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O amor seria menos intenso se não tivéssemos filhos? #1

por João Miguel Tavares, em 15.10.14

Escreveu a leitora Ines nos comentários a este post, que por sua vez comentava este post:

 

Não entendi a parte em que diz que os seus filhos são fruto do amor do casal. O amor seria menos intenso se não houvesse crianças? Poderiam ser um casal sem filhos muito feliz! Ou então, teve filhos só porque a Teresa queria? E vive uma vida completamente contrariado? Vezes quatro?

 

Eu admito que o meu post anterior era meio opaco, e estas objecções dão-me oportunidade para esclarecer a minha posição sobre o tema. Vamos, então, por partes.

 

Não entendi a parte em que diz que os seus filhos são fruto do amor do casal.

 

Estou convencido que o sociólogos e antropólogos do futuro considerarão a invenção da contracepção, e da pílula em particular, como um momento fundador na história da humanidade, em que a relação dos casais com a paternidade muda de forma radical. Por vezes nós não temos essa noção, porque estamos imersos no momento, mas a nossa geração está a viver uma revolução naquilo que são as relações familiares, e a invenção da contracepção feminina é um facto absolutamente estruturante.

 

Claro que há sempre azares e pessoas que têm filhos acidentalmente, mas mesmo os católicos ignoram olimpicamente as directrizes da Igreja em relação aos anticoncepcionais, e eu não tenho dúvidas em classificar a famosa encíclica Humanae Vitae (1968) e a sua visão da regulação da natalidade como um momento muito infeliz na história da Igreja. Espero que essa visão venha a mudar brevemente, porque nove em dez católicos não conseguem sequer perceber - porque, simplesmente, não se percebe - por que raio a utilização de um preservativo interfere na sua relação com Deus.

 

Diante destes factos, ter um filho a partir do último quartel do século XX é, sobretudo, ter o fruto de uma relação amorosa. Os "acidentes" diminuíram drasticamente, ou então são acidentes relativamente consentidos (é o meu caso e da Teresa, já que nenhum dos quatro foi planeado), e a partir daí aconteceu algo muito natural: o número de filhos por casal diminuiu e eles tornaram-se cada vez mais preciosos e desejados. Toda esta mariquice com os filhos, de que este blogue é uma belíssima prova, seria impensável antes da criação de uma cultura contraceptiva.

 

(O que não significa, atenção - antes que me apareça aí alguém que recusa a pílula e o preservativo por fidelidade à Igreja -, que quem usa os métodos naturais não adore os seus filhos tantos como os outros. Contudo, ter muitos filhos será, nesses casos, uma opção assumida, quando antigamente era uma coisa que simplesmente acontecia, e estava dependente sobretudo da fertilidade do homem e da mulher.)

 

É por isso que os filhos raramente são, nos dias de hoje, algo que não o fruto do amor do casal - donde, existe, de facto, para quem os tem, uma espécie de sentimento de completude, em que a relação a dois passa a ser a base de uma relação a três, quatro, cinco, seis (o meu caso) ou mais, que compõem aquilo a que se chama "família".

 

Retomando a questão da Ines (suponho que seja Inês, mas eu respeito o nome inscrito no comentário):

 

O amor seria menos intenso se não houvesse crianças?

 

Não, não seria. Acho até que poderia ser mais intenso (tomando "intensidade" num sentido mais próximo da paixão e da multiplicação de gestos de amor quotidianos).

 

Mas isso, se não se importam, fica para o próximo post, que este já vai longo.

 

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publicado às 08:51


41 comentários

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De Anónimo a 16.10.2014 às 10:31

Concordo praticamente com tudo o que diz o (e agora que me esqueci do nome....) Sr. Duarte (João? Carlos ups teria de ir espreitar os comentários).
Bem, concordo porque, pegando apenas na parte de ser ou não católico e aceitar a não contracepção, aceitando os filhos que Deus nos dá, qual a diferença de usar métodos naturais ou artificiais?
No fundo não está, da mesma forma, a escolher quando quer ter os filhos e quantos?
Posso estar errada, mas faz-me confusão... ou se aceita realmente que se engravida quando Deus quer, ou usam-se metodos - artificiais ou não, é contracepção! E isso é contra a igreja, ou não?
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De Nicole I. a 16.10.2014 às 10:56

Realmente ai esta, sejam naturais ou artificias vão contra o que a doutrina diz e sempre disse, usar métodos contraceptivos é anti-natura e anti-vida.

