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Mulher ou esposa? #3

por João Miguel Tavares, em 14.04.14

O bom de escrever coisas num blogue popular, como o Pais de Quatro, é que aparece sempre alguém que percebe mais do que nós sobre quase todos os assuntos. Ainda em relação à questão mulher/esposa (posts anteriores aqui e aqui), um leitor intitulado muito institucionalmente Padrinhos Civis coloca, na caixa de comentários, um ponto de ordem histórico na questão:

 

A palavra "esposa" refere-se ao instituto dos esponsais, que existia na Idade Média e que antecedia o casamento. Recorria-se aos esponsais para contornar uma lei religiosa, que burocratizava e tornava o casamento dispendioso: assim, celebravam-se os esponsais e os esposos ficavam logo a viver juntos, antes de casarem. Era a esposa e o esposo. Após casamento: marido e mulher. Assim é, ainda nos dias de hoje, no Direito Civil: só existe marido e mulher. A designação "mulher" não tem qualquer caráter perjorativo ou sequer desvalorizador, designa uma realidade, nada mais. Há quem prefira usar a palavra "esposa" e mal não faz, é apenas incorreto.

 

E depois voltou à carga:

 

Ainda queria acrescentar mais uma coisa: os esponsais, que se tornaram tão populares na Idade Média a ponto de servirem para evitar a celebração do casamento, têm como origem o Direito Romano, onde consistiam numa "promessa de casamento", chamamos-lhe hoje "noivado". O casamento, tratando-se de um negócio, era antecedido de um "contrato-promessa" entre as partes. Dos esponsais nasce a obrigação, do casamento a união.

 

Muito obrigado ao Padrinhos Civis pelos profissionalíssimos esclarecimentos.

 

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publicado às 12:44


8 comentários

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De Maria de Deus a 15.04.2014 às 17:34

Mulher, é muito dos pobrezinhos.
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De Mel a 19.04.2014 às 00:36

Peço perdão, mas este cometário é, ele sim, probrezinho.
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De Paula a 15.04.2014 às 00:39

Pois cada um que diga como goste, desde que o meu marido n~ºao me chame esposa está tudo bem!
vidademulheraos40.blogspot.com (http://vidademulheraos40.blogspot.com/).
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De Maria João a 15.04.2014 às 00:08

cá está! no fundo, no fundo eu sabia que não podia ser só de mim, tinha que haver uma explicação.
obrigada, Padrinhos Civis!
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De Maria do Porto a 14.04.2014 às 17:11

Caro João,
acho uma delíca, esta coisa dos "politicamente correctos" conotarem a expressão " a minha mulher" com machismo e quejandos! Valha-nos s Senhor Santo Cristo... :-)
Mas... deitar mais uma cha na fogueira, e lembrar aqueles que dizem com muita propriedade "a minha Senhora"?...
Tive em tempos cá no serviço um espécime destes (reformou-se recentemente...).
Isso é que é uma pérola!

Já agora, a título pessoalíssimo: quando ouço o meu marido dizer ao chefe que não vai a um certo sítio, a uma determinada hora, porque "desculpe lá, mas eu tenho obrigações a cumprir com a minha Mulher!" - e essa ser am desculp,a definitiva e inegoável, fico "inchada de orgulho"! E sinto-me deveras... muito Senhora!!!

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De VascoB. a 14.04.2014 às 14:14

Excelente. Uma bela lição.

Só um comentário: passados estes anos todos, o casamento enquanto cerimónia (não a instituição) continua a ser um grande negócio para muita gente. Desde os organizadores de eventos, catering, vestidos e afins aos próprios noivos que muitas vezes casam só pelo "dote"... a cargo dos convidados.
Talvez por isso as caras de alegria nestas festas sejam cada vez mais raras...
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De Conceição M. a 14.04.2014 às 16:58

Concordo inteiramente consigo - de facto, a "celebração" do casamento, que devia ser um dia de festa e alegria, tem-se tornado um verdadeiro "pesadelo", não só para os convidados, com a perspectiva dos gastos, dos pais, que normalmente "entram em despesas" e, até (acho eu) para os noivos, para quem deve ser um stress pensarem nos mais infimos pormenores que "não interessam ao menino Jesus"!!!
Achei engraçado quando uma amiga me contou que um casal amigo dela, que já faz vida em comum há uma série de anos, decidiu "oficializar" a relação - comunicaram aos amigos que gostariam de ter um momento especial com eles para celebrar o ato mas que, infelizmente, não tinham dinheiro para oferecer um almoço num restaurante a tanta gente (nem tinham casa onde todos coubessem...); resolveram então marcar o tal almoço, com trajes informais (isto é, eles não queriam que ninguém fosse gastar dinheiro propositadamente em roupas para aquela ocasião...) e o "presente dos noivos" era cada um pagar a sua despesa com o almoço!
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De VascoB. a 14.04.2014 às 19:31

Conceição, ora aí está uma história verdadeiramente bonita.

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