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Irmãos

por João Miguel Tavares, em 18.10.13

Ontem cheguei já bastante tarde a casa e quando passei pelos quartos para ver os miúdos (olhar para filhos a dormir é uma das alegrias da minha vida, nem sempre pelas melhores razões) encontrei o Tomás e o Gui assim:

 

Cada um deles tem a sua cama, mas o Gui lá arranjou maneira de se enfiar ao pé do Tomás. Mais tarde, a Teresa decidiu separá-los, porque estavam com demasiado calor, e ao acordar nenhum deles se lembrava de ter estado a dormir com o outro. Pelos vistos, passou-se tudo em estado narcoléptico, durante o sono.

 

Essa inconsciência apenas torna o gesto do Gui e a anuência do Tomás mais bonitos. De dia, o Gui, o Tomás, a Carolina, e de vez em quando até já a Rita, embirram frequentemente uns com os outros. Mas por debaixo dessa superfície turbulenta há um companheirismo entre todos eles que eu espero que o tempo não seja capaz de destruir.

 

Esta é uma foto muito consoladora. Daqueles em que um pai olha e sente: estou a fazer as coisas bem.

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publicado às 16:27


5 comentários

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De anonima a 19.10.2013 às 16:40

Quatro filhos devem dar mesmo muitoooooooo que fazer, mas a sua esposa está em falta. Para quando o resto do post? Este último foi em Janeiro:

"Em relação às patologias que se associam ao consumo de leite falarei no post seguinte."
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De Teresa Muge a 18.10.2013 às 22:06

Lindos, os ETs!
'De dia . . . embirram frequentemente uns com os outros. Mas por debaixo dessa superfície turbulenta há um companheirismo entre todos eles que eu espero que o tempo não seja capaz de destruir.' ― Pois: é essa 'ressonância' afectiva que envolve as famílias ― em especial as fratrias ― que permite a própria 'embirração'; as margens e as fronteiras de cada um conflituam constantemente com as dos outros; sejamos putos ou adultos; é uma coisa plástica; depois os conflitos podem exprimir-se e resolver-se (espera-se que com justiça) de diferentes maneiras: às vezes é um estardalhaço a precisar de mediação (pais, tribunais, deus nosso senhor...), outras, nem parece que há conflito porque a regra já lá está disponível, pronta a ser usada e até é bem aceite pela 'china' e a 'conchinchina'. Mas para mim, quando se trata de putos, o mais engraçado e claro que às vezes/muitas vezes cansativo, é a necessidade dos 'espectadores/pais' para uma boa sessão de embirração. Mas uma coisa é a gente zangar-se; outra é a gente gostar-se; e nos contextos amorosos é isso que nós aprendemos: é por gostarmos tanto que nos podemos zangar tanto e ― é claro ― nos divertirmos tanto e nos sentirmos tão protegidos! 'E este mano é meu e só eu é que posso dar-lhe caneladas, como só eu é que posso dormir juntinho a ele!'
Quanto ao tempo: vamos vê-lo que o temos de graça - que é uma coisa boa!
É claro que está a fazer as coisas bem: porque quer fazer bem, quer aprender a fazer bem e, sobretudo, se entrega a essa coisa que alguns dizem ser impossível que é educar (eu acho é que esses pensam que educar uma pessoa é levá-la de palas para o sítio único do seu desejo de educadores: criadores de seguidistas é o que é) como dizia, se entrega com um entusiasmo e uma autenticidade inegáveis.
Jinhossss
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De João Miguel Tavares a 19.10.2013 às 00:37

Obrigado, Teresa. Mas ainda não me respondeu à pergunta que deixei um post lá para trás - não é irmã da Amélia, pois não?
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De Teresa Muge a 19.10.2013 às 05:17

Por acaso já tinha procurado responder, mas de certeza que não fiz as 'manobras' necessárias e a coisa não se deu. Bom: como costumo guardar a correspondência que acho interessante, fui à repescagem e aqui vai (repare que houve duas tentativas... mas pronto... qualquer dia nasço outra vez!) — Ora voltemos à educogenia do tabefe e outras familiaridades:

'(Desculpe mas ainda não sei muito bem para onde enviar coisas que não são ainda propriamente contributos/posts, mas sim respostas directas ao que me pergunta. Portanto aqui vai, se calhar em duplicado!)

Boa tarde caro João Miguel

Obrigada pela sua resposta. Se tiver paciência e quiser, poderei contar outras histórias.
Gostaria no entanto de lhe dizer que a afirmação 'nestas coisas não acho que existam receitas aplicáveis a toda a gente por igual' se, por um lado, é verdadeira, por outro, faz parte de uma espécie de 'desculpa' por parte de alguns profissionais de educação para não dizer mais nada: às vezes por falta de argumentos válidos e bem fundamentados e, ainda – o que me parece ser mais importante – por dificuldade em dizer 'não sei'. De facto, os contextos onde as coisas se passam nunca são iguais, ainda, até, que as pessoas sejam as mesmas. Este 'não sei' tem, assim, dois sentidos:

― 1º - como estamos a falar de uma coisa viva, dinâmica, o grau de 'imprevisto' é bastante considerável; assim, este 'não sei' representa o maior ou menor grau de certeza/incerteza que pode ser dada pelo conhecimento que se tem do contexto concreto (onde se incluem as pessoas) ― 'E eu que tinha a certeza que a Maria ia gostar disto! Mas o que é que lhe deu?'...

