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Eu sempre soube que era um bocado gaja

por João Miguel Tavares, em 11.07.14

 

A minha amiga Inês Cardoso enviou-me um link provocador da revista Visão, a propósito de um estudo levado a cabo pela Universidade do Minho, onde se conclui que a a conexão emocional de um pai com um recém-nascido é mais rápida do que a conexão emocional da mãe. Ora leiam:

 

As dores do parto podem interferir na "disponibilidade" da mãe para se ligar afectivamente ao bebé, pelo que são os pais quem, com maior frequência, sentem "amor à primeira vista" pelo filho recém-nascido.

 

Num comunicado enviado hoje à agência Lusa, a academia minhota explica que o estudo "Mães e Pais - Envolvimento Emocional com o Bebé", de uma investigadora da Escola de Psicologia daquela universidade, Bárbara Figueiredo, contraria crenças populares ao defender que o "amor" da mãe com o filho "nem sempre é instantâneo".

 

Segundo Bárbara Figueiredo, cujo trabalho envolveu mil progenitores, "a reação de amor imediato é, de facto, mais comum nos homens do que nas mulheres".

 

A acreditar no estudo, e tendo em conta a minha experiência de pai de quatro, sou obrigado a concluir aquilo de que sempre desconfiei e do qual alguns colegas de trabalho já me chegaram a acusar: eu sou uma gaja.

 

O que não tem mal, não implica uma mudança drástica na minha vida, pois posso perfeitamente continuar heterossexual, na medida em que a minha mulher é um gajo.

 

Cá eu, conexão emocional com bebés é pouco mais do que zero. Amor à primeira vista com recém-nascidos, nunca me aconteceu. Já a excelentíssima esposa é só festinhas e embevecimento.

 

Portanto, resta-me agradecer à Universidade do Minho por me ter ajudado a finalmente sair do armário. Muito obrigado.

 

 

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publicado às 11:25


8 comentários

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De Ana Maria a 13.07.2014 às 23:34

Tive duas experiências, diferentes para cada filho.
No primeiro parto, quando me colocaram a bebé nos braços, senti angústia, medo, aflição. O facto de se ter revelado um bebé difícil (coitadinha, cheia de cólicas :S) não contribuiu em nada para o emergir desse "amor infindo", o que me fez sentir estranha, mal, ainda mais angustiada. Depois, numa bela noite, ela sorriu. E eu chorei, sentindo um amor tão físico como diziam nas revistas.
No segundo parto, assim que me colocaram a bebé nos braços, chorei de amor. Ainda com ela coberta daquela pasta, dei-lhe beijos, falei baixinho, tratei-a por "minha luz".

E então, sou gaijo ou gaija? :)
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De Anónimo a 13.07.2014 às 09:35

Para quando um livro sobre por exemplo:Culinaria para recem nascidos ou animais e crianças.Tambem esta a dar.Aproveita Tavares.
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De ana rute cavaco a 12.07.2014 às 22:48

Esse teu lado de te fazeres passar por pior do que na realidade és faz parte do teu encanto. Onde é que eu já vi isto?
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De Susana V. a 11.07.2014 às 16:57

Quando as minhas bebés nasceram eu sentia que elas continuavam a ser uma parte de mim, tal como quando estavam na minha barriga. Como um braço, ou como um rim… :-)
Não foi amor à primeira vista. Foi seguramente mais que isso.

Acho que um parto sem drogas nem aditivos (e relativamente fácil!) pode fazer a diferença, não sei… As hormonas lá fazem o seu trabalho… E elas são muito poderosas!

Eu acredito nos modelos evolucionistas. Custa-me aceitar que possa ser assim tão mais comum o pai (que não pode fazer quase nada recém-nascido) sentir uma ligação mais forte ao bebé do que a mãe. Não digo que não possa acontecer esporadicamente, mas que não poderá acontecer na maioria dos casos. Simplesmente não faz sentido.

Ou então, a sociedade complicou o processo do parto de tal forma que este passou a ser uma experiência traumática para a mãe… Pode ser que seja por aí...
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De Conceição M. a 11.07.2014 às 14:46

No meu caso, felizmente, confirma-se a crença popular. Costumo dizer que, após o corte físico do cordão umbilical, quando aqueles olhinhos olharam para mim - pareciam cheios de curiosidade em finalmente ver a cara da gaja que não se calava cá fora... - foi como se uma série de cordões umbilicais emocionais tivessem nascido entre nós... De vez em quando lá se tem que cortar um... quando eles vão para o infantário, quando iniciam novos ciclos escolares, quando passam dias longe nós, quando começam a sair com os amigos...
É certo que não tive partos muito traumatizantes ( e sem epidural! por "medo das agulhas" e não por alguma crença especial...), mas, de facto, comigo e com as minhas 2 "crias" foi amor à primeira vista.
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De CMR a 11.07.2014 às 14:18

Bem que eu passo a vida a dizer ao meu marido que sou eu o "homem da casa". Agora está provado: ele é mesmo gaja! ;) Ahahahahah, quando ele souber....
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De Liliana Nunes a 11.07.2014 às 13:34

Tenho um filho de 4 anos. Não tive qualquer ligação afetiva com ele no 1º mês de vida, e era algo que me incomodava imenso. Eu sou de facto uma gaja!
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De Marta a 11.07.2014 às 12:38

No meu caso, o estudo bate certo. Correu-me tão mal o parto que eu só queria era fugir...ainda me tentaram pôr a criança em cima de mim, mas recusei c todas as forças que me restavam...já o pai, ainda o consegui ver no corredor de cabeça à banda como um cachorrinho, enternecido a olhar para a criança. Mas é uma realidade, os bebés começam a ter graça lá para os 2 anos...a minha tem 3 e não troco esta idade por meses..apesar de ontem ter feito o que não devia nas cuecas num restaurante :( agora deu-lhe para isto...pode ser que a teresa puxe este assunto um dia destes..

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