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Deus e o planeamento familiar

por Teresa Mendonça, em 17.10.14

Depois de me dar conta da cavalgada retórica e espiritual a que se assistiu neste blogue no dia de ontem, não podia deixar de vir aqui dar a minha opinião como segunda metade do casal cuja compostura sacramental foi posta em causa. Antes de mais, deixem-me dizer-vos que tenho pena de não ter pedalada para acompanhar o decorrer das discussões interessantes que se geram neste blogue. Imagino até que por vezes pareça leviano deixar de o fazer. Mas a minha vida profissional não me permite andar a tratar da vida das pessoas com os neurónios cansados por noitadas ao computador, descontando as que por obrigações familiares e profissionais me são impostas.

 

Contudo, tenho algumas coisas a dizer. Comecemos pelos métodos anticonceptivos naturais, que foram aqui ridicularizados e elogiados. Factos são factos, e nem sempre o que anda na boca de toda a gente é verdade. Há vários métodos chamados naturais, com eficácias muito diferentes. O método da ovulação Billings (lamento contrariar a maioria das pessoas) é tão eficaz na prevenção de uma gravidez como a pílula, desde que seja escrupulosamente cumprido e em mulheres em que possa ser aplicado.

 

Isto é válido para a grande maioria das mulheres que têm ciclos "irregulares" e até para pessoas iletradas ou cegas. Há estudos fidedignos, controlados pela World Health Organisation, que assim o confirmam. E é preciso entender que este método não serve só para evitar uma gravidez, mas também para ajudar mulheres a engravidar e a cuidar da sua saúde ginecológica e endocrinológica. Acho, muito sinceramente, que deveria ser ensinado nas escolas para que todas as meninas pudessem entender melhor os seus ritmos fisiológicos e identificar sinais de alarme na sua saúde futura.

 

Dito isto, urge explicar então o grande busílis do método - as regras altamente rigorosas que é preciso cumprir se o queremos usar para prevenir uma gravidez. Em traços muito grosseiros:

 

1) Não pode haver actividade sexual nos dias de maior fluxo menstrual.

 

2) Desde a menstruação até à identificação do "pico de fertilidade" (que precede em menos de 24 horas a ovulação) a actividade sexual tem que ser praticada em dias alternados, para o sémen não mascarar as características do muco.

 

3) Depois do pico identificado devem ser cumpridos três dias de abstinência.

 

4) A partir do quarto dia até ao próximo fluxo menstrual não há qualquer restrição na actividade sexual.

 

Pessoalmente, acho óptimo que haja imensos casais felizes que conseguem controlar a sua fertilidade com este método e parece-me completamente lógico que ele (e não o dos calendários ou das temperaturas isoladamente) faça parte da orientação da Igreja para a vida sexual dos casais católicos. Mas falo em orientação. Não em imposição.

 

Isto porque há imensos casos em que este método não pode ser aplicado eficaz e salutarmente por múltiplas e variadas razões. É bem verdade que a grande maioria das pessoas usa a desculpa dos ciclos irregulares para nem sequer tentar. É bem verdade que é muito mais fácil tomar um comprimido ou levar uma injecção mensalmente para conseguir viver uma vida sexual descontraída. É bem verdade que o valor da renúncia não é universal.

 

Mas não vejo como a Igreja deva impor (para dar dois ou três exemplos) a um casal que está a viver o drama de um cancro na sua vida, em que um deles está a fazer quimioterapia ou algum medicamento teratogénico e que por isso não pode engravidar, que não pode manter a vida sexual que a sua reduzida líbido lhe permitir e que tão bem lhe fará ao corpo e à alma. Nem como um casal que trabalha por turnos e que raramente se encontra entre os lençóis deva sentir o peso de estar a cometer um pecado quando o cansaço e o horário lhes permite fazer amor. Nem como pessoas que vivem em contextos sociais complicados, com dificuldades em entender a mensagem que lhes é transmitida, não poderão controlar a sua própria fecundidade sob pena de não serem aceites pela sua comunidade. Para mim, não é nada disto que o Deus Amor quer.

