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Agarrem-me senão eu mordo-o! #3

por João Miguel Tavares, em 28.05.14

Vamos então à entrevista do doutor Carlos González, mas não sem antes fazer um aviso prévio: eu nunca li nenhum dos seus livros, e é possível que nunca venha a ler, até porque o mais famoso tem nome de bolero mexicano - Bésame Mucho -, inclusivamente em Portugal. Confesso que tenho alguns preconceitos acerca de livros de pediatras com títulos de boleros mexicanos. Por isso, limito-me a comentar o que está escrito na entrevista, que eu consigo perceber que seja uma simplificação do seu sofisticadíssimo pensamento.

 

Aliás, para não acharem que isto é só má-vontade, devo dizer que concordo com algumas coisas do que ali é dito. Por exemplo (palavras dele a itálico negro, palavras minhas a redondo):

 

Defendo que devemos tratar os nossos filhos com carinho e respeito. O que se passa é que alguns pensam que podem amar os filhos sem ter de lhes pegar ao colo ou consolá-los quando choram.

 

Ainda existe alguém em 2014 que não pega filhos ao colo ou recusa consolá-los quando choram? Pelos vistos, sim. E aí, não há como discordar de González: sim, por favor, peguem nas crianças ao colo e mimem-nas, ok? Isso é importante.

 

As crianças pequenas despertam várias vezes durante a noite, quase a cada hora e meia ou duas horas, sobretudo entre os quatro meses e os dois ou três anos. Para os pais é muito incómodo terem de se levantar três ou cinco vezes por noite para cuidar do filho. Por isso, muitas famílias descobrem que é mais cómodo dormirem todos juntos.

 

Sim, também me acontece muito: há alturas que estamos tão cansados que lá temos de aturar o puto na nossa cama. E também há alturas em que um dos miúdos tem um pesadelo tão assustador que eu tenho de ir dormir para a cama dele. Mas isso são excepções. Excepções. Acontece. Mas, quando falamos da cama do casal, o filho ir lá parar deve ser, em primeiro lugar, uma resposta à necessidade do casal, e não da criança. É um "anda para aqui que eu estou morto", nunca um "anda para aqui que isto é tão fofinho e eu gosto muito de agarrar o meu novo peluche de carne e osso". As crianças não são peluches nem Nenucos. Têm vida própria.

 

E isto até por questões técnicas e por causa de actividades frutuosas, que certamente o senhor González achará desinteressantes, como, por exemplo, pinar. Pinar, estão a ver? Truca-truca? Aí está uma coisa que, apesar de estar casado há muitos anos, me continua a divertir, e de vez em quando apetece. E apetecendo, se seguirmos os conselhos do Dr. González, de repente olhamos para o lado e está um a mais na cama. É verdade que podemos enveredar por uma abordagem kinky, do género, "querida, vamos tentar fazer isto sem que ele acorde", o que até pode ser um desafio interessante. Mas, por amor de Deus, a regra tem de ser "putos fora da cama". Sempre. Quanto mais cedo, melhor. Eles que vão à vida deles. Eu não existo para os servir. Repetir 100 vezes: "O sentido da minha vida não é servir os meus filhos." Mais: comecem a dormir com eles todas as noites e depois perguntem-se porque é que o vosso casamento já viu melhores dias.

 

Os vegetais são muito saudáveis, mas o importante não é quantos vegetais comemos aos nove meses, mas sim durante toda a vida. Obrigar um bebé a comer muita verdura, fazer com que este a odeie e, de seguida, deixar de tentar é um desastre. Se o deixarmos estar, comerá pouco na infância e, uma vez crescido, comerá mais.

