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As virtudes da incerteza

por João Miguel Tavares, em 19.06.14

Eu prometo por antecipação não me voltar a meter em combates de pediatras, mas quero chamar a atenção para um comentário da Maria, que tem estado empenhadíssima a defender González contra Estivill na caixa deste post. Eu critiquei-a por estar a ser um bocadinho agressiva na resposta a outros leitores e pedi um pouco mais de sentido de humor, já que não estávamos propriamente a falar do genocídio do Ruanda. A Maria respondeu o seguinte:

 

Compreendo o comentário, mas como sabe há assuntos que nos são demasiado importantes para conseguirmos discuti-los levianamente! É exactamente este o busílis da questão! É que nas coisas que realmente importam as crianças aparecem sempre em último na lista de prioridades e de direitos humanos (ao contrário do que o João parece pensar!)

Sim, porque não se trata de andarem na equitação, aprenderem piano e a falar 5 línguas, mas de não merecerem a atençãozinha de serem confortadas quando choram ou de comerem até estarem satisfeitas ou sofrerem [punições] físicas quando um terceiro acha que se justifica! 

Parecem ser as únicas a quem é aceitável deixar sofrer, desrespeitar e humilhar! Caramba, às vezes nem acredito que este assunto seja discutível! Se estivéssemos a falar de violência domestica ou de abuso psicológico entre cônjuges, o João nem sequer me colocaria esta questão, certo? 

P.S. Nenhum de nós tem memória dessa altura da nossa vida, mas quem sabe se para um bebé que acorda sozinho a meio da noite não é como estar num meio de um genocídio no Ruanda! Ou o João acha que tem consciência de que temos portas e paredes? 

 

Por esta altura já toda a gente conhece a minha enorme alergia a quaisquer comparações que misturam palmadas no rabo ou, no caso em apreço, uma criança a chorar na cama, via método Estivill, com violência doméstica ou abuso psicológico de cônjuges. Acho um absurdo homérico este tipo de equivalência, mas é daquelas coisas: se as pessoas não conseguem vislumbrar a diferença, também não sou eu que as vou convencer.

 

O que me interessa aqui é sublinhar um outro ponto, que eu também já referi várias vezes, mas que para mim tem uma enorme importância. Os pais actuais preocupam-se demasiado. Os pais actuais vivem excessivamente em função dos filhos. E o que o discurso da Maria supõe, independentemente de concordarmos ou não com os seus métodos, é um centramento da nossa vida nas necessidades dos nossos filhos. Nós vivemos para dar uma resposta às suas exigências.

 

É certo que a Maria faz uma observação pertinente num comentário anterior: 

 

Em relação aos meninos terem que comer tudo o que está no prato (só porque foi assim que eu aprendi e porque sou eu quem manda aqui, porque tenho imensa auto-confiança principalmente ao exercitá-la defronte a um menor de meio metro), não lhe parece que obrigá-los a comer significa aumentar exponencialmente o tempo que se orbita em volta dos pequenos?

 

É uma óptima observação, só que eu tenho dificuldade em compatibilizar esta atitude com a do "se ele chora dou colo" ou "se ele não quer dormir sozinho é porque tem medos ancestrais e há que consolá-lo".

 

Os filhos não são o nosso alfa e o nosso ómega. Eles não são (ou não devem ser) o centro do nosso mundo. E este relaxamento (que os pais têm tanta dificuldade em ter, começando por mim) que eu defendo não é laxismo - é uma procura de equilíbrio pessoal e familiar, que passe por nos manter felizes e não deixar que os filhos estabeleçam as regras do nosso agir.

 

Um sintoma desse centramento que eu critico é precisamente a forma tão séria como a Maria aborda estes assuntos, como se não tivesse a menor dúvida de como agir em relação aos seus filhos, como se estivesse na posse de todas as certezas, como se houvesse uma fórmula universal da boa educação infanto-juvenil, aplicável a todas as famílias e a todos os filhos.

