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Dificuldades de aprendizagem #2 (uma história de sucesso)

por João Miguel Tavares, em 29.10.14

Eis uma belíssima partilha de uma leitora, a propósito deste post, que nos demonstra como ainda estamos tão longe de compreender como funcionam as nossas cabeças e as cabeças dos nossos filhos. Talvez sirva para acalmar os pais mais ansiosos (os cá de casa incluídos):

 

A opção de procurar um psicólogo (um bom) parece-me a melhor, pois ajudará a perceber o que se passa e a definir as estratégias adequadas e que não prejudiquem a relação mãe-filha (que não deve ser mãe/professora-filha!).

 

Mas já agora conto um pouco da minha história: Também eu tenho um irmão mais velho muito inteligente, bom aluno e que sempre teve boas notas a tudo (5 a quase todas as disciplinas). Era daqueles meninos que as professoras adoram e consideram exemplar! Eu não. As notas eram medianas, os professores diziam que eu era pouco interessada, pouco aplicada, faladora, distraída, etc... Aparentemente também diziam de mim "ela até é inteligente, mas isso não se vê nos resultados". É verdade que eu sabia muitas coisas, mas nada daquilo que era perguntado nos testes. A questão da comparação com o mais velho não ajudava, claro. E sei que os meus pais sofriam bastante com isto.

 

À medida que o tempo foi passando, as coisas foram mudando um pouco, apesar de eu não saber exactamente qual foi o mecanismo. É verdade que os meus pais sempre foram exigindo que eu tivesse boas notas. Penso que com o avançar da escolaridade, os temas me iam interessando cada vez mais (o salto maior no meu desempenho foi a partir do 9.º ano, altura em que há uma maior especialização das matérias escolares, indo mais ao encontro do que os alunos gostam). Acho também que é a partir dessa altura que se valoriza mais um pensamento menos convencional (e eu acho que às vezes era um pouco "fora da caixa")...

 

Hoje posso dizer que sou um exemplo de sucesso académico: sou doutorada, sou boa no que faço, sou procurada pelos meus colegas para fazer - ou ajudá-los a fazer - as coisas complicadas.Na altura (isto foi há 30 anos) não havia o acesso a psicólogos que há hoje. Não sei se teria ajudado ou não. Continuo a achar que para o seu caso, o psicólogo é a melhor opção. Mas acrescento que às vezes também é preciso saber entender a inteligência dos miúdos e utilizar estratégias alternativas de aprendizagem, pois eles não são todos iguais. Alguns são apenas menos convencionais e mais "out of the box"! (JMT, acho que se calhar é isto que se passa como o Gui!)

 

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publicado às 10:45


3 comentários

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De Ana Cunha a 30.10.2014 às 23:12

JMT já há muito que lhe queria falar dum outro tipo de escola em que o ensino foge ao convencional. Já ouviu falar da Escola da Ponte em Santo Tirso? Se puser no google encontra facilmente e pode ver a reportagem da TVI a propósito da escola. Parece-me um método de ensino muito interessante e no qual as crianças que não se adaptam ao ensino tradicional poderiam encontrar soluções. Que eu saiba é a única escola em Portugal nesses moldes. Quem me dera que houvesse uma no Porto...
Já agora recomendo também o documentário "la educacion proibida" sobre o mesmo tema. Dá que pensar!...
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De Sandra a 05.11.2014 às 15:11

Ana Cunha: Penso que a Escola da Ponte segue (ainda que em traços largos, não conheço bem) o Método Escola Moderna (MEM), certo? No Porto existe, pelo menos, uma escola, privada, que segue esse método no 1º ciclo (OSMOP, em Costa Cabral, Porto).
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De Anónimo a 29.10.2014 às 11:59

Excelente partilha João! Cada vez acho mais interessante o seu blog!

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