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Uma vila Natal muito pouco natalícia

por João Miguel Tavares, em 09.12.13

Nós há quatro anos tínhamos ido a Óbidos, Vila Natal, e este ano a Teresa lá me convenceu a regressar com os miúdos, apesar de eu ser um bocado agorafóbico. Não é que eu tenha medo de multidões, mas sinto-me sempre um bocado ovelha a caminho do matadouro quando o encontrão se torna uma forma de locomoção. Tenho um genuíno ódio por filas e irrita-me imenso andar na rua como se estivesse nos corredores do Colombo no dia 23 de Dezembro.

 

E claro, como seria de esperar, a vila estava cheia que nem um ovo, e o espírito natalício concentrava-se todo nos barretes de Pai Natal. De resto, só havia confusão, carrinhos de bebé a chocar com carrinhos de bebé, gente a furar filas e uma exploração comercial ao nível do tratamento que Pedro Passos Coelho tem dado aos reformados.

 

A entrada até cumpria bons princípios, já que os membros da Associação de Famílias Numerosas tinham direito a preço único indepentemente do número de filhos, coisa raríssima nesta terra:

 

 

Mas ao contrário do que é normal nestas coisas, em que se paga um preço relativamente alto de entrada mas lá dentro a maior parte das diversões são à borla, ali continuava-se a largar dinheiro em quase todo o lado: quatro euros para andar 20 minutos de patins, um euro para trepar a uma parede, um euro para andar num carrossel fajuto, e por aí fora. Para quem tem de abrir sempre a bolsa a triplicar, podem imaginar o impacto da visita no orçamento familiar.

 

Mas há mais. Para animar a tarde, a SIC resolveu fazer de lá o directo do programa Portugal em Festa, o que significa que em cima de tudo isto ainda levei com música pimba, camaramen que acham que o mundo é só deles e algumas atracções encerradas por causa da logística da coisa. Foi a cereja em cima do bolo.

 

Não, esperem, a cereja em cima do bolo foi a visita à casa do Pai Natal, para a qual havia uma fila para aí de três quartos de hora (número optimista). Melhor (ou pior): essa fila tinha mais adultos do que crianças. Eu olhava para os meus vizinhos da frente e pensava: "what the fuck, o que é que está aqui a fazer uma família de quatro marmanjos em que o mais novo tem para aí 22 anos? Vai sentar-se ao colo do Pai Natal?"

 

O que é certo é que eles nunca arredaram pé, e após uma penosa e interminável espera lá se abriu uma porta, e um grupo de meia centena de almas lá se encaixou que nem sardinha em lata dentro de uma casinha onde estava o Pai Natal e dois duendes a perguntarem às crianças que prendas gostariam de receber no dia 25.

 

 

E pronto, estivemos lá dentro um quarto de hora após 45 minutos ao frio, para que um tipo de barbas brancas pudesse perguntar aos meus três filhos: "Então e que prenda queres receber no Natal?" Giro, hein? Ainda para mais, o raio do Pai Natal precisava de apurar no disfarce, porque o Gui saiu de lá a perguntar:

 

- Aquele senhor era mesmo o Pai Natal?

- Porque é que perguntas isso, Gui?

- Eu vi um bocado de bigode preto por baixo da barba branca.

 

Aaaargh! Óbidos continua um lugar encantador, mas precisa de caprichar um bocadinho mais no Natal e um bocadinho menos no assalto à carteira do visitante. Moral da história: se o Pai Natal me tivesse perguntado que prenda eu queria no sapatinho, ter-lhe-ia respondido isto: quero o discernimento necessário para decidir exactamente que sacrifícios um pai deve fazer pelos seus filhos. É que o excesso de voluntarismo pode ser altamente contraproducente, como ontem se provou - eu às tantas já estava capaz de matar a primeira rena que se cruzasse comigo no caminho.

 

Bem vistas as coisas, isto até é boa matéria para um próximo post, que fica desde já prometido.

