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O Hades de "hás-de"

por João Miguel Tavares, em 03.02.13
Eis os dois primeiros parágrafos do meu texto de hoje na revista doCM:


Como os leitores desta página já devem saber por esta altura, além de vir para aqui aos domingos queixar-me da família, eu também me queixo dos políticos e do estado do país num programa chamado ‘Governo Sombra’, que nasceu na TSF e entretanto passou a ser transmitido pela TVI24. Eu divirto-me imenso a fazê-lo, mas tenho um problema: ao contrário do professor Marcelo, sou pior a falar do que a escrever, e na rádio e na televisão não há releituras, nem tempo para meditar, nem correctores ortográficos. Daí que um par de ouvintes tenha protestado há umas semanas por eu ter dito no programa “há-des” em vez de “hás-de”, a meio de um debate mais acalorado.

O que é curioso nesta história não é o facto de eu ter errado, porque erros acontecerão sempre, tanto lá como aqui. O curioso é aquilo que esse erro em particular revela – e a dificuldade que tenho em evitá-lo. É que o “há-des/ hás-de” arrasta consigo velhas memórias: na minha cagança de adolescente, lembro-me perfeitamente de andar a corrigir as pessoas à minha volta dizendo que “Hades (o deus grego da morte) era o inferno de Dante” – isto sem nunca ter lido ‘A Divina Comédia’. Felizmente, a vida arranja sempre formas de se vingar dos orgulhosos, e agora chegou a minha vez.

O resto do texto pode ser lido aqui. A ilustração é do José Carlos Fernandes.


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publicado às 17:17


E já que falei em sexo...

por João Miguel Tavares, em 03.02.13
...não quero deixar a oportunidade de assinalar aqui o melhor nome de todos os tempos para combater a impotência, ou antes, para aumentar a "performance sexual". Esta imagem é de um rodapé de última página do Correio da Manhã, onde em tempos saudosos já tinha visto publicidade ao incrível "produto 100% natural" Protezon.


Pro-tezon, estão a topar o incrível trocadilho? A subtil mistura de ressonância farmacêutica com linguagem de estivador é absolutamente maravilhosa e deveria merecer a atribuição de um qualquer prémio de marketing ao génio que inventou isto.

Pelo sim, pelo não, eles avisam em rodapé que "o efeito pode variar de pessoa para pessoa", que é como quem diz "isto pode resultar ou não", o que é um aviso quase tão fabuloso quanto o seu nome de baptismo, porque permite que o produto possa dar origem a conversas como esta:

Senhor idoso: Eu tomei isto e não me fez nada!
Vendedor de Protezon: Que chatice. Mas às vezes acontece.
Senhor idoso: Acontece? Mas como é que acontece?!?
Vendedor de Protezon: Está aqui escrito na embalagem, "o efeito pode variar de pessoa para pessoa".
Senhor idoso: O problema então não está no Protezon?
Vendedor de Protezon: Não, senhor idoso, receio bem que o problema esteja em si.
Senhor idoso com a voz a tremelicar: Em mim? Por eu ser uma pessoa diferente de outras pessoas?
Vendedor de Protezon: Exactamente. Mas não desanime, senhor idoso. Isto às vezes com a insistência vai lá, até porque nós não somos todos os dias a mesma pessoa, há uma hetronímia dentro do nosso próprio ser. Quem lhe garante que o senhor amanhã será o mesmo de hoje? Às vezes basta um livro, um filme, um programa do Goucha, o sorriso de uma criança, para nos transformar por dentro.
Senhor idoso: E se isso acontecer o Protezon pode tornar-se eficaz? É que ainda agora, depois de estacionar o carro, o arrumador sorriu para mim quando lhe dei uma moedinha.
Vendedor de Protezon: Por vezes isso é mais do que suficiente.
Senhor idoso: Então era mais uma embalagem, se faz favor.

Será tão eficaz como o Viagra? Talvez não. Mas não necessita de receita médica: é só chegar e comprar. E o certo é que o Protezon deve andar a encontrar cura para o mal de uma boa quantidade de almas desperformancizadas, porque antes ele tinha uma imagem muito banal, de medicamento farmacêutico, a piscar os dois olhos ao azulinho do Viagra.