 

Eh pá, esta vou deixar para a excelentíssima esposa responder, ok? Das duas, uma: ou o González tem razão e a minha mulher anda a enganar-me há 10 anos, ou então ele está a querer implodir tudo o que é aconselhado por respeitáveis nutricionistas. Mais: a minha experiência pessoal desmente-o completamente. Os meus filhos não gostam de todos os vegetais, mas cada um deles gosta muito de certos vegetais. E isso é simplesmente porque se habituaram a comê-los. Se o menino não gosta não come, é? A sério: o homem frequenta mesmo crianças à hora das refeições? Os putos, como princípio de vida, não gostam de nada do que é novo. Têm zero curiosidade nesse aspecto. Temos quase sempre de os obrigar a provar. E depois provam e - voilà - muitas vezes passam a gostar.

 

O que fazemos com os maridos ou esposas que são desobedientes ou manipuladores? Com os namorados, amigos, parentes ou empregados? Será que os adultos nunca fazem nada de mal? Claro que sim, mas não os punimos (a não ser que cometam um delito que apenas os juízes podem punir). Eu não castigo a minha esposa ou os meus amigos, vizinhos, taxistas… Como médico não castigo os meus pacientes nem a minha enfermeira. Porquê castigar apenas os meus filhos? Que terão feito eles de tão terrível para merecerem um castigo? É absurdo.

 

OK, aqui entramos na parte dos castigos, mas antes de discutir os castigos propriamente ditos (se calhar é melhor deixar isso para outro post, que este também já vai longo), quero discutir a comparação, que é daquelas que me deixa doido: AS CRIANÇAS NÃO SÃO ADULTOS!!! Por isso é que umas se chamam crianças e as outras se chamam adultos. Por isso é que nós somos legalmente obrigados a cuidar dos nossos filhos, mas não somos legalmente obrigados a cuidar dos nossos pais. Por isso é que eles não podem votar, nem casar, nem conduzir um carro - e nós podemos. Que raio de comparação é esta?

 

Como é que este grande defensor do poder da "intuição", do "não é preciso ler livros para aprender a ser pai" (concordo com ambas as afirmações), depois dinamita com estas comparações absurdas aquilo que a mais pura intuição nos diz - que existe uma caminhada de 16, 18, 20, 22 anos (depende muita das personalidades) até o homo sapiens se tornar um adulto independente, capaz de cuidar da sua própria vida? E até chegar a esse ponto, ele está ao nosso cuidado. A sua formação é responsabilidade nossa. E educar e socializar é um processo que implica retirar a criancinha do seu estado puro e selvagem, de forma a que aprenda a segurar nos talheres e a cumprimentar os vizinhos. 

 

Aliás, até entre adultos a sua comparação é estúpida. Porque, de facto, nas relações profissionais, existe uma hierarquia que manda, pune e castiga. Portanto, nem entre adultos a sua afirmação é verdadeira. Sempre que há hierarquia há poder e violência (é ler o Foucault), e a não ser que o doutor González queira também acabar com a hierarquia entre pais e filhos, eu francamente não sei como se educa sem se castigar. Admito perfeitamente que não se bata. Mas não castigar de maneira nenhuma? Só pode estar a gozar comigo.

 

"Ah, espera", dizem os seus admiradores: ele não diz que não devemos impor limites. Diz apenas que não devemos castigar. Peço então encarecidamente a quem leu o livro com nome de bolero mexicano que me explique como é que isso se faz: como é que se impõem limites sem recorrer ao castigo? Agradeço por antecipação. E a prosa continua amanhã, que o González é um poço sem fundo.

