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Ó pra elas, tão esquisitinhas que são

por João Miguel Tavares, em 18.04.13
Senhoras, senhoras, senhoras... lá estão vocês com as vossas tangas... Então eu publico uma foto do Jude Law, a quem até eu faço aqui uma vénia de tão giro que o gajo é, e na caixa de comentários começam logo a aparecer ladies esquisitinhas com o clássico argumento "ah, e tal, ele até é demasiado bonito". Demasiado bonito? O que é isso de "demasiado bonito"?

Ouçam, a nós, gajos que não foram particularmente abençoados pela natureza, essa treta do "demasiado bonito" dá-nos a volta à tripa. Sim, porque vocês, mulheres, não ligam nada, nada, nada à beleza exterior. O que vos interessa é a "beleza interior". E o sentido de humor. E a beleza dos dedos das mãos. Que grande tanga. Até me veio logo à memória um texto que escrevi há imenso tempo sobre esse tema, chamado "As mãos, os dentes e o sentido de humor". Ora tomem:

Eu passei a adolescência no top ten dos miúdos mais desinteressantes da minha escola. Além de a natureza não me ter bafejado com um rosto de estátua grega, vá-se lá saber porquê, ainda teve o descaramento de me plantar um par de incisivos no céu da boca, oferecendo-me duas fileiras de dentes, como os tubarões. Só que em Portalegre não há mar, nem sequer estudantes de biologia, e portanto passei boa parte dos meus anos do secundário a ser caridosamente enxotado por todas as miúdas giras da Mouzinho da Silveira.

Havia dois tipos de miúdas. As que pura e simplesmente me desprezavam e as que não me desprezavam porque nem sequer chegavam a reparar em mim. Admito que hoje em dia a minha situação não tenha mudado muito, e que eu continue tão desinteressante como no tempo em que a acne fazia exportações para o estrangeiro a partir da minha cara. Mas, pelo menos, descobri as maravilhas da ortodontia e uma bela mulher com alma de missionária, que se interessou pelo meu caso como se eu fosse um refugiado escanzelado no domínio dos afectos.

Tendo em conta este triste retrato biográfico, compreende-se que nada me irrite mais do que aquela maldita pergunta que insistem a fazer às mulheres em tudo o que é inquérito de revista: “diga-me, o que é que mais gosta num homem?” Cada vez que me deparo com essa bela formulação, há logo um suor frio que me trepa pela espinha. Porque a verdade, meus senhores e especialmente minhas senhoras, é que eu já conheço as respostas a essa pergunta. Que são, basicamente, duas. E ambas são mentirosas. (Antigamente eram três, porque se dizia muito “os olhos”, mas os olhos já estão um bocado batidos e saíram de moda, felizmente.)

Eis as duas alternativas:

1) “O sentido de humor”, que se pode desdobrar em frases como “o que eu mais gosto num homem é que ele me faça rir” (e aqui sinto uma pontada na barriga).

2) “As mãos”, no caso de elas quererem fugir à resposta óbvia e serem mais dadas à poesia ou a outras coisas (e aí rebenta-me a úlcera).

Qualquer uma destas respostas provoca-me desarranjo intestinal e convoca de imediato todas as minhas memórias de adolescência, todas as vezes que levei uma tampa de uma miúda, todos os actos de desprezo que sofri só por ser tímido, não me saber vestir e ter dois dentes pregados no palato.

Sentido de humor e mãos? Uma aldrabice pegada. Modéstia à parte, eu até tenho mãos de pianista, dedos longos e pele fina, preservada da apanha da azeitona. E no entanto, não me recordo de as minhas mãos terem tido nos anos 80 grande utilidade na sua relação com o sexo feminino, para além de chuchar no dedo. Quanto ao sentido de humor, também nunca estive mal servido, graças a Deus, e ainda consigo fazer rir a minha avozinha. Mas nem isso me impediu de ter passado quatro ou cinco anos a ser olimpicamente ignorado pelo cromossoma X.

Portanto, minhas senhoras, fica aqui um apelo: deixem por favor de dizer que aquilo que mais apreciam num homem é o seu sentido de humor. Toda a gente aprecia o sentido de humor, com certeza. Mas ele tem muito mais graça no George Clooney e no Brad Pitt. Há milhares de rapazes com dentes tortos que continuam por aí – e eles têm direito a uma dose mínima de sinceridade.

Pffff... demasiado bonito

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publicado às 12:31


27 comentários

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De Teresa Faria a 23.04.2013 às 16:05

A beleza ajuda, claro, mas um homem bonito com as mãos feias não me tocava nem com o dedo mindinho! As mãos são muito importantes, sim! :)
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De Maria a 21.04.2013 às 04:59

Ó João! Deixe lá isso que a beleza não se come à mesa....O Jude Law... huuuummmm. Esse não sei não....
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De NM a 19.04.2013 às 21:18

Eeeeeeerrr!! Hum!!... Pois!! Às tantas vai na volta e também aprecio que consigam tomar banho sozinhos!... Esqueci-me de mencionar isso! :)
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De Anónimo a 19.04.2013 às 14:26

Sim, sim, o Harrison Ford!
Eu também me encontro do grupo das mulheres que preferiam mil vezes o Harrison Ford com 70 anos do que o Jude Law...
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De Rui Ribeiro a 19.04.2013 às 11:44

Estou contigo João !

Não partilho das mesmas "experiências" juvenis, pois fui um bocadinho mais abençoado nessa era :P

Mas de certa forma o que me deixa mesmo intrigado nem é essa questão, nem a falta de transparência do Cromossoma X !

Vejamos o caso da minha esposa (que está hoje de parabéns), ela adora o Bruce Willis e dá como justificação.... é o que mais se parece com um homem, lol. Pelo no peito barba de 1 dia, não se pode exagerar muito neste aspecto, e nada cá de abrir uma malinha que transporta debaixo do braço para "retocar o cabelo" (isso é coisa de cromossoma X ).

A mais pura realidade é que nós, somos obrigados a entrar nesta dura luta de nada saber, nada saber o que gostam (o que realmente gostam, não o que dizem gostar), o que querem e no que sonham, pois o que hoje é verdade amanhã já não o será.... e se formos sinceremos (cá entre os homens), diria mesmo que daqui a 1 horita já não o é :P

Mas gostei do post, já me ri sozinho à conta dele ;)

Cumprimentos
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De Rui Ribeiro a 19.04.2013 às 11:35

Eis uma fã incondicional do Jô Soares !

eheheheheh
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De Anónimo a 19.04.2013 às 09:45

É com certeza, ou não fosse meu marido.
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De Anónimo a 19.04.2013 às 02:19

Na adolescência como só contam as hormonas só importa o aspecto exterior, já quando se tem que conviver, viver, criar uma familia o ser bonito pouco importa...
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De Bruxa Mimi a 18.04.2013 às 21:27

O tema deste post faz-me lembrar o filme "Win a date with Tad Hamilton" (O Ídolo dos Meus Sonhos). A protagonista anda encantada com o famoso Tad, que é ator e que se encanta com ela também. O amigo dela gosta dela e confidencia a outra amiga que não tem hipóteses, pois o rival é o "Tad Hamilton". Esta responde que toda a gente "é" o "Tad Hamilton" para alguém: a outra (a protagonista) é TH dele, ele é TH dela (que está a falar)... No fim, surprise, surprise, a protagonista fica com o amigo de longa data...
O meu "Tad Hamilton" é o meu marido, graças aos seus olhos, sorriso, mãos, pernas, etc.!
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De Anónimo a 18.04.2013 às 21:24

Sentido de humor e de oportunidade... e um belo traseiro!

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