 

É claro que a pílula é um medicamento, e como tal serve, para além de anticonceptivo, para tratar muitas mulheres. É claro que não deve ser tomada por períodos muito longos e se isso acontece em geral está errada a abordagem médica subjacente. É claro que os efeitos secundários devem ser ponderados e evitados/ tratados. Mas há muitas situações, sim, em que a toma da pílula é recomendável.

 

Falou-se aqui de preservativos e como eles podem não ser um método eficaz em determinados contextos para evitar DSTs. Claro que sim. Nunca me esqueço, quando estive a trabalhar em Cabo Verde depois de acabar o curso de Medicina, de me aparecer na Delegacia de Saúde um homem zangado por ter feito como lhe recomendaram, usando o preservativo sempre que teve relações, e estar novamente com gonorreia. Foi uma situação anedótica: o homem vinha com o preservativo no dedo, e fora assim que o tinha usado durante as relações sexuais, tal como a higienista lhe tinha explicado.

 

Há muita dificuldade em transmitir informação por múltiplas e variadas razões, mas a utilização do preservativo já evitou incontáveis mortes por doença e há situações em que não existe alternativa. E a Igreja deve carimbar de pecador esses homens? Por favor. É claro que ainda temos muito caminho a percorrer até que cada pessoa neste mundo possa escolher responsável e livremente a sua vida sexual e a sua fertilidade, mas devemos dar um passo de cada vez, protegendo sempre (e para mim incondicionalmente) a vida humana.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:39
editado por João Miguel Tavares às 15:09


61 comentários

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De Anónimo a 22.10.2014 às 20:35

Familia: ¿Qué quiere la Iglesia?
José Maria Castillo
¿Qué quiere resolver la Iglesia en lo que se refiere a los problemas que más preocupan ahora mismo a la familia? Como es lógico, lo primero que llama la atención - y resulta difícil de explicar - es que los problemas que ha tratado el Sínodo no son los que más interesan y preocupan a la gran mayoría de las familias del mundo. El angustioso problema de la vivienda, el problema de un jornal o un sueldo con el que llegar dignamente a fin de mes, el problema de la salud y de la seguridad social, el de la educación de los hijos. Por lo menos, estos asuntos tan graves y que tanto angustian a la gente no han estado - que sepamos - como problema centrales en el orden del día de ninguna de las comisiones o de las sesiones del Sínodo.
Esto da pie para pensar o quizá sospechar - al menos, en principio - que quienes han preparado y organizado los trabajos del Sínodo son personas que pueden dar la impresión de que viven más preocupadas por los dogmas católicos y la moral, que predica el clero, que por los sufrimientos y humillaciones que están soportando muchas más familias de las que imaginamos. No hay que ser ni un sabio ni un santo para darse cuenta de esto. Para hacerse lógicamente la pregunta que acabo de plantear. Y que nadie me diga que los asuntos, que acabo de apuntar, son problemas que tienen que ser resueltos por economistas y por políticos. Por supuesto, lo que he dicho es asunto que concierne directamente a la economía y a la política. Pero, ¿sólo a economistas y políticos? Y entonces, ¿el sufrimiento, la dignidad, la seguridad y los derechos de la gente, los derechos fundamentales de las familias, no nos tienen que interesar, ni por ellos podemos ni tenemos que hacer nada?
Esta es la primera gran cuestión que, a mi modesto entender, tendría que interesar sobre todo - y antes que ninguna otra cosa - a la Iglesia, especialmente a sus dirigentes. Lo digo con tiempo, cuando todavía tenemos un año por delante para llegar a las conclusiones finales del Sínodo.
Pero, viniendo ya a los problemas que el Sínodo ha tratado, mi pregunta es la siguiente: a la Jerarquía de la Iglesia, ¿qué es lo que más le interesa y le preocupa? ¿gente que “se quiere”? o ¿gente que “se somete”? Confieso que estas preguntas se me han ocurrido pensando y recordando lo que yo mismo estoy viendo en el mundo eclesiástico desde hace más de 60 años, es decir, desde que ando metido en ambientes clericales. Lo mismo en España que fuera de España, lo que yo he palpado, en los ambientes de Iglesia, es que los problemas de la economía y los asuntos sociales no suelen preocupar demasiado. Porque normalmente tales problemas (en las instituciones eclesiásticas) están resueltos. Mientras que los asuntos relacionados con la ortodoxia dogmática (sumisión a la Jerarquía) y con el sexo (observancia de la moral), no sólo suelen ser muy preocupantes, sino que con frecuencia resultan casi obsesivos o rozando la obsesión. La consecuencia, que se suele seguir de este estado de cosas, y que la gente nota mucho, está a la vista de todos: los obispos no suelen hablar (o se limitan a alusiones genéricas) sobre la corrupción política y sus consecuencias, mientras que esos mismos obispos suelen poner el grito en el cielo si lo que se plantea es el problema de los matrimonios entre personas homosexuales o, en general, cuestiones relacionadas con el sexo. De ahí, por poner un ejemplo, la diferencia de trato que reciben, en tantos confesionarios, los capitalistas y banqueros o los gays y lesbianas.
Todo esto nos lleva - me parece a mí - a una pregunta mucho más radical: ¿por qué las religiones afrontan de manera tan distinta los problemas relacionados con “la propiedad de los bienes” y los problemas que se refieren al “cariño entre las personas”? Desde el punto de vista de la sociología, uno de los especialistas más reconocidos en esta materia, Anthony Giddens, ha escrito: “La familia tradicional era, sobre todo, una unidad económica. La producción agrícola involucraba normalmente a todo el grupo familiar, mientras que entre las clases acomodadas y la aristocracia la transmisión de la propiedad era la base principal del matrimonio. En la Europa medieval el matrimonio no se contraía sobre la base del amor sexual, ni se consider
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De Falar a Verdade a 21.10.2014 às 22:58