 

 O beatífico Carlos González, numa foto onde já parece ter transposto as portas do Paraíso

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publicado às 21:34


32 comentários

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De Jorge Queiros a 02.06.2014 às 22:04

"Como se impõe limites sem recorrer ao castigo!?!?"
Acho que na própria interrogação encontramos a origem e a solução para o problema...os limites não se impõem, vão crescendo natural e gradualmente com os exemplos que vêmos à nossa volta...
Somos seres que aprendem por imitação certo!?Temos a tendência de querer pertencer "ao grupo"...isso faz parte do ser humano...
Logo os nossos filhos fazem aquilo que nós fazemos, comem aquilo que nós comemos, dormem quando nós dormimos...certo!?Ou talvez não...
Se calhar os problemas começam porque queremos que os nossos filhos façam o que dizemos e não o que fazemos...
Eu falo por experiência própria, fiz "co-sleeping" (partilha de cama com o bébé) desde os 0 meses, andei de "sling" em casa, na rua, no shopping, no parque, etc...ou seja o bébé estava em permanente contacto comigo ou com a mãe, observava tudo, aprendia, explorava, imitava...
Tudo isto fez com que a criança se adaptasse muito mais facilmente ao mundo novo que a rodeava.
Como é óbvio e como em todas as crianças, fez/faz asneiras mas os seus limites nunca foram impostos...ela arruma o quarto porque desde de bébé que vê de perto os pais a fazê-lo, come a quantidade que quer porque nós também não temos o mesmo apetite todos os dias, brinca com lápis e canetas mas sabe que só pode riscar no papel porque isso lhe foi demonstrado e não imposto...
Como podemos dizer a um filho nosso para não gritar se o tentarmos impor aos gritos!?!?Como podemos fazer compreender a um filho que não se bate se lhe damos uma palmada no rabo quando ele nos levanta a mão!?!?Assim não funciona...
Dêem o EXEMPLO, partilhem TEMPO e ESPAÇO com os vossos filhos e vão ver que os limites nascem naturalmente...
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De Jiariel a 03.06.2014 às 10:00

Exactamente!! Não podia concordar mais....
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De Joana a 29.05.2014 às 23:03

De facto comenta levianamente se nunca leu um livro dele. Li vários, incluindo o do bolero e os que não estão traduzidos em português, e não me atreveria a fazer afirmações sobre as teorias do Dr CG com o grau de conhecimento que o JMT tem.
Deixo apenas duas sugestões, primeiro as entrevistas são muito bonitas mas não fazem jus às teorias do CG, leia primeiro e depois falamos. Segundo, porque não (re)descobrir os prazeres do truca-truca fora do leito?
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De Mário Cordeiro a 29.05.2014 às 16:29

Se não há castigos e admoestações, então também não há prémios? E então transpor essa teoria para a escola? Quando um menino da EB2 se levanta e começa aos berros a chamar "vaca" à "s´tora" (caso real), a professora dirá, "meu querido, sabes que eu não pertenço ao gado muar, estás equivocado quanto à classificação de Lineu. Mas vem até aqui porque precisas de carinho, de enlevo e de afecto, para ver se para a próxima vez me chamas "mamífera" ou qualquer coisa mais adequada à minha taxonomia animal... ai Gonzalez, Gonzalez... por isso é que o Barça perdeu o campeonato...
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De Pedro a 03.06.2014 às 16:26

E qual é a sua sugestao de castigo? Uma palmada? E quando for adolescente, andam à porrada?

E que tal fazer o que sempre se fez, tem que sair da sala e esperar que a aula acabe (que nao é um castigo, é apenas a consequencia natural da incapacidade momentanea de comportamento adequado em sociedade) e comunica-se aos pais o que sucedeu e estes tem uma conversa com o filho?

E o mesmo vale para premios. Isso do castigo e premio cria adultos sem nocao do bem e mal, apenas com logicas de custo-beneficio para o proprio.

