http://mamamiaparentalidade.blogspot.se/2013/09/dicas-para-consequencias-logicas.html
http://mamamiaparentalidade.blogspot.se/2014/05/como-sei-que-estou-fazer-coisa-certa.html
http://mamamiaparentalidade.blogspot.se/2013/10/como-falas-como-o-teu-filho-o-poder-da.html
http://mamamiaparentalidade.blogspot.se/2012/06/20-frases-para-colaborar.html

Em relação a comentários tipo ” Eu levei palmadas e estou bem.” recomendo:
http://codenamemama.com/2012/10/05/but-i-was-spanked-and-im-ok/
http://everythingisknowable.blogspot.se/2013/02/i-was-spanked-and-im-ok-few-things-that.html
http://www.naturalchild.org/jan_hunt/spanked.html

E além desta informação toda é necessário uma boa dose de paciência e amor incondicional. Ingredientes que estão em falta quando damos uma palmada e fundamentais na educação/orientação de uma criança.

Aproveito também para referir que esta informação toda serve igualmente para substituir castigos, lutas de poder e berros.

Não tenho interesse absolutamente nenhum em entrar em discussões sobre se se deve dar palmadas ou não. Eu tenho a minha opinião (bastante rígida, eu sei...) e não tenho paciência :) para tentar convencer ninguém que apenas está interessado em defender as palmadas e que não está interessado em ponderar outros pontos de vista. A experiência diz-me que o nível de respeito tende a baixar, de ambos os lados. E admito que é um assunto que mexe muito comigo.

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De Mia a 11.08.2014 às 21:52

(cont.)
Entendo que palmadas muito ocasionais possam acontecer. Somos extremamente condicionados e todos nós podemos ter reações fortes de vez em quando. Se tivermos consciência dos nossos atos, até podemos utilizar esse tipo de situações para fazer boas aprendizagens de ambos os lados. Estou perfeitamente de acordo com o "não existe uma determinada forma absolutamente correcta de educar uma criança”
E também não acho que "por detrás de cada gesto desregrado existe um trauma escondido” mas sei que por trás de cada comportamento desafiante existem necessidades e emoções que necessitam de ser reconhecidas e que quando conseguimos fazer esse reconhecimento a situação muda.

E também sei que se não ponderarmos bem as nossas intenções como pais, nunca vamos poder avaliar se o que estamos a fazer é o certo ou o errado no nosso caso específico (nunca encontrei ninguém que tenha feito isso antes de ter filhos, eu incluída, mas agora já tenho as minhas por escrito). Utilizar a palmada como uma forma consciente para educar uma criança é completamente diferente. Isso dói me na alma. E também acredito que serão muito, muito poucos os pais, que ao definirem bem os seus valores e as suas intenções, e que façam bem o trabalho de casa sobre palmadas, que consigam honestamente defender a palmada como estratégia educativa.

Mais uma vez, obrigada por pedir ”as alternativas” . Não sei se as vai ler, mas pode ser que pelo menos sirva outro leitor.

Até um dia destes,
Mia
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De Susy a 14.08.2014 às 01:29

Olá Mia :) Eu já participei de um grupo de disciplina positiva no intuito de aprender várias tecnicas q sempre considero uteis mas acabei por sair do grupo pois achei extremismo a mais e hipocrisia a mais, pois a maioria dos q lá estavam nem sequer conseguiam respeitar a opiniao dos outros quando esta era divergente da deles, o que para mim é ser hipocrita quando se defende "disciplina positiva".

Tb costumo ler muitos artigos (e livros, gosto mt do da Elisabeth Pantley sobre educação por exemplo) e tenho uma grande amiga q aplica (e com sucesso na maioria das vezes, ao meu ver) a 100% a DP, e no entanto nenhum deles conseguiu me convencer que TODAS as crianças podem ser educadas sem uma palmada aqui e ali, e mt menos me convenceu de que ela nao é util de vez em quando para comportamentos e disciplina imediata. Se deve ser usada sem pensar, num acesso de raiva? Não. Se é educacional por si só? Claro que não. Mas é uma mais valia para "acordar a criança para a vida" quando necessario , afinal nem sempre nos é possivel dar opçoes ou ficar 2h a "discutir" o assunto com a criança ou simplesmente esperar q ela acabe de dar pontapes no chao (nos casos mais graves, felizmente nunca me vi nessa situaçao).

Não consigo enchergar como uma forma de violencia, nem como falta de respeito, nem como abuso de autoridade ou o q quer q seja e mt menos q isso cause traumas terriveis SE não for espancamento e se a criança sentir-se sempre amada e for devidamente esclarecida e educada além da palmada de vez em quando. Esta é a minha opiniao e nisto da educação estou com o autor: nada de extremos, nem soluçoes mágicas.

