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Rita São Nicolau Tavares

por João Miguel Tavares, em 31.12.13

Ah, e se alguém se perguntar, pelos posts que tenho feito, se a Rita passou a quadra natalícia vestida de Pai Natal. A resposta é sim, que a mãe dela é uma grande vaidosa no que aos filhos diz respeito (mas não se assustem, houve umas lavagens da vestimenta lá pelo meio.)

 

 

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publicado às 11:12


Larga os meus discos, pá!

por João Miguel Tavares, em 31.12.13

Por esta altura acho que já é seguro afirmar que a Rita vai ser igualzinha às outras Mendonças cá de casa: espertíssima, charmosíssima e teimosíssima. Ela é linda, mas tem cá um ginete... No entanto, só para vocês verem como eu levo a sério os conselhos que me dão neste blogue, estou a pensar nos tempos que se aproximam tentar educá-la sem recurso à palmada.

 

Claro que a Rita ainda é um bocado nova para nalgadas no rabo (até porque com fralda posta ela confunde palmada com massagem), e só está agora a perceber o que não deve fazer - mas, mesmo assim, ela já é espectacular a adorar fazer aquilo que não pode e a aborrecer-se mortalmente a fazer aquilo que pode. Porquê este vício humano em ser do contra, por amor de Deus?

 

Tivesse eu mais um filho (cruz credo) e a minha prenda de Natal quando ele tivesse entre um ano e um ano e meio seria uma estante Billy com caixas de CDs vazias para o puto poder mandar abaixo. "Toma, queridinho, aqui tens este pedaço de mobiliário só teu, para poderes destruir à vontade."

 

Brinquedos para miúdos abaixo de ano e meio, lamento dar a má notícia ao pessoal da Chicco, são a coisa mais inútil que existe. Nenhum dos meus filhos brincou com o que quer que fosse durante mais de 30 segundos. Quando eles são bebés, dá-se-lhes peluches e eles só gostam das etiquetas. Quando são um pouco mais velhos, dá-se-lhes casinhas de madeira, mini-puzzles, aparelhómetros que imitam 79 animais da quinta, e ao fim de meio minuto eles concluem: "OK, foi giro e tal, agora vou só ali deitar abaixo mais uns CDs do meu pai."

 

Definitivamente, é essa a filosofia de vida da Rita, como se vê pela imagem:

 

 

E o que é isto, perguntam vocês? Não, não é uma caixinha de arrumação. Neste caso, a Rita foi particularmente sofisticada: quando cheguei à biblioteca, ela tinha virado do avesso um daqueles degraus de plástico que se compram no IKEA, e enfiado meia colecção de música brasileira lá para dentro. E não me venham dizer, senhoras de coração bondoso, que ela é pequenina e não sabe o que faz. Ai sabe, sabe. Sabe não só o que faz, como sabe perfeitamente que não se pode fazer.

 

Tentando mais uma vez seguir os conselhos da malta zen e anti-palmada, no outro dia estava em casa de uma amiga, que tinha o azar de ter móveis baixos e coisas valiosas em cima deles, e para me entreter resolvi educar a Rita a não mexer, sem nunca lhe bater nas mãos, como é suposto e mandam as boas almas. Resultado: foram nove vezes a desviá-la daquilo que ela queria apanhar. Eu contei. Nove-9-nove vezes a dizer-lhe que não, ela a ir deitar a mão a um router com uma antena super-gira que se iria partir em dois tempos, eu a agarrar nela e a afastá-la dali, a tentar distraí-la com outra coisa, e 20 segundos depois ela a voltar ao mesmo lugar, com os seus dedinhos demolidores. E repetia-se a operação. Nove vezes.

 

Dir-me-ão: sim, mas ao fim de nove vezes ela aprendeu, não foi? Lamento, mas não: ao fim de nove vezes estava simplesmente na hora de nos irmos embora. Eu admito, porque estamos na quadra natalícia, que se ficasse três dias na casa da minha amiga, a dormir com a Rita no sofá da sala, ao fim da 238.º vez ela concluísse que não era para mexer. Mas uma pessoa tem mais que fazer, não é?

 

Quer isto dizer que vou rapidamente voltar à técnica de lhe enfiar uma palmadinha na mão quando ela destruir mais um bibelô? Não. Por enquanto, ainda não, porque há um passo intermédio, que também já usei com os outros: a técnica da cadeirinha do castigo.

 

Ainda há dias, nos Montes da Senhora, a Rita resolveu espatifar uma moldura de vidro. E eu agarrei numa cadeirinha pequenina que lá há e coloquei-a de castigo, sem se poder levantar até eu lhe dizer (ela tentava, mas eu voltava a pô-la na cadeira, ela chorava um bocadinho, e lá ficava). Ora vejam, que eu tirei uma foto para efeitos didácticos:

 

 

Só que depois ela faz os olhinhos que a imagem regista, estão a ver? E com o passar dos minutos tudo se torna mais difícil.