 

Essa fórmula - é o meu dogmatismo - não existe, Maria. Eu tenho dúvidas diárias, acho mesmo que o que resulta para uns não resulta para outros, e suponho que seja por isso que neste blogue se fazem tantas piadas, se valoriza o sentido de humor e se gosta de discutir com as pessoas.

 

Partirmos da convicção das nossas próprias insuficiências é um bom caminho para evitar dizer coisas como "nem acredito que este assunto seja discutível!", ou achar sinceramente que a angústia de um bebé que acorda sozinho a meio da noite é comparável ao genocídio no Ruanda. Eu posso provar que não é? Não posso. Mas terrores nocturnos todos nós tivemos. E genocídios, felizmente, não acontecem todos os dias.

 

O excesso de relativismo é bastante perigoso. Mas o excesso de dogmatismo ainda é mais.

 

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publicado às 10:15


55 comentários

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De Sílvia a 23.06.2014 às 11:21

Nem me dei ao trabalho de ler o texto todo (nem do post, nem dos comentários), digo o que costumo dizer sempre em relação a todas as teorias modernas sobre educação de crianças (e não só)... Paneleirices de hoje em dia!!
Quanto à Maria, que se farta de opinar sobre como os outros devem educar os seus filhos... meta a viola ao saco e eduque os seus como bem entender. Toda a gente sabe como educar os filhos, dos outros, porque os seus às vezes, enfim!!
Cada um deve educar os seus filhos como bem entender, com ou sem teorias, e "quem 'tá de fora racha lenha" (a não ser em casos de claro abuso físico ou psicológico, mas isso são outras questões).

O que concordo é que as pessoas estão demasiado centradas nos filhos e esquecem-se de viver, não sei como era antigamente... Lá está, paneleirices de hoje em dia!!
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De Sílvia a 23.06.2014 às 11:38

Vinha agora a Maria (ou outra pessoa) dizer-me como eu devo educar o meu filho, eu é que o carreguei 9 meses, eu é que o pari, eu é que o alimento, eu é que cuido dele desde que nasceu, eu é que sei porque é que ele chora quando chora e vinham agora pessoas que não o conhecem de lado nenhum, nem a mim, nem ao pai, dizer como havemos de o educar... É que não me faltava mais nada!!

No meu tempo de criança não havia estas teorias da treta, nem os pais podiam perder tempo com estas paneleirices, era trabalhar e educar (com ajuda da família) a canalha como podiam, tanto eu como os meus amigos com a mesma idade levamos palmadas (diferente de espancar, atenção) quando tínhamos que levar, tenho um amigo que até costuma dizer: "Só se perderam aquelas que caíram ao chão", e hoje em dia somos todos pessoas bem formadas, bem educadas, de muito ou algum sucesso, ninguém ficou traumatizado, ninguém virou psicopata por causa disso.

Hoje em dia toda a gente sabe melhor que os próprio pais como educar os miúdos, se calhar alguns desses entendidos nem filhos tem... Depois vê-se o que se tem visto nas escolas, na juventude de hoje em dia!!
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De JP a 23.06.2014 às 16:41

É isso mesmo: paneleirices! :)
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De Maria a 21.06.2014 às 11:44

Bésame Mucho-Carlos González :

"
Bater nas crianças pelos vistos só é prejudicial se isso resultar em alcoolismo e problemas mentais; pelo contrário, bater num adulto é sempre mau, intrinsecamente mau. É um crime, um atentado contra os direitos humanos, quer resulte em alcoolismo quer não. E mesmo se bater aos adultos os protegesse do alcoolismo, certamente que isso continuaria a ser uma prática nociva, não é verdade?

Não permitiríamos que os empresários batessem nos trabalhadores, mesmo que isso aumentasse a produtividade. Nem aceitaríamos a prática legal da tortura, mesmo que isso diminuísse a delinquência. Não implantaríamos em todos os restaurantes uma ementa única obrigatória, controlada por nutricionistas, mesmo que isso baixasse o colesterol. Nem os bombeiros deixariam de atender ao telefone durante a noite para que as pessoas deixassem de chamá-los por disparates sem importância.