E digo-lhe mais. Na minha escola havia um continuo que nos ameacava de pancada, e chegou a faze-lo uma ou outra vez. Quando chegamos a adolescentes, acabou-se a brincadeira... Aos que nunca nos faltaram ao respeito, nos ouviamos e iamos acomodando os pedidos...
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De Ana Maria a 29.05.2014 às 11:27

Acordou zangado, JMT :)

--> antes de mais: este comentário é a minha opinião, fruto da minha experiência, das minhas circunstâncias. Outra mãe com outra experiência, outras circunstâncias, está no direito de discordar com aquilo que digo. E eu, com as minhas, de discordar com aquilo que outros disserem sobre o mesmo assunto<--

Eu gosto da filosofia do CG. Ainda sem ter lido nada dele (e mesmo ainda sem conhecer esta coisa da parentalidade positiva) já eu tentava aplicar, cá em casa, algumas coisas que defende: não castigo, não grito, não bato. Quando a mais velha faz alguma asneira das grossas (dentro daquelas que uma garota de 5 anos consegue fazer) é repreendida, explico-lhe o porquê de ser errado, e não a deixo fazer de novo. Não grito - o que querem, acho que se eu gritar ela grita mais, e depois eu tenho de gritar mais ainda, e fico com dores de cabeça... prefiro baixar o tom, e falar de forma mais grave - nem bato. Até agora - friso, ATÉ AGORA - não foi preciso. Quando for, logo verei.
Não castigo mas imponho limites: quando ela ouve "CHEGA", sabe que chega, quando arregalo os olhos sabe que já está a esticar a corda. E a coisa fica por ali.
Quanto à comida, passámos por fases, de acordo com a sua idade: em bebé comia tudo, nem que estrebuchasse e demorasse uma hora, porque - na minha opinião - os bebés têm de comer.Se não comem, ficam com carências, e se ainda andam nas fases das sopas e papas não as vão compensar com outros alimentos. Por isso, comia. Agora, maiorzinha, há dias em que enrola, enrola, e não quer comer, e a coisa é mais "tensa". Ainda assim, não grito: se ela andou a petiscar o tempo todo, comeu fruta, comeu pão (porque eu deixei), e depois come a sopa, para quê fazer drama? Se, pelo contrário, não comeu nada, come a sopa, come o prato, come a fruta. Demora, mas come. E sem aviõezinhos, que com cinco anos isso já não se justifica.
Não há fórmulas perfeitas, e isto de ser pai/mãe é um pouco navegar à vista: ora afastamo-nos da costa, ora regressamos. Vamos indo e vendo.

E, mais uma vez: esta forma de educar é resultado da minha experiência, e é baseada naquilo que eu acho que deve ser a educação de uma criança e aquilo que ela (a criança) me "deixa" fazer.
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De Conceição M. a 29.05.2014 às 11:25

Já me ri um bocado no meu coffee break :)
Achei sublime a comparação que o comentador "Anacleto" fez das crianças com os cães! Foi pena esta discussão não ter ocorrido uns anos atrás - uma das regras lá de casa quanto ao capitulo escolar é que, salvo rarissimas exceções (se estiverem doentes ou tiver acontecido algo fora do vulgar), os TPC's têm de ser feitos. O meu filho mais velho, volta e meia, lá tentava ver se a "coisa" escapava ...sendo eu uma verdadeira megera, ameaçava à primeira e se a prevaricação continuasse, lá recorria eu ao traumatizante castigo de ficar uns dias sem computador. Se calhar a estratégia devia ter sido dar-lhe uns biscoitos de cada vez que ele... cumprisse com a sua obrigação (?!)
O certo é que a "pena" ou a ameaça da mesma ia resultando e durante aqueles tempos mais próximos, andava tudo direitinho...
Eu acho que os nossos filhos têm perfeita noção que às vezes as conversas não chegam e, apesar de não gostarem na altura, eles entendem a "justiça" de certo castigos - não estou obviamente a falar de castigos físicos ou desmesurados. Quando às vezes estou a conversar com eles sobre o que se vai passando na escola e eles vão contando situações de colegas que "se baldam" às aulas, que fazem isto ou aquilo... e eu fico admirada por os pais não lhes dizerem nada ou por terem repetidamente o mesmo comportamento, eles dizem-me: "então o que queres? os pais não lhes dizem nada - em vez de os castigarem, ainda lhes dão tudo o que querem..."
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De Anacleto a 29.05.2014 às 14:16