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publicado às 14:47


14 comentários

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De Essência a 17.12.2014 às 17:03

É com tristeza que vejo ano após ano crianças sendo iludidas, enganadas pelos adultos com aquilo que todos chamam de “ a magia do Natal”. Educamos e ensinamos as crianças a não nos mentirem e nós mentimos-lhe durante anos e anos a dizer que Pai natal, renas voadoras e afins existem mesmo e pior, fazemos eles acreditarem que Natal é isso mesmo, escrever cartas ao Pai Natal a pedir prendas e que depois ele nos vem trazer a casa, quando a prenda maior já nos foi dada por Jesus. Jesus humilhou-se, veio ao mundo por amor, não porque nós merecíamos, ele ofereceu sua própria vida em nosso lugar, suportou tudo por nós e tem sido completamente esquecido. Natal é tempo de ser grato! Por quem Deus é e o que fez e tem feito por nós! Gostaria que todos os que mais ama o esquecessem no dia do seu aniversário? Como se iria sentir? Triste? Desiludido? Pois ano após ano Jesus tem sido esquecido e o que mais se ouve por todo o lado é a grande mentira do Natal : O Pai Natal! Se perguntarem á maioria das crianças o que é o natal, elas vão falar em tudo menos Jesus , quando a resposta certa seria: natal è o dia do aniversário do meu grande amigo e salvador Jesus! Ele sim é verdade! Ele sim é real e só ele é a essência do Natal! Feliz Natal a todos!
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De estapafurdiosdoquotidiano a 09.12.2014 às 23:01

Concordo a 101%. Eu próprio tive uma experiência muito parecida. Se quiser passe por aqui e dê uma vista de olhos...
http://www.maisopiniao.com/vila-natal-e-terra-mal/
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De Nelson Filipe Patriarca a 09.12.2014 às 20:26

João. Eu estive no domingo e só não levei com a SIC, de resto foi tsl e qusl o que referiste. os custos interiores do evento não se justificam de maneiranenhuma, o bilhete que fosse mais caro mas que incluísse tudo.
Vê lá se não foi assim como este meu vídeo mostra:

Óbidos Vila Natal - O caos e a confusão com pouco espírito de natal : http://youtu.be/DJHHfeYC1Ow
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De Anónimo a 11.12.2013 às 17:34

Pois eu também estive no domingo na Vila Natal...
E o seu post poderia ter sido o meu, tal a forma como me identifiquei com o que dizia.
Sinceramente não volto lá tão depressa. Disse aos meus filhos que íamos à terra mágica do Pai Natal e eles vieram tão desapontados quanto eu...
Enfim...
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De José Silva a 11.12.2013 às 11:21

O interessante desta Vila Natal, para mim, foram as obras de luz que estão nas partes menos movimentadas da Vila e que, por falta de boa divulgação, têm passado ao lado da maioria das pessoas que visita a vila natal.
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De Helena a 10.12.2013 às 14:15

Fiquei com uma dúvida em relação aos preços especiais para as famílias numerosas. É preciso ser-se membro de uma associação (e pagar uma quota) para se ser considerado família numerosa? Eu vivo fora e aqui basta ter uma certidão oficial em que constamos os 5 membros da família, (e um cartão para os pais) para poder usufruir dos descontos. Não é que isto seja o paraíso e haja descontos por todos os lados mas não é preciso pagar para que reconheçam algo que efectivamente somos. Também há uma associação em que é preciso pagar uma quota e que tem outros descontos extra mas nós não somos sócios. E já agora, posso concluir que uma família numerosa estrangeira não pode usufruir dos preços especiais para famílias numerosas em Portugal.
Ou será que noutros locais há preços especiais para famílias numerosas que não sejam membros da APFN?

Helena
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De João Miguel Tavares a 10.12.2013 às 14:41

No caso de Óbidos, é mesmo preciso mostrar o cartão de membro da APFN. É o cartão que dá direito ao desconto.
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De Gisela a 09.12.2013 às 16:26

Concordo totalmente com o comentário anterior: o Pai Natal Severino, do Colombo, é o maior! Também tenho 3 filhos e desde que a minha filha mais velha tinha 1 ano que vamos tirar uma fotografia com ele (crianças e pais, todos juntos). Ou seja, já tenho 9 fotografias, onde aparecem as minhas barrigas de grávida, os meus filhos bebés, e por aí fora. As fotos fazem parte das decorações de Natal da minha casa, são colocadas por ordem cronológica, sempre com o mesmo Pai Natal! Apesar de estar num centro comercial, é o meu Pai Natal preferido, pela forma como fala com as crianças, pelo seu carinho, pela barba que é verdadeira!...
Vá lá com os seus filhos que vai adorar.
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De Frederico Saragoça a 09.12.2013 às 15:50

Boa tarde,

Se me permite o desbafo, o natal, infelizmente, é um negócio.