Não, nem tudo vale ao lidarmos com os adultos. Existem coisas que se fazem ou se deixam de fazer por princípio, independentemente de "funcionarem" ou de "não funcionarem".

Neste livro, defendemos que também no tratamento das crianças existem princípios.

Que com certos métodos talvez os nossos filhos comessem "melhor", ou dormissem mais,ou nos obedecessem sem hesitar, ou estivessem mais calados,etc., mas não os podemos usar. E não necessariamente porque esses métodos sejam inúteis ou contraproducentes nem porque produzam traumas psicológicos.Alguns métodos que criticaremos neste livro são eficazes e pode mesmo ser que alguns deles sejam inócuos. Mas há coisas que simplesmente não se fazem. "


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De Mónica a 20.06.2014 às 23:11

Li todos os comentários publicados até esta hora. Desde já, agradeço ao João ter trazido à luz estas discussões: é pelo diálogo e confronto com a opinião de outros (concordante ou discordante com a nossa própria maneira de ver e fazer as coisas) que tomamos conhecimento de outros pontos de vista. E é sempre bom conhecer o mundo que está para além do nosso (pequeno) mundo.

Sobre a questão da parentalidade, gostaria de deixar um texto que já tem alguns anos:


"Da educação dos filhos (vista pelos olhos dos outros)

Se sou firme, não tenho paciência. Se sou paciente, estrago com mimos.
Se não me aflijo, sou indiferente. Se me preocupo, é porque faço drama.
O que quer que faça, nunca estou errada. Mas também nunca estou certa.
Há sempre alguém que faz melhor, há sempre alguém que faz mais cedo, há sempre alguém que também passou por isso e que por isso mesmo o que passo agora não é nada.
Há sempre alguém mais perfeito. Há sempre alguém que sabe tudo. Há sempre alguém que sabe mais.

e eu não quero ser perfeita. quero ser eu. quero ser mãe. e quero ter espaço para poder querer ser."

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De Bruxa Mimi a 21.06.2014 às 09:03

Muito bom!
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De andreia am a 23.06.2014 às 12:18

Obrigada por este contributo! Tem o essencial.
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De alexandra a 20.06.2014 às 17:09

sou mãe de uma menina de 2 anos e meio.

90% do tempo que passo com ela é uma menina 5 estrelas.... no restante tempo respiro fundo várias vezes.

- já por varias vezes que ela me bate quando é contrariada ... no outro dia cansei-me depois de várias tentativa de conversa e dei-lhe uma palmada ... remédio santo nunca mais bateu... mas não defendo que se deva bater numa criança nem nunca defenderei.
Da mesma forma que não quero que a minha filha bata nos outros meninos na escola e se o fizer ralho com ela.... mas para se defender, tiver de o fazer... (mas não tem de dar uma sova para se defender).

- relativamente ás opiniões de pediatras: eu vou com a minha filha à pediatra e ao médico de família (que também é pai de 2 filhos mais ou menos da idade da minha filha e a mulher também é médica). pediatra vs médico de família tem opinião diferente em relação a quase todos os assuntos ... normalmente no final da consulta filtro as opiniões e faço aquilo que a minha consciência me diz que é melhor.

Se acho que sou uma boa mãe... sim, não tenho dúvidas
Se acho que erro... sim, não tenho dúvidas
Mas para eu ter a consciência da vida que tenho, a relação que quero ter com a minha filha, a minha mãe também teve de errar.

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De Moreno a 20.06.2014 às 16:23

