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O tamanho conta

por João Miguel Tavares, em 29.08.13
Algumas reacções a este post estão a fazer-me sentir um terrível pervertido. Por causa disso até fiz ontem à noite um teste à excelentíssima esposa com a capa do Lolita, antes de ela ler o post. E a verdade é que só à segunda é que a Teresa ligou as paredes às pernas e o tecto às cuecas brancas de uma menina. É estranho como para umas pessoas aquilo é absolutamente do domínio do óbvio, enquanto outras têm de esfregar os olhos várias vezes para ver o que lá está - e ainda assim não ficam completamente convencidas.

Será uma coisa gajo-gaja, dentro daquela lógica "os homens estão sempre a pensar naquilo"? Provavelmente por eu estar sempre a pensar naquilo, lembrei-me de um vídeo de Ze Frank que vi há tempos, chamado "A Song for Freud", cujo refrão pode ser traduzido por "se procurares bem, encontrarás uma pila praticamente em todo o lado" - e as imagens do vídeo provam a tese com alguma eficácia. Ora vejam:


Como o próprio Ze Frank aconselha, "não cantem isto nos elevadores" - um risco sério, porque o raio da canção é daquelas que fica mesmo no ouvido.

Mas tendo eu dúvidas sustentadas sobre a tese "eles só pensam em sexo" versus "elas só pensam em filhos" (embora eu me queixe bastante desta segunda parte - sobre a primeira, a minha mulher que responda), prefiro deixar a justificação mais do lado da física e da óptica do que do lado da psicanálise. Esqueçam o Freud, portanto. O que se passou, provavelmente, é que coloquei as leitoras deste blogue demasiado próximas da parede. Ou seja, assim a capa percebe-se com dificuldade:


Mas assim já se percebe muito melhor:


Que é um outro modo de dizer: sim, o tamanho conta.

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publicado às 11:16


Lolita nas paredes

por João Miguel Tavares, em 28.08.13
O Lolita de Nabokov é um eterno espectro sobre a cabeça da humanidade, um livro onde a absoluta imoralidade é elevada à condição de arte (Pedro Almodóvar fez o mesmo connosco em Fala com Ela, onde a violação de uma mulher em estado de coma é transformada à nossa frente num profundo acto de amor). Agora, um novo livro, chamado Lolita - The Story of a Cover Girl: Vladimir Nabokov's Novel in Art and Design (sai dentro de dois dias e já está disponível em pre-order na Amazon inglesa), analisa as subtilezas do tratamento gráfico que as capas do livro foram tendo ao longo do tempo, e convoca uma série de designers para fazerem novas propostas para o livro de Nabokov. Há várias ideias originais, mas uma delas é do outro mundo, e talvez seja mesmo a primeira vez que uma capa está à altura da obra-prima original. É assinada pelo designer britânico Jamie Keenan:


Quão pervertido é preciso alguém ser para ver as pernas e as cuecas de uma miúda de 12 anos no canto de um quarto? Não faço ideia. Mas posso garantir-vos que nunca mais vou olhar para um tecto da mesma forma. A melhor arte é isso, suponho eu - altera-nos a forma como vemos certas parcelas do mundo. Já encomendei o livro, como é óbvio. E vou passar a seguir o trabalho deste senhor Keenan com a maior atenção.

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publicado às 10:13


O "enlarge your penis" vive!

por João Miguel Tavares, em 27.08.13
É só para dizer que acabei de receber um mail na caixa de spam que se oferece para aumentar o meu pénis (até oito centímetros!) e fui invadido pelo doce sabor da nostalgia, tal como se subitamente uma fragrância inesperada me remetesse para uma doce memória de infância. Há vários anos que ninguém se oferecia para me aumentar o pénis (salvo seja), para minha grande tristeza. Hoje em dia o spam só me propõe negócios milionários com senhores do Zimbabwe desde que eu faça uma qualquer transferência financeira, ou então simula mails falsos de bancos para conseguir acesso aos meus dados pessoais - e isso não é de todo a mesma coisa. É o dinheiro a ganhar cada vez mais território ao sexo. Não me parece bem.

Eu quero o bom e velho spam, que promete extraordinários melhoramentos à minha performance sexual. Desconheço o senhor que me enviou este mail, mas posso garantir-vos que é um "enlarge your penis" à moda antiga, onde nem sequer falta o depoimento entusiástico a que um homem diminuído tem direito, desta vez por Edvado Silva, 24 anos, natural de Mato Grosso:

Comecei os exercícios há dois meses e meio e já noto um aumento de 2 cm no comprimento e 1 cm na grossura de meu pénis. Minha namorada, que não acreditava no programa, é quem faz as medições. Estamos muito satisfeitos com estes resultados já obtidos. Quero parabenizar e agradecer a equipe por oferecer um tratamento que realmente funciona.

Ah, que maravilha. Gosto sobretudo da parte em que ele garante que é a namorada (que apesar de tudo nunca o abandonou) "quem faz as medições", ainda por cima logo ela, "que não acreditava no programa", como se fosse um membro do governo civil particularmente céptico sobre a legalidade de determinado concurso. Tudo isto é muito bonito. Quero, pois, aproveitar também eu para "parabenizar" os senhores que tiveram a amabilidade de me tentar intrujar com tanta simpatia. Já tinha saudades.

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publicado às 12:03


A indecisão continua

por João Miguel Tavares, em 27.08.13
O bom desta coisa chamada World Wide Web é que de vez em quando as pessoas fazem pesquisas e descobrem posts do tempo da Maria Caxuxa. Uma leitora perguntou-me há dias, na sequência desta entrada de Janeiro sobre a escola pública versus escola privada, se nós já nos tínhamos decidido em relação a esse assunto. Pois a resposta é... não. Ainda não nos decidimos. A Carolina vai entrar agora para a quarta classe e vamos ver como correm os primeiros meses - a nossa dúvida sempre se pôs apenas para o quinto anos.