Acho q podemos mt bem usar a disciplina positiva -e evitar palmadas ou castigos sem logica - como base da educação de uma criança ao mesmo tempo que se tem a noçao que as vezes é preciso algo mais e que isso nao significa necessariamente q perdemos a "compustura" e estamos a descarregar a nossa raiva e frustraçao (como já li em tantos artigos da DP!).

Espero que entenda o meu ponto de vista :)
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De Mia a 14.08.2014 às 21:59

Cara Susy ,
Cresci num país onde a palmada não existe como opção legal. Um pais onde esta discussão nem sequer existe. Ter vivido essa realidade completamente ausente de palmadas faz com que seja extremamente difícil para mim acreditar na necessidade da palmada e em todos os argumentos pro-palmada. E não sou nenhuma apologista de disciplina positiva (mas a disciplina positiva n é apenas sobre conversas, tem tudo a ver com limites e consequências também).
Acredito que cada criança requer a sua estratégia a sua forma de nós relacionarmos com ela, e estou convencidíssima que todas essas estratégias podem e devem ser ausentes de palmadas. Tenho três filhos e muitos desafios, nunca senti que houvesse um único momento em que seria importante ou necessário dar 'uma palmada bem dada'. Convivo com muitas outras crianças com todo o tipo de comportamentos e nunca senti que era necessário levarem uma palmada. E tenho a certeza que as crianças portuguesas não merecem mais palmadas que crianças norueguesas, dinamarquesas ou suecas. Só podemos acreditar na palmada porque nós ensinaram a acreditar nela.
Só podemos defender a palmada porque ela funciona para nós, não porque funciona para a criança. E como funciona para nós e porque fomos tão condicionados, ficamos com muita vontade de a defender.
Se soubesse realmente como fazer nas situações que mencionas (pontapés, birras no supermercado etc.) sem dar palmadas e sem investir duas horas, e mantendo o respeito, escolhias a palmada na mesma? Se não, basta investigar tudo que partilhei (especialmente da Elizabeth Pantley como já gostas dela). Como já tens esta abertura toda acho que, se leres tudo (do coração até a cabeça) vais encontrar alguma luz. Se isso não funcionar, imagina que fosses viver por exemplo para a Suécia, onde seria impossível utilizar a palmada, o que farias? A minha aposta é que tu até já sabes. ;)

Tal como não consigo defender que um marido da uma palmada à mulher, não consigo defender que uma mãe da uma palmada ao filho. Para mim é uma comparação perfeitamente válida porque acredito que todas as pessoas, de todas as raças, de todos os tamanhos, crianças incluídas, têm o mesmo valor e merecem ser tratadas com o mesmo respeito. Embora o tipo de relacionamento com um filho inclua mais responsabilidade para o adulto. Entendi que possa haver um impulso/uma vontade de dar uma palmada, mas para mim, é impossível defender a palmada como estratégia educativa e acho que já ouvi os argumentos pro todos.
E fico por aqui, que já estou farta de mim mesma- com muito respeito!
Até breve!
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De Sara G. a 27.06.2014 às 11:52

Acho que ser pai/mãe é uma tarefa extremamente difícil e desafiante, e o que tenho apreendido, ao longo do tempo, é que nenhum pai está certo ou errado. cada um faz pelo melhor e como sabe, ouvido mais ou menos opiniões, seguindo mais ou menos os seus instintos.

Não há "receitas mágicas" e, como já foi dito, o que funciona com uma criança pode não funcionar com outra.

Não acredito na violência, nem física nem psicológica, mas por vezes quando a criança não quer ouvir ou não percebe o que está a ser explicado, uma palmada no momento certo ajuda, mas desde que não se torne um "hábito".

Acima de tudo queria deixar a mensagem que todos fazem o que acham que naquele momento e com o seu filho está bem. Ninguém é perfeito e todos andamos aqui a aprender e não havendo "livro de instruções" ou "receitas mágicas" só temos de respeitar a opinião de cada um e manter o espírito aberto para as criticas construtivas que nos fazem evoluir enquanto seres humanos.