Apenas por desabafo e sabendo de antemão que me vou expor aos "terríveis tentáculos" da critica dos demais vou partilhar a minha experiência.
Tenho 2 filhos, um menino com sete e uma menina que faz dois anos na próxima semana. Sou uma espécie de mãe solteira, entenda-se espécie, pois embora casada, há quase 4 anos que o meu marido só vem a casa ao fim-de-semana, e quando pode, ficando assim a meu único e exclusivo cargo a educação e a gestão dos filhos, aliado a um emprego das 8h30 às 18h30m. Não posso contar com a ajuda de familiares, pois a minha mãe vive a 500 Km e os meus sogros a 90Km, e onde vivo não tenho família, ou seja, não mais ninguém com quem contar.
Após esta, não muito breve história, e para que percebam, eu TENHO SAUDADES DE MIM, passo a explicar estou cansada de todas estas questões que se levantam em torno da parentalidade. EU FAÇO O MELHOR QUE POSSO, e de facto há dias em que apetece dizer basta, preciso de ser eu em primeiro, porque para educar crianças e torna-los em seres equilibrados felizes EU TENHO DE ESTAR EQUILIBRADA E FELIZ e por vezes toda a pressão e "MANIA" de que "EU É QUE SEI" não é bem assim, cada um faz, ou tenta fazer, aquilo que entende por melhor para si e para os seus e há que respeitar a posição dos outros estejamos ou não de acordo - A isto chama-se respeito e viver em sociedade. Podemos exprimir a nossa opinião e até ser aguerridos nessa defesa, mas sem esquecer que existe livre arbítrio.
considero-me uma boa mãe e os meus filhos são os meus maiores tesouros (cliché, mas verdade), mas se tiverem um comportamento, que eu entenda por incorrecto, ajo de acordo, com um castigo ou, em situações extremas, uma palmada no rabo (o mais velho tem 7 anos e é educado nem está traumatizado por ter levado 3 ou 4 palmadas na sua vida.
Quanto aos pediatras.................. como é óbvio são livres de se exprimirem e dizerem o que entendem.
Por fim João Miguel Tavares (desculpe a familiaridade no trato, mas como costumo ler o seu blog, sinto-o como um amigo) e levando para a brincadeira sou a favor do MLPP (Movimento de Liberdade para os Pais) - amamos os nossos filhos, mas não deixamos de ser gente........
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De José Moreira a 20.06.2014 às 14:56

Olá,

A propósito deste tema, tomo a liberdade de partilhar o excerto de um texto de Alain de Botton (um filósofo pop): uma opinião curiosa, que termina com uma espécie de aviso pessimista (ou realista?) para os pais excessivamente dedicados aos filhos (nos quais eu me incluo).

"You will be forgotten
You take great care not to be frightening. You make silly jokes, put on funny voices, pretend to be a bear or a camel – all so as not to intimidate, so as to be approachable, the way one’s own parents were not. It should be a recipe for reciprocated love.

But weirdly, we rather like difficult people in a way, people we can’t quite read, who aren’t around so often, who are a bit scary. They hook us in – in a way the kind, stable ones never quite do. One loses authority by being natural, approachable, friendly, a bit daft, the clown who doesn’t want to scare.

An even more dispiriting thought comes to mind. Love them reliably and without fear and you will be forgotten. Be distant, intermittent, often absent and deeply volatile, and they will be obsessed with you for life."

Esta conclusão nem sempre será uma inevitabilidade, mas acontece muitas vezes. Essas vezes são a prova que nestas coisas não há certezas e não pode haver dogmas.

Enquanto pais, temos uma obrigação de meios para com os nossos filhos. Acho que é normal e saudável termos dúvidas e incertezas quanto aos melhores meios a adoptar.
Na minha opinião, aquilo que nunca deveremos carregar às costas é a obrigação de atingirmos um determinado resultado quanto ao tipo de ser humano que os putos serão.
Independentemente de todas as teorias que possam surgir, e da forma como as apliquemos nos miúdos, haverá sempre uma margem de sorte no facto de os mesmos se tornarem, ou não, numas bestas de adultos.

Fica o link para o artigo completo, para quem tiver interesse:
http://www.philosophersmail.com/relationships/why-when-it-comes-to-children-love-may-not-be-enough/
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De VascoB. a 20.06.2014 às 14:45

Eu estudei ciências ditas "exactas".
No meu ramo lidamos com "leis" como as da Termodinâmica, equações como a de Bernoulli e cuja precisão permitem coisas fantásticas como luz eléctrica num clique, aviões que nos levam com precisão e rapidez à volta do mundo e outras maravilhas do nosso tempo.

