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  viver é superdifícil

o mais fundo

  está sempre na superfície


                  Paulo Leminski

 

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publicado às 18:48


Insultuosamente sexy

por João Miguel Tavares, em 30.11.13

Vai a família pela rua, os pais e as meninas mais atrás, os dois rapazes lá mais para a frente, quando de repente o Gui começa a chorar:

 

- [Choradeira]

- O que é que se passa, Gui?

- [Continua a choradeira]

- Acalma-te, Gui, o que é que se passa?

- Foi o Tomás! [Mais um bocadinho de choradeira]

- O que é que o Tomás te fez?

- O Tomás está sempre a dizer que eu sou sexy!

 

E pronto, são assim os meus dias. Os meus filhos n.º 2 e n.º 3 acham que "ser sexy" é um insulto. Dá Deus nozes a quem não tem dentes.

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publicado às 16:09


Que cão ter em casa? #3

por João Miguel Tavares, em 30.11.13

Ainda a propósito das minhas dúvidas existenciais caninas, a leitora Emília Castilho enviou recentemente um testemunho pessoal tão bonito, útil e ponderado, que eu decidi resgatá-lo da caixa de comentários (sem desprimor para todos os outros magníficos conselhos e sugestões que nos têm oferecido, e que já ultrapassaram as 100 partilhas só neste blogue - o meu muito obrigado a todos).

 

Aqui vai ele, que é boa leitura para começar um fim-de-semana:

 

Sou mãe de três filhos e dona de seis lindas cadelas e um lindo cão. Como sou criadora de Goldens, tenho três, tenho também duas Cocker Spaniel e depois tenho uma cadela e um cão que recolhi da rua, bem à porta de casa. Há dois anos morreu-me outra cadela que recolhi da rua e que esteve cá em casa 10 anos. Como vê, experiência não me falta. Não, os meus cães não estão presos, andam pelo quintal mas também andam cá por casa, em alegre e sã convivência e nunca tive um único problema (quando vivi num apartamento tinha três cães).


O principal fator para se ter um cão é querer realmente ter um cão, gostar e estar preparado para cuidar dele... sim, dá algum trabalho, principalmente se for um cachorrinho.


Comprar ou adotar também deve ser uma escolha da família. Visto que tem um apartamento, existem, de facto, raças de cães mais apropriadas, porque os cães tal como as pessoas também possuem a sua personalidade, daí que se deva investigar com calma as características de cada raça, de modo a fazer a escolha mais acertada para os donos. Quanto aos adotados... só posso falar da minha experiência, são absolutamente fabulosos, pelo menos os meus, são do mais agradecido que existe.


Claro que, por vezes, podem trazer com eles algumas marcas psicológicas. Mas com paciência, amor e carinho, conseguem ultrapassar-se. Dou-lhe o exemplo do meu Luckie. Quando o encontrei estava à porta de minha casa, não andava nada de nada. Com a ajuda do meu filho, improvisei uma maca e fui buscá-lo. Fui à minha veterinária, que após um longo exame não lhe detetou ossos partidos ou qualquer problema neurológico. Deu-me vitaminas para lhe dar e mandou que aguardássemos.


Como deve imaginar, tive que dar muito banho àquele cão, porque não se conseguia pôr de pé para fazer necessidades fisiológicas, logo, sujava-se frequentemente. Por duas vezes, abriu a boca na minha direção, mas eu compreendi-o, não o fez com ar agressivo (sim, é preciso entender a linguagem dos cães), só me estava a dizer "estou mal, estou assustado, tem cuidado". Resumindo, ao fim de três semanas voltou a andar, tudo porque teve comida e vitaminas.


Era um cão que não sabia o que era brincar, hoje já sabe. Era um cão extremamente assustado, pessoas que vinham cá a casa e que para ele eram desconhecidas, nem deixava que lhe tocassem. Hoje em dia, ao fim de algum tempo, já se chega e se deixa tocar. Agora vem ter connosco à sala, gosta do sofazinho e já se deixa dormir de barriga para o ar, o que num cão significa que está completamente à vontade, e passa a vida a fazer-se aos nossos mimos... esperto.


Ou seja, um cão é, de facto, aquilo que nós fazemos dele, nunca esquecendo que o seu instinto animal sempre estará lá. Além disso, crianças que crescem com cães, crescem de maneira diferente, não tenho a menor dúvida.


Para terminar, digo-lhe como é que é a rotina cá em casa: às segundas é o meu filho que dá de comer aos cães; às terças outra das minhas filhas; e às quartas a outra filha; e depois quinta volta ao primeiro filho e assim sucessivamente; aos domingos é o pai e a mãe. Para passear com eles fora de casa, muitas vezes já são eles que se oferecem, nem é preciso obrigar ou pedir.


Isto é outro fator muito importante: dividir as tarefas do cuidado do cão pelas crianças, atendendo, como é óbvio, à sua idade. Como vê, poderia ficar aqui a conversar sobre cães o resto do dia. Se precisar de tirar mais alguma dúvida, terei todo o gosto em ajudá-lo, e se quiser vir até aqui acima (embora eu seja da Covilhã, vivo perto de Viseu) adotar um cão, terei todo o gosto em ajudar a sua família. Conheço um canil com vários cães a precisar de dono.


