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Diálogos em família #24

por João Miguel Tavares, em 04.11.13

- Já repararam que a Rita vai ser tia muito nova?

- Porquê, Carolina, está a pensar ter filhos em breve?

- Não, papá. Eu vou ter o meu primeiro filho aos 28 anos. Mas nessa altura a Rita vai ter apenas 20.

- Ufa, pensei que fosse uma coisa para daqui a pouco tempo.

- Ó papá, com este meu corpo não posso ter filhos para já, não é? Far-me-ia muito mal porque ainda sou pequena. Como é que ia ter um filho na barriga? Claro que podia fazer um aborto. Mas não concordo com isso. 

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publicado às 14:25


A cotação do amor

por João Miguel Tavares, em 04.11.13

O Público deu este domingo a notícia de que se registou um decréscimo do número de divórcios de 2011 para 2012 e um aumento do tempo que as pessoas ficam casadas. No caso da duração dos casamentos, estamos a falar de dados entre 2007 e 2012, e portanto de uma tendência, que é esta: a duração média de um casamento à data do divórcio passou de 14,3 para 15,7 anos.

 

É curiosa a forma como a notícia foi enquadrada pelo jornal e pela peça televisiva a que assisti à noite: o tempo de casamento aumenta pela simples razão de que as pessoas não têm dinheiro para se divorciar. Cito a notícia do Público:

 

A experiência de Ricardo Candeias, advogado que coordena o sitedivorcios.net, diz-lhe que o número de pedidos de divórcio desce até quando o país começa a discutir o Orçamento do Estado. Parece-lhe que os cônjuges desavindos lêem ou ouvem falar nas medidas previstas, começam a fazer as contas, ficam apreensivos, controlam o impulso para fazer as malas.


É certamente uma maneira de ver as coisas, e é bem capaz de ser a mais provável. Mas eu, talvez por ser optimista e ligeiramente romântico, gostaria que tivesse sido pelo menos colocada uma outra hipótese - a de que a crise nos obriga a procurar refúgio junto do núcleo fundamental das nossas vidas e a valorizar aquilo que temos de mais importante. Em vez de se supor imediatamente que as pessoas só não se divorciam porque não têm dinheiro, que alguém admita, se faz favor, a hipótese de a cotação do amor estar a subir enquanto o rating do país continua a descer. 

 

É que esta é uma hipótese que sempre senti como muito plausível em alturas de crise profissional e dificuldades económicas. Nos momentos mais complicados das nossas vidas não é nos corredores dos centros comerciais que procuramos conforto (enfim, há quem procure, mas não me parece um sintoma particularmente saudável), mas sim junto daqueles que nos estão mais próximos. Não estou aqui a defender - atenção - que o dinheiro não é importante nas nossas vidas. Claro que faz imensa falta, e se não fizesse o Mali era o país mais feliz do mundo. Mas também é verdade que quando estamos demasiado entretidos a estoirá-lo tendemos a esquecer que a felicidade, de facto, não se compra - basta olhar para Hollywood, para o buraco na cabeça de Kurt Cobain ou para Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho.

 

O discurso da crise como uma vantagem para encontramos o essencial das nossas vidas é bastante perigoso, na medida em que somos facilmente caricaturados e acusados de situacionistas. Género: "Eh pá, então se calhar estes cortes todos nos salários até são bons!" Claro que não são bons. Claro que são maus. Claro que há pessoas que estão a sofrer muito e que menos dinheiro nos nossos bolsos significa menos dinheiro para fazer o que queremos. Ou seja, a crise tira-nos liberdade - e para um liberal, como eu, isso nunca pode ser considerado positivo per si.

 

Mas a crise também abana as nossas vidas. Mexe connosco. Obriga-nos a mudar o foco. E, nesse sentido, faz de nós pessoas mais atentas. Quando o mundo é virado do avesso, há desde logo o terrível perigo de partirmos o pescoço. Mas quando estamos de pernas para o ar também temos oportunidade para olhar para as coisas de uma outra maneira. Sendo péssimo para a carteira, pode sempre ser uma forma de darmos mais valor àquilo que o dinheiro não pode comprar - e que é, sem falsos moralismos, realmente o que de mais precioso temos na vida.

