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Ovos de papel (com surpresa dentro)

por João Miguel Tavares, em 31.03.13
A Memi e a Zé vieram passar a Páscoa connosco à Urra, e trouxeram consigo uns ovos da Páscoa muito especiais para os miúdos. Foi a Memi que os fez ontem à noite - uma ideia simples, mas tão bonita.


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publicado às 13:37


Esta é a noite!

por João Miguel Tavares, em 30.03.13


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publicado às 22:53


Páscoa alentejana

por João Miguel Tavares, em 30.03.13


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publicado às 18:50


As cortinas

por João Miguel Tavares, em 29.03.13

Ah, as cortinas, há lá coisa mais bonita do que cortinas. Espantosamente, no meio de um post quilométrico da minha excelentíssima esposa, aquilo que os leitores mais retiveram foi o seguinte parêntesis:

(se o caro gajo não deixa a gaja usar cortinas, convém que os vidros sejam limpos de vez em quando) 

E então desataram a picar-me na caixa de comentários, para eu explicar o que é que queria dizer com "não a deixar usar cortinas".

Antes da explicação propriamente dita, um ponto prévio. Como em qualquer casamento feliz, quem manda cá em casa é a minha mulher, ok? Eu nunca tive a menor ilusão sobre isso, já sabia quem usava as calças quando me casei, e estou certo que é por isso que a nossa relação dura desde 1992 (a sério).  Logo, nunca levem demasiado à letra a expressão "gajo não deixa a gaja" sempre que o gajo se chamar João e a gaja se chamar Teresa. É apenas uma maneira de falar, digamos assim, um divertido joguinho de semi-submissão da minha excelentíssima esposa para disfarçar o regime sem-ditatorial doméstico a que eu voluntariamente me submeti.

Dito isto, é verdade que eu não gosto nada de cortinas e que resisto estoicamente, na medida das minhas possibilidades, à sua colocação. Por razões estéticas, sim, porque são quase todas uma pirosada. Mas sobretudo por razões filosóficas. Eu sou um adepto da transparência da vida. As cortinas servem para impedir o olhar dos outros sobre nós, e eu não tenho de viver receoso do olhar dos outros. Por isso, não gosto das cortinas pela mesma razão de que gosto de escrever sobre a minha família neste blogue: a banalidade da existência sempre me atraiu e a sua partilha é enriquecedora para os outros e para nós.

Felizmente, nós não temos vizinhos mesmo em cima dos nossos narizes, e se eu quiser dormir, tomar banho ou brincar ao médico com a minha médica, as janelas têm estores. Tudo o resto, a banalidade do dia-a-dia, cozinhar, brincar, ler, discutir, gritar, não tenho porque esconder das outras pessoas. Não o vejo, de todo, como uma invasão da minha privacidade, a não ser que começasse a receber telefonemas dos vizinhos sobre o melhor método para bater claras em castelo. Para invadir é preciso incomodar, e aquilo de que falo é apenas ver de longe sem interferir.

Mas atenção: a Teresa não é da mesma opinião, e eu percebo que 99% das pessoas também não sejam. Aliás, basta ver como a primeira coisa que a Teresa faz quando está na cozinha é baixar os estores, enquanto a primeira coisa que eu faço é levantá-los. É que ter cortinas não impede só que nos vejam cá dentro - impede também que nós vejamos lá para fora. Corta a luz e a nitidez. E eu não gosto disso.

Por outro lado, se quiserem uma explicação mas psicanalítica, diria que a minha alergia a cortinas tem a ver com o cinema e com a minha costela de voyeur, que é acentuadíssima. Afinal, com cortinas corridas, este filme não poderia existir:


E há em mim muito de Jimmy Stewart, porque eu sou o género de gajo que, se não tivesse mais nada que fazer, seria capaz de ficar de binóculos nas mãos a espiar a vizinhança e a imaginar histórias dentro da minha cabeça. Mas como, ao mesmo tempo, também tenho uma costela católica que me obriga à coerência nas minhas acções, se eu era capaz de espreitar pelas janelas dos outros então também tenho de deixar que os outros espreitem pelas minhas.

Mas atenção. Eu não odeio todas as cortinas. Há umas que adoro de morrer, e que não me importava nada de ter em casa, como já perceberam. Sim, estas, mesmo aqui em baixo, são definitivamente as minhas cortinas favoritas. E porquê? Porque se abrem, claro:


E para o fim fica a pergunta do milhão de dólares: porque raio existem cortinas numa sala de cinema se atrás delas o que existe é um ecrã branco? Será porque nada é mais mágico do que uma cortina que se abre? Sim, é só mesmo dessas que eu gosto: as inúteis.