Se seguirem mesmo o que a doutrina cristã diz é para aceitar os filhos que Deus quiser. Pelo menos na altura da minha avó era isso mesmo que se dizia e que ela ainda hoje me diz, é pecado negar os filhos que Deus nos quer dar. Dai que a mulher para além de estar sempre disposta a servir o Homem, tem de estar disposta a aceitar o que a vida lhe da ou Deus lhe dá.
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De Anónimo a 16.10.2014 às 12:16

Se fossemos estar à espera dos filhos que Deus nos dá eu não teria nenhum porque o Homem errou quando tive uma inflamação no aparelho reprodutor e não fui tratada devidamente.
Hoje utilizo sim contraceptivos, por questões de vida ou morte, literalmente, porque uma gravidez desejada ou não, pode ser a minha morte e da criança.
Eu acredito em Deus, mas também acredito na vida.
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De João Miranda Santos a 16.10.2014 às 14:07

Compreendo que lhe faça confusão. A mim também fazia, como já disse noutro comentário. Contudo é uma questão sobre a qual não vale a pena teorizar muito aqui. É uma questão de vivência e de oração, na proximidade com Deus.
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De João Miranda Santos a 16.10.2014 às 14:14

Mas já agora, Deus não quer que nós engravidemos hoje, amanhã ou para o ano. Tal como Deus também não quer que algumas pessoas não consigam engravidar. Isso são questões biológicas, Deus não é um controlador da biologia.
Agora nós podemos optar por viver como um todo, biologia incluída, ou podemos optar por viver contra algumas partes de nós, a fertilidade, p.ex. É por isso que não é a mesma coisa usar contraceptivos ou viver de acordo com a biologia. A biologia é parte integrante de nós, os contraceptivos não!
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De mjs a 15.10.2014 às 21:25

Apenas para sugerir (nem me atrevo a aconselhar) que leiam os livros de David Lodge. Um humor fascinante, onde está sempre presente a vida dos católicos no RU e as suas agruras com os ensinamentos da igreja católica.
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De Ana a 15.10.2014 às 17:46

"tomar pilula porque o homem quer"??? "ter filhos porque a igreja não aprova contracetivos"??? "porque altera o ciclo natural da mulher"??? Desculpem mas, para mim claro, tudo isto é uma treta. Eu sou mulher, sou esposa, sou mãe... sou tudo isso e com muito gosto (bem, tem dias...). Como toda a gente, tem dias que gosto de silêncio, ó se gosto, principalmente com dois adolescentes sempre em pé de guerra; gosto de barulho; gosto do marido (às vezes nem por isso, tem dias...). Tudo isso faz parte, tudo isto nos faz viver e agitar todos os dias; berrar, gritar, abraçar, beijar, amar, odiar... Tudo isto é viver.
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De Maria das Palavras a 15.10.2014 às 15:36

Em tempos dissertei - do alto da minha inexperiência - sobre a diferença entre o amor de pais e de esposos/parceiros aqui: http://daspalavras.blogs.sapo.pt/sobre-o-amor-menos-valido-18701

A conclusão a que cheguei foi que não há como medir ou comparar amores: só se sente e pronto.
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De João Miranda Santos a 15.10.2014 às 12:25

Já que a Teresa Power teve a amabilidade de comentar a parte que interessa aos católicos (felizmente porque tem muito mais capacidade de o fazer do que eu), eu peço desculpa ao JMT porque este não será o centro do post, mas vou comentar a parte que acho que interessa a todos, principalmente a mulheres inteligentes.

O JMT está "convencido que o sociólogos e antropólogos do futuro considerarão a invenção da contracepção, e da pílula em particular, como um momento fundador na história da humanidade". Eu acho isso um exagero, acho que sem dúvida que a invenção da pílula vai ter uma importância histórica grande, principalmente na emancipação da mulher na sociedade, mas acho que no futuro será sempre visto como um fenómeno transitório.

A pílula, tal como os restantes contraceptivos hormonais, é um medicamento. Um medicamento que altera o normal funcionamento biológico do corpo da mulher e que as mulheres tomam durante anos ininterruptamente. Ora, isto do ponto de vista ecológico é um absurdo. É uma falta de respeito pela natureza, e pela mulher em particular que faz parte dela (já não falando nas consequências mais generalizadas que decorrem do surgimento de concentrações hormonais nas águas...).