Conceição, quando eu era miúdo, ninguém me obrigava a fazer trabalhos de casa. Alias, todos pensavam que eu era demasiado burro para alguma vez me dar bem na escola. Não conheço os seus filhos, mas de certeza que não tiveram mais sucesso académico do que eu. Mas o importante aqui e discutir as ideias e praticas, e não autoridade. E sim, se já nem os cães são ensinados a pancada, porque achas que as crianças devem?
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De Conceição M. a 29.05.2014 às 15:52

Anacleto, quando eu era miuda e mais graúda também nunca ninguém me obrigou a fazer os trabalhos de casa - mas eu fazia-os! Por qualquer razão o Anacleto presume - já noutro comentário a um comentário meu o fez - que, ao não concordar inteiramente do a teoria do "deixá-los fazer", serei adepta da teoria "com pancada é que eles vão lá". A expressão "pancada" é, desde logo falaciosa. Embora não falte disso em Portugal, infelizmente, tenho a certeza que nenhum dos pais / mães aqui comentadores será defensor da "tareia", de uns açoites com cinto ou algo do género. Mesmo os que acham - como eu - que uma palmada no rabo ou na mão, na hora certa, às vezes é o melhor remédio ( tenho 2 filhos e as vezes que recorri a tal devem-se contar pelos dedos de uma mão e ainda devem sobrar dedos!) - daí a serem defensores da "pancada" vai um passo muito grande.
Quanto aos "castigos" - e obviamente não estou a falar de os fechar em quartos escuros, ficar sem comer, castigos físicos ou coisas do género - acho que muitas vezes têm de ser o corolário dos limites. Voltando ao exemplo dos TPC ou outras tarefas escolares - a minha filha, em regra, é muito cumpridora e responsável; quando alguma coisa já está a sair dos eixos eu ralho e aviso e a coisa encarreira. Já o meu filho sempre foi de esticar a corda para ver até onde é que ia ... e quando a coisa já não vai com conversas, com conselhos, com avisos, tem mesmo de ir de outra maneira - uns dias sem computador costumava dar resultado. Dizia a minha filha no outro dia: ah mesmo que tu me quisesses castigar, podias-me tirar o computador à vontade que isso não me fazia diferença... Mas como a minha mente megera não pára, respondi-lhe logo: mas para ti o castigo seria diferente - não te deixava sair com as tuas amigas para passear no Centro Comercial durante uma semana ou duas!
Por isso Anacleto não fique preocupado - não os deixo fazer o que querem, ralho com eles e às vezes castigo-os (retirando-lhes temporáriamente algo que eles gostam, por exemplo), até lhes dei uma ou duas palmadas no rabo quando eram pequenos... mas amo-os muito, dou-lhes muito mimo, nem os obrigo a comer mão de vaca ou outras coisas que eles não gostem e, tendo acertado algumas, tendo errado outras, de uma coisa eu tenho a certeza absoluta: de que os meus filhos sabem que, aconteça o que lhes acontecer, podem contar comigo.

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De Simplesmente Ana a 29.05.2014 às 11:00

Em relação à questão de obrigar a comer vegetais (ou outra coisa qualquer) a verdade é que não há muito a fazer. O pediatra não diz para não oferecer, mas para não obrigar. A minha come e, amiúde, vou-lhe apresentando novas comidas (para além dos vegetais). A questão é que não a posso obrigar a comer o que não gosta no momento. Como é que se faz? Com um funil? Com chantagem? É esperar que passe a mania, não?
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De Conceição M. a 29.05.2014 às 12:50