Mas agora tem toda uma panóplia de ofertas, que mais parecem caixas de produtos de A Vida é Bela antes de tudo aquilo ter ido à falência:


As duas malaguetas enroladas já são bestiais, e como metáfora visual de sexo escaldante é do melhor que já foi inventado. Mas o que eu gosto é de como o upgrade na imagem manteve, ainda assim, a diferenciação entre "Pro" (a negrito) e "tezon" (a redondo), não vá um cliente mais distraído não perceber o trocadilho.

Mas e os nomes, senhoras e senhores? Protezon Lady? Protezon Mints? E o que será o Protezon Capucino? Uma cápsula que se coloca na máquina do Nespresso antes do truca-truca? Porque é que o festival de publicidade de Cannes ainda não premiou o homem que criou esta coisa em embalagens de 30 euros cada?

Eu não sei quem foi, mas sei onde ele vive. É que quando vamos ao site da Protezon está lá a morada da única loja protezonamente certificada: "Centro Comercial de São Marcos, piso 2, loja 14 (no edifício do Pingo Doce)". O que, se pensarmos bem, é a melhor demonstração da tremenda eficácia do produto: uma pequenina marca do Centro Comercial de São Marcos (junto ao Pingo Doce) cheia de vontade de ficar grande.

Tenho dúvidas de que isto faça alguma coisa pelo tezon? Tenho. Mas lá que é Pro, é.

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publicado às 10:37


O que é que você faria por sexo?

por João Miguel Tavares, em 02.02.13
Quem quiser um curso rápido sobre psicologia masculina, pode começar por aqui:


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publicado às 23:30


Os meus karate kids

por João Miguel Tavares, em 02.02.13
Hoje foi dia da Carolina, do Tomás e do Gui receberem os novos cintos do taekwondo, que ganharam depois de passarem no exame da semana passada. Dentro em breve já não me vou poder meter com eles, porque senão dão-me porrada.

Este é o conjunto das suas orgulhosas conquistas. O Gui ainda está nos Tiny Tigers (os mais novos praticantes da modalidade) e passou de cinto laranja para cinto amarelo.


O Tomás também passou de cinto laranja para cinto amarelo, mas já na classe dos miúdos crescidos, pelo que o seu cinto tem uma única cor.


E este é o cinto camuflado pelo qual a Carolina tanto lutou. É o quarto cinto do taekwondo, depois de branco, laranja e amarelo. O cinto preto é só o décimo, mas a partir do camuflado a Carolina já tem de mudar de horário e a coisa passa a ser mais a sério. Ela está super-entusiasmada.


Os nós destes cintos, como a excelentíssima esposa já tratou de me explicar, estão muito, muito mal feitos. Se calhar vocês conseguem adivinhar quem é que os fez, mas eu não gosto de me acusar.

Como explicou, em forma de pergunta de mestre Yoda, um dos professores presentes, sabem qual é a diferença entre ter um cinto preto e ser um cinto preto? É que para ter um cinto preto basta ir à loja e comprá-lo. Para se ser um cinto preto é preciso que alguma coisa mude no nosso interior.

Portanto, o nó está péssimo mas espera-se que esteja devidamente composto no interior dos meus filhos, que estavam satisfeitíssimos e muito orgulhosos de si próprios. Pelo menos até àquela parte em que fomos comprar cromos ao quiosque e começaram todos a discutir que nem malucos, dando cabo da paciência até a um monge Shaolin. 

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publicado às 16:45


Ganda maluca

por João Miguel Tavares, em 02.02.13
Ontem quando cheguei a casa já tarde, depois do trabalho, tinha isto pendurado na porta da cozinha. Acho que a Ritinha começou a dedicar-se às actividades radicais.


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publicado às 09:21


Amor felino-maternal

por João Miguel Tavares, em 01.02.13
Para os adeptos de gatos, eis as 10 dicas para criar crianças felizes com que sempre sonharam:


Se também há com cães, desconheço.

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publicado às 21:39


Um grande "uau"

por João Miguel Tavares, em 01.02.13
Eu não costumo simpatizar muito com pessoas que acham que o mundo é a preto e branco. Mas... e quando o mundo é mesmo a preto e branco?


Esta foto espantosa foi tirada pelo fotógrafo polaco Marcin Ryczek, enquanto um homem alimentava patos e cisnes em Cracóvia. É uma boa maneira de começar este dia tão enevoado.

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publicado às 09:14

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Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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