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publicado às 11:43


O Pai Mais Horrível do Mundo, últimas notícias

por João Miguel Tavares, em 29.03.13
Queria apenas avisar os vencedores do passatempo d'O Pai Mais Horrível do Mundo que os seus livros ainda não seguiram pelo correio. A minha editora tem o invejável hábito de dar uma semana de férias aos seus trabalhadores na Páscoa (ele há grandes vidas), e por isso não pude ir lá deixar moradas e autógrafos. Tentarei fazer isso no decorrer da próxima semana, ok? Os livros tardam mas não falharão.


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publicado às 10:13


Texto original a redondo.

Nova versão a negro.

A vida da mulher do meu fofo gajo tem destas coisas e ele bem o sabe, até porque as sofre na pele. Andei eu ontem inocentemente (sim, também sou uma bem-aventurada inocente) na minha tristemente habitual roda viva, também conhecida como de um dia normal de trabalho (sim, porque não são só os fofos gajos que gostavam de ter tempo para trabalhar descansados e que têm 19 entradas na sua To Do List, embora tenha de admitir que as deles têm outra pertinência), quando cheguei aceleradíssima do hospital para preparar o jantar com duas irmãs e respectiva prole (o que na família Mendonça significa mais 11 pessoas, no mínimo). Como é hábito, adormeci a dar de mamar à Rita já a hora ia avançada (com o meu fofo gajo a trabalhar esgotadamente ter o seu merecido descanso no vale dos lençóis), e não tive sequer ânimo para visitar o blogue. Donde, não fazia a menor ideia das vis calúnias divertidas verdades que ele andou a postar sobre a minha matemática doméstica.

Hoje, quando acordei, resolvi abrir o computador e... dei de caras com as aparentes injúrias que o meu fofo gajo silenciosamente denodadamente cozinhara no dia anterior. E o pior é que nem tempo tive de exercer imediatamente o meu direito de resposta, e agradecer-lhe tamanha manifestação de inteligência. O dia começava já a acelerar e a escrita não me sai a 100 à hora como ao esgotado, mas sempre incrível, trabalhador acima citado. Donde, tive de esperar até agora. Mas ele não espera pela demora. Como é que é mesmo aquele provérbio? Ah, sim, a vingança serve-se fria! Felizmente, cá em casa há aquecedores, aliás bestiais, todos eles comprados pelo meu lindo maridinho - e sem entrega ao domicílio.

Quer dizer que o meu fofo gajo acha plausível que as compras que surgem nas duas fotos sejam as compras do mês cá de casa? Faz ele muito bem. Querem contas? Então vamos às contas.

Leite: se o caro e fofo gajo lesse os meus posts saberia que a dose de leite diária recomendada para as crianças até aos nove anos é de 500 ml dia. Sim, eu sei que quando é o papá a preparar o pequeno-almoço os miúdos nem a 100 ml têm direito no fundo da taça de cereais, tal é a pressa em pô-los para fora da cozinha. Mas sempre é melhor do que quando é a mamã a prepará-lo, dado o seu talento para colocar o Nestum ao serviço da construção civil e do betume de paredes. A mamã é que é a desmancha-prazeres, que acha que o pequeno-almoço deve ser uma refeição reforçada (uma ideia originalíssima...). E não sei se o meu fofo gajo sabe que... os miúdos também lancham, embora em casa, de facto, só lanchem ao fim-de-semana, porque nos outros dias estão na escola (outra ideia originalíssima...). Bem sei que quando eles ficam sozinhos com o pai nunca têm direito a lanche (a menos que sejam eles a arranjá-lo, já que o pai faz tudo para promover a autonomia dos seus queridos filhos), mas todos os dias bebem a sua segunda dose de leite ao lanche, embora cinco em sete vezes o façam na escola.

Ora, a Carolina até já tem mais de nove anos, embora, na verdade, tenha ainda nove anos (logo, devia beber um pouco mais do que os irmãos, mas esqueçamos isso pois também eu reconheço com grande inteligência ser sou detentora de uma homérica estultícia) e cá em casa há cinco consumidores de leite empacotado (a Rita tem belíssimos pacotes de produção biológica), logo:

0,5 litros x 5 consumidores = 2,5 litros

2,5 litros x 30 dias = 75 litros

Portanto, acha o caro e fofo gajo que os 24 litros de leite meio-gordo da foto são suficientes para o consumo mensal da nossa casa? Claro que não acha, como aliás explicou aqui. Hum... assim à primeira parece-me que nem o triplo chega. Pois não chega, como aliás explicou aquiE onde está o leite magro que a Carolina e a gaja e o fofo gajo consomem? Pois não está, como aliás explicou aqui.

