Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]





O estranho mundo das calças femininas

por João Miguel Tavares, em 06.11.14

Um dos aspectos muito positivos de ter um blogue familiar é que um gajo pouco sofisticado como eu é com frequência confrontado com o estranho - mas extremamente exigente - mundo da estética feminina. A propósito deste post, eis parte do comentário da Nicole l.:

 

JMT, não é só uma questão de marketing e de auto-estima. Se entrar numa loja da moda como a Zara ou a Pull and Bear vai encontrar calças minúsculas adaptadas ao corpo de jovens esqueléticas. Eu usava o 32 com 12 anos, com a puberdade passei para o 34, e na faculdade passei a usar o 36. O 36 sempre me serviu na Zara, e qual é o meu espanto quando de um ano para o outro o 36 deixou de me servir e tive de usar o 40. Saí da loja a chorar e não o trouxe comigo. A minha mãe só dizia "mas não engordaste assim tanto, decerto..." Na minha cabeça eu só pensava "40 é o que usa a minha mãe, que já teve filhas, ando eu aqui a não comer porcarias e engordo na mesma". A minha mãe foi a outra loja, comprou um 36, e obrigou-me a vestir em casa. E olha, servia... Comecei a perceber que certas lojas, em vez de seguirem uma numeração igual a todas, não: diminuem cada vez mais o tamanho das calças mas metem a etiqueta do número 34, por exemplo, quando devia ser um 32.

 

A minha pergunta é: isto é mesmo assim? Ou é uma opinião exclusiva da Nicole? 

 

youth-skinny_jeans-granny_panties-trouser-fashions

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:26


71 comentários

Sem imagem de perfil

De VCFC a 08.11.2014 às 14:55

Sim é verdade... Já dei por mim a comprar calças número 40 porque o 38 que sempre me serviu não dava! E ainda ontem, dentro da mesma loja, umas calças 38 serviam, e outras de um modelo um pouco diferente já nem passava das ancas... incrivel. Outro problema é a proporção pernas/cintura, a maioria das calças que me servem nas coxas e pernas, estão largar na cintura... Nesse mesmo dia, após experimentar quase 10 calças e não gostar de nenhuma, acabei por comprar uma saia e alguns collants, assunto resolvido.
Sem imagem de perfil

De Ana a 07.11.2014 às 19:52

Identifico-me com este drama das calças femininas, 34 quando tinha 13/14 anos, 36 dos 15 aos 18 anos, agora aos 23 depende - 36 ou 38.. Mas hoje em dia as calças são confeccionadas de uma maneira que só fica bem a quem tiver as coxas magras e anca estreita - eu tenho anca larga e sou baixa, vai dai que me sinto balofa com umas calças de ganga, apesar de só ter 50 quilos.
A minha solução? Saias e vestidos, sempre! :D adoro, e recomendo as senhoras que aqui comentaram. A carteira e os homens agradecem! Não concorda?
Sem imagem de perfil

De SSousa a 07.11.2014 às 17:25

Mas pior do que a história das etiquetas, independentemente do numero que lá está escrito, é as calças de "hoje" terem as perneiras tão finas que só cabem mesmo em pessoa extremamente magras ou crianças.
Isto porque já tenho deixado para trás calças em que percebo que a parte de cima me vai servir perfeitamente, a nivel de cintura e rabo e não as consigo vestir porque tenho uma perna de espessura média e as pernas das calças simplesmente não passam....
Sem imagem de perfil

