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Filhos favoritos

por João Miguel Tavares, em 21.01.14

Por causa deste Diálogos em Família, os leitores levantaram uma velha questão, mas que realmente nunca abordámos neste blogue:

 

E pode acontecer amar-se mais um filho do que outro?

 

Só consigo responder a partir da minha experiência pessoal, como é óbvio, e no meu caso a resposta é não, ainda que com nuances. Ou seja, não, não consigo dizer que gosto mais de um filho do que do outro, e no pacote até já incluo a Ritinha. E digo "já incluo a Ritinha" porque acho que a ligação a um bebé vai evoluindo com o tempo. Eu não tinha com ela aos três meses a mesma relação que tinha com os outros, mas hoje, a caminho dos 17 meses, já faz definitivamente parte da pandilha.

 

Quais são as nuances, então? As nuances têm a ver com compatibilidades de feitios, que certamente se irão aprofundar com o correr do tempo. Com quatro filhos, uns terão gostos e personalidades mais próximos dos meus, e é natural que, a partir daí, desenvolva mais afinidades com uns do que com outros. Tal como é possível que determinados filhos tenham carácteres mais marcados e meritórios (o Tomás, neste momento, tem uma sensibilidade comovente, quando comparada com a dos outros irmãos). Isso não implica a canalização de mais amor para A do que para B, mas sim diferenças inevitáveis nas relações entre nós.

 

É, aliás, o sentido da abordagem da anónima que comentou a 20.01.2014 às 16:37, na qual me revejo:

 

Eu tenho dois filhos que amo da mesma maneira. Eles estão a ficar crescidos e cada um está a ganhar a sua personalidade e a verdade é que um deles se enquadra mais na minha e eu na dele.


Amo os dois igual, tenho a certeza, mas dou-me melhor com um deles, converso mais... Saímos juntos, vamos passear... O outro não gosta de ir, prefere ficar em casa... Não estou a preterir o outro, não mesmo. É mesmo uma questão de personalidades.


Visto de fora, acho que pode parecer que "gosto" mais de um do que do outro, mas não é verdade, e quando falamos nisso lá em casa, eles próprios sabem que há diferenças, sim, mas não no amor, apenas no relacionamento, porque somos todos diferentes uns dos outros!

 

Suponho que alguma coisa destas se possa vir a passar comigo, ainda que por enquanto a família ande toda atrás uma da outra.

 

Mas diferenças reais no amor? Basta ver a nossa reacção instintiva quando achamos que algum - qualquer um - se magoou. Estou certo que a velocidade a que saímos disparados é igual para todos eles. E há-de ser assim, suponho, até que estejamos caquéticos e já não consigamos correr.

 

A revista brasileira Isto É tem aqui um bom texto sobre esse tema. E um gráfico que vai ao encontro ao que aqui estive a dizer:

 

 

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publicado às 10:10


24 comentários

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De Anónimo a 20.03.2016 às 09:29

No meu caso,sempre achei que meus país tem preferência pelo meu irmão mais novo. Desde criança eu era mais dada do que meu irmão e até hoje sou assim. Mas me lembro muito que meu avô brigou uma vez com meu pai porque ele trazia presentes para meu irmão e para nada. Aos meus oito anos eles se separaram e depois de vinte anos não vi meu pai mais. Ultimamente tive a vontade de saber onde estava e se estava bem, já sabia que havia se casado e tido mais filhos, mas só isso. Então fui atrás e consegui encontrá-lo. Até aí tudo bem... Mas ultimamente me relembrei dessa questão. Sempre me senti de lado em relação ao meu pai, fico com medo de me sentir assim novamente, e meu irmão nem se quer quer falar com ele( meu pai). Ai penso como as pessoas não dão valor à aquilo que tem. Nem sempre é essa questão de afinidade não, pelo menos é isso que sinto. Hoje mesmo tendo meus filhos não consigo entender e nem aceitar. As vezes penso que meu gênio e que é ruim talvez. Não sei .
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De Anouska a 28.01.2014 às 23:09

Não há termómetros para o amor :)
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De Ana Correia a 24.01.2014 às 17:21

Falando como filha, tenho plena noção que a afinidade da minha mãe com a minha irmã é muito grande.

