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"Porque o meu pai disse que era para inventarmos"

por João Miguel Tavares, em 13.01.14

Eu tenho alguns problemas com certos exercícios de Português (e às vezes até de Matemática) dos meus filhos. Acho frequentemente que as perguntas estão mal formuladas ou são de interpretação mais do que dúbia.

 

Ontem, a Carolina estava a fazer uma ficha baseada num conto de João Aguiar, em que uma pergunta parecia de resposta fechada mas que eu só conseguia entender minimamente se ela fosse de resposta aberta, na medida em que não descobri nada no texto original que nos ajudasse a saber quem era o tal "senhor de bata branca". Então disse à Carolina, já sem grande paciência para aquilo: "Olha, inventa." E ela levou a minha sugestão tão à letra que respondeu isto:

 

 

"Eu acho que é um médico porque eles estão sempre de bata branca e porque o meu pai disse que era para inventarmos."

 

Ora embrulha. Suponho que não vá restar nada do meu prestígio pedagógico depois da professora ler o TPC da minha filha. Mas a verdade é que: 1) eu disse aquilo; 2) inventar em vez de deixar uma resposta em branco é um dos melhores conselhos que lhe posso dar na sua vida escolar (já para não falar na própria vida, sem o escolar).

 

Portanto, para meu grande azar, ficou mesmo assim. Eu passo vergonhas, mas a sinceridade ganhou o dia.

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publicado às 10:11


9 comentários

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De Andreia a 14.01.2014 às 18:47

Muito bom conselho e melhor resposta ainda! Nada como um coração puro! É bom ver os miúdos desenrascarem-se e chegarem para canto, "foi ele que disse" :-) Só falta disfarçar :-)
O sucesso também depende de quem lê e quanto a mimnos textos literários devem ser permitidas várias interpretações.
Na escola revoltavam-me as certezas universais, sobretudo na poesia... Alguém foi perguntar ao autor os seus estados de alma? :-)
Dependia sempre do professor aceitar ou não as justificações.
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De Bruxa Mimi a 13.01.2014 às 22:17

A pergunta parece ser de resposta aberta, por causa do "seria", em vez do "era". A resposta da Carolina está excelente. Se fosse minha aluna, eu dir-lhe-ia apenas: "Olha, quando te derem um bom conselho, segue-o, mas não precisas de dizer quem to deu... especialmente nos trabalhos de casa."
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De Patrícia Cravo da Silva a 13.01.2014 às 19:43

Ahah! Também tive que ajudar a fazer exatamente o mesmo trabalho de casa e a minha respondeu que era um cientista maluco! Não havia realmente nada no texto que indicasse quem poderia ser o homem de bata branca... Mas antes de chegar a essa conclusão ainda duvidei várias vezes do meu discernimento e julguei que estivesse a complicar uma coisa simples...
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De Maria Cruz a 13.01.2014 às 14:18

Pronto, assim a professora não pode dizer que a Carolina não tem apoio do pai nas atividades . Ficou patente a sua participação! Kkkkkk !
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De Joana Silva a 13.01.2014 às 13:21

Ahahahahaha...muito bom. E ainda bem que não sou só eu a achar algumas perguntas completamente sem sentido.
parabéns pela criatividade, a credibilidade, neste cenário (fichas com perguntas estúpidas) é o que menos interessa.
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De luissm a 13.01.2014 às 13:10

Que bom é ver uma criança escrever "inventarmos" e não "inventar-mos"!
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De Carla a 13.01.2014 às 11:38

Posso dizer-lhe que senti esse mesmo desconforto perante os guiões de leitura dos textos muitas vezes, tanto que chegava a ir ver às soluções se estava a ter o raciocínio certo, é que a minha experiência enquanto aluna era de interpretar o que não estava lá, era melhor não arriscar. O problema das questões é só fazerem sentido na cabeça de quem as formula e quando se aplicam é que se percebe que não são tão claras quanto isso.

No entanto, aluno meu que me respondesse isto tinha como comentário uma valente gargalhada. Há que ter sentido de humor e não fazer grandes dramas com as coisas.

Uma vez, uma aluna disse que eu não podia ser princesa porque não ia caber nas camas da altura e ainda hoje me lembro e rio. :)
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De Joana a 13.01.2014 às 11:05

Nem mais. Como disse um dia uma professora em minha defesa "não é inventar, é usar conhecimento para criar um novo raciocínio".
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De Anónimo a 13.01.2014 às 10:59

Muito, muito bom!!
Adorava ver a cara da professora, sinceramente!

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