De Missi a 07.11.2014 às 20:53

Eventualmente o que refere é que se pode chamar de problema: vê umas calças que gosta e com frequência acaba por não as conseguir vestir por a perna não "caber", dado insistirem em usar moldes mais reduzidos que o expectável em termos de proporções femininas. Compreensível.
Agora o problema da menina em causa no post, não se trata de não conseguir vestir umas calças que gosta e que, supostamente, até lhe ficam bem, mas porque o número que surge na etiqueta não é tão pequeno como gostaria. Ora a menina só coloca em causa o seu físico e aparência envergando determinados trapitos após ver o número na etiqueta. Até lá, nem se apercebia de como poderia estar mais avantajadita, nem ninguém à sua volta parecia dar-se conta do facto.
A sério?? Sou só eu a supor que esta menina não deverá enxergar vida para além das revistas de moda e futilidades afins, a sua perceção tão formatada pelo que veiculam que deixa de ter uma apreensão própria da realidade? Pêpa II? Será o ar que compõe o vazio que a preenche o causador da barriga mais inchadita?
Ele há com cada... (suspiro)
Sem imagem de perfil

De CB a 07.11.2014 às 17:18

Honestamente nunca tive esse problema, sempre vesti o mesmo número e nas mesmas lojas e nunca senti essas diferenças. Entretanto já tive um filho e no pós-parto voltei a usar a roupa de antes de engravidar sem problemas e visto na Zara e na Berska e na Pull e afins e sempre vesti 36, cheguei a vestir 34 antes dos 18, mas só isso.
Acho que a questão da imagem está na nossa "cuca" e acho que temos de saber gostar do nosso corpo. Eu não tenho mamas, como a Keira e sempre soube lidar com isso, quem gosta, gosta, quem não gosta gostasse. Esse facto nunca foi razão para se sentir inferior, nem na altura parva da adolescência.
Sem imagem de perfil

De ana franco a 07.11.2014 às 16:55

Boa tarde,

É mesmo assim João, a Nicole tem razão e acho que alguém devia fazer alguma coisa sobre isso.
E eu não estou a falar por ter quase 50 anos e vestir o 40, porque para a minha idade até me sinto muito bem, podia vestir até o 38 mas não gosto de andar com roupa justa, como é moda!
Mas realmente, sobretudo na Zara nunca encontrei um modelo e numero de calças que me servisse, até encontro o 38 mas deve corresponder a um 34, no minimo!!
Sempre digo que é roupa para anoréticas e é verdade. Ou então a Zara prefere ter roupa só para um público feminino entre os 10 e os 18, algo que não posso discutir, são escolhas.

Abreijos
Sem imagem de perfil

De JB a 07.11.2014 às 15:52

Sempre ouvi dizer que "os homens não se medem aos palmos".
Pelos visto são as mulheres que se mede aos palmos!
JB
Sem imagem de perfil

De Carlos Duarte a 07.11.2014 às 11:29

O tamanho da roupa (sejam calças seja outra coisa qualquer) é uma idiotice. Num mundo com tudo normalizado, não se percebe como raio o tamanho da roupa não o é! Um 36 deve ser um 36 aqui e na China. Pode depois o mesmo 36 não servir a duas pessoas? Pode, mas não pela cintura, mas por ser mais justas ou menos justas, mais compridas ou menos compridas (o que me lembra que já era mais que tempo de importarmos o "inside leg" anglo-saxónico - as calças não encolhem nem esticam a bel-prazer).
Sem imagem de perfil

De Nicole a 07.11.2014 às 08:47

Obrigada JMT pelo destaque ;P

Vou só referir por alguns comentários que li aqui, que eu agora tenho 29 anos e este episódio aconteceu quando eu tinha 19 ou 20 anos... e foi no mesmo ano que houve a polémica campanha na espanha contra a ZARA e outras marcas espanholas que reduziram o tamanho das calças e deixaram de fabricar tamanhos ditos maiores.
Hoje com 29 anos pós parto de uma filha linda estou a marimbar para o número que visto, claro que é um pouco irritante quando numa loja o 42 fica a nadar e o 40 serve e noutra vou buscar o 40 e fica justo e não consigo encontrar numero maior. E atenção não engordei 30 kg na gravidez, sim tenho algum peso a mais mas estou ainda no dito saúdavel.