Acho por isso importante dar a conhecer a quem não conhece, ou não conhece o suficiente, que existem métodos científicos, com eficácia teórica e comprovada equiparada à da pílula, que permitem à mulher conhecer a sua fertilidade e geri-la da forma que bem entenderem, sem necessidade de interferir com a sua forma natural de ser. Quem estiver interessado pesquise sobre método de Billings. Existe muitíssima informação on-line, ao contrário do que acontece nos nossos estabelecimentos de saúde. Existe inclusivamente uma plataforma recente que pretende vir a permitir aprender a técnica do método sem estar sujeito à disponibilidade de formação presencial (http://www.ovulationmentor.org/index_pt.html).

Fica a informação. Acho que a sociedade dos bio e das energias renováveis irá certamente evoluir neste sentido.
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De João Miranda Santos a 15.10.2014 às 11:56

Muito poderia ser comentado mas para já vou apenas comentar esta incoerência brutal na análise do JMT, talvez porque é demasiado fácil opinar sobre o que não se conhece nem se faz por conhecer:

"Espero que essa visão venha a mudar brevemente, porque nove em dez católicos não conseguem sequer perceber - porque, simplesmente, não se percebe - por que raio a utilização de um preservativo interfere na sua relação com Deus."

Caro JMT, se nove em cada dez físicos não perceberem as equações de Maxwell eu garanto-lhe que isso não põe em causa a validade dessas equações nem muito menos a forma como o físico que sobra as percebe. E também lhe garanto que esse nove físicos, se querem mesmo ser físicos, vão ter de aprofundar a sua relação com a física até perceberem as ditas equações. O JMT, que não é físico, pode dizer que as equações "simplesmente não se percebem", mas isso será apenas significado da sua ignorância e da sua relação pouco profunda com a física.

Dito isto, que é apenas um detalhe, felicito-o pela posição que tem no top dos blogs e recordo-lhe a responsabilidade social que isso lhe traz. Quanto mais não seja a responsabilidade de manter a coerência e inteligência (que costuma ter e me traz por cá)... a menos que queira chegar às 40mil visualizações.
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De Teresa Power a 15.10.2014 às 11:31

Podes usar as pílulas e os preservativos que quiseres, desde que não estejas a chamar à tua relação um espelho da relação entre Cristo e a Igreja, ou seja, um sacramento. Na sua belíssima encíclica, que classificaste de infeliz, a Igreja condena a contraceção porque ela afasta o amor humano da "imagem e semelhança" do amor divino, que é um amor sem limite, abundante, aberto à vida, verdadeiro. Um católico, ao "casar pela Igreja", isto é, ao receber o sacramento, recebe também a responsabilidade de tornar a sua relação semelhante à relação esponsal entre Cristo e a Igreja. O amor de Cristo não é nunca um amor contraceptivo. Não há volta a dar! E deixa-me dizer-te, para encerrar o comentário - não comentarei mais sobre este tema - que mesmo que a Igreja dissesse outra coisa, eu nunca voltaria atrás na minha decisão de não tomar medicação para fazer amor. Acho triste um marido permitir à sua esposa tomar medicamentos - a pílula é um medicamento, sabias? - para que ela esteja sempre disponível para o sexo. O ciclo natural da mulher é uma das maiores maravilhas da natureza, e conhecê-lo e respeitá-lo em casal é uma das grandes graças que nós tivemos desde que nos casámos. A fertilidade feminina não é uma doença, não precisamos de medicação para viver uma vida sexual plena e feliz. Planeando naturalmente a nossa família, os dias deixam de ser todos iguais... Graças a Deus, a minha vida sexual é plena e abundante, os meus filhos também são numerosos, mas ainda não engravidei sem o desejar.
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De Anónimo a 15.10.2014 às 15:45

"Acho triste um marido permitir à sua esposa tomar medicamentos - a pílula é um medicamento, sabias? - para que ela esteja sempre disponível para o sexo. O ciclo natural da mulher é uma das maiores maravilhas da natureza, e conhecê-lo e respeitá-lo em casal é uma das grandes graças que nós tivemos desde que nos casámos. "
O meu marido não permite ou deixa de permitir que eu tome a pilula. EU QUERO tomar a pílula!
E porquê? Porque apesar de concordar qie o ciclo natural da mulher é uma maravilha da natureza, esse facto não faz com que eu o conheça de forma a ter a certeza que não vou ter mais filhos do que aqueles que quero (e posso)!
É que a Teresa sabe que nem todas as pessoas têm acesso a essa informação, apesar de cada vez mais divulgada e muito menos, conseguem percebe-la ao ponto de a por em pratica.
E, "aceitar os filhos que Deus nos dá" é muito bonito se tivermos pão para lhes dar.
Não falo em luxos, só mesmo o básico... se já existem tantas crianças a passar fome, o que seria se todas as mulheres decidissem "tentar" perceber o seu corpo...
Compreendo o que diz, mas numa sociedade que não está preparada para entender (até pelo nível de escolaridade) o seu próprio corpo, seria uma irresponsabilidade recomendar a não contracepção.
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De Teresa Power a 15.10.2014 às 17:20

