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A riqueza de um bom vizinho

por Teresa Mendonça, em 28.05.14

Ontem foi o Dia Europeu dos Vizinhos. Achei maravilhoso que alguém se tivesse lembrado de oficializar um "estatuto" ao qual eu sempre dei tanto valor e que é tão pouco valorizado, ou então o é mas por questões meramente burocráticas e agilizadoras de questões de condomínio. 

 

Desde a minha infância os meus vizinhos foram sempre amigos de casa, e mesmo depois de vários anos e prédios passados continuam a ser. Na minha adolescência/ juventude vivi em Castelo Branco num prédio enorme, que tinha quatro fracções em cada andar. Acontece que as vizinhas de patamar, que ocupavam a fracção B e D, tinham o mesmo nome, e ainda hoje usamos carinhosamente as letras da fracção para as distinguir: a Anita do B e a Anita do D.

 

E mesmo depois de tantos anos passados, e de sofridamente a Anita do D já pertencer a outro Reino, a do B continua a ser a minha vizinha do coração. As memórias dos dias passados de porta aberta para o patamar com crianças a entrar e a sair, trocando de casa como se estivessem a trocar simplesmente de quarto, com serões passados na sala da casa ao lado, a aproveitar o aconchego da Anita do B para aprender as artes das suas mãos prendadas, são muito doces e perpetuam-se. 

 

E é muito bonito ver como os meus filhos conseguiram (mesmo estando a viver numa cidade muito menos "aldeia" do que aquela em que eu vivi na minha juventude) perceber e aproveitar a riqueza de um bom vizinho. Os nossos vizinhos de Entrecampos continuam com a mesma proximidade três anos passados, e sempre que lá vamos chovem tostas com doce de abóbora para tapar o "buraquinho" dos mais pequenos e as conversas fazem parar o tempo.

 

E mesmo no Areeiro, onde vivemos agora, com a saída dos vizinhos de cima e do lado, na sequência da nova lei do arrendamento, o carinho e a disponibilidade mantêm-se e é frequente pedirem-nos uma visita para matarmos saudades. E, graça das graças, os novos, que estão para entrar, parecem igualmente simpáticos e disponíveis. Também aqui as portas estão frequentemente abertas e os miúdos sentem-se no direito de ir desafiar o vizinho solteiro do R/C para um jogo de futebol (mesmo que não queira filhos, não tem outro remédio), ir brincar para a casa dos do 5.º andar, ir visitar o cão do vizinho do lado ou receber os mimos especiais da vizinha do 6.º. E é por isso que também eles sentem tanto a diferença que existe em relação a um único caso de vizinhança falhada, para quem os valores reconhecidos no dia de ontem não fazem sentido.

 

É maravilhoso poder contar com bons vizinhos, ainda que espalhados por Portugal! Graças a eles não será só o "sal" e a "salsa" que nunca faltarão cá em casa.

 

 

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publicado às 10:22


7 comentários

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De Maria da Luz a 30.05.2014 às 12:20

Os vizinhos podem fazer toda a diferença na nossa vida! E só agora disso me apercebi. Tenho vizinhos maravilhosos, alguns dos quais já são mesmo amigos, mas, infelizmente, temos uma vizinha que só sabe infernizar a vida dos demais. Por exemplo, tenho um bébé de meses e quando chora à noite pelo seu biberon (que demora 2 minutos a fazer!!) a vizinha não se inibe de gritar e dar pontapés e murros para que todos oiçamos como se incomoda com o choro da criança. É tristíssimo assistir a estas cenas...pessoas supostamente educadas e civilizadas e, afinal, tão mal formadas, que não têm a humanidade de perceber que é...um bébé, que às vezes chora e outras vezes está doente! Qualquer mãe adoraria que o seu bebé estivesse sempre bem, sem chorar. Mas, agora, não só tenho de resolver o problema do meu bébé, como tenho de aturar toda aquela violência gratuita, dolosa e destrutiva. E quando queremos educar os nossos filhos num ambiente sereno e de paz, temos alguém que chega e "estraga tudo"... Por isso, mais do que nunca, a vizinhança é mesmo importante e temos de agradecer quando temos a sorte de viver rodeado de boa gente!
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De Sofia a 29.05.2014 às 12:51