Hoje em dia tenho maturidade suficiente para entender o que as "marcas" fazem e o público alvo a que se destinam, mas covenhamos que a algumas mulheres e ainda pior nas adolescentes isto pode levar a sérios problemas de imagem. O que para uns pode ser rídiculo para outros pode tomar caminhos perigosos.

Ontem vi um documentário na sic sobre os labirintos de Soraia, uma jovem com disturbios mentais, causados pelo bulling e afins, com tendências suicidas. Perdia a conta das x que se tentou matar com 14 anos apenas e sem nenhum hospital ou instituição poder ajudar, pois o SNS não está preparado com os problemas mentais dos adolescentes. Mas eles existem lá porque os queiramos ignorar.

Eu fui vítima de bulling, ligeiro é certo durante varios anos da minha escola, e lembro como isso me tornou insegura, tímida e anti-social. Nunca fui uma adolescente que saia para ir ao café, ou ao cinema e muito mais porque tinha medo que ia ser gozada por não me vestir de igual, ou ter o cabelo igual, entre muitas outras coisas. Dai que podem perceber como um par de calças me abalou e muito. Ultrapassei muitas inseguranças minhas a minha conta e graças a "atenção masculina" que recebi no meu primeiro ano de faculdade, antes era a impopular a menina que nunca era convidada para nada e depois quando mudei de cidade e fui para a universidade todos queriam estar comigo e falar comigo. E claro que o meu primeiro e actual marido ajudou e muito a lidar com as minhas inseguranças e dramas alimentares.

Na mesma faculdade onde eu estudei e na mesma residência onde eu vivi, a minha colega de quarto sofria de bulimia... tinha pânico de comprar roupa, se algum peça não lhe servia comia tudo o que via numa crise de pânico e a seguir ia tudo fora... Ela era felizmente acompanhada por um psicologo, mas chegou a estar internada numa clínica privada para lidar com o problema.

Para alguns o bulling é ah e tal antigamente também havia, mas hoje os míudos são todos uns fraquinhos e maricas que não se sabem defender (sim já ouvi babaridades destas). Tal como para muitos um par de calças ou a didatura da moda feminina é uma parvoeira, porque se não serve um par de calças, escolhe outro e pronto siga a marinha.

Mas não se esqueçam que não somos todos iguais....
Sem imagem de perfil

De tereza moura guedes a 07.11.2014 às 10:07

Algumas lojas, como a Zara, alteram a correspondência "universal" entre tamanho e número. Acho isso um bocado tolo, mas enfim...À chacun a sua tolice, não é?
Sem imagem de perfil

De Nicole I. a 07.11.2014 às 10:24

A Chacun não entendi o que quer isso dizer.

Mas se acha uma tolice uma tabela universal de numeros de calças... porque existe uma para o calçado, eu em todo lado calço o 35/34 nem mais nem menos e facilmente sei o que procurar nos sapatos.

Nas calças femeninas é preciso as vezes levar 3 a 4 pares de calças para saber qual serve. Perda de tempo não.

No caso dos homens isso não é assim tão evidente, o meu marido entra numa loja e sabe bem que é um 36 na numeração europeia e um 32 na numeração "inglesa" como a C&A e se falhar é por muito pouco é apenas um número acima ou abaixo.

Já eu posso entrar numa loja e caber num 38, como nessa mesma loja só me servir um 42?!
Imagem de perfil

De akytou a 07.11.2014 às 10:36

"Tolice", como me pareceu óbvio, será, aqui, não seguir critérios universais - caso da ZARA e algumas outras lojas, talvez tb espanholas. E - desculpe! - mas estamos a falar de roupas "femininas"... Vale? Quanto ao "chacun", brincadeirinha à francesa...Não percebeu?!
Sem imagem de perfil