Eu disse que não comentava de novo sobre este tópico porque receio o tom agressivo que o envolve, e que já vem bem patente no próprio post. Não acredito que falar com agressividade seja positivo seja para quem for. Assim, e porque o tom foi simpático :), permita-me dizer-lhe, com todo o respeito pelas suas opções: que seria da indústria farmacêutica sem a pílula, o único medicamento tomado por milhões e milhões de mulheres saudáveis no mundo inteiro? Conheço uma farmacêutica que ensina os métodos naturais. A Infarmed tratou de lhe dizer para ter cuidado com o que dizia, que punha em causa os interesses das farmacêuticas... Acha então que é mais simples e barato monitorizar a saúde de milhões de mulheres que tomam a pílula do que ensinar os métodos de planeamento familiar natural? Os monitores do Método Billings têm à disposição esquemas de apresentação do método feitos para analfabetos. Estão habituados a ensiná-los a populações analfabetas e pobres. Os nossos centros de saúde também saberiam fazê-lo, se fosse rentável. Não tenha ilusões. Realmente, sem ensino generalizado do método, não é possível aprender! É triste que, enquanto todos nos esforçamos por utilizar o menos possível medicamentos e optamos por medicinas alternativas, etc, a pilula continue inquestionável. Já leu bem o rótulo, as letras pequeninas no panfleto que acompanham o seu medicamento? Enfim, há muito para dizer sobre isto, e não quero de forma alguma ser agressiva :)
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De Anónimo a 15.10.2014 às 17:57

Claro, sem agressividades. Apenas a conversar sobre perspectivas diferentes. Gosto sempre de conhecer o outro lado. Não tenho certezas absolutas, por isso agradeço a s/ resposta.
Continuo a dizer que tem razão em muitas coisas, mas que ainda não estamos preparados para saber escutar a natureza.
Mesmo em relação aos métodos contraceptivos, mormente a pílula, que não tem grande ciência do ponto de vista que é tomar e pronto, há mulheres que mesmo assim não entendem que há regras que têm de ser cumpridas - ex. não esquecer nenhum dia, ter cuidado com antibioticos, etc... e depois ficam admiradas como engravidaram, porque afinal "só foi um esquecimento", por isso acho que ainda temos muito caminho a percorrer.
Trabalho com famílias que se não fosse a pílula e, entretanto, a laqueação definitiva tinham filhos todos os anos e não, não os podem criar. Não têm condições económicas, afectivas e físicas para os ter.
Para já e (também) por isso vejo a pílula (e outros tipos de contracepção) como um mal (ainda) necessário.
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De Teresa Power a 15.10.2014 às 18:08

Exatamente! Um mal ainda necessário. Eu também concordo! Mas também o Papa disse um dia - para grande escândalo de muita gente - que às vezes é melhor usar o preservativo. Claro! Se eu não tenho qualquer valor, se eu vivo sem respeitar o outro, se eu não procuro o bem do outro, então é melhor, sim. É melhor usar seja o que for para não gerar filhos que vou maltratar, deixar a passar fome ou abandonar. Agora, se sou cristão - não de boca, mas de vida - isso já não é possível, pelas razões que dei no meu primeiro comentário e que se prendem com a natureza do sacramento que recebi. E se, não sendo cristão, quero evoluir no respeito pela natureza - que está literamente intoxicada pela pílula, dos peixes aos mamíferos - e pelo meu corpo, nesse caso tenho de aproveitar todas as oportunidades para descobrir outras formas de planear a minha família.
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De Olívia a 15.10.2014 às 17:31

A mim parece-me que essas crianças que passam fome, muitas das vezes não são filhos de e com amor, provêm de famílias sem alicerces e sem vontade em que os seus filhos tenham uma vida digna. Penso também que, caso saibamos de antemão que iremos colocar em risco a saúde, alimentação e cuidados primários dos nossos filhos é de facto irresponsável pensar em tê-los...
Quanto à falta de informação é mesmo verdade, nem nas escolas, nem os nossos médicos nos ensinam nem divulgam o que quer que seja sobre este assunto, e sim a nossa sociedade ainda não deve estar preparada para isso... afinal fui educada a perceber que ter um filho ou dois era normal, mais só se fosse louca... ou negligente... e ter convivido recentemente com famílias de 3 ou mais filhos mostrou-me uma nova perspectiva das coisas!
Olívia
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De Anónimo a 15.10.2014 às 18:04