Fraldas e toalhitas: não sei se o caro e fofo gajo já ouviu falar de promoções. Vagamente, imagino, porque ele não tem o mesmo prazer que eu em coleccionar aqueles cupões que nos dão desconto em coisas que não precisamos. Ora, as fraldas e toalhitas Dodots, apesar de serem das mais carotas do mercado, foram pela nossa família eleitas como as preferidas, depois de experimentarmos várias marcas. As grandes superfícies fazem ocasionalmente promoções destes produtos. Coisita assim para 50% de desconto é de aproveitar, lá isso é. E nesse caso não se compram três fraldas/toalhitas mas três caixas delas, o que significa que afinal algumas daquelas compras que se viam nas fotos eram não só do mês, mas de todo o primeiro semestre de 2013. É que me parece que ainda não será para o próximo mês que a Rita abandonará as fraldas, e o meu lindo maridinho que o diga, que está sempre a mudá-las.

Ora, se o que aparece nas fotos são os mantimentos mensais cá para casa, parece-me que vamos começar a passar fome. Felizmente, o meu lindo maridinho nunca escreveu em lado nenhum que aquilo eram os mantimentos mensais cá para casa, já que ele é pessoa para saber que nós não nos alimentamos apenas de salsichas e cogumelos laminados. Ou então, já sei, vamos começar a comer... toalhitas! Ah, ah, ah. As mesmas toalhitas que ele acha que servem para desinfectar as reluzentes e cristalinas partes baixas da Rita. Ou - espera - será que ele estava a utilizar uma figura de estilo? Ali entre a hipérbole e o disfemismo? Não sei, porque eu sou pouco sensível a figuras de estilo sempre que elas colocam em causa o rigor da ciência médica.

Onde estão a carne, o peixe, os ovos, as latas de atum, o arroz, as massas, a farinha, os cereais, as bolachas, o queijo, o fiambre, as frutas, os legumes,... para falar só nas coisas mais consumidas cá em casa? Espera, deixa-me pensar... Não estão! Deve ser por isso que há uma diferença entre dizer que aquelas são compras do mês e dizer que aquelas são as compras todas do mês. Mas não sei, porque eu sou pouco sensível a subtilezas linguísticas sempre que se coloca a hipótese de fazer AH!AH!AH!AH!AH!AH!AH!... na cara do meu lindo maridinho.

E os limpa-vidros (se o caro e fofo gajo não deixa a gaja usar cortinas, porque tem montes de bom gosto, convém que os vidros sejam limpos de vez em quando), detergentes da loiça, os guardanapos, os sabonetes, os champôs, gel duche, pasta de dentes, soros fisiológicos, cotonetes... só para enumerar umas coisitas que costumo comprar mensalmente para fornecer a casa, e com as quais ele alombou anos e anos a fio escada acima?

Onde é que está tudo isso? Ah, não está, tal como ele nunca disse que estava! Já sei. Inspirado no regresso em dia de nevoeiro de El Rei D. Sócrates, o meu excelentíssimo esposo deve ter decidido afinar a graduação dos óculos. Resultado: ficou a ver tão bem como o nosso ex-primeiro-ministro. Já eu, preferi ficar com a consistência dos seus argumentos e com a sua reconhecida qualidade na hora de fazer as contas. O que é muito mais giro.



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publicado às 15:09


O meu gajo só pode estar a gozar

por Teresa Mendonça, em 28.03.13
A vida da mulher do meu gajo tem destas coisas. Andei eu ontem inocentemente (sim, também sou uma bem-aventurada inocente) na minha habitual roda viva de um dia normal de trabalho (sim, porque não são só os gajos que gostavam de ter tempo para trabalhar descansados e que têm 19 entradas na sua To Do List), cheguei acelerada do hospital para preparar o jantar com duas irmãs e respectiva prole (o que na família Mendonça significa mais 11 pessoas), adormeci a dar de mamar à Rita já a hora ia avançada (com o meu gajo a trabalhar esgotadamente no vale dos lençóis), e não tive sequer ânimo para visitar o blogue. Donde, não fazia a menor ideia das vis calúnias que ele andou a postar sobre a minha matemática doméstica.