 

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publicado às 09:55


O olhar das mães e o olhar dos filhos

por João Miguel Tavares, em 04.11.13

Se nesta segunda-feira houver por aí alguma mãe desmoralizada por achar que a sua relação com os filhos deveria ser melhor, aqui tem o vídeo perfeito para fazer subir o moral: um grupo de mulheres começa por dizer o que acha de si própria como mãe, e mais tarde é a vez dos filhos dizerem o que acham, afinal, das suas mães.

 

O vídeo foi feito para o Dia da Mãe e, de facto, é difícil imaginar uma prenda mais bonita:

 

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publicado às 09:50


Incríveis truques para fazer com os seus filhos #5

por João Miguel Tavares, em 03.11.13

Mais truques caseiros de Richard Wiseman. Um por fim-de-semana, como tem sido habitual. Espero que gostem:

 

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publicado às 16:38


Diálogos em família #23

por João Miguel Tavares, em 03.11.13

- Tchau, Carolina, o papá vai ao jantar de aniversário de uma amiga. Ajuda a mamã com os manos, ok?

- Ok. Bom jantar. Mas no final não dês boleia a miúdas.

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publicado às 15:02


Passatempo Pais de Quatro/Escritório

por João Miguel Tavares, em 01.11.13

Atenção, atenção, para recordar os mais esquecidos: temos um grande passatempo a decorrer neste blogue que dará direito a distribuir cinco exemplares do livro A Arca de Não É... ou o guia dos animais que poderiam ter existido pelos melhores autores de desenhos de animais imaginários, feitos a partir de dois animais reais. Parece-me uma boa proposta para entreter os miúdos no fim-de-semana, enquanto os pais namoram, vêem televisão ou bebem para esquecer as agruras da vida. Todos os pormenores aqui.

 

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publicado às 12:51


Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho #2

por João Miguel Tavares, em 01.11.13

Deixem-me voltar ao tema da Bárbara Guimarães do Manuel Maria Carrilho, porque ele me interessa triplamente: como jornalista, como pai e marido, e como simples cidadão. Nos comentários ao post anterior, a leitora que assina como Infinitiva (01.11.2013 às 00:42) colocou a questão de uma forma com a qual concordo em absoluto:

 

Vamos a ver: se apresentaram uma queixa por violência doméstica, essa vai ser investigada e a justiça determinará se é justificada ou não. A violência doméstica é um CRIME, e denunciá-la a quem de direito não é nem pode ser considerada "tornar a coisa pública" [NR: um leitor anterior criticava Bárbara Guimarães por ter sido a primeira a falar nisso]. Aliás, é um crime público - "o que significa que o procedimento criminal não está dependente de queixa por parte da vítima, bastando uma denúncia ou o conhecimento do crime, para que o Ministério Público promova o processo."

 

Sugerir que uma vítima de violência doméstica devia "esconder" a situação, não a "denunciando", para "defender os filhos" é contribuir para que o problema da violência doméstica não seja resolvido, é contribuir para a perpetuação da vergonha, do estigma, do preconceito.

 

Este caso levanta questões muito complexas, e ainda ontem escrevi um texto no jornal Público (o link fica aqui, mas o espaço de opinião é fechado, por isso é preciso pagar para ler) criticando a opção por não noticiar o caso. A direcção do jornal entende que uma queixa à polícia não é suficiente para justificar aquilo que é, manifestamente, uma violenta invasão da vida privada do casal. É um bom argumento, e um argumento respeitável (com o qual, aliás, concordaram a maior parte dos leitores que me escreveram, discordando de mim e concordando com a opção do jornal), só que este é um daqueles casos em que não há boas soluções. E não havendo boas soluções, e sendo uma questão que foi publicamente comentada por duas pessoas maiores de idade, acho que é dever dos media noticiá-la.