Exactamente, parece-me que a nossa sociedade ainda não está preparada para isso.
A informação é maior que há uns anos atrás, mas ainda não é suficiente e há muitas, mas mesmo muitas pessoas que duvido conseguissem perceber o método sem antes terem posto no mundo mais 2 ou 3 filhos.
A muitas delas não falta amor, mas falta mesmo comida. Conheço casos.
E acho mais responsável assumir que não se conhece o corpo e/ou não se consegue perceber e usar metodos que se considera mais eficazes do que se terem filhos sem as minimas condições.
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De Olívia a 15.10.2014 às 18:40

Compreendo o que quer dizer, claro que sim. Afinal a minha filha mais velha nasceu numa família complicada, sem amor e com muita vontade de ganhar dinheiro do estado à conta dos filhos (mas isso é outra questão) e foi graças a isso que ela hoje é minha filha... a vida nem sempre é uma linha recta, muitas vezes é cheia de curvas e contra-curvas...
Mas que esta é uma questão interessante lá isso é...
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De Teresa Power a 15.10.2014 às 18:50

Agora, se falarmos de nós, classes educadas, com capacidade para ler um blog inteligente e, portanto, discutir e aprender, preocupados com ideais nobres como os filhos e o amor? Se falarmos de nós e não dos indigentes que, naturalmente, não têm as condições ideais para aprender seja que método for, enquanto primeiro não se remediar a sua condição? Se falarmos de gente educada que, simplesmente, critica as directrizes da Igreja sem as questionar, sem procurar compreender, sem ler, sem estudar, sem testar, sem conhecer os milhares de testemunhos de vidas felizes e plenas através exatamente dessas mesmas directrizes? Isso é outra conversa :))
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De Carlos Duarte a 15.10.2014 às 19:08

Olá Teresa,

Desta vez deixe-me discordar de si e concordar com o João. A Igreja (ou melhor, Paulo VI) meteu um pé descomunal na poça com a encícla ao tomar uma posição que foi contra a maioria das recomendações de uma comissão pontíficia sobre o assunto, convocada de propósito para basear a encíclica em terreno científico e moral.

O preservativo (vou à pílula depois, por ser um pouco mais complexo) não é um medicamento e não afecta absolutamente nada a escolha da mulher (não é ela que o usa). Mais, é tão "natural" como interromper o acto sexual ou andar de termómetro e calendário em punho a contar ovulações (que me parece, neste caso, um bocado tentar ganhar na secretaria...).

Mais, o sacramento do matrimónio não é "concedido" pela Igreja. É um sacramento celebrado ENTRE os cônjugues, em que a posição de Igreja é de testemunha (em representação) de Deus. E tem um carácter tanto reproductivo como uniativo, o que não quer dizer - como infelizmente se tem focado em excesso - que é APENAS reprodutivo. O acto sexual como elemento de união do casal é tão importante como a parte reprodutiva. A responsabilidade do casal (e isto é o meu entender) é de estar aberto a filhos, NÃO de disponível para todos os que apareçam. Uma coisa é dizer que não querem ter filhos (e o casamento deve ser nulo), outra coisa é dizer que sim, mas escolhem quantos e quando!

Quanto à pílula e os medicamentos, também são medicamentos as aspirinas (e há quem tome uma todos os dias), os medicacamentos para a diabetes (idem) ou mesmo - para não serem "obrigatórios" - os para redução do colesterol. E têm todos, mas todos efeitos secundários. Eu não tenho nada contra os métodos naturais (apesar de me parecerem, às vezes, uma "batota canonicamente legalizada"), mas a opção deve ser do casal. E da mulher no que diz respeito a eventuais riscos que incorre na tomada da pílula.
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De Teresa Power a 15.10.2014 às 19:47

