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Em defesa do fenónemo dos autocolantes

por Teresa Mendonça, em 16.10.13

Depois de uma ausência prolongada, pela qual peço desculpas, e que se deveu a recentes e significativas alterações na minha vida profissional, cá estou eu novamente. Queria começar por agradecer a simpática mini-vaga de fundo de alguns leitores, e sair imediatamente em defesa da honra dos meus filhos. Deixa-se o marido sozinho a tomar conta do blogue durante 15 dias e dá nisto.

 

Com que então o caro esposo, acérrimo coleccionador de latas, moedas, cromos, selos, pedras, penas e berlindes (e que ainda actualmente vibra mais com os cromos da bola do que os miúdos, como teve a fineza de admitir no seu livro de queixinhas), decide vir para aqui com grande descaramento ridicularizar a colecção de autocolantes que tão organizadamente os seus três filhos mais velhos têm vindo a construir? Ao menos já se dignou a folhear as micas de corações, animais selvagens, fantasmas, borboletas, gatos, símbolos britânicos, letras ou carros que os seus filhos tão afincadamente catalogaram?

 

Até a Miley Cyrus (versão Hannah Montana, com a língua dentro da boca) tem direito a uma página. Então o papá pode andar entretido a divagar sobre a emancipação artística da menina e os seus filhos não podem coleccionar autocolantes com as guitarras e as perucas que ela usava na série para as camadas mais novas? Não vejo como este assunto se enquadre nas excepções à democracia familiar que ultimamente têm monopolizado este blogue.

 

Pois eu apoio o fenómeno dos autocolantes (com o devido equilíbrio, que não ultrapasse a semanada prevista para cada um, nem os faça ignorar as suas responsabilidades familiares e escolares) e fiquei até bastante contente com o desembaraço que ele tem fomentado nos dois rapazes da casa.

 

O Tomás, que é o mais organizado, resolveu identificar o seu dossier com as letras brilhantes que ganhou no dia em que estoicamente aguentou a espera pela sua consulta de Ortopedia. Já que as letras autocolantes não têm acento, desenrascou-se e decidiu escrever primeiro o seu nome em inglês - Thomas. Mas como logo a seguir se apercebeu que o apelido "Mendonça" tem uma cedilha, que também não vem incluída nos autocolantes, resolveu aproveitar as perninhas da letra W e matar dois coelhos de uma só cajadada. O Tomás acha que já que a mamã decidiu não adoptar o apelido do papá, então o nome Mendonça tem de ser respeitado como se fosse património da humanidade.

 

 

O Gui, que não está particularmente interessado em grafologia, visto que ainda anda na pré-primária, não quis gastar os seus autocolantes para troca com uns traçinhos brilhantes sem graça nenhuma. Identificou em grande estilo o seu dossier com letras self-made bem mais imaginativas do que as dos irmãos, e rentabilizou as suas trocas com autocolantes de gel, os mais cobiçados. Só depois descobri o segredo do misterioso desaparecimento das bolas, estrelas e flores multicolores (em gel) que até agora ornamentavam a janela do quarto de brincar. Afinal, ele só queria ajudar a mamã, que demorava imenso a limpar aquela janela.

 

 

A Carolina, em plena fase de explosão hormonal da pré-adolescência, teve que deixar bem claro que o seu dossier não tem nada a ver com os dos manos. É todo um outro campeonato. 

 

 

E mesmo com muitas discussões à mistura e tentativas de transacções inspiradas na economia actual, os três têm um projecto em comum que vão gerindo ao seu próprio ritmo, com umas ajudinhas pontuais dos progenitores para acalmar os ânimos ou repor a justiça. E não é assim que se cresce? De preferência entre autocolantes de borboletas, animais e corações.

 

 

 

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publicado às 17:08


1 comentário

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De Maria Calais Pedro a 17.10.2013 às 13:10

Obrigada, Teresa, por voltares a escrever e mostrares estas coleções fantásticas de autocolantes. Adorei a descrição! Cá em casa também estamos nessa e os de gel são os mais cobiçados, deixando aquele rasto de baba próprio de muita química chinesa... um espectáculo!

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