Fico sempre muito mais maravilhado com quem estuda e lida com ciências do comportamento humano. Essencialmente porque os objectos de estudo são muito mais "dinâmicos". É óbvio que podemos e devemos adiantar orientações, teorias, "guidelines". Mas não podemos nunca esquecer que cada criança é uma criança e o que resulta com 99% das crianças pode ser suficiente para criar uma teoria e escrever um livro... mas não resulta com esse 1%... e aí pode encontrar-se um maravilhoso filho vosso...

Já os aviões voam todos da mesma forma. E posso garantir que nem é nada de muito complicado... apesar de ser "rocket science" ;)
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De sandra a 20.06.2014 às 11:49

ola

Acho que passam demasiado tempo a ler livros de como se educa uma criança em vez de realmente a educarem. as crianças sao todas diferentes e os pais tb, as crianças erram para aprender, os adultos tb. deixem-se de regras absolutas.
Todos os dias vejo criancinhas que nao podem ser repreendidas pelos papás e essas mesmas fazem asneiras atras de asneiras. nao se pode ralhar, nao se pode dar a palmadinha... mas e uma falta de educação que so visto... Estamos a criar reizinhos mimados...E o futuro???
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De Maria a 20.06.2014 às 11:38

As virtudes da incerteza

Deixo aqui um excerto do "Besame mucho" de Carlos Gonzalez..

O seu filho sabe perdoar:

Emília e o filho, Óscar, de seis anos, tiveram uma grande discussão. Para não nos perdermos com os pormenores, digamos apenas que a mãe de Óscar queria que ele tomasse um banho e ele achava que estava perfeitamente limpo. Houve gritos, choros, insultos e ameaças. Uma testemunha imparcial iria reconhecer que a maior parte do choro veio de uma das partes do conflito e a maior parte dos insultos e das ameaças da outra.

Isso aconteceu há uma hora. Qual destas duas pessoas pensa você que está agora feliz e contente, e continua com as suas ocupações como se nada se tivesse passado, mostrando-se mesmo mais alegre e bajulador do que habitualmente; e qual delas é mais provável que esteja ainda aborrecida, fazendo censuras e resmungando?

"Olha mamã, olha o que estou a fazer." Não, a mamã não se ri. "Vamos ao jardim zoológico no domingo? "E tu achas que mereces? Achas que te portaste bem?

Artur, o pai, regressa agora do trabalho. Qual das frases seguintes pensa que vai ouvir:
a) A mamã foi terrível esta tarde,não imaginas a cena que me fez.Tens de falar com ela.
b)O menino esteve toda a tarde muito impertinente, não me obedeceu.Tens de falar com ele.

Os nossos filhos perdoam-nos todos os dias dezenas de vezes. Perdoam sem fingimentos,sem censuras, até esquecer por completo o problema. Deixam de estar aborrecidos muito mais rapidamente do que nós.
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De anonimo a 20.06.2014 às 11:59

Isto com que idade? Porque a partir dos 5-6 anos é ao contrário: a mae esquece rapidamente, mas a criança fica a mastigar baixinho a raiva durante mais tempo, a pensar "hás-de cá vir", etc

Pode dar que pensar, mas é incoerente, perde sentido porque está a pôr lado a lado duas pessoas que não estão lado a lado na responsabilidade, na maturidade, nos deveres e preocupações.

Qualquer pai assiste varias vezes por dia que os filhos pequenos perdoam de imediato. Aliás, este texto serve até como prova de que a palmada ocasional que resulta é rapidamente esquecida pela criança.
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De Maria a 20.06.2014 às 12:38

O seu comentário fala por si.
Perdoem-me a falta de eloquência mas nem consigo dar uma resposta...

( se desse seria qualquer coisa como: então porque ficar-se pela palmada? Já agora vamos partir para um nível de violência mais "eficaz" ainda!)

Tenho de abandonar este blog...

