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Apresento-vos...

por João Miguel Tavares, em 27.10.14

...o nosso novo caixa de óculos.

2014-10-24 17.58.29.jpg

 Um par de olhos a mais para compensar um par de dentes a menos.

 

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publicado às 09:32

[Esta conversa entre o Tomás e o Gui passa-se no banco de trás do carro, a caminho da catequese.]

 

Gui – Este dente já está quase a cair [NR: aponta para um incisivo lateral superior mesmo ao lado da grande janela que o Gui exibe desde a semana passada, quando ficou sem os dois incisivos centrais ao mesmo tempo]. Já sei o que vou pedir à fada dos dentes.

 

Tomás – O quê?

 

Gui – [A sussurrar ao ouvido do Tomás.] O pirata e o barco de remos que me faltam na colecção

 

Tomás – Isso é caro demais para a fada dos dentes. Acho que tens de o pedir ao Pai Natal.

 

Gui – E o Pai Natal tem dinheiro para isso?

 

Tomás – Não vês que são os papás que dão o dinheiro ao Pai Natal para eles comprarem as prendas, se tu te portares bem.

 

Gui – E como é que os pais sabem que é o Pai Natal que vai às compras?

 

Tomás – Ele deve pedir factura e põe lá o símbolo do Pai Natal.

 

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publicado às 12:02


Coisas de que só o Gui se lembra #7

por João Miguel Tavares, em 03.10.14

 

Para entrar no quarto do Gui, actualmente é indispensável executar as seguintes operações:

 

1. Dirigir-se ao objecto A - um mini-gravador/reprodutor digital em forma de relógio que vinha a acompanhar umas sapatilhas Geox -, proferir a palavra-passe "Guilherme" e carregar num botão para ouvir "Guilherme" de volta.

 

2. Após escutar "Guilherme" (antes disso não funciona), dirigir-se ao objecto B, um botão vermelho oriundo não se sabe de onde, e pressionar com força.

 

3. Simplesmente abrir a porta e entrar no quarto deixou de ser permitido desde as 20 horas do passado dia 1.

 

4. Todas as infracções serão punidas com mais uma investida desvairada aos rolos de fita-cola caseiros.

 

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publicado às 10:00


Ano novo, vida nova

por João Miguel Tavares, em 15.09.14

Quando hoje fui levar a Carolina à escola, para começar o seu 5.º ano, tive a sensação de que não era só a vida dela que estava a mudar - a nossa, a minha, a da sua família, muda um pouco também. Passámos a ter os quatro filhos em três escolas diferentes, mas não é a questões logísticas que me refiro. O 5.º ano é a antecâmara da adolescência, as disciplinas multiplicam-se e os interesses (tal como as hormonas) disparam. Aquilo que mais orgulha a Carolina nesta nova etapa da sua vida é ter um cartão electrónico para entrar e sair da escola e um cacifo que é só dela - tudo coisas de gente grande.

 

Ao mesmo tempo, o Gui, o nosso querido e maluco Gui, entrou para o 1.º ano. É um passo enorme para ele, e pela primeira vez eu e a Teresa sentimos alguma angústia, porque não sabemos se ele estará bem preparado, se virá a ser um bom aluno, se não teremos de gastar horas e horas em casa a recuperar o que não aprendeu. Para começar, acho que ele teve imensa sorte, mas mesmo imensa, com a professora que lhe calhou, e o segredo do sucesso pode bem estar todo aí. Cativem o Gui e ele vai até à Lua. Se ele se desinteressa, a escola pode bem vir a ser uma chatice. Estou a fazer figas.

 

Mas enfim, podemos estar enganados, os pais às vezes são péssimos avaliadores dos seus filhos. Quando o nosso Tomás entrou para o 1.º ano lembro-me que nós achávamos que ele corria o risco de ser a vítima preferencial dos bullies da escola. E hoje, no 3.º ano, é um miúdo com um depósito de autoconfiança cem vezes maior. O menino que antigamente tinha medo de levar qualquer peça de roupa mais original, porque gozavam com ele, hoje saiu de casa com uns ténis cor-de-laranja berrante nos pés. Eu perguntei-lhe: "E se gozarem contigo?" Ele respondeu: "Não quero saber." E aquele "não quero saber" é tudo o que eu quero que se saiba. São obstáculos que se vencem, etapas que se ultrapassam - neste idade nada está escrito, é sempre possível mudar e melhorar, e isso é mesmo o melhor de tudo.