De Teresa a 07.11.2014 às 11:53

Já trabalhei numa loja de roupas para mulher e posso lhe dizer que a Nicole está correcta nas afirmações que faz. Os próprios fornecedores de roupa explicavam-me que a numeração francesa era completamente diferente da espanhola e da portuguesa... As clientes ficavam chocadas porque para determinadas marcas só lhes servia um 42 quando estavam habituadas a vestir um 38... e é complicado explicar as mulheres que a culpa não é deles, não há nada de errado com o seu corpo, são as marcas que, infelizmente, não se guiam por critérios universais mas de acordo com a forma das mulheres do seu pais: mais redondas, com mais ou menos ancas... etc
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 07.11.2014 às 14:51

HEHEHEHE esta história (verdadeira) da mudança de números das calças na loja A B ou C e que qualquer senhora ao perceber que veste um 42 em vez de um 38 ... bem.... é melhor andar uns dias a comer alface parece a história dos tamanhos dos preservativos africanos e chineses.... ahahahahah só que no caso deles não há dieta que valha!! ahahahahahahah (eu passo a explicar...) Para poupar uns tostões.. uma empresa de preservativos da Àfrica do Sul solicitou à China meia dúzia de toneladas de condoms feitos lá na china com reduções nos preços de material e de mão de obra.... A encomenda foi recebida, fabricada e remetida.. no entanto... o material assim que chegou ao destino na Àfrica do Sul era alvo de duras críticas.... não cabia.. rasgava-se.... e não haviam dietas que lhes valessem... mas o produto na China... era do melhor que podia haver e entre os Chineses nunca em tempo algum teriam havido queixas daquelas.... capiche? as fábricas também moldam a roupa à medida da freguesia... nós é que temos a mania de importar.... deve ser da globalização kkkkkk
Sem imagem de perfil

De Isabel a 07.11.2014 às 17:42

Mas que comentário tão poucachinho.
Cada um só devia falar do que sabe, infelizmente o tuga tem a mania que tem piada e não resiste a meter a colherada e a fazer estas tristes figuras.
Hehehe e kkkkkkk também para si.
Sem imagem de perfil

De Bruxa Mimi a 06.11.2014 às 23:05

Se vestissem normalmente o 42, nem sequer entravam em algumas lojas e aceitavam como bónus sempre que conseguissem vestir um 40 e faziam uma festa quando por acaso descessem dos "entas"... Comigo é assim! :-)
Sem imagem de perfil

De Ana a 06.11.2014 às 21:59

Esta é a primeira vez que comento este blogue apesar de ser uma leitora silenciosa há já algum tempo. Não é por nenhum motivo em especial que comento pela primeira vez neste post (a não ser, talvez, o facto de ter chegado a casa cedo, contrariamente ao que é costume, e, portanto, ter o serão inteiro à minha frente. :)

Relevando um pouquinho para segundo plano a questão dos números da roupa divergirem conforme a loja/marca, o que a minha experiência me diz ser também verdade., preocupa-me muito mais a face escondida desta questão. A imagem que temos de nós próprios é importante na construção da nossa auto-estima mas algo está errado quando sentimos necessidade de sair a chorar porque o número das calças numa determinada loja não nos serve, quando sentimos que isso é motivo suficiente para vermos a nossa auto-estima - isto é, o quanto gostamos de nós - destruída. Atenção que não estou a criticar, de forma alguma, a(s) pessoa(s) a quem isto acontece! Estou a reflectir sobre onde esta história da imagem corporal, e a fragilidade dessa imagem nos pode conduzir. Como psicóloga, entendo os motivos, mas é precisamente na construção de algo mais sólido que trabalho todos os dias com as pessoas que atendo. Esta imagem, a forma como a vemos, a apreciamos, a cuidamos também, constrói-se desde o primeiro momento, nas interacções e nas experiências. Isto para que, numa altura crítica de construção da nossa identidade, como é o caso da adolescência, a nossa auto-estima, naturalmente abalada pelas mudanças por que passamos, não fique reduzida a pó só porque o 36 deixou de servir, mesmo com tantas restrições alimentares.

Comentar post


Pág. 1/6




Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D