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A receita do crescimento segundo Eduardo Sá

por João Miguel Tavares, em 28.09.14

 

Em tempos idos (há um ano e meio, tempo comum; há uma década e meia, tempo familiar) escrevi neste blogue um texto bastante mauzinho - mas sincero - sobre Eduardo Sá, intitulado "A Associação dos Pais Alérgicos a Eduardo Sá". E eis que este domingo Eduardo Sá voltou à minha companhia via Observador, onde ele dá uma entrevista a propósito do seu novo livro, Hoje Não Vou à Escola!.

 

 

E como a entrevista é das que se lê e não das que se ouve, dei por mim a concordar com Eduardo Sá mais vezes do que é habitual, até porque o seu costumeiro tom cutchi-cutchi aparece aqui bastante suavizado.

 

É claro que a visão da criança "criativa" e a defesa de que "crianças mais empanturradas em conhecimento são crianças que pensam menos" é muito cor-de-rosa e altamente discutível. Mas, de um modo geral, concordo com o retrato que Eduardo Sá traça da escola actual.

 

E para aquele tema que nos ocupou tanto na semana passada, há uma frase sua que me parece bastante pertinente, e que me fez escrever este post:

 

Crescer é uma receita razoavelmente simples: dar o mais possível de colo, um q.b. de autoridade e o mais possível de autonomia.

 

É verdade. Ensinar a crescer é mesmo isso. Sobretudo aquela parte de "o mais possível de autonomia" que, vá lá saber-se porquê, foi a que mais gostei de ler.

 

Ora, se até o psicólogo mais cutchi-cutchi da nossa praça o diz, quem, de entre as pessoas que escrevem neste blogue, terá coragem para o desmentir?

 

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publicado às 18:14


11 comentários

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De Mum'stheboss a 30.09.2014 às 05:00

Quando vi o texto, lembrei-me justamente do teu post sobre o EE. E vim espreitar! Estás a obrigar-me a ir ver este livro novo mas antes disso vou continuar a ler o Educar com Amor do Dr. Mário Cordeiro.
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De Olívia a 29.09.2014 às 12:08

Não querendo mandar muitas mais achas para esta fogueira, o Eduardo Sá escreve coisas muito interessantes e posso nem sempre concordar com ele (ou outros), mas uma coisa é certa as crianças precisam de brincar e descobrir coisas novas, precisam de ser livres e cair com os joelhos no chão... e nunca, mas nunca devem ser tratadas como se fossem todas iguais e perfeitas...
Deixo aqui este artigo, que vale o que vale, mas que reflecte aquilo que eu também penso:
http://uptolisbonkids.com/2014/05/10/o-que-deve-saber-uma-crianca-de-4-anos/
Olívia
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De marta a 29.09.2014 às 10:07

Partilho da sua opinião geral sobre o Eduardo Sá. E partilho da sua opinião em particular sobre este livro (e ideias nele inscritas).
É pena que esta visão do que deve ser a escola (e a infância e adolescência) não seja, como devia ser, senso comum.

Infelizmente as coisas na sociedade continuam estruturadas do ponto de vista dos adultos (e dos pais) - os horários das escolas têm de ser compatíveis com os do trabalho, as matérias e formas de as avaliar têm de ter semelhança com o mundo de colarinho branco, a disciplina da criança tem de a preparar para a vida no escritório, etc etc.

Ao contrário é que devia ser.
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De Mário Cordeiro a 28.09.2014 às 23:54

Como diria Mário Soares ou Álvaro Cunhal (creio que nunca se apurou realmente quem o disse), "olhe que não, olhe que não"... ou seja, Eduardo Sá tem muitas facetas com as quais o JMT concordará, pelo que a sua "alergia" foi, seguramente, uma coisa episódica. Sou amigo do Eduardo há muitos anos e sei que usa a ironia por vezes de forma tão desabrida que se confunde com realidade... já lho disse uma vez. Mas citei-o há dias a propósito de uma coisa em que, estou certo, o JMT apoiaria: uma greve aos TPCs... ou que as aulas devem ser o intervalo dos recreios e de outras actividades...
Quanto ao tom de voz com que fala... creio ser irrelevante.
Li o texto e vou comprar o livro, porque acho que nos pode dar várias ideias e suportar outras tantas.
Finalmente, JMT,parabéns pela sua lisura e humildade, ao vir elogiar o homem que há tempos "ridicularizava" - mostra a pessoa, o jornalista e o pai que é e ainda nos faz admirá-lo mais e estarmos mais atentos, se possível, a este blogue, ao Público e ao Governo-Sombra! Abraços
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De Conceição M. a 29.09.2014 às 17:09

Olá Dr Mário Cordeiro
Não sei as experiências que terá como EE dos seus filhos (no sentido de ir às reuniões de pais e ouvir a versão dos professores sobre a vida escolar deles), mas olhe que essa ideia de as "aulas serem o intervalo dos recreios e outras atividades" ou o seu prolongamento é levada à risca por muitos alunos!! :)
Bem sei que não é neste sentido que o diz...
E ainda bem que o meu filho mais velho não "frequenta" o blogue, senão aproveitava logo a deixa ;)
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De Mário Cordeiro a 29.09.2014 às 17:35

Olá
Por acaso vou às reuniões e faço parte da direcção da Associação de Pais e sou responsável pelo pelouro da promoção do livro e da leitura, bem como de diversas actividades complementares educativas na EB1 e na EB2.
Claro que entendeu bem o que eu queria dizer, mas olhe que não é apenas ironia: estar 90 minutos a olhar para um professor que, algumas vezes, não consegue dar uma aula apelativa e é uma "seca", exige muito "airbag"...
Mas há professores extraordinários, como um de História que um dos meus filhos teve e que começou a falar de Dom Diniz citando a Mensagem de Pessoa e "o rei que plantava naus", para fazer a ligação deste rei aos Descobrimentos. Felizmente há bons professores e directores. Ministros é mais difícil...
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De Olívia a 29.09.2014 às 17:58

Bem visto!
Pode ser que algum ministro ou futuro ministro aqui venha tirar ideias e tenha uma epifania... e a escola seja mesmo o local para onde os nossos filhos fujam...em vez de fugirem dela!!!!
Olívia :)
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De Anónimo a 28.09.2014 às 20:44

O Eduardo Sá é psicológo, não é pediatra. ..
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De João Miguel Tavares a 28.09.2014 às 20:49

Claro que sim. Estupidez minha. Já está corrigido. Obrigado.
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De Anónimo a 28.09.2014 às 23:08

É um erro frequente. Como psicóloga, às vezes custa-me perceber que, para algumas pessoas, o ser "pediatra' lhe dá mais credibilidade...
Já agora, gostei do seu texto.
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De Mário Cordeiro a 29.09.2014 às 17:42

O JMT já tem dois pediatras favoritos: Gonzaléz e Estivil... não precisa do Eduardo Sá!!

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