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O tabu da amamentação #2

por João Miguel Tavares, em 18.11.14

A discussão a propósito deste post, na caixa de comentários, está a atingir níveis particularmente acirrados, pelo que eu pedia um pouco mais de moderação aos leitores, para eu próprio não ser obrigado a moderar o que ali é dito. Como sabem, os meus níveis de tolerância argumentativa são bastante elevados, mas convém mantermo-nos dentro de certos limites de razoabilidade.

 

O que se querem são opiniões equilibradas e, de preferência, argumentadas, como é o caso desta da faty eilans:

 

Confesso que este debate acerca de amamentar me deixa muito frustrada. Ter um seio à mostra para dar de alimento a um filho está longe de ser obsceno, a natureza fez-nos fisiologicamente eficientes. Infelizmente, ter um seio à mostra é visto por uma sociedade dita evoluída como um acto sexual.

 

Logo, esteja o seio à mostra para amamentar ou por qualquer outro motivo, a interpretação do acto acaba por não ser diferenciada. Nos dias de hoje, em que uma mulher é julgada por se sentir capaz de suportar os olhares muito indiscretos na exposição do seu corpo, aceita-se mais facilmente uma Kim "artística" do que uma Alyssa "mãe que alimenta filho".

 

Respeito ambas, mas nunca julgarei uma mãe que alimenta um filho e que o partilhe numa rede social. Como mãe que sou e que amamenta, luto todos os dias contra o preconceito de amamentar em espaços públicos quando a minha filha precisa. Um seio à mostra para amamentação não é um acto sexual, seja ele visto ao vivo ou fotografado.

 

Países como o Reino Unido introduziram o Acto de Igualdade em 2010, de forma que a amamentação não seja ostracizada quando feita em público. Acto este que permitiu a defesa de uma mãe que foi fotografada sem saber a amamentar na rua e a sua foto publicada numa rede social com um título ofensivo. O debate sobre este tópico merece um pouco mais de construção e menos julgamento moral & trocas de insultos.

 

O caso que a leitora refere neste último parágrafo aconteceu em Março deste ano, quando uma inglesa chamada Emily Slough foi fotografada às escondidas a amamentar o filho na rua e a sua foto acabou vítima de insultos no Facebook. A imagem é esta e o inacreditável comentário está em baixo:

 

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O Daily Mail conta a história aqui. Várias dezenas de mães reagiram numa manifestação pública, em que deram de amamentar aos seus filhos no mesmo local em que Emily Slough foi fotografada.

 

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A questão, obviamente, não se coloca apenas em Inglaterra. Aqui encontram um texto brasileiro que faz um bom resumo da situação, e dá exemplos - a meu ver, inconcebíveis - de mulheres que são incomodadas, inclusivamente em instituições públicas, por amamentarem os filhos.

 

Foi o que aconteceu à modelo Priscila Bueno num museu de São Paulo, também este ano, o que deu origem a um protesto no mesmo local semelhante ao das inglesas em defesa de Emily Slough, a que os brasileiros dão o colorido nome de "mamaço". A história pode ser lida aqui.

 

Blog-poster.jpg

 

O facto de estarmos na presença de uma mulher muito bonita, apenas dá razão àquelas que defendem que o problema não está no acto em si mas na cabeça de quem olha para ele. Nesse sentido, não há como negar a utilidade do Equality Act referido pela faty eilans, e que no que diz respeito à amamentação pode ser consultado aqui.

 

O que o Acto de Igualdade diz é muito simples: é considerada discriminação sexual tratar desfavoravelmente uma mulher por estar a amamentar em público. Ninguém pode pedir que pare, nem recusar prestar-lhe um serviço (num café, por exemplo) por causa disso. Parece-me uma coisa básica - mas, pelos vistos, há coisas básicas que necessitam de ser verbalizadas.