Que bonito ter acesso às renas, ao pai natal (seguramente um ex desempregado a quem ofereceram um emprego sazonal), ao elfos...que ambiente mágico, tudo isto pela módica quantia em Lisboa de:

"Entrada: 10€ (semana) e 12€ (fim-de-semana e feriados). Crianças dos 3 aos 11 pagam entre 8 e 10€ (menores de 2 anos têm entrada grátis). Bilhete família: 24-30€ (3 pessoas); 32-40€ (4 pessoas); 40-50€ (5 pessoas)."

Fantástico...sem dúvida que o natal é mais bonito quando é selectivo.

O que eu digo aos meus filhos é que o natal é imaterial (mesmo se não consigo fugir às prendas do costume...). :)

abraço
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De Anónimo a 09.12.2013 às 15:48

Caríssimo João, para um Natal sem confusões e livre de empurrões, "chulões" e desilusões, sugiro que visite o Penela Presépio.
http://www.penelapresepio.com/
É em Penela como o próprio nome indica, no centro do País, ali bem ao lado de Coimbra, e lá vai encontrar o verdadeiro espirito do Natal português, com os tradicionais presépios que pode ver um pouco por toda a Vila e o grande ex-libris que é o maior presépio animado do país.
Se precisar de mais informações, estarei inteiramente ao dispor.
Espero conseguir convencê-lo a mudar de ideias quanto a eventos de Natal.

MJ
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De Paula a 09.12.2013 às 15:24

O VERDADEIRO Pai Natal é o Pai Natal Zeferino do Colombo. Mesmo. Barbas, cabelo e espirito verdadeiros! Quando o Tommy tinha 4 anos calhou irmos ao Colombo em vésperas de Natal e o dito Pai Natal ia pelos corredores, a caminho do seu Trono agitando a sua campainha. Parava a cada passo, para falar com as crianças que se cruzavam com ele. "(...)Na noite de natal não te esqueças de me deixar umas bolachinhas... eh, eh(...)". E ainda hoje, com 10 anos, o Tommy acredita (!!!) que aquele é o verdadeiro Pai Natal. Todos os outros são ajudantes. E todos os anos temos que ir ao Colombo de propósito. No balcão de informações dizem a que dias e horas lá está o Pai Natal Zeferino. E mesmo que percam algum tempo na fila (não é obrigatório tirar foto) vale mesmo a pena. Deixar crescer barba e cabelo desde Agosto é a verdadeira entrega à magia do Pai Natal!
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De Bruxa Mimi a 12.12.2013 às 22:08

Fiquei com vontade de conhecer esse Pai Natal... apesar de não ter nunca incentivado os meus filhos a acreditarem no Pai Natal, a verdade é que já foram contagiados pelos amigos, pelos desenhos animados... e o Pai Natal representa mais do que prendas, na verdade, por isso não é tão mau quanto isso.
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De Paula a 13.12.2013 às 16:13

Hoje passei no Colombo. Aqui fica o horário em que o Verdadeiro Pai Natal lá está, na Praça Central: de 2ª a 5ª das 12h às 21h, sábados e domingos das 10h às 16:30h. Só não sei a que horas são as pausas... como tenciono ir num dia do fim de semana, logo de manhã, e depois fugir da multidão, não perguntei.
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De Susana a 21.12.2013 às 11:02

Tal e qual! A minha filha mais velha tem 10 anos e já sabe "a verdade". No entanto continua a ir falar com o sr. Severino, o verdadeiro Pai Natal de Portugal, como ela diz! O senhor tem o verdadeiro espírito do Natal!

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