Hoje, quando acordei, resolvi abrir o computador e... dei de caras com as injúrias que o meu gajo silenciosamente cozinhara no dia anterior. E o pior é que nem tempo tive de exercer imediatamente o meu direito de resposta. O dia começava já a acelerar e a escrita não me sai a 100 à hora como ao esgotado trabalhador acima citado. Donde, tive de esperar até agora. Mas ele não espera pela demora. Como é que é mesmo aquele provérbio? Ah, sim, a vingança serve-se fria!

Quer dizer que o meu gajo acha plausível que as compras que surgem nas duas fotos sejam as compras do mês cá de casa? Querem contas? Então vamos às contas.

Leite: se o caro gajo lesse os meus posts saberia que a dose de leite diária recomendada para as crianças até aos nove anos é de 500 ml dia. Sim, eu sei que quando é o papá a preparar o pequeno-almoço os miúdos nem a 100 ml têm direito no fundo da taça de cereais, tal é a pressa em pô-los para fora da cozinha. A mamã é que é a desmancha-prazeres, que acha que o pequeno-almoço deve ser uma refeição reforçada (uma ideia originalíssima...). E não sei se o meu gajo sabe que... os miúdos também lancham. Bem sei que quando eles ficam sozinhos com o pai nunca têm direito a lanche (a menos que sejam eles a arranjá-lo), mas todos os dias bebem a sua segunda dose de leite ao lanche.

Ora, a Carolina até já tem mais de nove anos (logo, devia beber um pouco mais do que os irmãos, mas esqueçamos isso pois também eu sou detentora de uma homérica estultícia) e cá em casa há cinco consumidores de leite empacotado (a Rita tem pacotes de produção biológica), logo:

0,5 litros x 5 consumidores = 2,5 litros  

2,5 litros x 30 dias = 75 litros

Portanto, acha o caro gajo que os 24 litros de leite meio-gordo da foto são suficientes para o consumo mensal da nossa casa?  Hum... assim à primeira parece-me que nem o triplo chega. E onde está o leite magro que a Carolina e a gaja e o gajo consomem?

Fraldas e toalhitas: não sei se o caro gajo já ouviu falar de promoções. Vagamente, imagino. Ora, as fraldas e toalhitas Dodots, apesar de serem das mais carotas do mercado, foram pela nossa família eleitas como as preferidas, depois de experimentarmos várias marcas. As grandes superfícies fazem ocasionalmente promoções destes produtos. Coisita assim para 50% de desconto é de aproveitar. E nesse caso não se compram três fraldas/toalhitas mas três caixas delas. É que me parece que ainda não será para o próximo mês que a Rita abandonará as fraldas.

Ora, se o que aparece nas fotos são os mantimentos mensais cá para casa, parece-me que vamos começar a passar fome. Ou então, já sei, vamos começar a comer ... toalhitas! As mesmas toalhitas que ele acha que servem para desinfectar as reluzentes e cristalinas partes baixas da Rita.

Onde estão a carne, o peixe, os ovos, as latas de atum, o arroz, as massas, a farinha, os cereais, as bolachas, o queijo, o fiambre, as frutas, os legumes,... para falar só nas coisas mais consumidas cá em casa?

E os limpa-vidros (se o caro gajo não deixa a gaja usar cortinas, convém que os vidros sejam limpos de vez em quando), detergentes da loiça, os guardanapos, os sabonetes, os champôs, gel duche, pasta de dentes, soros fisiológicos, cotonetes... só para enumerar umas coisitas que costumo comprar mensalmente para fornecer a casa?

Onde é que está tudo isso? Ah! Já sei. Inspirado no regresso em dia de nevoeiro de El Rei D. Sócrates, o meu excelentíssimo esposo deve ter decidido afinar a graduação dos óculos. Resultado: ficou a ver tão bem como o nosso ex-primeiro-ministro.


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publicado às 00:27


"Sim, quero", mas em anel

por João Miguel Tavares, em 27.03.13

O artista e designer japonês Sakurako Shimizu criou estes anéis de noivado, que representam a forma da onda sonora de cada um dos noivos a dizerem "I do". Grande ideia, hein? Segundo se pode ler no seu blogue, Shimizu também é homem para produzir a onda de um "sim, quero", ou quaisquer outras palavras, embora "bom... aaaarh... enfim... não sei bem..." seja capaz de ser demasiado longo para o diâmetro do anel. Os preços variam entre os 560 (prata) e os 1885 dólares (platina). Encontra todas as informações aqui.


