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A longa espera para se ser avô

por João Miguel Tavares, em 02.04.14

E só para mudar a agulha das criancinhas, até porque há leitores que já não aguentam mais (admito que sou um bocado obsessivo quando começo a falar de certos assuntos), passemos para os avós.

 

Eis um belo e longo artigo do Wall Street Journal sobre a cada vez mais longa espera dos mais velhos para serem avós, incluindo duas perspectivas que merecem ser pensadas e debatidas:

 

1. A existência de um relógio biológico para se ser avô (só se costuma falar disso para mamãs).

 

2. A importância dos avós no desenvolvimento das crianças.

 

Eu sou grande defensor deste ponto 2, razão pela qual faço questão de pontapear imediatamente as criancinhas para fora de Lisboa e de nossa casa mal chegam as férias da Páscoa (estão quase aí, mal posso esperar), do Verão ou do Natal.

 

A excelentíssima esposa costuma acusar-me de só me estar a querer ver livre dos miúdos, quando estou manifestamente preocupado com o seu desenvolvimento psicossocial. 

 

O artigo do WSJ pode ser lido aqui.

 

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publicado às 10:31


8 comentários

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De Divagações de uma Açoreana a 11.04.2014 às 17:32

Adoro a ideia de avós jovens.
Eu mesma tive uma avó jovem ( ela tinha 40 quando eu nasci ) e a minha mãe foi avó do meu mais velho aos 46.
Eu infelizmente não vou ser avó assim tão jovem, pois tinha 28 anos quando tive o meu primeiro filho e quando fizer 40 o meu filho terá 12 e com essa idade do meu filho não quero mesmo ser avó aos 40´s.

Mas o facto das mulheres da minha vida serem jovens quando nasci, faz com que hoje em dia a minha avó pareça minha mãe e a minha mãe é muitas vezes confundida como minha irmã mais velha. Coisa que sempre gostei e me envaideceu. Pois tinha uma avó que fazia grandes caminhadas comigo e que me levava a passear todos os dias, e com quem adorava passar as minhas férias. Por mim ficava lá a dormir todos os dias.

Com isso consegui ter uma convivência com uma grande amizade e cumplicidade e ter 2 mães. E se a vida correr com o seu curso normal, terei mais anos para usufruir da companhia delas, do que eu terei para usufruir dos meus netos.

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De Carlos Duarte a 03.04.2014 às 10:35

Caro JMT,

É apenas mais um reflexo da destruição da estrutura familiar (e, nesse aspecto, os EUA nem estão muito mal). O modelo familiar "normal", durante muito tempo, foi a família extendida (muitas das vezes com 3 gerações debaixo do mesmo tecto). Por motivos naturais - mudança do modelo productivo de trabalho muito local, focando no homem com a mulher a ficar em casa, para um modelo de trabalho mais flexível geograficamente e com os dois progenitores a trabalhar - o modelo familiar passou à família nuclear, mantendo-se o contacto (mais ou menos regular) com os avós. Em muitos casos, esta situação acabou por ser benéfica para todos: reduziu atritos (devido à partilha de autoridade sobre as crianças) e permitiu partilhar de forma mais adequada o tempo com as crianças.

Actualmente, no entanto, está-se a passar para o ponto oposto: as crianças desligam-se muitas vezes dos avós (e nem vale a pena sequer considerar famílias reconstituídas, com uma multiplicidade de avós e a puxar para lados diferentes), falta-lhes a "válvula de escape" ao poder parental (quando é exercido) ou a segunda referência de autoridade (quando os pais são demasiado ausentes da educação). E isto é mau e preocupante, pois resultará concerteza numa educação mais pobre e com "falta" de história (até porque os pais educam, mas os avós é que são responsáveis pelo estabelecimento de elos ao passado, pela passagem das tradições orais e histórias da família).

Para os avós, a situação actual também é má. Como escreveu o seu pediatra num dos livros que escreveu, os netos são a realização biológica dos avós, de garantia de eternização dos próprios através da herança genética. Mas essa realização passa, inevitavelmente, pelo estabelecimento de laços para além do biológico, pelos laços afectivos, e por permitir que os avós desempenhem algo que nunca poderam com os filhos: serem pais-companheiros, serem pais pela segunda vez mas sem o nível de preocupação que tinham de ter com os filhos.
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De Simplesmente Ana a 03.04.2014 às 10:00

1. A minha mãe foi avó pela primeira vez aos 42 anos e não teve tempo para sentir o dito relógio. A minha sogra, foi avó aos 60 e já andava a bater com a cabeça nas paredes ;)

2. A minha filha não passa férias a sós com os avós, mas passamos períodos das férias todos juntos. Eu passava as minha férias sempre com os meus avós (o meu pai não tirava férias e a minha mãe ficava com ele e só aparecia aos fins-de-semana) e eram absolutamente maravilhosas. Tirando as saudades da minha mãe... Só não proporciono a mesma experiência à minha filha (férias "longe" sem nós) porque o meu marido gosta de ter a filha debaixo de asa. Fazer o quê?

As crianças só têm a ganhar com a convivência com os avós. Só excluía a mania irritante de lhe oferecerem presentes/doces sem motivo e a mais do que a conta.
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De sandra a 02.04.2014 às 16:53

ola

pois eu acho que a sua esposa tem razao, pois aproveita sempre que as crianças têm mais tempo os mandar para os avós. neste caso os avós soam-me a desculpa.

Os avós fazem falta para muita coisa, exceto desautorizar os pais, eles sao excelentes nisso.
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De Anónimo a 02.04.2014 às 17:55

E, salvo algumas excepções, não estaram melhor as crianças com os avós nas férias do que em casa, sozinhas, à espera que os pais cheguem do trabalho?
Lembro com saudade as minhas férias quando era "pontapeada" para os meus avós! Que ricas férias!
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De Tânia a 02.04.2014 às 13:44

Isso tem muito que se lhe diga.
Cresci com avós jovens e avós menos jovens.
E embora compreenda as vantagens de cada lado, a verdade é que a vontade dos meus pais/sogros quererem ser avós não interfere em nada na minha decisão de ser mãe.
Muito pelo contrário, querida sogrinha gosta muito de pressionar para eu ser mãe, e quanto mais ela pressiona menos eu falo desse assunto com ela. A decisão será sempre minha, mas devido a essa pressão (que vai desde os simples comentários aos insultos por eu, ainda, não lhe ter dado nenhum neto) não consigo imaginar os meus filhos a conviver nas férias com essa avó.
Por último, dizer apenas que os avós que mais paciência e energia tiveram para mim foram os mais velhos.
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De David Cabanas a 02.04.2014 às 12:45

Acho enorme piada a avós novos...isto é, com paciência para os netos, com jeito para as brincadeiras dos mais novos, com pica para ir aqui e ali...e as crianças adoram os avós que quase destroem as regras que os pais criam...
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De Anónimo a 02.04.2014 às 12:20

Pois, isso depende muito das idades dos avós e das suas capacidades. Não me parece que seja assim tão evidente.

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