 

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publicado às 09:22


59 comentários

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De Anónimo a 22.11.2014 às 12:41

Eu sou mãe de gémeos que amamentei em exclusivo e a pedido nos primeiros 6 meses e que ainda amamento aos 30 meses... Enquanto bebés e especialmente por serem 2 passava a maior parte do meu tempo ou a amamentar ou a mudar fraldas por isso se não amamentasse fora de casa nunca conseguiria sair... Fi-lo em restaurantes, pastelarias, shoppings, no carro, na praia, onde foi necessário, mas fi-lo sempre com uma fraldinha a tapar, (excepto na zona de amamentação do shopping onde estava normalmente sozinha ou com outras mamãs) porque apesar de os meus filhotes não gostarem nada o meu marido ficaria incomodado se não me "resguardasse". Hoje em dia quando eu digo que ainda amamento, a maior parte das pessoas reage quase com choque, como se fosse algo contra-natura, alguns felizmente ainda me dão os parabéns!
Posto isto acho que acima de tudo a mentalidade da nossa sociedade é ainda muito machista (acho que se fizessem aquele vídeo da actriz a passear pela rua não seriam só 100 piropos seriam muito mais e na sua maioria muito mais rudes e malcriados) e muito pouco informada (incluindo pediatras que continuam a recomendar dar de mamar 10 min em cada mama o que é completamente errado e uma verdadeira receita para o desmame precoce) porque as vantagens do leite materno são inúmeras em especial a longo prazo. Acima de tudo devem ser respeitadas e bem aconselhadas todas as mamãs (que queiram amamentar ou não) e devia ser educada a sociedade para encarar como algo natural, correto, respeitável e não como um ato com conotações "sexuais".
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De Entre Dias a 18.11.2014 às 23:30

E que tal se cada um se metesse na sua vida e deixasse o outro ser como quer ser? Parece-me uma óptima ideia.
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De Susana V. a 18.11.2014 às 17:35

Olá,

Isto da amamentação é como tudo: o importante é haver liberdade para decidir. E aqui quem tem de decidir amamentar ou não, por 3 meses ou por 3 anos, é a mãe. E se não se consegue, não se consegue. E se não se quer, não se quer. Ninguém tem de se sentir culpada por isso. O que a sociedade tem de fazer é facilitar a vida a quem dá de mamar e respeitar a decisão de quem não dá.

No entanto, gostaria de deixar aqui umas quantas notas:

1) Em Portugal, apesar de toda a conversa em prol da amamentação, amamentar um bebé mais tempo do que os três meses da praxe é, na generalidade, muito mal visto. E os médicos e enfermeiros não ajudam nada, antes pelo contrário. E é pena, pelos bebés, mas sobretudo pelas mães.

2) Dar de mamar não tem necessariamente de ser um momento mágico de amor e partilha. Isso é nos filmes e nas revistas cor-de-rosa. Há momentos em que é assim (como suponho que dar o biberon também será). Mas quando se atinge a velocidade de cruzeiro, e se dá de mamar cerca de doze vezes por dias durante 6 meses, amamentar torna-se num acto fisiológico normal. Tal como depois dar a papa.

3) Dar de mamar facilita IMENSO a vida da mãe. Pode-se sair de casa só com uma fralda na carteira. Não é preciso andar com água morna, esterilizar biberons, etc. Desde que o bebé esteja ao pé da mãe tem tudo o que precisa. Talvez seja esta liberdade da mulher-mãe aquilo que mais incomoda a muita gente...

4) Eu sou uma pessoa extremamente ciosa da minha privacidade. Não suporto multidões por precisar de sentir meu espaço vital salvaguardado. No entanto nunca senti qualquer inibição a dar de mamar. No restaurante ou na paragem de autocarro. Acordada ou a dormir. Até já amamentei numa oficina de automóveis, rodeada de posters bem mais impressionantes do que eu! :-) Simplesmente, não tem nada a ver…

5) Quem tem problemas em assistir ao acto de amamentar pode simplesmente evitar olhar. Será assim tão difícil? O horizonte tem 360 graus, caramba!

Cumprimentos a todos.
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De Sílvia a 18.11.2014 às 17:41

Mas tirou a maminha para fora enquanto falava com o senhor da oficina, ou foi para um canto mais privado?
É uma pergunta mesmo inocente, por simples curiosidade. No sentido de que disse que detestava multidões, tal como eu, nunca me veria a sacar assim da mama à maluca em frente ao empregado de mesa por exemplo (mas não julgo quem se sinta à vontade para o fazer), daí estar a perguntar.
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De Anónimo a 18.11.2014 às 18:17

Exatamente Silvia, é o que eu tenho tentado dizer.
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De Susana V. a 18.11.2014 às 19:04

Teria tirado sem problema nenhum. Aliás não me lembro de alguma vez ter sequer considerado essa questão... A bebé precisava de mamar, e se não lhe fosse disponibilizada a refeição rapidamente a situação poderia piorar para todos.