Carlos, fiquei tão admirada com o seu comentário que deixei ali os meus filhos "ao monte" para lhe responder... Desculpe dizer-lhe, mas nunca dei conta de que alguma vez discordasse do JMT :)
- Eu tomo uma aspirina se estiver doente; tomo a pílula se tiver um problema com os ovários; tomo um medicamento para "corrigir" o que está errado; não vou tomar a pílula para "corrigir" a minha sexualidade, visto ela ser uma das maiores maravilhas da natureza.
- Dizer que é o meio para se chegar ao fim (família numerosa) é indiferente é o mesmo que dizer que, para emagrecer, tanto dá ir pelo caminho de uma dieta saudável, como pelo caminho da bulimia. Não, o meio não é indiferente!
- O sacramento do matrimónio acontece entre os conjuges, eu sei :) Em que é que isso invalida o que eu disse sobre ele?
- O Papa Paulo VI foi corajoso, sim. Um cristão com medo da cruz não é cristão. Ir contra corrente é próprio do cristianismo.
- Andar de termómetro atrás é uma medida recomendada em casos graves, em que evitar uma gravidez é um assunto grave, em que há problemas sérios por detrás. Não é o aconselhável na humanae Vitae! Os métodos naturais são tão mais simples e... naturais! Sim, os métodos naturais podem ser uma batota, se usados mal; mas pelo menos, mesmo de forma errada, não negam positivamente (embora neguem pela negativa, se me faço entender) o sentido profundo do amor de Deus, um amor magnânimo, verdadeiro, sem medo, sem mentira.
- A contraceção é tão antiga quanto a humanidade. A diferença é que hoje ela é praticada até por cristãos, coisa que nunca antes tinha acontecido. Os cristãos, desde os primeiros tempos, distinguiam-se por não praticarem contraceção.
Bem, não vou alongar-me mais - já tinha jurado não o fazer! - E vou em vez disso tomar conta da minha família numerosa. Ab
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De Carlos Duarte a 15.10.2014 às 20:30

Olá de novo Teresa. Os filhos não andam sempre "a monte"? Os meus quase que poderiam ser definidos por isso! :P

- A pílula não corrige a sua sexualidade, por a sua sexualidade não é definida pelo acto reproductivo. O facto de ser mulher dá-lhe uma capacidade teórica (real felizmente na grande maioria das vezes) de ser capaz de engravidar. Mas não lhe dá garantias. O que a pílula faz (ou outro método contraceptivo) é a capacidade de ser capaz de controlar a sua capacidade reproductiva sem que para tal tenha que negar a sexualidade.

Já agora, e aproveitando a reposta, esqueci-me de escrever no meu posto o porquê de achar que pílula era mais complicada que o preservativo. A pílula pode ser, eventualmente, considerado um método abortofaciente (ao inibir a implatanção do ovo), apesar de isto ser maioritariamente verdade apenas para alguns tipos das chamadas pílulas do dia seguinte.

- Não percebi o meio para chegar ao fim. O fim não é uma família numerosa, mas sim uma família. Um filho (apesar de eu não achar suficiente) já chega para se poder considerar uma família. O método que se utiliza para definir a maneira de lá chegar muda, concerteza. Mas desde que o método seja seguro, parece-me aceitável e acho que comparar com a bulimia (que é uma pertubação psiquiátrica) um pouco excessivo... parece-me mais correcto dizer que apenas se aceita para perder peso ir ao Ginásio. Fazer dieta e negar o instinto natural para se alimentar e auto-preservar está errado...

- O problema aqui é que sendo o sacramento entre os Esposos, a Igreja deveria prestar atenção ao modo e intuito com que quem confere o sacramento o faz. Quando a grande maioria dos católicos aceitam a contracepção e não lhes causa engulho moral, parece-me que a posição da Igreja acaba por roçar a arrogância. Os leigos são, e é bom que não se esqueça, membros de igual importância na Igreja (não de igual responsabilidade, isso é outra coisa), pois são tanto filhos de Deus como padres e bispos.

- Não escrevi que achava que Paulo VI não tinha sido corajoso, mas sim que tinha cometido um erro. Ir contra a "corrente" (e aqui a "corrente" era constituída por cientistas, teólogos, médicos e filósofos) tanto pode ser coragem como imprudência.

- O termómetro era um exagero, figura de estilo. O que queria dizer é que de duas uma: ou se aceita na totalidade que a concepção depende da vontade divina (ou sorte, para quem não é crente) e então não se recorre a método nenhum que envolva uma vontade de não-engravidar (i.e. quando se engravida, engravia literalmente porque aconteceu, não porque se tenha feito algo a favor ou contra isso) ou então parece-me moralmente equivalente métodos que não envolvam uma rejeição absoluta da capacidade reproductiva (como esterilizações definitivas) ou provoquem aborto.