Bayer paga casi 2 mil millones de dólares por daños causados por anticonceptivos

https://www.aciprensa.com/noticias/bayer-paga-casi-2-mil-millones-de-dolares-por-danos-causados-por-anticonceptivos-26551/
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De manuel pires a 20.10.2014 às 23:35

E estes: http://www.ionline.pt/artigos/portugal/estes-casais-sao-catolicos-querem-defender-casamento/pag/-1
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De Anónima a 18.10.2014 às 22:02

Eu não posso tomar a pílula. Há 3 anos, tivemos um acidente com o preservativo. Como sou contra o aborto, não tomei a pílula do dia seguinte (que considero abortiva) mas confesso que achámos que a probabilidade de engravidar era escassa. Mas aconteceu.

Passados dois meses, perdi o bebé. Processo horrível de descrever. Muitas perguntas, muitas dúvidas.

Há uns meses, tive um atraso de 15 dias. Muitos testes negativos. Quando veio, parecia ser uma perda. No passado, tinha estado 3 semanas a perder, sem que alguém me explicasse o que se passava (muitas idas ao hospital).

Comecei a entrar em pânico. Não queria estar grávida, mas se estivesse grávida não queria voltar a passar pela perda.

E sobretudo, não estava a conseguir lidar com a possibilidade de não ter novamente controlo sobre a situação.

Até que li isto: http://www.christianitytoday.com/women/2012/february/unplanned-parenthood-blessing-of-inconvenient-pregnancy.html?paging=off

Não consigo colocar em prática, mas consegui entender. Faz-me algum sentido e acalmou-me. Apesar de pensar que controlo a situação, sei que pode voltar a acontecer tudo isto. Contudo, na verdade, Ele é que está a controlar e capacitar-me-á para o que vier.
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De João Miranda Santos a 18.10.2014 às 02:27

Ainda bem que a Teresa teve disponibilidade para vir aqui participar nesta discussão. Veio assumir a correcção da informação acerca do método de Billings, o que será um output essencial desta discussão. Já tinha sido dito em vários comentários mas como os católicos são intolerantes e arrogantes, aquilo que dizem, mesmo que esteja comprovado e reconhecido pelos profissionais da área, não é de confiança. É um bom exemplo de como o preconceito ideológico pode limitar as pessoas no aprofundamento do conhecimento. Perde quem o faz.