A Ana toca num ponto que para mim é particularmente sensível: a comida.
Eu tenho "traumas" com o obrigarem-me a comer coisas de que eu não gostava. Desde a minha mãe que achava que eu tinha de comer de tudo e às vezes as horas da refeição eram um filme de terror (até que, mais crescidita, percebi que, se fizesse "ronha" a minha mãe deixava-me sózinha a comer e eu ia deitar a comida fora..). No colégio, todas as 2ª feiras o almoço era peixe cozido com batata e cenoura - eu odiava cenoura! Conforme a pessoa que estava a vigiar os almoços, uma não me obrigava a comer a cenoura, a outra - com o argumento, se eu não vomitava era porque gostava - obrigava-me a comer a cenoura toda. Resultado a curto prazo, aos domingos eu tinha sempre dores de barriga e uma ansiedade enorme a pensar no almoço do dia seguinte e em qual das 2 estaria de serviço ao almoço; resultado a longo prazo, ainda hoje não como cenoura inteira - passo-a na sopa, ou para fazer arroz, ou ralada em saladas...
Ainda hoje detesto que tentem forçar-me a comer coisas que não gosto ou que insistam em que eu prove coisas que, à partida, não me despertam interesse nenhum em provar.
Em consequência disso, nunca fui capaz de forçar muito os meus filhos nas questões alimentares - ainda hoje não o faço. O meu filho por exemplo nunca gostou de vegetais/legumes cozidos inteiros - lá em casa há sempre sopa rica em vegetais/legumes no puré; o arroz de cenoura leva cebola e cenoura desfeitas; a carne estufada tem o molho enriquecido com legumes e depois vai de varinha mágica...
A minha filha, desde bébé, que resistiu à fruta - em geral todos os bébés gostam de fruta porque é docinha, a minha vomitava tudo e, pior, tive tanta dificuldade em que ela começasse a comer a papa e, quando introduzi a fruta, deixou de comer tudo quanto viesse em colher. Foi um verdadeiro castigo, porque ela parecia adivinhar o que era fruta e cuspia tudo - durante muito tempo, a unica fruta que comia era a papa de maçã que vinha nuns boiões (eu que nunca fui adepta de boiões!). E dizia o pediatra: coloque-lhe a fruta normal num boião que ela não dá por nada. Ai não que não dava! Mais tarde, com a fruta já inteira, lá ia comendo alguma, pouca e nem era de todas as variedades. Quando foi para o infantário foi outro filme. Começou a não querer ir, a chorar todas as manhãs... até que descobri que a obrigavam a comer fruta com casca a meio da manhã. Fui pedir para não a obrigarem - tive de ouvir ou sermão em como estava a educar mal a minha filha, que a fruta é necessária... Mas eu tenho um acordo com eles (o mais velho se se puder escapar à fruta, encantado da vida...) - lá em casa, em todas as refeições, têm de comer fruta - nem que seja, como ela faz, 1 morango ou 3 cerejas...
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De Simplesmente Ana a 29.05.2014 às 10:54

Eu também agradeço. Até porque gostava de não ter que castigar (mas castigo, enquanto estiver na ignorância).
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De Joana a 29.05.2014 às 09:56

Teorias da treta....

Não sei o que é pior: se o endeusamento das crianças, e a teoria ridícula que eles não mentem e têm maturidade para perceber certas situações ou se a teoria oposta que defende que as crianças nascem com ... manha !!?? e cruzes credo de alguém pegar um recém nascido ao colo quando chora porque ele pode-se habituar...

Eu sei que temos poucos filhos, e temos tarde, e que estamos muito isolados, mas usar um bocado de bom senso não custa e evita muitos dissabores.

Não vejo o que é que dar muitos beijinhos, e deixá-las dormir na nossa cama de vez em quando invalida que as obrigue a comer a sopa ou uma palmada quando é preciso.
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De Maria Isabel Prata a 29.05.2014 às 09:22

Pois eu aplico ao autor deste blog o conselho que o Dr. Mário Cordeiro lhe deu, não gastar mais um minuto com tão insigne pedagogo.