 

O Gui com a sua fantástica mochila do Homem-Aranha a caminho da sala de aula.*

 

*A mamã também lhe comprou, para o primeiro dia de aulas, uns brilhantes sapatos brancos, que irão permanecer limpos durante aproximadamente 96 minutos.

 

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publicado às 11:42


Cenas dos últimos capítulos

por João Miguel Tavares, em 11.09.14

Este blogue tem estado meio comatoso nos últimos tempos, mas é por boas razões: quanto mais comatoso está o blogue, mais vivos estamos nós. E os últimos 15 dias têm sido um rodopio familiar constante, com eles (os miúdos) de férias e nós (os pais) de semi-férias, sempre a rodar pelo país.

 

Nessas condições nem sempre é fácil actualizar o blogue, dada a minha dificuldade em postar a partir do iPad, onde é muito difícil formatar textos e fazer upload de fotos em sítios onde a net só passa de raspão. Mas, para que ninguém se queixe, fazemos como nos episódios das séries em que é preciso recuperar o que não vimos: um fast-forward do que se foi passando nas últimas duas semanas.

 

Nós ficámos mais ou menos aqui, nos anos da Ritinha, não foi? Mas essa gravação foi feita na manhã de dia 30, em Lisboa. À tarde, a Rita estava a celebrar o seu aniversário no Algarve. À chegada, os avós (e o Tomás, que já lá estava) tinham decorado impecavelmente o seu quarto. Olhem só pró estilo:

 

 

E depois, a Ritinha teve ainda direito a bolo de anos e a um novo parabéns a você na praia do Inatel, em Albufeira. Não é todos os dias:

 

 

Devo dizer que a Rita gostou especialmente de arrancar à dentada a cabeça dos três porquinhos do seu bolo. Fiquei um bocadinho assustado.

 

E por falar em cabeça: os dias de praia foram curtos, mas muito divertidos. Contudo, a cabeça dos rapazes, nos dias que correm, só pensa mesmo nisto:

 

 

Bola, bola, bola. Há dias consegui pôr o Tomás e o Gui a chorar em simultâneo, quais Madalenas arrependidas, com uma única frase: "Vocês estão a portar-se muito mal e já não vamos jogar para o campo." Mal disse isto, um mega-"buááááá" em cânone. Eram eles a chorar perdidamente e eu a rir-me com a extraordinária eficácia da minha ameaça. A brigada anti-palmada pode rejubilar: "não há bola" tornou-se muito mais eficiente do que uma nalgada no rabo.

 

Mas houve mais, além da celebração do meu 41º aniverário na Portagem, ali mesmo no sopé de Marvão. A Teresa falou disso aqui.

 

 

Como não poderia deixar de ser, neste intervalo de tempo o Gui continuou a criar novas e mui estranhas pulseiras, uma das quais para adornar uma garrafa de água da Memi e da Zé nos Montes da Senhora.

 

 

E o Tomás elevou a sua obsessão futebolística a um novo patamar:

 

 

Também tentámos salvar uma pequena rola que caiu do seu ninho, para grande comoção familiar.

 

 

E coleccionámos os nossos nomes nas latas de Coca-Cola. Só a pobre mamã é que ficou sem nada: não conseguimos arranjar uma Teresa em lado nenhum. Se alguém tiver uma a mais, eu troco por 47 Joões.

 

 

E pronto, é isto. Vocês não fazem ideia, mas nós temo-nos divertido à brava, ganhando energias para o difícil ano lectivo que se aproxima. Mas isso é conversa que fica para depois.

 

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publicado às 12:18


Férias de Verão

por João Miguel Tavares, em 27.08.14

As pernas do Gui são um mapa das suas férias:

 

 

1. Joelho esquerdo amassado durante a subida à Serra do Chão de Galego.

 

2. Pé esquerdo ofendido durante uma tentativa de andar sem as rodinhas da bicicleta na praça do Areeiro.

 

3. Joelho direito esfacelado após uma queda no recinto da Sociedade Hípica Portuguesa.

 

4. Canela direita contundida após uma entrada mais agressiva da Carolina num disputado jogo no campo de futebol dos Montes da Senhora. 

 

5. Pé direito pisado após uma entrada mais violenta da Carolina num animado encontro no campo de futebol da Urra (não sei se estão a notar aqui um padrão em relação aos níveis de agressividade que a minha filha mais velha coloca na disputa de bola).