Damo-nos todos muito bem, ajudamo-nos, somos uma família No entanto, apesar de filhas dos mesmos pais, eu e a minha irmã, não podíamos ser mais diferentes, já desde tenra idade. Já uma vez, em conversa com a minha irmã, chegamos a conclusão que somos amigas porque somos irmãs, se não fosse por isso, dificilmente nos teríamos cruzado, temos muito pouco em comum.

Voltando ao tema, devido aos feitios tão diferentes, a minha mãe tem uma maior afinidade com a minha irmã, passam horas ao telefone diariamente, não passam um dia sem falar uma com a outra. E eu percebo isso, tenho plena noção que ela gosta imenso das duas, nem ponho isso em questão. No entanto sei, que a minha irmã, ira conhecer a minha mãe de uma forma que talvez eu não consiga.
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De Romina Salsa a 23.01.2014 às 15:18

Olá.

Tenho 2 filhos e não consigo sequer " medir " o amor que sinto por eles. Só sei que são o meu maior tesouro e que por eles sou capaz de tudo, até mesmo do impensável.
Não consigo sequer dizer ou pensar se gosto mais de um do que do outro. Gosto dos dois de igual modo, e aconteça o que acontecer o meu Amor por eles é vitalício. Mas isso tudo para lhe dizer uma frase que uma vez li e que por acaso já não me lembro do autor, mas era qualquer coisa como : " O meu filho favorito é aquele que precisa mais de mim naquele momento ".
E para mim é assim. Quando eles precisarem de mim, eu estarei sempre lá.
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De Carolina Dias a 23.01.2014 às 00:00

E pais favoritos?
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De Ana a 22.01.2014 às 09:45

Por vezes questiono-me se um dos motivos (entre muitos outros) pelos quais só quis ter um filho, com a concordância do meu marido,terá sido o facto de não ter propriamente apreciado o ser irmã quando era pequena (agora adoro ter uma irmã), porque havia uma certa agressividade dela com a qual eu não lidava bem, e que hoje compreendo que poderia resultar do facto de haver "afinidades" maiores, que são sentidas como um "gostar mais" pelas crianças, entre mim e a minha mãe e entre ela e o meu pai. Havia esta "divisão", que se nota ainda hoje, e que em parte parece-me que justifica a agressividade da minha irmã em pequena (lutar pela atenção da mãe) e o facto de eu continuar a achar que nunca fui muito amada pelo meu pai. Tudo isto apesar de os meus pais sempre dizerem que gostavam das duas de igual forma.
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De Carolina Dias a 22.01.2014 às 08:25

E perguntar aos filhos se eles gostam mais da mãe ou do pai?
Será que eles têm progenitores favoritos?
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De Anónimo a 22.01.2014 às 09:30

Acredito que sim, que têm. Quando são crianças o preferido é o mais brincalhão, o que mais cede, o que mais dá...
Quando crescem, acho que é a tal questão de afinidades, de personalidade.
Eu gosto tanto do meu pai como da minha mãe, mas dou-me melhor com o meu pai. Gosto mais de falar com ele, de brincar com ele, de ir ao colo dele - tenho 34 anos :). Com a minha mãe não consigo... e sei que é somente porque os nossos feitios chocam demais.
Posso dizer que me dou com ela, porque, lá está, é minha mãe e gosto dela. Porque se não fosse não seria de todo uma pessoa do meu circulo de amizades, por isso posso dizer que gosto dos dois... mas o meu pai... é o meu pai...
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De Simplemente Ana a 22.01.2014 às 10:23

Sempre detestei que me fizessem essa pergunta em criança, porque achava errado gostar mais de um que de outro. Mas sempre soube que que sempre preferi a minha mãe. No entanto, admiro imenso o meu pai e sempre tive pena de não o ter mais presente na minha vida.
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De Maria C. a 21.01.2014 às 18:22