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publicado às 19:51


O netinho do Quim

por João Miguel Tavares, em 27.03.13
Atenção, minhas senhoras e meus senhores, já que o grande Quim Barreiros foi trazido à colação na sequência do post anterior, e depois desmerecido por alguns leitores nos comentários, quero aqui defender a sua honra e sublinhar que também ele denota grande preocupação familiar, como é próprio da boa gente do povo.

Não será um Tony Carreira, não senhor, mas apesar do conteúdo da sua obra, também ele é um respeitável homem de família. Num dos seus extraordinários discos (Use Álcool, 2007), ele dedica inclusivamente um tema ao seu jovem neto, precisamente intitulado "O Meu Netinho". O refrão - reparem bem - é de grande elevação poética:

Ai, ai, ai, como é bom ser avozinho
Ai, ai, ai, como é lindo o meu netinho

E apesar de o tema conter a expressão "adoro o teu beijo molhado", ela é, incrivelmente - diria mesmo, miraculosamente -, utilizada de forma 100% inocente. Eis o milagre consumado da grã-paternidade: Quim Barreiros, o mestre do trocadilho, o homem que consegue desencantar a badalhoquice que está escondida a 100 metros de profundidade nas palavras mais insuspeitas (cf. o verso "Banana Pessego", contido no hoje já clássico da música portuguesa "Casamento Gay"), esse mesmo homem consegue subitamente escrever uma letra cândida para o seu pequeno neto, ao ponto de ficar cego às polissemias da letra - afinal, o ramo em que se doutorou honoris causa com indiscutível brilhantismo.

Ora vejam, e comovam-se:


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publicado às 16:53


Tony, tu és o maior

por João Miguel Tavares, em 27.03.13
Já não bastava o Tony. Já não bastava o Mickael. Já não bastava o David. Agora também temos a Sara. A rapariga só tem 13 anos mas já saltou para cima de um palco, para interpretar em dueto com o pai o incrível tema "Hoje Menina, Amanhã Uma Mulher", cujo subtítulo não é, mas devia ser, "E Entre o Hoje e o Amanhã Cantora (Como os Irmãos)". Chorem, pedras da calçada:

Hoje um anjinho
Amanhã uma mulher
O teu caminho
Vais ser tu a fazer

Mas quando fores embora
Contigo também vai
O coração de um pai
O coração de um pai.



Oh, que lindo. Um grande, grande snif para o Tony.

Bom, para ser totalmente honesto, tenho de confessar que o revestimento do meu pavilhão auricular considera o Tony responsável pelas mais nhonhocas canções portuguesas desde que Viriato andou a combater romanos nos Montes Hermínios (desculpa, Tony). E olhem que eu sou um adepto de Quim Barreiros. Aquela mistura de música romântica oleosa e letras de terceira classe dá cabo de mim, até porque nem sequer tem a saudável badalhoquice da música pimba.

Mas o Tony, se é péssimo a fazer música, é óptimo a dar um futuro aos seus filhos. Não sei se é ele o responsável pela carreira dos miúdos, mas é impressionante como a família Carreira consegue preencher todos os nichos de mercado. Tony é o romântico das balzaquianas. Mickael é a versão tuga do Enrique Iglesias. David é o playboy das novelas e da música de dança. Da avó ao netinho, a família Carreira vai a todas, transportando consigo um apelido que é apenas o pseudónimo artístico do pai (o apelido verdadeiro da família é Antunes, mas ninguém se chateia com isso).

E agora... pimba, a Sara, coitadinha (também será Carreira?), que ainda não canta nada de especial mas já anda a pisar o Olympia. Eu às vezes olho à minha volta e tenho aqueles receios habituais de estar a expor muito os meus filhos, dedicando-lhes livros, posts e crónicas. Mas, na verdade, o que eu queria mesmo era ser um Tony Carreira, que trata de si e de todos à sua volta com um talento inigualável. Todos conhecem aquele provérbio que diz "melhor do que oferecer um peixe é dar uma cana e ensinar a pescar". Pois bem, os Carreira não são uma cana: são um gigantesco arrastão que leva consigo metade do peixe do Atlântico Norte.

Portanto, eu queria deixar aqui esta mensagem pública, há muito merecida: Tony, a tua música não se aguenta, mas tu és um exemplo para todas as famílias numerosas. És uma inspiração. És um guia. És um farol. Todos os dias aprendo contigo, pá. Obrigado por tudo. E já agora, boa sorte para a Sara.

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publicado às 09:04

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Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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