Apercebo-me que os católicos-"qualquer coisa" têm frequentemente anticorpos particularmente com os "carimbos" de pecadores que a Igreja põe ou deixa de por. Parece que vêem esta coisa do pecado como um atentado à sua pessoa, um por em causa do seu ser, no limite da sua perfeição. Questionam se a Igreja tem alguma coisa que dizer se Deus quer assim ou quer assado, se acha bem ou mal o que eu faço.

Ora, o pecado não é propriamente isto. O pecado não tem a ver com aquilo que Deus quer ou não quer. O pecado tem a ver com aquilo que eu quero. Deus quer amar. Deus é Amor. Deus só pode amar (é um livro do irmão Roger). E eu, o que é que quero? Quero deixar-me amar, ou ponho entraves à vontade infinita que Deus tem de me amar? Deus quer muito amar-me, mas só me ama se eu deixar, faz parte da maneira de ser d'Ele ;)

É aqui que entra o pecado. O pecado é errar o alvo. O alvo do amor sou eu. E Deus quer muito amar-me mas se eu não deixo ele não consegue. Eu sou o alvo do amor de Deus, mas se o alvo se desvia o amor não lhe acerta. (Se ajuda as referências, esta bela imagem também me foi transmitida por um jesuíta, Pe. Luís Maria da Providência, nuns exercícios espirituais).

Isto para dizer que a Igreja não determina o que é que Deus acha dos nossas acções (nem isso interessa, Ele ama-nos incondicionalmente, é sempre bom lembrar, por aí estamos safos). A Igreja então propõe caminhos para nós permitirmos que Deus nos acerte com o seu Amor. A Igreja, que é para os católicos mais do que um grupo de Homens, vai encontrando revelação de como é que cada Homem se pode abrir cada vez mais ao Amor de Deus, pôr-se a jeito de ser atingido por essa grande flecha. Sendo que deixar-se amar por Deus vai significar fazer parte dele, estar em comunhão (como acontece num casal que se ama, tornam-se como se fossem um). Daí a relação entre o pecado e a comunhão...

Isto ficou um bocado grande.. mas era para dizer que a Igreja não impõe nada quando diz que alguma coisa é pecado. E que não é Deus que quer que eu use métodos naturais para lidar com a fertilidade, mas sou eu que os quero usar porque acredito que assim estou mais próximo d'Ele (sim acreditar, isto é uma questão de fé, mas não é uma fé abstracta, é uma fé vivida/sentida/relacional).
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De Sn a 18.10.2014 às 08:52

João, não me batizo de "cristã qualquer coisa" mas sim, tenho muitos anti-corpos relativamente a alguns carimbos que a igreja põe. É que, infelizmente, muitos pastores da igreja vestem o papel de Deus e dizem e fazem disparates monumentais nas suas paróquias. Agarram-se a umas teorias lacradas pelo vaticano e esquecem a bíblia. Vi, vejo, muitas pessoas feridas e atingidas pela imbecilidade de alguns padres a ponto de as afastar da igreja. Da igreja, não de Deus.
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De Anónimo a 17.10.2014 às 15:49

São precisamente algumas das pessoas fundamentalistas que aqui comentam que me fizeram e fazem afastar da igreja. Tenho muita Fé em Deus sim, pouquíssima na Igreja, infelizmente.
Acho alguns dos fundamentalistas pretendem uma coisa, cativar pessoas, e pelo contrário afastam-nas. Felizmente o Papa Francisco está a tentar mudar algo.
Acho tão mau falarem em nome de Deus a dizer que Ele julga quem faz anticoncepcionais. Mas já falaram com Ele? Se efectivamente julgar há-de-se responder por isso, a Ele, não a vocês, nem à Igreja. Já pensaram que Deus tem coisas tão bem mais importantes para resolver e pensar que isso? Guerras, fome, miséria, assassinatos, roubos, tanta coisa bem mais grave. E a Igreja (ou alguns comentadores) está preocupada com anticoncepcionais? Sério? Continuem assim que realmente vão cativar muita gente.