Mas o sr. da oficina convidou-me a ir para o escritório dos posters. Eu achei que era para eu ficar mais há vontade, mas se calhar era porque o incomodava, vá se lá saber! Colocar o bebé à mama é coisa para demorar uns 2 segundos apenas. E não me parece que alguém desinteressado consiga ver alguma coisa escandalosa nesse tempo.

E sim, odeio multidões de pessoas (e de insectos). Multidões de carros e um par de mecânicos não me incomodam por aí além. ;-)
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De Anónimo a 18.11.2014 às 19:41

Susana V., gostei imenso dos seus comentários. Para mim amamentar foi a coisa mais natural e fácil do mundo. Amamentei 2 filhos até aos 9 meses. Um em exclusivo até aos 5 meses, outro até aos 6 meses. Amamentei onde tive de amamentar, sem nunca me passar pela cabeça que alguém pudesse achar obsceno ou erótico ou nojento (como já li por aqui).
Acho as fotos das mães a amamentar muito bonitas e até as acho um bom exemplo. Sendo famosas, e correspondendo de certa forma a role models, influenciam positivamente a amamentação e até a desmistificam.
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De Susana V. a 19.11.2014 às 10:31

Idem!
:-)
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De Sílvia a 19.11.2014 às 10:55

Eu compreendo isso tudo, mas o facto de se fazer de uma forma mais recatada não o torna menos natural.

Eu acho muito bem que pessoas famosas tirem assim umas fotos para incentivarem a amamentação. Já me parece parvo a foto da outra a ser penteada e maquilhada enquanto amamenta, para mim isso é nojento para o bebé a levar com os cabelos e pós da maquilhagem em cima e eventualmente cuspe dos senhores!! Para mim é o chamado nem 8, nem 80; nem tanto ao mar, nem tanto à terra!

Se se tiver que amamentar com todo o mundo a olhar, que remédio, a criança tem que comer; se se puder ir para um local mais privado não vejo porque não, a naturalidade da coisa é mesma. Digo eu!
Mas isso faria eu, não julgo quem faz outras coisas, cada um sabe de si.
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De Sílvia a 18.11.2014 às 17:26

Em relação aos comentários do outro post só tenho a dizer "nossa que biolência" (sou do norte sim)!

A mim "incomoda-me" (um poucachinho, nada que me faça mudar de local ou fechar os olhos) o pessoal fazer topless, ou estar sentado quase em pelota nas esplanadas, ou a Kim expor assim o seu pipi, porque eu sou assim um bocado para o púdica, reservada, vá. Daí que se num restaurante uma senhora sacasse duma mamoca assim à desavergonhada para dar de mamar à criança eu ficaria um pouco, sei lá, sem jeito, porque eu não o faria com esse à vontade (possivelmente colocaria uma fralda por cima, infelizmente não pude amamentar o meu pequeno, por isso não sei)... mas não podemos ser todos iguais, daí não julgar quem o faça, nem entender tanto alarido seja para defender um lado, seja para defender outro, se as pessoas se incomodassem menos com o que os rodeia eram tão mais felizes!
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De Maria F a 18.11.2014 às 16:55

Boa tarde
Eu moro em frente á praia, durante o verão o que mais vejo é mulheres e já agora também homens em cafés e esplanadas em fatos de banho bem reduzido, no caso delas com um fio dental que lhe deixa o rabo todo de fora.... e ninguém se melindra ou acha mal, ou se acha faz como eu desvia o olhar e deixa andar.
Agora ver uma mulher a dar de mamar .... já mexe com as sensibilidades, aqui dèl Rei que é preciso recato!!!!! Ora por amor de Deus. A mim incomoda-me maus tratos a crianças, negligência, falta de amor etc.
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De Anónimo a 18.11.2014 às 15:50