- Os cristãos sempre praticaram contracepção. E a Igreja - de uma forma ou de outra - sempre condenou. O que mudou radicalmente com a pílula foi a facilidade e eficácia do método. E mudou igualmente o conhecimento de como se processava a concepção. O principal problema da prevenção da concepção (e remetendo à famosa bula de Inocêncio VIII) era o de não permitir marido e mulher terem actos sexuais. Ou seja, de negar o cumprimento do sacramento. Não é isso que aqui está em causa (como escrevi, considero que um casal católico que renegue a possibilidade de ter filhos como tendo um casamento nulo).
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De Anónimo a 21.10.2014 às 16:08

Palavras do Papa Francisco na homilia de beatificação de Paulo VI:

"Nesta humildade, resplandece a grandeza do Beato Paulo VI, que soube, quando se perfilava uma sociedade secularizada e hostil, reger com clarividente sabedoria – e às vezes em solidão – o timão da barca de Pedro, sem nunca perder a alegria e a confiança no Senhor."
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De Anónimo a 15.10.2014 às 21:41

Em pleno 2014 basear opiniões e escolhas de vida com base em doutrinas escritas acerca de entidades imaginárias de fantasia propagandeadas por gente velha e ultrapassada sentada em tronos de ouro pago pelos ignorantes e saqueado dos infiéis, que não sabem o que é ser pai ou mãe de ninguém porque são proibidos de o saber pela mesma doutrina, apesar de opinarem como se fossem especialistas em sexualidade e familia que nunca tiveram ou fizeram.


E no entanto os que estão errados são as que tomam as pilulas ou os maridos que o permitem (como se a mulher fosse um objecto do homem que só faz o que ele deixar)?

Tão triste que chega a dar pena haver quem ainda pense assim.

Enfim....
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De Teresa Power a 15.10.2014 às 21:52

É mesmo triste :)
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De Anónimo a 15.10.2014 às 22:24

É.

Mas felizmente vocês são irrelevantes na sociedade moderna actual.

As vossas opiniões e crencas estão fora das escolas, fora dos meios cientificos e fora da cabeca da maior parte dos jovens de amanhã que hoje estudam na faculdade e amanhã terão cargos de relevancia que impliquem mexer com a vida da sociedade.
E tomarão decisões sem a poluicao mental que a religiao impôe.

Verdadeiramente livres no pensamento e vontade.

Como todo o ser humano nasce, antes de ser corrompido por alguem como você,que lhes incute o medo surreal de que há um ser imaginario no ceu que tudo vê e tudo julga e que os quer castigar se nao fizerem o que está certo e que tudo o resto é pecado (como tomar a pilula) e o pecador é para arder eternamente no fogo como está escrito num livro feito ha milhares de anos por gente que achava que a terra era plana e quem estava doente padecia de demónios no corpo.




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De Olívia a 15.10.2014 às 22:36

Com uma opinião tão cheia de sabedoria realmente só falta a coragem de a assinar!
Olívia
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De Bruxa Mimi a 15.10.2014 às 23:25

Bem observado o que escreveu a Olívia.
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De Anónimo a 15.10.2014 às 23:33

Muito prazer.

Alexandre.

Não acrescnta nada ao debate, mas se a faz mais feliz....
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De Olívia a 16.10.2014 às 12:22

(era mesmo só para também rezar por si, nas nossas orações familiares, não leve a mal)
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De Alexandre a 16.10.2014 às 14:41

Ah sim.

A oracão.

Esse metodo tao efectivo de nao fazer rigorosamente nada, mas ficar de consciencia tranquila porque se falou com seres invisiveis no universo sobre um problema qualquer.

Por favor...
Dispenso essa "caridade".
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De groucho marx a 15.10.2014 às 22:31

Teresa Power eu sempre fui fã de métodos anti-concepcionais naturais, penso até ter um pequeno fetiche pelo género.

Não sei, acho mais divertido, é só isso. Será pecado?

Et tu, JMT?
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De Alex a 16.10.2014 às 11:15

Grande testemunho de uma cristã, sem medos, sem hipocrisias.
Tem toda a minha admiração.
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De Nicole I. a 16.10.2014 às 10:29

Teresa fico feliz pela sua decisão de não usar medicamentos nem contraceptivos para praticar o amor. E tem a sorte de ser uma mulher fértil e ciclos regulares, contudo como profissional de saúde fique sabendo que é muito raro a mulher ter ciclos regulares de modo a que consiga saber qual a janela onde está fértil ou não.