Já estive muito ligada à Igreja, mas desde que vi, por dentro, a hipocrisia lá vivida comecei-me a afastar. Isto só me faz pensar que se calhar tinha razões para isso.
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De Marisa Santos a 17.10.2014 às 16:30

Revejo-me completamente no seu comentário.
Segui a vida religiosa até à idade adulta. Sentia-me bem na catequese e a frequentar a igreja, os encontros de jovens,etc. e tudo parecia fazer sentido. Apenas quando entrei "mais a fundo" na Igreja enquanto catequista me apercebi da hipocrisia e da incoerência extrema e comecei a questionar tudo. (foi tarde, mas foi)
Fé em Deus? sim. Nos homens/entidade (Igreja)? não.
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De M&M a 17.10.2014 às 19:30

Concordo com ambos e a minha história é idêntica à da Marisa, no entanto, ao qd me apercebi das incoerências continuei! Por achar que há coisas que estão mal, continuei para tentar mudar (pra melhor) o que me for possível!
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De Cromosdocosmos a 17.10.2014 às 23:26

E quem criou deus?
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De JP a 19.10.2014 às 22:19

Estava a faltar esta questão para atiçar mais a discussão :)

Considero-me católica mas com alguns anti-corpos. Depois de ler um comentário que alguém deixou por aqui (não sei se neste post ou no seguinte), percebi que posso ser considerada católica-qualquer coisa.

Discordo. Sou católica mas coloco muitas questões. E é por isso que acompanho com (muito) interesse o eterno debate entre a ciência e a religião. Como isto dá pano para (muuiiiitaaasssss) mangas, não me alongo mais e deixo o essencial sobre os fundamentos científicos de Stephen Hawking sobre a (in)existência de Deus:

https://www.youtube.com/watch?v=7L7VTdzuY7Y

E, claro, uma (das muitas) contra-argumentação:

http://theosophical.wordpress.com/2012/01/04/stephen-hawking-god-could-not-create-the-universe-because-there-was-no-time-for-him-to-do-so/

Quanto a mim, acabo por concordar com Stephen Hawking quando ele diz: "We are each free to believe what we want". A resposta está em cada um de nós. Nenhuma é correcta. Nenhuma é errada. É, apenas e tão só, a nossa.
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De Patrícia a 17.10.2014 às 13:29

Olá a todos,

No rescaldo de ontem, as palavras do Frei Bento Domingues (vale mto a pena ler toda a entrevista):

http://www.ionline.pt/artigos/portugal/frei-bento-domingues-sexo-nao-so-procriacao-relacao-entre-homem-uma-mulher-nao-so/pag/-1

" A Igreja não pode ser um conjunto de tabus. Muitas pessoas fazem determinadas coisas porque dizem que são um mandamento de Deus. Mas Tomás de Aquino disse: se eu faço uma coisa só porque ela foi mandada por Deus, talvez eu corra o risco de estar enganado. Talvez não seja Deus a mandar, talvez tenha sido eu a inventar. Eu só sou livre e verdadeiramente pessoa humana se tiver consciência de que faço uma coisa porque compreendo que ela é boa e evito outra porque percebo que é má. Jesus resumiu, aliás, todos os mandamentos em dois: amar a Deus e ao próximo. "

"O sexo não se trata só de procriação. A relação entre um homem e uma mulher não é só para ter filhos. "