 

Portanto, seja por falta de tempo, seja para fugir à violenta manipulação psicológica paterna através de olhares de gatinho das botas, temo bem que uma palmada nas mãos continue a ser o método mais eficaz de educação primária, contas feitas à eficácia da medida. Mas vamos ver, vamos ver. Ainda não desisti. Até agora, senhores da brigada anti-palmada, estou a portar-me bem. Podem dar-me os parabéns.

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publicado às 09:06

 

Hesitei durante bastante tempo se haveria de escrever este texto, por me parecer um assunto demasiado íntimo para trazer aqui para o blogue, mas a Teresa achou que sim, que eu deveria, e no caso em apreço a palavra da Teresa é quase tudo. Além disso, a escrita obriga-nos a verbalizar o que muitas vezes fica esquecido dentro de nós, e pode ser que essa emersão de sentimentos sirva pelo menos de algum consolo para quem sofreu muito mais do que merecia.

 

Após uma longa luta de cinco anos contra a PAF (uma forma de paramiloidose conhecida em Portugal como a "doença dos pezinhos", um nome estupidamente infantil para uma doença degenerativa absolutamente devastadora), a Armanda, esposa do meu único irmão, e mãe dos meus sobrinhos Catarina e João Bernardo, faleceu em Lisboa no dia 24 de Dezembro, com apenas 44 anos.

 

Durante o seu último e prolongado internamento no Hospital Curry Cabral, a Armanda passou os fins-de-semana em nossa casa, e esta é uma das suas últimas fotos, tirada pelo meu irmão no seu quarto, junto com a Ritinha. Adoro que a Armanda se esteja a rir. Os nossos filhos gostavam muito da tia, e na sua invejável ingenuidade andavam contentíssimos por ela passar sábados e domingos cá em casa.  

 

 

A Armanda está a rir-se, e este meu texto pretende respeitar o seu sorriso. Não é difícil imaginar - embora seja impossível sentir - o que significa para uma menina de 11 anos e para um adolescente de 15 perder a mãe na véspera de Natal.

 

Este é um daqueles momentos em que é muito fácil soçobrar perante o peso da morte e o absurdo da existência. Mas deixar que o desânimo sem esperança se abatesse sobre nós seria um profundo desrespeito pela memória de uma mãe que sempre procurou manter os filhos à porta da sua dor. O Natal é a época por excelência da família, e o que todos tivemos de fazer foi ser mais família do que nunca, cada um - incluindo o Gui, o Tomás, a Carolina e a Rita - fazendo o seu papel para aliviar a dor de quem mais estava a sofrer.

 

O sofrimento nunca se deseja, mas saber aceitá-lo - e partilhá-lo - é um dom inestimável: em vez de uma dor estéril, que nos isola, aprofundamos os laços que nos unem uns aos outros. Canalizamos a dor para o amor. O que podemos fazer quando uma mãe tão jovem morre numa tarde de véspera de Natal? Não desistir, não adiar: antes celebrar o Natal em sua honra, e em honra do maravilhoso dom da vida que concedeu ao João e à Catarina.

 

Foi isso que fizemos. Todos juntos, em nossa casa. Conversámos, partilhámos, e a sobremesa dessa noite foi preparada com um doce de abóbora que a própria Armanda tinha feito e nos tinha oferecido há algum tempo. Os nosso filhos, por vezes tão esquisitos na hora da sobremesa, comeram o doce de abóbora sem pestanejar (incluindo a Rita, que lambeu a colher), no que foi um verdadeiro milagre de Natal e um pequeno, mas muito sentido, gesto de amor pela sua tia. E quando chegou a hora de trocar as prendas, a própria Ritinha soube fazer a sua parte, animando-nos com uma incrível toilette natalícia.

 

 

No seu último disco ao vivo, gravado em Londres em 2009, Leonard Cohen - um homem que eu escuto com a devoção de um profeta, e que me parece ter alcançado um outro patamar de sabedoria - faz uma introdução ao tema "Ain't no Cure for Love" onde lista com ironia todos os antidepressivos que já experimentou, acrescentando ainda que ao longo dos anos se dedicou a estudar profundamente várias filosofias e religiões. E no entanto, apesar de tudo isto, apesar de uma procura frenética e por vezes desesperada de um sentido para a vida, ele conclui: "cheerfulness kept breaking through". A alegria insistia em aparecer.

 

 

O que espanta não é, pois, a existência do sofrimento e a falta de sentido da morte - é que, apesar de tudo isto, apesar do "vale de lágrimas" e mesmo após uma dor tão profunda, a alegria insista em aparecer. Como apareceu na simultaneamente mais devastadora e mais consoladora noite de Natal dos meus 40 anos.

 

No funeral de dia 26 não se ouviu Leonard Cohen. Mas no final da missa o meu mano leu do púlpito um excerto do "Poema do Menino Jesus", de Fernando Pessoa, que a Armanda adorava, numa versão mais curta que a Maria Bethânia declamou num dos seus concertos e que termina assim: 

 

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar.

