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Na quarta-feira, o Tomás escreveu na escola uma descrição da aldeia de Piódão, suponho que a partir de alguma fotografia que a professora tenha mostrado à turma na sala. À noite, disse-me, pela primeira vez, que tinha de passar o texto a limpo no computador. E assim fez.

 

Abri-lhe um documento Word, explique-lhe onde se apagava e se fazia parágrafos, e ele lá copiou o seu texto. No final, eu dei apenas alguma ajuda na formatação, num par de vírgulas e pontos finais e em duas ou três repetições de palavras, que pedi para ele tirar.

 

 

O texto, como se pode ver, não tem nada de especial - é uma descrição normalíssima de uma criança do terceiro ano (aquele 2.ºA é ainda o fantasma do ano lectivo anterior a falar). Mas, apesar de toda esta banal normalidade, vocês não podem imaginar o orgulho que o Tomás sentiu na transposição do manuscrito para o computador.

 

Quando viu a página impressa, acho que teve uma reacção semelhante à minha quando olhei para o primeiro texto assinado "João Miguel Tavares" no Diário de Notícias, em 1998. Género: "Eu fiz uma coisa importante!" À primeira ainda olhei para o Tomás com ar "what the fuck is he bragging about?", mas depois tentei emendar o desinteresse e acompanhá-lo na sua felicidade.

 

A verdade é que, muitas vezes, quando estamos mais desatentos, não percebemos como para eles pode ser completamente novo o que para nós é absolutamente banal. "A aldeia do Piódão" foi o primeiro texto que o Tomás escreveu e imprimiu em computador. Claro que era uma coisa importante para um menino aplicado como ele é - e uma chamada de atenção para um pai distraído como eu sou.

 

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publicado às 16:01


12 comentários

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De Antónia Guerra a 22.09.2014 às 11:59

E a Professora explicou o porquê das casinhas, inclusive a igreja serem azuis?!

:D
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De Joana Mendonça a 21.09.2014 às 00:27

Que lindo :)
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De Mário Cordeiro a 20.09.2014 às 23:07

Quanto à questão dos TPC, creio que o Tomás fez este texto no seguimento do que eu defendo: trabalho de pesquisa, e não "mais do mesmo"..., estilo "n" fichas de matemática ou outra "seca" qualquer.
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De Mário Cordeiro a 20.09.2014 às 23:03

Se ouvir, como ouve, bom português; se ler, como lê, livros portugueses, falará melhor português e, aproveitando o ADN, virá a escrever impecavelmente, seja como jornalista, seja como escritor. Parabéns!
Quanto ao cerne da questão, só uma frase: «Força Tomás, directo ao "pão por Deus"». Manter as tradições e ter orgulho nas nossas raízes faz-nos humanos e imortais!
Bom fim-de-semana.
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De marta a 20.09.2014 às 12:24

não sou professora mas parece.me muito bem escrito..é oficial: vai ser jornalista como o pai..
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De de que são feitos os dias a 19.09.2014 às 23:49

Viva o TPC do Tomás! Cá em casa, o acontecimento semelhante que tivemos foi a criação da própria conta de email... que crescida se sentiu!
E agora diga-nos sinceramente... acha mesmo que este TPC foi "uma agressão aos direitos das crianças"? Sabemos que não...
Nesta questão, como em tudo na vida, acho melhor evitarmos "fundamentalismos" e generalizações, até para não corrermos o risco de sermos injustos.
Bom ano lectivo para todos, com tempo para trabalhar e para brincar... e nos TPC, que seja como nas receitas: q.b. (quanto baste)!
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De Helena a 19.09.2014 às 22:30

Aí está um excelente exemplo do que pode advir de um TPC (passar a limpo um texto no computador): "coisas simples de que eles se orgulham" e experienciam com os Pais.
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De Adriano França a 19.09.2014 às 22:16

Para mim para além da conquista de uma nova capacidade aprendida o que me cativou mais foi mesmo o próprio texto porque dá ênfase àquelas pequenas coisas que já ninguém parece reparar e na nossa sociedade damos muitas coisas como adquiridas sem pensar que por detrás de tudo o que temos à nossa disposição existe uma enorme evolução tecnológica que penso que neste momento está a ficar insuportável principalmente nas grandes cidades.
As nossas cidades deveriam ser mais verdes e inseridas na própria natureza mas o Homem tem o dom de destruir e esgotar os recursos naturais só se preocupando com o presente e com dinheiro sem pensar que tipo de planeta vamos deixar para os nossos filhos.
É realmente na simplicidade que deveria estar o nosso foco diário mas ao invés complicamos o que é fácil .
Penso que os nossos antepassados neste aspecto tinha uma melhor qualidade de vida.
Parabéns ao Tomás por conseguir ter uma clarividência que falta a alguns adultos.
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De ... a 19.09.2014 às 22:45

Idem. Confesso, isto não é o "banal" de composição de aluno da terceira classe. Curiosa para ver composições dele nos 12, 13 anos. Mesmo!! E não, não é o elogio do "wow, começou a andar com 10 meses 3 dias e meio", a verdade é que gostei mesmo do que ele evidenciou.
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De Maria Eugênia Cruz a 19.09.2014 às 21:46

E não é que na simplicidade está a verdadeira beleza... Fiquei com vontade de ir ao Piódão...

Parabéns por essa belíssima criança!

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De espalha brasas a 19.09.2014 às 21:21

a graça nunes já disse o que eu vinha dizer.

vão.

bom fds.

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