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Mais dois textos sobre a fé (e a Humanae Vitae)

por João Miguel Tavares, em 25.10.14

Esta manhã fugi à família para ir moderar uma conferência sobre a família à Universidade Católica, e entretanto lembrei-me de postar dois textos que li no Observador esta semana e que vinham no contexto da nossa animada conversa de há 10 dias.

 

O primeiro, com o qual estou em absoluto desacordo, é do padre Gonçalo Portocarrero de Almada (já é habitual) e celebra a beatificação de Paulo VI e da assinatura da encíclica Humanae Vitae.

 

O segundo, com o qual estou em absoluto acordo, é da Maria João Marques, e recorda aquilo que são para ela - e para mim - os verdadeiros fundamentos do cristianismo. Boas leituras.

 

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publicado às 14:29


12 comentários

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De Bruxa Mimi a 29.10.2014 às 08:04

Eu acho que vale a pena ler este post:

http://umafamiliacatolica.blogs.sapo.pt/crise-de-obediencia-95864

Deixo um excerto:

"Mas o Papa não se pode enganar? Sim, pode. E desse engano, terá naturalmente de dar contas a Deus. Nós temos a vida facilitada: se não compreendermos bem as palavras de Jesus através dos ensinamentos do Papa, só precisamos de as ler novamente ou de pedir que as repita por favor... Mesmo que o Papa se engane, nós não nos enganamos, obedecendo! É que para Deus, a humildade vale mais que todas as certezas do mundo.

Mas não terão os cristãos o direito de seguir a sua consciência, se ela for oposta aos ensinamentos papais? Claro que sim! Se o cristão estiver convencido de que o seu discernimento, o seu estudo e, sobretudo, a sua oração são mais profundos do que os do Papa; se o cristão sentir que Deus o iluminou mais fortemente do que iluminou o Papa, a quem entregou as chaves do Reino; se o cristão achar que, depois de longas e profundas horas de oração intensa, Deus lhe comunicou uma mensagem diferente da que comunicou ao Papa, aí ele deve agir de acordo com a sua consciência."
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De Francisco a 26.10.2014 às 20:54

Caro João

Discordo muitas vezes do que escreve, mas nesta matéria estou absolutamente de acordo consigo. O ódio (mal) disfarçado nos comentários aos seus posts e ao texto da Maria João Marques, são bem reveladores! O Estado Islâmico está realmente entre nós! E que tal uma lapidaçãozinha aos impuros?
Cumprimentos,
Francisco
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De Anónimo a 26.10.2014 às 20:22

Eu já não acredito no Papa Francisco
Bento Domingues
1. O Domingo passado não foi de grande festa para toda a Igreja. Está em curso um Sínodo dos Bispos no qual foi possível discutir temas considerados incómodos, como o do acolhimento eclesial dos homossexuais e dos divorciados recasados. Do relatório final da primeira etapa deste Encontro sobre a família esperava-se mais e melhor. Por outro lado, a beatificação do papa Paulo VI, responsável da Humanae Vitae (HV) – adiando questões que há muito deveriam estar superadas –, também não foi um sinal muito encorajador. Mais do mesmo.
Não vale a pena dizer que isso não tem importância. Cada um ficará onde já estava. Os casais que se identificam com a doutrina da HV e a da Familiaris Consortio (J. Paulo II) suspenderam os seus receios. Quem aguardava, para já, uma alteração dessas posições, terá de esperar por melhores dias. O Sínodo sobre a família não está encerrado. Cada dia que passa, a realidade vai mostrando que a “Pastoral Familiar” não é a mais adequada, pois se “os pastores” conhecessem e escutassem as suas “ovelhas” não se contentariam apenas com as do rebanho privilegiado.
O Papa Francisco lançou uma esperança e, na sua prática, mostra-se fiel à Alegria do Evangelho. No entanto, foi-se apercebendo de que os apelos feitos à hierarquia da Igreja não têm tido os frutos desejáveis. Sentiu como estavam activos, na preparação e realização do Sínodo, os funcionários da indústria da conserva eclesiástica, ao ponto de ter de afastar o cardeal Raymond Burke, presidente do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica (Supremum Tribunal Signaturae Apostolicae) [1].
Mario Bergoglio surgiu com um programa de reforma do papado e da cúria romana para lançar a Igreja como uma realidade evangelizadora, em todas as suas instâncias, vendo o mundo e actuando a partir das periferias. Trabalha por uma Igreja, toda ela, em movimento. Seria um desastre se as conferências episcopais, as dioceses, as paróquias, os movimentos, as congregações religiosas se comportassem como meros observadores das iniciativas, das tomadas de posição, das intervenções do Papa. É a forma mais requintada de o atraiçoar. Mas, enquanto uns ficam parados, outros atiram-lhe pedregulhos para o caminho.
Não podemos deixar este Papa sozinho e comportarmo-nos apenas como espectadores benévolos e simpatizantes das suas atitudes.
2. Seria péssimo que agora nos deixássemos enredar em discussões que se arrastam desde a HV, desde 1968. O mundo não pára e o próprio passado, se não for congelado, está sempre em devir. Um dos méritos deste papado tem consistido, precisamente, em descongelar doutrinas, atitudes, normas consideradas irrevogáveis, definitivas, situadas fora do tempo e valendo para todo o sempre. Entrar numa casuística de moral sexual, dentro de um universo humano isolado por uma concepção de modelos imutáveis de família, é o caminho do farisaísmo.
Ganharíamos muito se lêssemos e interpretássemos as narrativas dos Evangelhos como belas e eficazes peças de teatro. Têm acção, controvérsias, actores e existem para colocar uma assembleia em movimento. A nossa tentação é a de extrair desses textos apenas princípios doutrinais, sentenças e normas de conduta, reduzindo tudo a lições de moral. As reduções de Jesus eram de outro tipo.
3. Neste Domingo, passada a discussão sobre o tributo a César e a história hilariante da mulher de sete maridos da lei bíblica – de quem será ela depois da ressurreição? – surge um aproveitamento dos escribas contra os fariseus. Vale a pena ler e imaginar.
"Constando-lhes que Jesus reduzira os saduceus ao silêncio, os fariseus reuniram-se em grupo. Um deles, que era legista, perguntou-lhe para o embaraçar: 'Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?' Jesus disse-lhe: Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas." (Mt 22, 34-40 e Mc 12,28-34; Lc 10,25-28; Jo 13,33-35)”.
S. Paulo ainda foi mais sintético: “não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros. Pois quem ama o próximo cumpre plenamente a lei. De facto: Não cometerás adultério, não matarás, não fu
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De Anónimo a 26.10.2014 às 23:22