Obrigada!
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De João Costa a 19.05.2014 às 21:11

João Miguel Tavares, com todo o respeito: não percebe nada de educação de crianças. Sabe que aquilo que lhe ensinaram ou que viu na TV pode estar desatualizado e pode valer zero hoje em dia?
Já deve ter reparado, se alguma vez observou uma criança, que ela faz exatamente o que fazemos. Se isto não é suficiente para entender, nada será. Continue a espancar os miúdos, espero que nunca vá demasiado longe, mas se for, que tenha o merecido castigo.
Informe-se antes de escrever disparates.
E sim, existem formas corretas de educar, o facto de não saber disso, não em surpreende e nada significa.
Publique o comentário, se quiser, mas alguém que tem comentários moderados, é fraquinho para aguentar estas coisas...
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De Anónimo a 14.08.2014 às 02:00

Diga-me uma coisa: é defensor da disciplina positiva? Se sim, poderia me dizer chocada, não fosse estar habituada a esse tipo de "brutalidade". É por haver gente como o senhor, que se acha o dono da razão e que qualquer pessoa cuja opiniao seja divergente da sua é inferior, que se chega a conclusão quer seria bem bom poder dar umas boas chineladas em adultos! Páre lá você de dizer asneiras ao pensar que qualquer ser a face da terra que discorde do seu ponto de vista "moderno" sobre educação é alguém mal informado ou de mente retrogada que não entende um nada de educação. Não sei se sabe mas felizmente foi dado ao ser humano a capacidade de pensar por si só independentemente do que ouve ou lê ser moderno ou não, ou das "novas ondas" que vêm e vão. Passar bem.
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De Susy a 14.08.2014 às 02:00

Diga-me uma coisa: é defensor da disciplina positiva? Se sim, poderia me dizer chocada, não fosse estar habituada a esse tipo de "brutalidade". É por haver gente como o senhor, que se acha o dono da razão e que qualquer pessoa cuja opiniao seja divergente da sua é inferior, que se chega a conclusão quer seria bem bom poder dar umas boas chineladas em adultos! Páre lá você de dizer asneiras ao pensar que qualquer ser a face da terra que discorde do seu ponto de vista "moderno" sobre educação é alguém mal informado ou de mente retrogada que não entende um nada de educação. Não sei se sabe mas felizmente foi dado ao ser humano a capacidade de pensar por si só independentemente do que ouve ou lê ser moderno ou não, ou das "novas ondas" que vêm e vão. Passar bem.
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De Monike a 14.04.2014 às 19:34

Boa tarde,acho que educar é muito difícil,quando criança sempre apanhei dos meus pais e eles não tinham problema com isso,mas hoje que tenho dois filhos detesto dar palmadas neles,fico com peso na consciência,sempre procuro conversar e explicar as coisas,mas as vezes isso não funciona,gostaria de encontrar um método que realmente funcionasse,pois já desisti dos métodos da Super Nanny.O que faço????
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De Susy a 14.08.2014 às 02:14

Avalie se o problema está ou não na falta de consistência na forma de disciplinar. Se de cada vez que eles fazem algo errado tiver uma atitude diferente, eles provavelmente se sentirão perdidos. Imponha regras e limites deixando claro as consequencias para cada coisa e CUMPRA COM ELAS. Por mais que lhe custe NUNCA ameace e depois nao cumpra. Minha mãe fazia comigo isso a toda hora - ameaças que não davam em nada - e é a forma mais rapida de uma criança perder o respeito pelo pai/mae e perder a noção de limite.

Decida se quer ou não dar a palmada em algumas situaçoes, mas se vir q se sente mal e depois tenta compensar a criança por isso NAO DÊ! Arranje outra tecnica dependendo da idade das crianças. Há as consequencias impostas por exemplo, que segue a logica da ação da criança para estabelecer a consequencia (exemplo: correu pela casa quando nao podia e por isso partiu algo...é retirado da mesada o dinheiro para o objeto partido) e q resultam melhor q castigos sem sentido como o famoso "vai para o teu quarto sem jantar" lol mas lá está, depende da idade da criança, se for muito nova não dá. Tb há as opçoes com devidas consequencias...exemplo: a criança não quer comer o jantar. Ok, mas também depois não poderá comer nada a mais antes de dormir, a nao ser a comida do jantar, se quiser.

Tb é interessante notar que o uso de opções dá a criança uma sensaçao de independencia, q elas adoram. Sempre que possivel ofereça escolhas controladas por si. Exemplo: "no sábado queres passear no lugar x ou y?" , "preferes comer primeiro a sopa ou a comida?" , "queres escovar os dentes primeiro ou vestir o pijama?". Etc. Descupe, não sei bem de que tipo de problemas está a falar, por isso até pode ser q estas coisas nao sirvam pra sua situaçao.

Não sou especialista, mas leio mt e vou tirando ideias aqui e ali. Acho que o essencial, e que qualquer "teoria" da educação diz, é que se deve manter uma logica nas nossas açoes, uma forma mais ou menos igual de educar, e nunca voltar atras com a consequencia já previamente dada para dada ação.

Bjs

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