Não acredito!
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De Célia a 20.06.2014 às 12:56

mas pq é que tem que abandonar o blog? Não é livre de expressar a sua opinião e aquilo em que acredita? e não pode optar por dar ou não reposta aos que questionam? e admite que existem opiniões diferentes da sua? então pq é que vai abandonar um blog que fala de alguns assuntos que pelos vistos lhe interessam?
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De anonimo a 20.06.2014 às 13:10

Eu ia responder de uma maneira muito menos simpática do que a Celia, que escreveu palavras sensatas.

Eu ia escrever para provocar: "Tem de abandonar este blog? Mas não se tinha já despedido, no comentário que publicou às 9:06h? Confesse que não consegue afastar-se de uma boa discussão... este blog tem poderes magnéticos!"
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De anonimo a 20.06.2014 às 13:38

Ai Maria, é tao dramatica. É logo: "ai entao vamos espetar tres tiros de caçadeira na criança". Que exagerada. O meu comentario fala tanto por mim como o seu "serviu-lhe a carapuça, quem diz é quem é lava a boca jacaré" por si fala. O que a Maria tem demonstrado acima de tudo é que não aceita outras opiniões e que acha que tem sempre razao, o que acaba por sujar algumas ideias boas que apresentou. Sabe o que é que mais me traumatizou na educaçao dada pelos meus pais (e olhe que cheguei a sofrer coisas incompreensiveis como tareias de vime simplesmente por falar à hora da refeiçao). Pasme-se que nao foram as tareias idiotas, foi sim o facto do meu pai ser uma pessoa irredutivel, com a mania que a sua opiniao é superior à dos outros e que é um portento da verdade, fazendo-me sentir sempre como nem tida nem achada em assunto nenhum. Espero que a Maria não seja na vida real como o calor da discussao neste blog demonstra, porque acredite que ha maneiras de ser que magoam mais que uma palmada.
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De JP a 21.06.2014 às 00:04

Por favor não abandone este blog! Please don't! Precisamos de um pouco da sua animação por estas bandas e que nos ensine como devemos educar os nossos filhos. Afinal, anda por aqui muita gente enganada que não o sabe fazer. Vá lá, não se precipite, não desista e continue a brindar-nos com as suas pérolas de sapiência parental.
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De Helena Araujo a 20.06.2014 às 09:49

"Por esta altura já toda a gente conhece a minha enorme alergia a quaisquer comparações que misturam palmadas no rabo ou, no caso em apreço, uma criança a chorar na cama, via método Estivill, com violência doméstica ou abuso psicológico de cônjuges. Acho um absurdo homérico este tipo de equivalência, mas é daquelas coisas: se as pessoas não conseguem vislumbrar a diferença, também não sou eu que as vou convencer."

Aleluia! Finalmente o Joäo Miguel Tavares viu a luz.
E percebeu - até lhe chama "absurdo homérico", embora a expressäo me pareca um pouco exagerada - que há uma enorme diferenca entre violencia física ou psicológica de um adulto sobre outro (que terá os meios para se defender, nem que seja telefonando à polícia ou procurando uma casa de abrigo para vítimas de violencia), e a violencia física ou psicológica de um adulto sobre um ser frágil, indefeso e totalmente à merce dos adultos (muito maiores, muitíssimo mais fortes e poderosos). E que essa violencia ganha aspectos ainda mais perversos quando o adulto que trata a crianca de forma prepotente e com baixa inteligencia emocional é a pessoa de quem a vida da crianca depende - näo apenas em termos físicos, mas como referencia emocional e moral.

Há uma diferenca grande entre uma palmada no rabo e uma tareia de deixar a crianca cheia de nódoas negras. Mas a diferenca é apenas de grau. Subjacente às duas está uma determinada forma de o adulto se entender como educador, e o vasto poder que se pode atribuir.

Sejamos honestos: se o nosso chefe estivesse presente na sala, ou o padre que respeitamos, ou até a vizinha do lado (ou seja, se os pais tivessem uma instancia de controle do seu agir como educadores) faríamos e diríamos aos nossos filhos coisas que fazemos e dizemos quando näo há nenhum adulto a observar o nosso comportamento? Porque é que nos conseguimos controlar tao bem quando há adultos a observar, e achamos que temos o direito de agir de outra forma quando nenhum adulto está presente?