Atenciosamente,


Emília Castilho



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publicado às 09:18


Reacção a um post #2

por João Miguel Tavares, em 29.11.13

Então, minhas senhoras, não acreditem em tudo o que vos conto. Eu estava a brincar. E nem sequer é por amor à Carolina - é por amor a mim próprio, que sou obrigado a aturar-lhe os pesadelos a meio da noite.

 

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publicado às 11:21


Miley Cyrus (outra vez) (mas sem ser bem ela)

por João Miguel Tavares, em 29.11.13

Para quem já tinha saudades de Miley Cyrus (houve aqui alguns posts sobre ela que fizeram sucesso), não poderia deixar de trazer para este blogue o vídeo de que toda a gente no planeta se anda a rir (à hora a que escrevo a coisa já vai perto das 40 milhões de visualizações).

 

Senhoras e senhores, eis o teledisco de "Wrecking Ball" revisto por Steve Kardynal, e que inclui - como é suposto - cuecas sexys, língua de fora e nudez gratuita.

 

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publicado às 10:48


Reacção a um post #1

por João Miguel Tavares, em 29.11.13

Devo dizer-vos que fiquei muito impressionado com as reacções a este meu post, tanto no blogue como no Facebook. Perdi as contas às pessoas que disseram: "Eu também tenho um Tomás em casa, embora com outro nome." Afinal, o mundo está cheio de Tomás(es). E um mundo cheio de Tomás(es) é um lugar no qual vale a pena acreditar e ter esperança.

 

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publicado às 10:29


Um hino à vida

por João Miguel Tavares, em 29.11.13

Amália contou uma vez que em 1984 se instalou num hotel de Nova Iorque com a intenção de se suicidar, após lhe ter sido diagnosticado um tumor no pulmão. No entanto, alguém lhe ofereceu um vídeo de Fred Astaire, e esse vídeo - a alegria desse vídeo - salvou-lhe a vida. Por vezes, nos momentos mais cinzentos dos nossos dias, precisamos de ser recordados do extraordinário milagre que é o dom da vida, e das coisas extraordinárias que encerra. O vídeo que se segue tem esse poder - é como se Ward Miles dançasse tal qual Fred Astaire.

 

Ward Miles nasceu com apenas 25 semanas de vida e imensas complicações de saúde. Passou 107 dias nos cuidados intensivos, e no aniversário da sua chegada a casa, o seu pai decidiu oferecer à sua mãe este vídeo lindíssimo, que revê o miraculoso percurso de pouco mais de um ano em conjunto, e onde há de tudo, incluindo um cão. A história está toda aqui, e quem conseguir ver este filme sem ficar com os olhos marejados, por favor escreva a contar. Eu não consegui.



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publicado às 09:45


A fada dos dentes faz horas extraordinárias

por João Miguel Tavares, em 28.11.13

Eu ontem coloquei aqui um diálogo em família sobre a questão da fada dos dentes e sobre os miúdos que, dado o avançar da idade, deixam de acreditar nela. É que é precisamente esse o estado em que se encontra a minha filha Carolina: já não acredita na fada mas quer prenda na mesma quando lhe cai um dente. Pior: já percebeu que os dentes de leite praticamente não têm raiz e que, por isso, são facílimos de arrancar assim que começam a abanar um bocadinho.

 

Donde, ontem de manhã descobriu que o dente ao lado daquele que tinha caído também já estava tremido - e quando no final do dia chegou a casa já o trazia orgulhosamente embrulhado num lenço de papel. O raio do dente da Carolina, que em circunstâncias normais ainda demoraria uma semana a cair, ao fim de oito horas de escavação linguística (duvido que ela tenha aprendido alguma coisa durante as aulas de ontem) já estava cá fora. 

 

Eu ainda tentei convencê-la de que a fada dos dentes não aparecia em dois dias consecutivos, porque o seu sindicato decretara greve às horas extraordinárias. Mas a minha filha é uma perigosa neoliberal - não há greves para ninguém, e a fada tem mesmo de aparecer, até porque não existe (não sei se estão a ver a lógica da coisa). Eu, nestes casos, tento sempre fazer de homem de esquerda e impor regras laborais. Só que, tristemente, a Carolina tem a cumplicidade da primeira-ministra cá de casa, cuja perigosa agenda é assim como a da Alemanha: total insensibilidade ao superávit de brinquedos.

 

E a pobre da fada - forçada, oprimida e explorada - lá teve de aparecer novamente. Conclusão: é necessária uma rápida mudança de estratégia da minha parte, antes que os dentes lhe comecem a cair da boca como folhas outonais.

 

Então pensei neste Plano B: esta noite, mesmo antes de deitar, vou mostrar à Carolina a imagem em anexo e dizer-lhe que ela foi captada por um extraordinário documentário da National Geographic sobre fadas dos dentes. Após anos e anos de investigação, quilómetros e quilómetros de viagens, e horas e horas de filmagens, o documentário The Wonderful Horrible Life of the Tooth Fairy revelou que, afinal, elas não eram nada daquilo que se pensava...