Para mim o problema não está no ato de amamentar em si, que se for feito de forma natural, calma, reservada é um ato lindo e de amor.
O problema é quando nos arrogamos de todos os direitos e mais alguns porque amamentamos.
Em exemplo: estou à mesa do restaurante, o bebé tem fome, o garçon aproxima-se para eu fazer o pedido. Tenho mesmo a necessidade de, nesse exacto momento, sacar da mama para por o bebé a mamar? Não dá mesmo para esperar uns minutinhos até se ir embora e começar a amamentar? Ou dizer ao senhor "só um minuto que já o chamo para fazer o pedido"? É que o tira e põe a maminha na boca é que expõe mais. O acto de mamar em si, pouco expõe a mama da mãe.
Já disse isto a amigas minhas que me respondem: a mama é minha, o filho é meu, eu é que sei.
Tudo bem, mas já vi miudos, sim miudos por vezes novinhos, a servir numa esplanada e ficam um pouco sem saber o que fazer uma vez que estão a receber um pedido, logo não podem ir embora nem deixar de olhar para a senhora que está num plano inferior (sentada).
Acho que não custa ser discreto.
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De DP a 18.11.2014 às 16:14

É a velha história do "A minha liberdade termina onde começa a dos outros"...
Mas se é uma coisa natural, que todas as pessoas em algum momento da vida já fizeram (porque todos já mamaram algum dia), porque é que tenho de esperar para não embaraçar as outras pessoas? Mas porque é que elas se sentem embaraçadas? Confesso que não entendo esta discussão toda... nem é só uma questão de "a mama é minha e o filho é meu", é que nem sequer entendo como se coloca a questão de ter de ter algum tipo de pudor ou discrição para amamentar, devia ser algo encarado como o acto natural que é. Não entendo como pode ser algo tão complexo na cabeça de algumas pessoas, como se pode elaborar tanto sobre um assunto tão simples...
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De Anónimo a 18.11.2014 às 16:46

Da mesma forma como eu não entendo porque tenho de fazer disso "bandeira" e mostrar mais do que o necessário para amamentar.
Por isso, já passamos para o campo das opiniões que valem o que valem.
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De Mamas ao léu a 18.11.2014 às 20:30

Sim, às vezes custa esperar uns minutinhos. Não pela mãe, mas pelo bebé. "Uns minutinhos" é o suficiente para um bebé passar de plácido e sereno a mostrar os primeiros sinais de fome a um bebé aos berros, super irritado. E , acredite que um bebé aos berros incomoda bem mais do que uma maminha discreta. O rapaz das mesas não sabe como agir? Que o faça de forma mais natural possível.
Eu amamento o meu segundo bebé. Sinceramente? Nunca gostei muito de amamentar em público, mas se tenho que escolher entre cuidar das sensibilidades de estranhos e entre o bem estar do meu filho, escolho a segunda opção. E digo mais: Quando saco da mama em público, em locais pouco "próprios" não só estou a escolher ignorar a opinião que outros possam ter, como escolho ignorar a minha vergonha.... Porque o meu filho é mais importante.
E se a amamentacao fosse uma visão mais comum do dia a dia, em vez de ficar escondida em fraldarios, e cantos escondidos, o garçom habituava-se e deixava de se sentir incomodado. E esta discussão tornava-se ridícula.
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De Elsa Machado a 18.11.2014 às 15:41

Acho que esta polémica só está na cabeça de certas pessoas... Eu tive dois bebés, hoje com 16 e 14 anos respectivamente e nunca senti qualquer problema em amamentá-los em público, coisa que fiz, a partir de 1998 (ano do nascimento do mais velho) em locais como o C.C. Colombo, o C.C. Vasco da Gama, em áreas de repouso com poltronas normais, ao lado de quem por lá estava a descansar (na altura ainda ainda não existiam zonas de amamentação junto aos fraldários) e nunca fui incomodada nem me senti incómodamente observada...
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De Mãe Sabichona a 18.11.2014 às 15:38

A sociedade está sempre a transformar-se. Hoje, a amamentação, algo tão básico, ainda gera polémicas em público porque durante muitos anos deixou de ser banal fazê-lo. Daqui a uns anos acredito que as mães de biberão sofrerão do mesmo. O problema não está na mama, no ser ou não em público, mas nas pessoas que precisam de se valorizar através da desvalorização dos outros. E quando digo pessoas, digo toda a gente, porque se há coisa que somos especialistas é a criticar e cair depois no mesmo buraco.
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De CO a 18.11.2014 às 16:59

100% de acordo! :)
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De Alice a 18.11.2014 às 15:16

No que te foste meter JMT :). É simplesmente o tema preferido de discussão das mamãs.
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De João Miguel Tavares a 18.11.2014 às 15:17

Estou a ver, estou a ver :-)
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De Sofia Lopes a 18.11.2014 às 16:02