Bem haja por trazer este texto.
O Frei Bento também escreveu
Finalmente, começam a cair alguns tabus. Muita água ainda vai passar debaixo das pontes até que o horizonte da Igreja esteja mais desanuviado. Cada grupo continuará a defender os seus pontos de vista. No entanto, a interrogação que todos se devem fazer, talvez se possa formular assim: para que continuar com o sofrimento inútil dos casais cristãos? O que será preciso alterar nas mentalidades católicas para que a educação sexual se torne uma exigência inerente ao desenvolvimento da vida humana nas múltiplas dimensões do amor? Será que ainda existem católicos que acham que Deus se enganou ao dizer que o ser humano é homem e mulher? Homem e mulher será o pecado de Deus?

No NT não há nenhuma preocupação em mostrar se Jesus constituiu ou não uma família. Os textos insistem em algo mais abrangente: o seu projecto era congregar na unidade todos os filhos de Deus dispersos (Jo 11, 52).

Seria excessivo pedir-lhe um manual de moral sexual.
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De Bruxa Mimi a 26.10.2014 às 12:29

Achei interessante fazer as leituras recomendadas pelo JMT, mas a parte mais interessante foram mesmo alguns comentários ao texto da MJM, que desmontam com clareza algumas das coisas que ela escreveu.
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De Ana a 28.10.2014 às 07:15

concordo consigo. muito se aprende naquela caixa de comentários... ;)
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De Ana a 26.10.2014 às 08:04

Ahahah... Quando li o texto do Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada lembrei-me logo de si, João. Acho bem fofinho que o partilhe... Assim, a reflexão aqui do auditório fica um pouco mais enriquecida. Well done. Quanto ao outro texto vou ali agora ler, com licença. :)
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De João Miranda Santos a 25.10.2014 às 23:48

O João e a Maria João Marques continuam muito baralhados nas vossas ideias. E o problema é que não respondem às questões de fundo que os comentadores colocam. Mas parece-me que a vossa questão principal é que gostam muito do Cristianismo mas já não apreciam assim tanto a Igreja católica. Mas não se sintam presos, há muitas Igrejas que permitem uma muito maior liberdade na vivência e interpretação do Cristianismo.
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De João Miguel Tavares a 25.10.2014 às 23:55

Ui. Também se sente habilitado a excomungar-nos, João?
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De João Miranda Santos a 26.10.2014 às 00:13

Não! De todo. Por mim podem ficar enquanto se sentirem bem. Vocês é que parece que querem excomungar a Igreja Católica, os papas e os fiéis que acreditam nela, do Cristianismo, "puro" como vocês o entendem.

Só para ilustrar isto, cito um pensamento enviado pela Henry Nouwen Society recentemente, mantendo alguma sintonia com a MJM:
"The Church is an object of faith.  In the Apostles' Creed we pray:  "I believe in God, the Father ... in Jesus Christ, his only Son - in the Holy Spirit, the holy catholic Church, the communion of saints, the forgiveness of sins, the resurrection of the body and the life everlasting."  We must believe in the Church!  The Apostles' Creed does not say that the Church is an organization that helps us to believe in God, Father, Son, and Holy Spirit.  No, we are called to believe in the Church with the same faith we believe in God.

Often it seems harder to believe in the Church than to believe in God.  But whenever we separate our belief in God from our belief in the Church, we become unbelievers.  God has given us the Church as the place where God becomes God-with-us."

Vocês mostram-se uns totais descrentes na Igreja Católica.
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De José Moreira a 26.10.2014 às 08:49

O que significa "ter fé na Igreja Católica"? Aceitar, acriticamente, tudo aquilo que a Igreja faz ou decide?

Na própria hierarquia da instituição, há vozes discordantes relativamente a diversos assuntos.

A partir do momento em que a Igreja toma uma posição oficial sobre determinado tema, os fiéis devem abster-se de discordar? É isso?

Ainda que, no seu íntimo, moldado pela educação cristã e católica que tiveram, sintam (porque mais do que "saber", há coisas que se sentem) que a posição da Igreja deveria ser diferente?

Será que é isto que significa "ter fé na Igreja Católica"?

Talvez fosse importante definir esse conceito.

Na minha opinião, parece-me perigoso querer que instituições terrenas sejam objecto de fé - coisa que deveria estar reservada para entidades divinas.
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De Marta a 25.10.2014 às 21:59

A verdade ´´e que, infelizmente, existem muitos "filhos mais velhos" e poucos "pais de filhos pr´´odigos".

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