"O prazer é a comunhão de toda a sensibilidade, mas a sensibilidade humana é também intelectual. Não é um afecto desligado. O ser humano é todo ele sexual. Somos sexo em tudo. As mulheres de uma maneira, os homens de outra e os dois para serem a alegria um do outro. Essa descoberta, redescoberta do valor da sexualidade, tem de ser feita. Não podemos andar a olhar para a relação sexual como um pecado. Nós não somos anjos. E o problema da sexualidade é um problema de antropologia. É o descobrir do ser humano nas suas múltiplas facetas. Não podemos pensar no prazer só em termos de pecado. "
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De Anónimo a 17.10.2014 às 14:28

Gostei!
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De JP a 17.10.2014 às 15:32

Gostei muito. Obrigada :)
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De Guida a 17.10.2014 às 12:59

Obrigada, Teresa, pelo teu post de hoje. Ontem foi um dia muito acelerado, e eu que tinha tanto para trabalhar no computador...

Tens razão em quase tudo o que dizes, mas penso que a Igreja é mais aberta do que tu a fazes parecer: claro que uma situação de doença no casal, ou uma separação forçada por questões laborais, ou uma epidemia a alastrar num país subdesenvolvido são exeções aceites pela Igreja em nome de um bem maior! Por outro lado, só deve seguir as orientações da Igreja quem está dentro dela, pelo que não entendo porque é que tanta gente que se diz ateia está preocupada e até indignada com o que a Igreja pensa sobre o assunto...

Seria muito bom se a "Teologia do Corpo" fosse mais divulgada. É o pensamento de São João Paulo II sobre o tema e é tão libertador... Também ele reconhece que a Humanae vitae foi infeliz na maneira como comunicou a norma ética relacionada com o ato sexual, mas curiosamente, depois de 4 anos a desenvolver esta teologia-pedagogia do corpo, chega exatamente à mesma conclusão!!! E agora, já nos altares, é o Santo Papa da Família...

A Igreja aponta e deve continuar a apontar para o ideal. O caminho da perfeição. O caminho da total realização humana. Caberá a cada casal tomar a melhor decisão para si em dada circunstância da sua vida. Mas para isso terá de formar bem a sua consciência, e escolher em total liberdade. Só isso o aproximará verdadeiramente de Deus.

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De Isabel Prata a 17.10.2014 às 15:09

isso não tira que nalguns países africanos de maioria católica dizimados pela SIDA, a população continue a não aceitar a utilização do preservativo por motivos religiosos,
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De Anónimo a 17.10.2014 às 15:45

"Por outro lado, só deve seguir as orientações da Igreja quem está dentro dela, pelo que não entendo porque é que tanta gente que se diz ateia está preocupada e até indignada com o que a Igreja pensa sobre o assunto..."

É que o que certos católicos ultramontanos querem fazer passar como sendo que é o que a Igreja pensa sobre o assunto não é bem assim. Muita outra gente, DA HIERARQUIA, para não falar dos leigos que também são IGREJA pensa diferente. Mas outros católicos que só têm acesso aos ultramontanos pensam que estão em pecado, que a sua relação com Deus está em perigo e sofrem gravemente com isso.
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De Anónimo a 17.10.2014 às 12:42

Teresa,
Caso tenha tempo gostaria de saber a sua opinião sobre o aparelhos 'PERSONA', caso conheça. Não sei se estão à venda em Portugal mas encontrei noutros países da europa. O aparelho "lê" pauzinhos nos quais se urina e analisa os níveis da hormona luteinizante. Todos os dias é necessário ver o aparelho, que indicará uma luz verde, vermelha ou amarela. Os dias amarelos (8 em cada ciclo) são os dias em que é necessário urinar para o pauzinho e pô-lo no aparelho. Mais ou menos 5 minutos depois, a cor muda para verde ou vermelho. Penso que existe uma relação entre o método Billings e os níveis de hormona luteinizante. (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12201328 )
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De Ana a 17.10.2014 às 12:35

JMT, a tua mulher tem muito nível!

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