Não esquecer o co-sleeping :)
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De António a 18.11.2014 às 21:47

João Miguel, a caricatura que escolheste, com aspecto de atrapalhado, foi a pensar nestes posts? LOL
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De Fi a 18.11.2014 às 17:07

Realmente...como se diz na minha zona : "o que práqui vai de chicha!!"
Sinto que esta expressão da oralidade aqui assenta que nem uma luva..!
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De Cristina Novais a 19.11.2014 às 00:45

Verdade, verdadinha :-) (aqui, mãe de 4)
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De Anónima a 18.11.2014 às 14:56

O comentário da JP e da Nicole ilustram um bocadinho aquilo que eu passei com as minhas filhas.
Quem me dera que me julgassem por mostrar a mama em público, embora eu ache que como em tudo na vida, temos de ter o mínimo de bom senso e os comentários que li neste blog, que por acaso nunca assisti, desde andar com a mama de um lado para o outro até se decidir dar de mamar, ou de conversar, ou estar no facebook ou fazer outra coisa qualquer ... são de todo reprovavéis.
Pois com a minha filha mais velha, agora com 14 anos, ainda ela não tinha uma semana de vida, após cada mamada já ela chorava desalmadamente. Voltava a colocá-la na mama e ela sôfrega agarrava-a e sentindo que não havia leite, voltava a chorar e foram assim alguns dias de inferno!
Que culpa tinha eu de não ter leite? As pessoas diziam, quanto mais preocupada ficas, menos leite terás! Como podia eu relaxar vendo a minha filha sem dormir, sempre a gritar cheia de fome? Foi horrível! Inevitavelmente acabei por dar-lhe leite artificial que inicialmente ela recusava, mas não tive outra opção! Foi erro meu? O que fiz eu de mal? Com a segunda filha, agora com 10 anos, durante o primeiro mês as coisas correram lindamente. Depois comecei a sentir os peitos vazios. Numa consulta com a obstetra, ela própria me disse que eu não iria ter leite por muito mais tempo! Começou outra vez o inferno ... quem me dera ter leite para dar às minhas filhas! Por todas as razões do mundo, que todos bem conhecem. Mas não tive. Tentei encontrar explicações, todos me diziam que eu não insistia o suficiente. Não sei! A minha mãe que teve cinco filhos, também nunca teve leite. A minha irmã só amamentou os meus sobrinhos até aos 3 meses, depois secou. Será genético?
O problema não era das minhas filhas, elas sabiam muito bem pegar a mama, o problema era não ter lá nada!
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De Sofia Lopes a 18.11.2014 às 16:08

Tinha leite sim ;) não transmita esse mito às suas filhas por favor.
O que não teve foi um bom acompanhamento profissional, infelizmente, tal como muitas mães. Mas não se martirize com isso, teve pouca sorte com os profissionais de saúde que encontrou pelo caminho...
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De Anónima a 18.11.2014 às 16:27

Obrigada pela suas palavras
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De Anónimo a 18.11.2014 às 17:12

A senhora é que se arroga o direito de dizer que a mãe de que se trata tinha leite e não a própria? Foi lá ver?
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De Sofia Lopes a 18.11.2014 às 18:01

Não é preciso ver :) pense lá um bocadinho. Quantas das mulheres que conhece que foram mães "não tiveram leite"? Suponho que uma larga percentagem. Agora pense noutra coisa: como é que acha que a humanidade sobreviveu ao longo dos milénios, se durante esse tempo a maioria das mulheres também não" tivesse tido leite"?
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De Tânia C. a 18.11.2014 às 21:19

Sr. Anónimo, só mais um pouco de informação: mama mole não é sinónimo de falta de leite, é sinónimo de produção estabilizada às necessidades do bebé (no segundo filho, durante um mês, tudo correu bem): um profissional não saber isto, e por palpação, determinar quanto tempo a mãe terá leite, é ignorância na sua própria especialidade; um bebé chora por muitos mais motivos do que por fome: a recusa inicial de outro alimento, é indicação de que fome não seria. Mas estes profissionais continuam aí, sem saber como ajudar as mães, sem ser com uma lata da marca que lhes paga as viagens aos trópicos...
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De Anónima a 19.11.2014 às 09:48