― 2º - no entanto, os seres humanos partilham muitíssimas coisas (que o diga a sua esposa... se tivesse de andar à procura 'do raio do sítio onde o fígado deste puto se escondeu 😠!') e muitas dessas coisas já se conhecem bem, outras assim-assim e muitíssimas rien-de-rien!; ou seja, existem regularidades de, digamos, funcionamento humano que foram e continuam a ser estudadas e que constituem uma já ampla base de conhecimento que seria de exigir que os profissionais de educação dominassem; o que ainda não se sabe mesmo existindo conhecimento disponível, ou não se sabe porque ainda não foi nada ou foi pouco estudado - representa este segundo 'não sei': 'Eu já vi e revi tudo, já experimentei variadíssimas coisas e continuo sem perceber porque é que o raio do puto nunca diz que não!'

Seja como for, as abordagens teóricas que mais me têm ajudado a compreender e a agir, têm um carácter sistémico; isso não impede de ir buscar instrumental teórico a outros territórios, desde que me sirvam como instrumental de acção. É que, como sabe, não há acção sem teoria, mas há muita teoria sem acção. E quando uma teoria não me serve, 'merda para a teoria' (desculpe, às vezes sou muito bimba e cheia de vírgulas no falar) – vou tentar criar uma ali com o puto, os dois juntos, pois ele é que importa!

Já me entusiasmei e aqui vou de patins... tenho de me controlar! Mas para finalizar: quando se pensa e se age (se vive, dizem alguns fanáticos e eu não o sou em nenhum âmbito da minha vida) em termos sistémicos, as coisas não são vistas como 'certezas' discretas (sim ou não); as coisas são vistas como que se deslocando num traço entre negativo e positivo: fala-se então de maior ou menor/aumento ou diminuição do 'POTENCIAL educativo' de um contexto, de uma acção, de uma actividade... E felizmente que muitas vezes lá descobrimos onde fica o fígado! Logo escrevo mais que acho que agora já estou a ser chata.

Quanto à Amélia: ya, é minha mana; esteja à vontade em gostar ou não do trabalho dela; fico danada consigo se não gostar, mas aguento e respeito!

Abraços especiais aos ETs
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De Teresa Muge a 19.10.2013 às 05:41

(Ainda faltava esta fatia. Publico-a com algum receio quanto às recomendações de leitura. Penso que quem estudou seja o que for tem grandes e sérias responsabilidades: não pode/não deve usar o que 'saberá' para se exibir, fazer bulling, tirar o tapete de debaixo dos pés dos outros...; no caso, não é o facto de ter estudado educação que garante que fui, sou ou irei ser melhor mãe; ná! nope!; como mãe, tou tão às aranhas como as outras só que, se calhar, com muito mais fio onde me enrolar e um planeta de dúvidas se calhar muito maior! É a tal coisa do 'está tão perto de mim que não consigo ver bem'! Como profissional, a coisa já se pinta de outra forma... 'OK, teresa muge, põe-te bem e avança!')

P.S. com pinças: não gosto de recomendar leituras tipo 'faça-você-mesmo' educacional; na graaaaaande maioria são uma treta; mas às vezes penso que é capaz de valer a pena indicar uma ou duas coisas que poderão ajudar em aspectos básicos da interacção–relação com as crianças; mas não são livros de 'bric-à-brac'; ora, como além de esforço (sempre muito relativo dado o maior ou menor gosto com que se corre) a literatura que gosto de recomendar exige, também, alguma 'preparação' literária, às vezes sinto que essa pode não ser uma ajuda eficaz; por outro lado, só costumo recomendá-los a pais convictos, que sentem/sabem que não podem parar o tempo para ir ler ― 'ora espera aí um bocado, nem respires, assim mesmo, pé no ar e boca aberta... eu vou ali buscar o livro de instruções e já continuamos!' ― e ainda que não se vão pôr deprimidos 'se eu soubesse o que sei hoje!' e tal.

São dois e deve haver mesmo em qq bom alfarrabista; são interessantes, creio, e mesmo que invoquem aqui e ali autorias e teorias não popularizadas por nenhum slogan do tipo 'a brincar é que se aprende', entendem-se na mesma muito bem; ambos resultam de sistematizações muito bem feitas de corpos teóricos complexos, tratando-os a partir e nas suas estruturas básicas; quem quiser ou tiver de saber mais, pode ou deve ir ler os vários originais dos quais resultam:

– A Teoria de Piaget e a Educação Pré-Escolar, Constance Kamii, Instituto Piaget, Lisboa (o meu não tem data, é já velhote, mas houve reedições mais recentes); tem 150 pp, +/- A5

– Ecologia e Desenvolvimento Humano em Bronfenbrenner, Gabriela Portugal, 1992, CIDInE, Aveiro; tem 126 pp, entre A4 e A5

Última recomendação: em educação não se 'aplicam' teorias — procuram-se as 'implicações' para a prática.

Boa noite aos seus belos ETs e os pais que fiquem a tratar do seu casamento que, como diz o MEC (com aquele ar de miúdo gozão), é o filho mais velho.

Até.

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