 

 

É que a Carolina já não acredita em fadas. Mas monstros é um tema inteiramente diferente...

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publicado às 15:30


Estás melhor, papá?

por João Miguel Tavares, em 28.11.13

Cada um dos meus filhos tem as suas qualidades e os seus defeitos, e ao Tomás coube um coração do tamanho do mundo. É curioso como essa extraordinária qualidade nos angustia tanto (a mim e à Teresa), porque por causa dela o achamos sempre menos preparado do que os outros filhos para enfrentar as agruras da vida. O nosso esforço em relação à Carolina é tentar convencê-la a pensar mais nos outros e menos em si própria. O nosso esforço em relação ao Tomás é tentar convencê-lo a pensar mais em si próprio e menos no que os outros dizem ou pensam dele.

 

Claro que as crianças mudam muito, claro que a adolescência os pode virar do avesso, mas eu olho para os nove anos da Carolina e acho que tenho ali uma filha preparada para a vida, no sentido em que ninguém vai andar a passar por cima dela sem que ela se queixe (e muito). Já quando olho para os sete anos do Tomás, tenho medo por antecipação de todas as pessoas que lhe hão-de partir o coração.

 

É como se a bondade que adoramos ver nos outros ganhasse nos nossos filhos uma pequena sombra negra, relacionada com o facto de o ser bom ser uma forma de entrega que nos deixa, muitas vezes, sem defesas. Adoro que ele seja tão bom. Tenho medo por ele ser tão bom.

 

Ontem, eu não me estava a sentir nada bem. Alguém me terá transmitido um bicho qualquer que me deixou abananado e mal disposto. Quando os miúdos chegaram a casa, expliquei isso a todos, pedindo para se portarem bem no banho, ao jantar e ao deitar, porque o papá estava cansado e com pouca paciência.

 

A Carolina e o Gui disseram que sim com a cabeça e portaram-se exactamente como se costumam portar. O Tomás, pouco depois, chegou ao pé de mim com esta folha de papel:

 

 

A família, sempre a família. E hoje de manhã, a primeira coisa que me disse ao acordar, foi: "Papá, estás melhor?"

 

Foi tão bonito aquele "papá, estás melhor?", que certamente o acompanhou durante toda a noite, para ainda estar fresco na sua cabeça ao acordar.

 

Nenhum dos outros me perguntou tal coisa, nem é suposto perguntarem: os pais são aqueles super-homens que levantam garrafões de água de cinco litros só com uma mão, os põem às cavalitas, e estão sempre disponíveis, em todas as ocasiões. Mas o Tomás é diferente. Preocupa-se com a fragilidade dos outros, é capaz de arrumar ele próprio o quarto de brincar sozinho se vir que eu estou à beira de castigar o Gui por ele ser tão desarrumado, sacrifica-se com a maior das facilidades para que os outros possam ser felizes. É um miúdo extraordinário.

 

O Tomás é um dos meus maiores orgulhos.

 

O Tomás é uma das minhas maiores preocupações.

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publicado às 11:23


As 15 piores fotos de casamento de sempre #2

por João Miguel Tavares, em 28.11.13

O prometido é devido, e aqui estão as últimas oito fotos da nossa magnífica série "As 15 piores fotos de casamento de sempre". Para quem gosta destas coisas, as fotos #15 a #9 podem ser encontradas (ou revistas) aqui.

 

#8: Bom, e começamos por esta inclinação comprometedora do noivo por cima da noiva. Um acto duplamente falhado, não só por o casal não se ter apercebido das segundas (ou mesmo primeiras) leituras daquela pose, como pelo o ar absolutamente entediado tanto de um como do outro.


 

#7: Se a foto anterior tem uma inclinação comprometedora, o que dizer da mão do noivo no rabo da senhora errada? Não sei como estará este casamento hoje em dia, mas assim de repente, não dou muito por ele. Chamem-me pessimista.

 


#6: Bom, destes dois não se pode dizer que não estejam com um ar apaixonado, mas morder as alianças serve para quê? Para verificar que o ouro é mesmo verdadeiro?

 

 

#5: Aqui só me resta dar um conselho cinematográfico: convém sempre ter muito cuidado com o segundo plano.

 

 

#4: E se é preciso ter cuidado com o segundo plano, convém ainda ter mais cuidado com o primeiro plano.

 


#3: Mais um clássico da fotomontagem, quase ao nível do Photoshop russo, mas numa época que tudo indica ser anterior ao Photoshop. É caso para dizer: a minha mulher não me sai da cabeça.

 

 

#2: Eh pá, não sei sinceramente o que diga sobre o decote da noiva. Aquilo é mesmo verdadeiro?

 

 

#1: Sim, é mesmo verdadeiro. Mas, por favor, não se fixem só no decote (eu sei que é difícil): tudo nesta foto é bom, dos noivos aos balões, passando pelas garrafas de champanhe com véu e fraque. Não poderia ser outra a foto vencedora, até porque os noivos parecem genuinamente felizes, e este blogue orgulha-se de promover o amor.

 

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publicado às 10:33

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Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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