Como é que se impõe limites sem recorrer ao castigo ????!!!!
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De Anacleto a 29.05.2014 às 07:42

Caro JMT,

O seu copincha Dr. Mario Cordeiro pediu referencias cientificas como forma de descridibilizar um conceito com o qual não concorda (porque supostamente não existem). Pode então olhar para este site onde estão indicados dezenas de artigos que demonstram claramente que castigos não funcionam como método educativo, incluindo os supostamente pacíficos "time-out" (alguns deles escritos há 10 anos!). http://www.ahaparenting.com/_blog/Parenting_Blog/post/10_Ways_To_Guide_Children_Without_Discipline/

O meu conselho e que mude de pediatra o mais depressa possível, a não ser que o seu objectivo seja ter uma autoridade que o faz sentir melhor com as suas falhas como pai, em vez de ter um profissional que lhe da bons conselhos relativamente a saúde física e mental dos seus filhos. Obviamente que o direito a dizer bacoradas também se aplica ao Dr Mario Cordeiro, que ele pelos vistos aplica de forma bastante generosa.

Outro bom site para os leitores que só conhecem a pancada como método de educação (a Patricia, por exemplo) esta aqui: http://discipline.about.com/od/disciplinebasics/a/The-Difference-Between-Consequences-And-Punishments-For-Kids.htm

O mais engraçado, e que já nem os caso são treinados a base de castigos, mas sim de reforço positivo. Parece que em Portugal, as crianças tem menos direitos que os cães!!!
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De Blog Profissão Mãe a 29.05.2014 às 11:16

Gostei bastante do que escreveu... e acrescento que fazer disto uma guerra de pediatras e colocar os pais no barulho confundindo-os é ainda mais triste.
Fiquei absolutamente "duh" com o comentário do Mário Cordeiro, não o fazia assim...e reforço o que digo não é por não estar de acordo, mas sim a forma rude como respondeu à questão sobre as ideias do colega.
Safa em boa hora fiquei com a irmã dele como Pediatra (Drª Isabel Cordeiro, é uma porreiraça e mesmo que não concorde que é o caso pois falávamos mt sobre pediatras e afins (até pq eu tinha um portal de bebés onde ela colaborava tb, passo a pub dobebe.com) ela nunca, mas nunca foi rude se não concordava com outras teorias...dava-me a sua opinião e dizia você é a mãe...
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De Antonio Cunha a 29.05.2014 às 13:29

Ah os Americanos...

esses grandes monstros da educação !

Caminhamos para a glorificação e endeusamento das criancinhas que depois na idade adulta se tornam autenticos parasitas sem o minimo de autoestima.

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De Anacleto a 29.05.2014 às 14:06

Ah ok, reduz décadas de investigação cientifica a um estereótipo fácil! Ai esta uma argumentação solida e considerada. Deixe-me adivinhar, também apanhou uns belos tabefes que não lhe fizeram mal nenhuma em criança, certo?
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De Anónimo a 29.05.2014 às 14:36

Anacleto, se olhar para as suas argumentações ("eu nao resolvo as coisas com os adultos às palmadas", adultos esses que nao sao sua responsabilidade e com os quais se pode deixar de relacionar se quiser), nao me parece que esteja em boa posição de criticar a argumentação dos outros, porque a sua também é incoerente e não "sólida". Até posso entender o seu ponto de vista, mas aquele seu argumento foi um tiro muito mais ao lado do que o que aqui critica.
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De Anacleto a 29.05.2014 às 15:31

Explique la então porque e que se acha que resolver problemas com adultos as palmadas não e correcto, mas com crianças e? E que ate agora e só afirmar que crianças não são adultos, mas nunca há uma explicação sobre porque e que acham que essa diference torna bater em crianças correcto. A mim parece-me que você não gosta que lhe coloquem questões difíceis que não sabe responder... mas sim, a minha argumentação que falha, pois claro!

Mas diga-me la uma coisa, você tira prazer em bater nos seus filhos (se e que os tem)?

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