Vivemos no Porto e actualmente não posso (mesmo) dizer bem dos meus vizinhos, mas apenas os de cima, porque com os outros, tudo bem.
Não podemos dar uma única festa, que às 22h30 já os temos a bater à porta, e, note-se, nós não damos festas todos os fins-de-semana, nem nada que se pareça, até porque temos um filho pequeno... Os mesmos são médicos de profissão e acredito que tenham horários em que têm que descansar muito cedo, mas quem vive num prédio tem que saber ter alguma tolerância, caso contrário, podem sempre ir viver numa moradia. É que o vizinho chegou ao ponto de ir dar pontapés à nossa porta antes de ir trabalhar de manhã, sempre que achava que tinha havido barulho á noite... até ao dia em que eu chamei a polícia e eles foram ter uma conversa com o Sr....
Entretanto vivemos verdadeiramente limitados nos convívios em nossa casa, que compramos ainda há pouco tempo para pensar em vender... Lamentável!
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De Maria Marques a 28.05.2014 às 16:33

Olá,

Acho que é preciso muita sorte com os vizinhos, especialmente num prédio. As minhas experiências não têm sido positivas e neste momento, se me saísse o euromilhões, comprava uma moradia isolada para não ter de aturar maluquinhos. Adoro a zona onde moro, mas à exceção de dois ou três casais do prédio, o resto da vizinhança é de fugir. Só para dar um exemplo, todas as semanas as escadas estão sujas com sal e terra e não posso ter tapete à porta de casa, pois sujam-mo com azeite ou óleo. Como vê, é preciso um tudo ou nada de sorte... Beijinhos
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De Carolina Maria a 28.05.2014 às 14:23

Concordo plenamente consigo.
Eu sou de Castelo Branco (onde vivi até aos 18 anos). A casa da minha mãe fica por cima de uma pastelaria que eu, ainda hoje, visito sempre que vou a CB.
No nosso prédio quase não havia crianças, tirando eu e o meu irmão. Mas aquela pastelaria, aquele casal que está lá há mais de 40 anos, nunca foi vistos como vizinhos. Sempre como "família". Não cheguei a conhecer os meus avós paternos, portanto, toda a vida vi aquele casal como os meus segundos avós...
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De Patricia Carvalho a 28.05.2014 às 12:35

No prédio onde vivo ao fim de semana e nas férias é um corropio de miudos a subir e a descer escadas para irem brincar uns com os outros. Até já têm horas marcadas para baterem às portas sem interromper os sonos dos mais novos e dos mais velhos!
Até estranhamos quando eles não aparecem :)
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De Anónimo a 28.05.2014 às 11:32

Realmente, olhando para trás que riqueza que eu tive e que agora falta aos meus filhos...os vizinhos de toda a nossa vida. Nos Olivais, onde vivi era assim: vizinho = a família.
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De Elsa a 28.05.2014 às 11:26

Teresa, peço desculpa por este comentário não ter diretamente a ver com o seu post , mas a propósito do "Dia do Europeu dos Vizinhos", lembrei-me de lhe pedir, se possível claro, que divulgasse este tema, que me parece bastante adequando neste blog.

A Confederação Europeia de Famílias Numerosas ELFAC - European Large Families Confederation ), representada em Portugal pela APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, está a propor a instituição do “Dia dos Irmãos” a nível internacional e também no nosso país, apontando como dia da sua comemoração o dia 31 de maio . Para mais informações: www.diadosirmaos.org
Link para a petição online: http :/ peticaopublica.com /pview.aspx?pi=PT73628

Muito obrigada,
Elsa

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