E näo me digam que é um grande stress ser permanentemente exemplar. Por acaso, näo me lembro de episódio nenhum em que tenha sentido stress para fazer boa figura à frente de outros adultos, mas envergonho-me de alguns episódios em que me descontrolei - e näo teriam acontecido se houvesse outros adultos a ver.
Claro que uma vez ou outra podemos perder a cabeca - mas näo devemos fazer disso um direito e um dever, porque maior direito é o dos nossos filhos a serem educados com autoridade mas sem medo.

Vou repetir, para näo vir já por aí o coro dos "pois, näo querem educar as criancas!": serem EDUCADOS com AUTORIDADE mas SEM MEDO.
Dá mais trabalho, pois dá. Ninguém disse que isto era fácil.

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De Maria a 20.06.2014 às 10:12

Concordo plenamente!
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De Sofia Lopes a 20.06.2014 às 13:00

pois. o fácil é dar uma palmada no rabo que a criança fica ali a chorar (não de dor física mas psicológica - qual a pior? para mim é a psicológica, sem dúvida) mas pára de atirar os livros para o chão (caramba pá, tão bem arrumadinhos que eu os tinha, por ordem alfabéticaecronológicaecoreseraispartaomiúdotemquemexeremtudonãoécapazdeestarquieto5minutos), o difícil é over and over again tirar a mão dos livros enquanto se diz "não mexe" (17 meses); over and over again explicar que os livros não são para estragar e atirar ao chão daquela maneira estraga (3 anos? ainda não lá cheguei não sei como é que se explica nessas idades :D). eles chegam lá, entendem, os miúdos NÃO SÃO burros. apenas testam limites. it's part of the job.

não vou dizer que é "exatamente" a mesma coisa uma palmada no rabo ou uma tareia de cinto, mas no âmago da coisa... sim, é exatamente a mesma coisa. o princípio do "poder pela violência" está lá.

caramba! se hoje em dia nem os cães se treinam com porrada (ainda bem!), já o disse aqui - porque raio é que as CRIANÇAS! (são crianças, senhor!) hão-de ser a ÚNICA exceção neste mundo?!

não me lixem com f, pá!
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De Helena Araujo a 20.06.2014 às 13:25

Um truque é ter os livros täo apertados que os miúdos näo os conseguem tirar. Ter fora do alcance da crianca aquilo que näo queremos que ela estrague. Outro truque é pedir à crianca que volte a por tudo no lugar (näo será por ordem alfabética, mas ela vai ver que o certo é estar na estante e nao no chao). Aos dois anos, a minha filha pintou uma flor enorme no sofá de tecido. Disse-lhe que tinha feito mal, porque aquele sítio näo é para pintar flores, e dei-lhe um pano para limpar "tudo até ao fim". Ela limpava e suspirava "oh, meu deus...". Elogiei o trabalho dela, e ajudei-a a terminar. Nunca mais pintou os móveis.
Um prima da minha mäe tinha papel de cenário a cobrir as paredes, até à altura dos filhos pequeninos. Porque näo?

Lembro-me de algumas palmadas que apanhei porque os meus pais acharam que eu estava a ser má. Apanhei aos cinco anos porque me mandaram ir buscar uma coisa, e no caminho me esqueci ao que ia (era difícil descer as escadas por causa do tapete solto - nós tirávamos os paus que o seguravam para brincar ao D.Afonso Henriques contra os mouros -, distraí-me com esse medo de escorregar e cair toda embrulhada no tapete). Apanhei por desenhar uma casa na parede à entrada do meu quarto, com um prego. Já lá tinha um risco, uma pequena brecha, e eu vi ali a parede de uma casa. Completei a obra de arte, levei uma palmada quando já estava a raspar o fumo da chaminé. Era necessário ter apanhado? Nunca mais esqueci, por achar injusta. Nem esqueco o modo como comecei a desconfiar dos adultos que batiam em vez de tentar perceber o que acontecera.

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