A minha primeira opção continua a ser a escola pública, 50% por razões ideológicas (gostava que os meus filhos crescessem em escolas públicas, e não numa espécie de bolha social para crianças privilegiadas, como é o caso das melhores escolas privadas), 50% por razões financeiras (quatro filhos é muito filho para ter a estudar em simultâneo em escolas privadas). Mas tanta a nossa vida familiar, como a nossa vida profissional, não está com o necessário nível de previsibilidade que nos permita tomar opções a tão longo prazo. À boa portuguesa, é possível que vá ser tudo ao desenrascanço, e à última da hora. Vamos ver.

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publicado às 12:02


"Deve ser o champô que você tá usando"

por João Miguel Tavares, em 24.08.13
Este vídeo já é de Março, mas só agora é que uns colegas meus do trabalho mo mostraram. E é tão bom que apetece ir a correr ao supermercado. Para quem não conhece, aqui vai:

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publicado às 14:13


O dia em que a Rita disse pela primeira vez "mamã"

por Teresa Mendonça, em 22.08.13
Já vi este vídeo 398 vezes. E ainda não me cansei.


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publicado às 00:55


Agarrem-me, que eu dou cabo dela

por João Miguel Tavares, em 21.08.13
Só quero fazer o seguinte comentário a propósito do post anterior:


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publicado às 10:23


O-Ohhhhh!

por Teresa Mendonça, em 21.08.13
Depois de três semanas de férias em família, a Rita nem parece o bebé que partiu de Lisboa no final de Julho. Está super desenrascada, rabinha a casa rápida e estilosamente e deixa bem claras as suas preferências, não se deixando enganar facilmente com uma chucha na boca ou um colinho fofo.

Mal chegámos a casa, enquanto nos atarefávamos a trazer as malas do carro e a preparar o jantar, deixámos a Rita no chão da sala a matar saudades de alguns dos seus brinquedos. Em menos de nada dei com ela no corredor a tirar os DVDs das prateleiras, com notável entusiasmo.



O-Ohhhh! Acho que o papá vai ter um colapso quando der conta que a Rita já descobriu a técnica de sacar-tudo-das-prateleiras-a-grande-velocidade, adorada pelas crianças mais pequenas. A coisa torna-se mais grave ainda quando o que é sacado da prateleira são DVDs, CDs ou livros do papá. Por sorte, a Rita decidiu começar com os DVDs infantis, em relação aos quais o pai é mais tolerante, e por isso quando ele entrou em casa carregado de malas e deu com a cena, limitou-se a deixar cair a bagagem no chão e a bater o recorde dos 10 metros aos gritos de "Não! Não! Rita má! Rita má!"

Nem quero imaginar o que vai acontecer quando ela chegar à colecção de filmes da Criterion.

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publicado às 09:42


Shittens, que é como quem diz, Merdelhitas

por João Miguel Tavares, em 19.08.13
É só para dizer que estou quase a fazer anos (40, por acaso) e que uma prenda como esta me parece extremamente útil (apreciem o vídeo, com canção foleira e tudo):


Por 9,95 dólares é possível comprar 20 Shittens, uma luva feita do material das toalhitas que combate esse terrível acontecimento que é a invasão de partes indesejadas do nosso corpo pelo cocó dos bebés - coisa que me acontece para aí duas vezes a cada três mudanças de fraldas.


Com estas luvas o flagelo está terminado. Senhores do Pingo Doce e do Continente: para quando pacotes e pacotes de Shittens (há até uma excelente tradução em português para isto, que aqui deixo gratuitamente: Merdelhitas) nas prateleiras dos supermercados portugueses? As minhas unhas estão ansiosamente à espera.

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publicado às 01:03


Rabinhar

por João Miguel Tavares, em 16.08.13
Os meus filhos nunca foram muito de gatinhar, e um deles até passou directamente do sentar para o andar. Mas a Rita é a primeira a desenvolver uma técnica original, a que podemos chamar de "rabinhar". Rabinhar não é andar nem é gatinhar - é movimentar-se arrastando o rabo pelo chão, numa sofisticada articulação de pernas e braços, que até poderia ser motivo de orgulho para um pai não fosse a opção ser - como dizer? - um bocado parva. Afinal, a Rita move-se muito mais devagar e gastando muito mais energia do que se simplesmente gatinhasse (até porque já percorre longas distâncias rabinhando), e não se percebe bem porque continua a varrer o chão com a fralda.

Já lhe perguntei isso mesmo - "Rita, por que não gatinhas?" -, pois é mais do que altura para gatinhar (no próximo dia 30 ela vai fazer um ano). A Rita respondeu: "Bágágádádábá", alojando-me três perdigotos no olho direito. "Bágágádádábá" significa, numa tradução optimista, que a Rita entende que andar de quatro é um bocado animalesco, preferindo arrastar o rabo pelas várias assoalhadas a ter de andar com ele empinado à vista de todos. É certo que não é uma opção muito prática, e que às vezes - visão particularmente desconfortável - parece que anda de cadeira de rodas (sem a cadeira). Mas enfim: podemos sempre admitir que é um esforço extra, em nome do estilo e da classe.

Para quem não está a ver bem a ideia, a técnica que ela usa parece-se mais ou menos com isto (mas com a perna esquerda mais esticada):


Só que a um pai cinéfilo é inevitável que faça lembrar isto:

"Freaks" (1932), de Tod Browning, o mais bizarro filme de todos os tempos

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publicado às 13:50

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Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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