 

Se volto ao assunto é por vários leitores deste blogue identificarem as notícias acerca do tema - e por extensão o seu debate na esfera pública - como um "descer muito baixo", ou então reagirem com o clássico "mas o país não tem nada melhor para discutir?". Bom, suponho que haja sempre melhores coisas para discutir, mas o meu ponto é que esta é uma discussão muito importante.

 

O meu argumento é este: a entrada de uma queixa na polícia sobre violência doméstica dizendo respeito a uma figura pública e a um ex-político é notícia, da mesma forma que seria notícia se alguém apresentasse uma queixa na PJ contra Manuel Maria Carrilho por corrupção. Ambos são crimes públicos. O que há a fazer, nesse caso, é ouvir a outra parte, para que ela se possa defender.

 

No caso em apreço, surgiu um problema concreto: a outra parte (Manuel Maria Carrilho) respondeu de forma completamente descabelada à acusação, invadindo a esfera mais íntima de Bárbara Guimarães. O que fazer neste caso? A meu ver, noticiar. Não se pode ignorar as palavras de uma das partes, ainda que os media possam indirectamente servir de meio para efectuar uma vingança e tal possa vir a penalizar - como penalizou - Bárbara Guimarães, que se efectivamente tiver razão na sua queixa de violência doméstica é, assim, duplamente agredida.

 

É uma boa opção? Não é que seja uma boa opção. Mas é, na minha opinião, a melhor das más opções. É que não me parece haver forma de a opção pelo silêncio não ser encarada como uma defesa do "isso é lá com eles", ou do "isto é demasiado sujo para nós metermos as mãos". A meu ver, a questão da violência doméstica nunca deve ser encarada como "isso é um problema deles, eles que resolvam em família ou na pacatez da esquadra da polícia". Esta posição tem como consequência dar força ao algoz e enfraquecer a vítima.

 

Pode esta ser uma falsa acusação de Bárbara Guimarães? Pode, claro. Mas teoricamente tudo pode ser uma falsa acusação. Quantas notícias não deram em nada? Quantas acusações de corrupção morreram nos tribunais? Para aí 99%? E é por isso que os media não as noticiam? Não, os media continuam a noticiar, a correrem o risco de serem injustos, porque é esse o seu trabalho. Enquanto jornalistas temos a obrigação de ser o mais responsáveis possíveis, com certeza, daí a regra de se ouvir sempre as duas partes, de se estar na posse, sempre que possível, de informação fundamentada, mas obviamente que os media não se substituem aos tribunais na atribuição de culpas.

 

A mediatização é um processo muito complexo, porque não é nunca possível controlar todos os seus efeitos. Mas também não é, de todo, óbvio, que Bárbara Guimarães, Manuel Maria Carrilho e respectivos filhos estejam todos eles pior hoje do que estavam há 15 dias, quando nada disto se sabia. E se nós vivemos num país onde a violência doméstica é um problema gigantesco, acho desadequado virarmos a cara para o lado quando a sordidez de um caso específico nos atinge directamente na cara.

 

Sim, não há quaisquer dúvidas que o caso é sórdido de mais. Mas qual é a melhor opção? Indignarmo-nos com as abstracções dos números e das estatísticas da violência doméstica (meu Deus, tantas agressões!) e fecharmos os olhos a um caso concreto quando ele nos entra pela casa dentro?

 

Eu sei que isto acaba invariavelmente no voyeurismo, nos abusos dos tablóides, nas perguntas à frente dos filhos sobre as alegadas tentativas de violação da mãe. Mas o caminho alternativo não é, nem pode ser, a não-notícia ou o não-comentário. É a investigação, é a reportagem, é o debate, é o cruzamento de opiniões, é a tentativa de saber mais, na medida em que estamos a falar de uma questão importantíssima e de um problema que, emanando da esfera privada, é da sociedade como um todo. E um problema que a sociedade deve ter a coragem de enfrentar, analisar, ponderar e combater. Mas nunca silenciar.

 

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publicado às 11:17

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Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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