O comentário da Sandra coloca o dedo na ferida.
É certo que como mães / pais temos a perfeita convicção de que amamos os nossos rebentos com a mesma intensidade - o amor não é mensurável... Se um cai e se parte todo, saltamos e corremos para acudir; se um tem um acidente e vai para o Hospital, deixamos tudo - não passará pela cabeça de qualquer um de nós ( é certo que há pais e progenitores...) se for o xiquinho vamos a correr, mas se for o manelinho, vamos só no dia seguinte, que ele não merece mais... se pudermos, damos um rim - até daríamos o coração, se tal fosse possível...
Mas o nosso amor, não sendo mensurável, de certa forma traduz-se nas nossas atitudes. E será que visto "do outro lado", esse nosso "amor igualitário" é percecionado da mesma forma? Não sei se me faço entender...
A Sandra fala na perceção, enquanto filha, de que a mãe, de facto, tinha uma preferência pelo filho mais velho e que isso de certa forma, ao longo da vida, provocou dor nos irmãos...
Nós não reagimos, de facto, de forma idêntica com todos os filhos - por razões diversas... porque eles são diferentes e as reações deles conosco são diferentes; porque, não sendo gémeos, passam por situações semelhantes em alturas diferentes (estou a lembrar-me que fui muito mais rigida em dar um telemóvel para a mão do meu filho mais velho do que com a minha filha, mais nova 4 anos ); às vezes porque uns sabem melhor como nos dar a volta...
E acabamos, também por razões muito diversas, por ter por vezes mais empatia com um(s) do que com outro(s). A minha filha é um doce - meiga, solidária, atenta aos outros, muito afetiva... - ao passo que o irmão é, mais ou menos, o oposto - centrado nele próprio, o que está à volta passa-lhe um bocado ao lado, mais frio, não gosta de beijoquices e derivados (da mãe, presumo...). É certo que tenho uma maior cumplicidade com ela, mas não tenho uma réstia de dúvida na minha cabeça que quando ele precisa de mim, eu estou lá (mesmo quando não precisa, eu estou lá na mesma porque sou uma mãe, não só galinha, como melga).
A questão é se isto é visto da mesma forma pelo outro lado...
Eu não tenho irmãos, por isso acho que sou a filha favorita dos meus pais... Mas quase toda a gente que eu conheço, com irmãos, por uma razão ou outra, acha que há sempre um preferido dos pais (com sorte, os 2 não preferem o mesmo e divide-se o mal pelas aldeias). Isto sem falar nos nossos filhos que, quando a "coisa" não lhes corre de feição, invocam logo o argumento com expressão universal: "pois, tu gostas mais do(a) mano(a)...", "se fosse o mano(a) a fazer isso, tu não dizias nada..."
Se no 2º grupo a argumentação se pode arrumar, em grande parte, no capitulo da ciumeira e do "vou atirar o barro à parede a ver se cola", o que dizer quando esses argumentos são utilizados por individuos já mais pensantes, capazes de discernir as situações com maior objetividade e sendo, eles próprios pais/mães? É que se eu ouço imensas vezes pessoas dizerem que os pais preferem um dos filhos, nunca ouvi ninguém dizer que prefere o filho A ou o B...
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De Soares a 21.01.2014 às 17:37

É possivel. Hoje tenho quase 50 anos, e desde muito cedo habituei-me a que no quarto dos meus pais, sobre a mesa de cabeceira dele estivesse a foto da minha irmã e na mesa de cabeceira dela estivesse do meu irmão. Mais tarde quando os questionei, fui repreendido e chamaram-me de invejoso.
É legitimo a demonstração de afinidades com filhos?
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De Maria C. a 21.01.2014 às 18:38

Lá está... o Soares coloca a questão numa perspetiva semelhante à da Sandra...
A minha mãe tem 2 irmãos mais novos. Sempre a ouvi dizer que os meus avós tinham uma preferência pelo irmão do meio - um dos "exemplos" que ela invocava tinha a ver com o facto de, quando nós íamos a casa dos meus avós estes enviavam sempre algo para nós entregarmos ao meu tio (produtos da horta, azeite, ovos...), mas quando ele ia a casa deles, nunca vinha nada para a minha mãe.
Quando a conversa vinha à baila, os meus avós diziam sempre que os filhos eram todos iguais - naturalmente...
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De Simplesmente Ana a 22.01.2014 às 10:37

Para mim não é legítimo. Acho terrível.
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De sandra a 21.01.2014 às 17:21

ola

questao com a qual me tenho debatido desde sempre, somos 3 irmãos, o mais velho nasceu qdo os meus pais ainda nao estavam juntos, a minha mae esteve com ele sozinha uns 6 meses.... hje todos adultos, a familia da-se bem, os irmaos melhor, mas sabemos... apesar da mae dizer que gosta de todos igual, que aquele é o filho com F grande; e nao e pelas personalidades, penso que seja pq eles foram os unicos da familia durante 6 meses... uma grande uniao.
Durante o crescimento foi mais acentuado, agora ainda se nota, nós sabemos... mas é mãe... apesar da dor que isso por vezes tenha causado.



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