 

Já agora: os dois cotevolos do Gui estão iguais às suas pernas. Todo o rapaz é uma colecção de sangue pisado e carapaças. Mas poupo-vos os pormenores.

 

 

Suponho que em linguagem de criança isto se chame "felicidade". 

 

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publicado às 09:29


Diálogos em família #38

por Teresa Mendonça, em 18.08.14

Mamã – Está? Olá, Guigui.

Gui – Olá, mamã (voz de sono).

Mamã – Dormiste bem? Acordaste outra vez muito cedo, não foi, galinho da manhã?

Gui- Não dormi lá muito bem. O Tomás estava sempre a invadir o meu território.

Mamã – Ahn??? Olha, porta-te bem e não te zangues com o mano. Ajuda a Memi e a Zé. Passa lá ao Tomás, que estou cheia de pressa.

Gui – Está bem. Adeus, mamã.

Mamã – Adeus, Gui.

Tomás – Olá, mamã.

Mamã – Olá, Tomás. Já estou cheia de saudades. Dormiste bem? O que estás a fazer?

Tomás – Tudo bem (muito rapidamente). Mamã?

Mamã – Sim?

Tomás – Como é que ficou o jogo do Benfica.

Mamã – Ahn??? Não tenho a certeza, mas acho que o Benfica deve ter ganho, porque o papá estava bem disposto ontem à noite.

Tomás – Quantos golos marcou? Quem é que marcou os golos? O Artur fez alguma grande defesa? Pergunta ao papá.

Mamã – O papá ainda está a dormir. Nós chegámos a Lisboa muito tarde. A mamã é que já vai a caminho do trabalho. Espera, que eu vou ver na internet e depois digo-te, está bem?

 

Algum tempo depois…

 

Mamã – Tomás, o Benfica ganhou 2-0. Marcaram o Maxi Pereira e o Sálvio.

Tomás – E foi na primeira parte ou na segunda?

Mamã – Espera, deixa ver – o primeiro aos 25’ e o segundo aos 72’. E diz aqui que o Artur defendeu uma grande penalidade.

Tomás – Boa! E amarelos, houve?

Mamã – Sim, parece que o Enzo Pérez levou um logo no início do jogo, mas não foi para a rua.

Tomás – Fixe. E houve mais alguma oportunidade?

Mamã – Diz aqui que o Nico Gaitán quase que marcou o terceiro no final do jogo.

Tomás – Ohhh. Ok, já não precisas de acordar o papá.

Mamã – Está bem. Então beijinhos.

Tomás – Beijinhos.

 

Se alguém me dissesse que um dia eu iria andar na net às oito e meia da manhã de uma segunda-feira a fazer pesquisa sobre cruzamentos, golos, amarelos e penáltis, eu ter-me-ia rido na cara dele. A maternidade é assim. Nunca pára de nos surpreender.

 

 Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

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publicado às 17:19


Coisas de que só o Gui se lembra #6

por Teresa Mendonça, em 13.08.14
Recuperado das suas maleitas, o Gui voltou a atacar com a sua originalidade.

 

Como continuamos a recusar um cão aos miúdos, apesar de toda a insistência, o Gui resolveu o seu problema esta manhã. Pediu uma caixinha à avó Teresa, meteu-lhe lá dentro metade de um biscoito e duas gotas de água e apresentou-nos o seu novo animal de estimação:

 

"Já que não podemos ter um cão, posso ter uma formiga?"

 

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publicado às 23:39


Diálogos em família #40

por João Miguel Tavares, em 26.07.14

- Papá.

- Diz, Gui.

- O contrário de chapéu é sapatos?

- Não, Gui. A palavra "chapéu" não tem contrário, da mesma forma que vaca não tem contrário. O que tem contrário é alto e baixo, gordo e magro, vivo e morto.

- Papá, eu acho que já sei porque é que as pessoas morrem.

- Porque é que é, Gui?

- É porque o mundo está sempre a girar. Como ele gira as pessoas ficam um pouco tontas, e depois às vezes morrem.

 

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publicado às 10:06


Coisas de que só o Gui se lembra #4

por João Miguel Tavares, em 14.07.14

Ontem o Gui chegou ao pé de mim e perguntou-me:

 

Gostas das minhas chuteiras para a praia?

 

 

Eu gostei, claro.

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publicado às 10:06



Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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