 

"Dá-me sonhos teus para eu brincar." Adoro a imagem de uma mãe entretendo-se na eternidade com os sonhos dos seus filhos. Honrar a sua memória é, por isso mesmo, sonharmos ainda mais alto do que antes, aprendendo a ser melhores filhos, melhores pais e melhores irmãos. Tanto por ela como por nós, até ao dia em que todos voltaremos a estar reunidos.

 

 

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publicado às 09:40


Estantes originais em tempos de crise

por Teresa Mendonça, em 27.12.13

A propósito deste post aqui fica uma ideia muito bem conseguida para estantes de biblioteca que se podem encontrar no Mercado Biológico de Óbidos.

Bastam várias caixas de fruta em madeira, tantas vezes desperdiçadas nos mini-mercados e grandes superfícies, um nadinha de jeito et...voilá!

 

 

 

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publicado às 11:36

Fiquei espantada com o que se pode fazer com estas caixas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

E já agora os fantásticos beliches para bonecas criados pela Inês e que se podem encontrar no seu blog Mamà recicla.

 

 

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publicado às 09:35


O pai com a maior pachorra de todos os tempos

por João Miguel Tavares, em 26.12.13

Encontrei a história do americano David LaFerriere num site que a incluía entre as 15 melhores de 2013, embora, na verdade, ela comece em 2008 - quando LaFerriere se lembrou de ilustrar os sacos de plástico com o lanche que as suas crianças levam para a escola.

 

 

A partir daí, a brincadeira transformou-se em religioso hábito, o que significa que por esta altura o homem já ultrapassou as mil ilustrações (mais precisamente 1274, à hora em que escrevo isto) em sacos de plástico descartáveis com sanduíche incluída. Para nossa sorte, ele fotografa diariamente os sacos, que partilha no seu Flickr. "Sandwich Art" chama-lhe ele - e é mesmo. Ora vejam:

 

 

 

 

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publicado às 20:42


O meu selfie natalício

por João Miguel Tavares, em 25.12.13

Oh-oh-oh, consegui um selfie com o Pai Natal (que afinal só tem 16 meses e não usa barba)!

 

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publicado às 12:02


Um feliz Natal para todos

por João Miguel Tavares, em 24.12.13

Esta foto não faz justiça ao nosso presépio pós-musgo, mas quando há dias cheguei a casa já de noite a nossa sala estava assim iluminada. Foi um momento muito bonito, que apesar da precariedade da fotografia e da inabilidade do fotógrafo está aqui para simbolizar os nossos desejos de um feliz e santo Natal a todos aqueles que visitam este blogue. Que esta noite possam partilhar grandes momentos em família e muitas prendas no sapatinho.

 

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publicado às 10:41


Vencedores do passatempo Casa das Cores/Pais de Quatro

por João Miguel Tavares, em 23.12.13

Como prometido, e num pequeno intervalo pré-natalício, aproveitando a necessidade de pôr as renas a descansar, aqui estou eu a anunciar os grandes vencedores do passatempo Casa das Cores/Pais de Quatro. O desafio era enviar um desenho subordinado ao tema "A casa colorida dos meus sonhos". Recordo que os três primeiros classificados receberão um exemplar do livro de solidariedade do MSV Juca - O amigo guardião da Casa das Cores e que o primeiro classificado receberá ainda entradas gratuitas para pais e irmãos na KidZania.

 

Após a reunião do plenário da família Mendonça Tavares, eis os vencedores, por ordem decrescente.

 

Em terceiro lugar, ficou a Matilde Vasconcelos, de oito anos, que nos enviou este lindo desenho a partir da ilha de São Miguel, Açores. Ficámos muito contentes por saber que o Pais de Quatro já chega a Ponta Delgada.

 

 

Em segundo lugar, ficou o Gonçalo Franco, também de oito anos, que nos enviou de Setúbal esta excelente e muito imaginativa casa das cores:

 

 

E, por fim, como não podem ganhar todos, em primeiro lugar ficou a Carlota Lopes, nove anos, de Lisboa, com esta belíssima casa, já com perspectiva e tudo. Grande desenhadora.

 

Os vencedores receberão em suas casas o referido livro, mas antes de me ir embora não queria deixar de atribuir uma menção honrosa ao desenho da Filipa Cruz, de apenas cinco anos. Não ganha nada, mas ganha a simpatia aqui do pai de quatro, que adorou o seu desenho e faz questão de lhe enviar os parabéns:
E pronto, resta-me agradecer a todos os participantes de mais este passatempo pelo seu trabalho e empenho. E, de caminho, aproveito para desejar-lhes um feliz e santo Natal.

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publicado às 21:04


Volto já

por João Miguel Tavares, em 23.12.13

Eu estava cheio de vontade de fazer uns posts, desculpem lá. Mas neste momento estou assim:

 

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publicado às 18:24

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Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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