O mais triste da igreja se impor na vida sexual das pessoas, é quando leio processos ginecológicos das mulheres que não usavam nenhum método contraceptivo porque bem neste momento tem 82 anos portanto naquela época para além de não existir a pílula quem usava preservativos eram as meninas da vida. Pois essas ditas mulheres dizem, tenho 3 a 4 filhos sim e então quantas vezes engravidou, 7 a 9 vezes e os outros filhos, fiz interrupção da gravidez... Sabe bem como não sabe, a parteiras para além de fazerem nascer crianças também sabiam eliminar o problema de forma brutal e cruel com grandes consequências físicas e psicológicas das mulheres.

Na natureza não existe métodos contraceptivos sim mas o tempo de vida de vá uma leoa é de 15 anos máximo, mas como ela é exposta a natureza e aos seus elementos vive muito pouco tempo e as suas crias nascem 3 de uma vez porque raramente sobrevivem e se sobreviver é mais comum ser apenas 1... Sim a própria natureza se auto regula para não ficar super populada, basta que estude. O problema é que o Homem criou a Medicina, aumentou a sua esperança de vida de modo que não é auto sustentável se todas as mulheres e homens não evitassem uma gravidez, repito o que disse inicialmente é muito complicado para a maioria das mulheres saberem quais os dias férteis uma vez que não são regulares.
Estudos já foram feitos nos EUA onde existem várias pessoas que não se protegem e seguem a fé Cristã a letra, a média de filhos é 12, sim leu bem 12 filhos, tal como os nossos avós relatam ter tido 11 irmãos mas que infelizmente uns quantos morrerem em criança. Pois a diferença é que agora não morrem.

Ore imagine lá se todos os cristãos e vamos só mencionar os cristãos decidem seguir os mandamentos da Igreja, porque na Bíblia não vem lá nada a não ser ama o próximo e multiplicai-vos não diz propriamente através do amor, mas pode ser multiplica a vossa fé pelos outros. Ora se todos decidissem seguir regras absurdas, iria resultar em fome, esgotamento de recursos, mais desemprego... Mais doenças, sim claro, um belo plano divino esse sim senhora. Ora se é tão católica como diz e recusa medicamentos recuse tudo, antibióticos, vacinas, transfusões de sangue, cirurgias e ah e comece a parir em casa sim... Porque Deus decide tudo logo também ele decide se em caso de doença você morre ou vive... Se tem Cancro é a vontade divina a chamar por si, se um filho seu tem apendicite operar não é a vontade divina e plena de Deus a chamar o seu servo para junto de si.

Ah mas espere é aqui que inventam que os Médicos e a Medicina são um instrumento de Deus e que Deus criou o homem logo criou a Medicina e por isso a Igreja não é contra as curas médicas... Mas os contraceptivos já claro pois... É só para que lhe agrada certo... e queimar bruxas ainda esta na moda ou já ficou demodé ou espere a perseguição de não cristãos a inquisição... Então se é assim tão religiosa devia de achar que a Igreja nunca meteu o pé na poça. Claro por estas doutrinas e pessoas cegas pela religião é que andam para ai a decapitar pessoas, ah mas esses seguem a fé islâmica pois como se os cristãos nunca tivessem feito o mesmo.
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De Alexandre a 16.10.2014 às 12:05

Grande comentário Nicole.

Bravo. A verdade doi mas é a verdade.
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De Maria Isabel Prata a 16.10.2014 às 17:52

Jesus disse "Amai-vos uns aos outros". Como diz um padre Jesuíta que já me fez mais crente do que um milhão de missas, quer lá saber Jesus da contracepção, ou se as pessoas vão à missa em jejum, ou de braços tapados e véu na cabeça (há não tantos anos assim na escala temporal da igreja assim era), Jesus disse amai-vos e respeitai-vos. De certeza que Jesus não queria que famílias inteiras fossem dizimadas pela SIDA, milhares de órfãos nos países africanos cristãos, e quando chegam as organizações de saúde, dizem "preservativo não, a religião não permite". Tretas, mas tretas que tiram a vida a milhares e milhares de pessoas. Que essa gente também tem direito a amar e a fazer amor. Será que era isto que Jesus queria?


Depois, falar a partir da nossa experiência pessoal e "se eu faço assim e consigo, só tens que fazer como eu" é de uma arrogância muitíssimo pouco cristã ou católica. A soberba é um grande pecado. Logo porque cada mulher é diferente, e nem todas têm esses ciclos férteis tão abençoados (se calhar é porque rezam pouco), que controlam tão bem.

E quem é a Teresa Power para julgar o sagrado que é o meu casamento, ou o de outrém. Isso é entre mim e Deus. È mesmo muita arrogância.

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