Sou a anónima que não teve leite. Vou contar mais alguns pormenores até para eu saber porque razão eu não consegui amamentar as minhas filhas e onde é que eu falhei.
Antes de mais cara Sofia, obrigada pelo seu conselho e fique tranquila que jamais irei transmitir a ideia às minhas filhas que uma dia quando form mães não terão leite. Se calhar, não tive o melhor aconselhamento como disse ...
No primeiro dia de vida da minha primeira filha, ela mamou depois de ter nascido (às 22.05 horas), nem um hora se tinha passado e ela já chorava que se ouvia em toda a maternidade. Passei a noite inteira com a mama na sua boquinha. Foram assim os dias que passei na maternidade. Uma enfermeira vendo-a chorar tanto, tendo eu acabado de lhe dar de mamar, obrigou-me a pôr-lhe de novo a mama. Ficou comigo o tempo todo. No final, a bebé chorava ininterrupamente. Perante isto, a própria enfermeira levou-a e deu-lhe um biberão dizendo que o meu leite não estava a alimentá-la devidamente. Ela finalmente conseguiu dormir por uma hora. Afinal, era fome ou não?
Quando saí do hospital, não fazia outra vida senão estar com a bebé na mama. Não chorava tanto, mas antes de completar uma semana de vida, o cenário repetiu-se! Aguentei ou melhor a bebé aguentou alguns dias, não dormiu o que quer que seja durante uns três dias, berrava incansavelmente e só parava de chorar quando me via a colocar a mama mas depois quando não saía nada era o mesmo berreiro. Onde estava o leite? Muito bem escondido. Eu acredito que poderia, caso tivesse aconselhamento, descobrir outras formas de ter leite, mas eu não tinha! Liguei para o pediatra do filho de uma cunhada minha, que depois de ouvir a história toda me aconselhou a dar suplemento.
Assim eu fiz, fui dificil ela pegar no biberão, mas já ía dormido ainda que pouco e já chorava menos, por isso não me digam que ela chorava por outros motivos.
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De Sofia Lopes a 19.11.2014 às 10:53

cara anónima. obrigada pelo seu testemunho, obrigada por não ter levado a mal o meu comentário. não foi de todo com o objetivo de, de alguma forma, a fazer sentil mal (e ainda bem que compreendeu). quando disse para não trasmitir esse mito às suas filhos foi porque há precisamente tantos e tantos mitos sem fundamento, vendidos às nossas mães por médicos e profissionais de saúde mais interessados em viagens pagas por farmacêuticas do que na saúde dos filhos (o que é que acham que dá mais dinheiro às farmacêuticas e fabricantes de leite em pó, no imediato e no futuro, um bebé amamentado (onde a receita dessas empresas é ZERO), ou um bebé alimentado a leite artificial (onde é a receita existe no imediato (com a venda do leite em pó), no curto-médio prazo (com as receitas de medicamentos para cólicas, cremes para alergias cutâneas) e no longo prazo (com tratamentos para diabetes, doenças cardiovasculares e muitas outras enfermidades que um adulto que tenha sido alimentado com leite em pó tem mais PROBABILIDADES de sofrer))?
voltando ao seu caso concreto, é obviamente difícil à distância física e temporal avaliar o que correu mal. eventualmente a menina fazia uma má pega? pode ser uma causa. quando bebia leite em pó saciava a fome, claro (costumamos comparar o leite maternos vs leite em pó com uma refeição de peixe grelhado vs feijoada à trasmontana - qual é que nos leva mais facilmente a dormir uma grande sesta no domingo à tarde? ;)
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De Anónima a 19.11.2014 às 11:19

Claro que não levei a mal. Eu própria, confesso, daí não revelar a minha identidade, me sinto frustrada por não ter conseguido amamentar as minhas filhas. Amei-as desde o primeiro minuto, mas os meses de licença de parto foram tudo menos de tranquilidade. Eu só queria que elas já tivessem um ano ou mais para poderem comer de tudo!
Apesar disso, foram e têm sido muito saudáveis, muito inteligentes (são as melhores alunas). Eu sei o quanto ganharia por amamentá-las. Não, não estou só a falar dos valores absurdos de leite artificial que gastei na farmácia, porque para além de tudo foi difícil encontrar o leite que melhor se adequasse aos seus organismos. Ou porque não faziam cocó ou porque vomitam-no ... enfim, foi muito, muito difícil.
Já passou! No entanto, quando este tema vem à baila, é inevitável que eu me recorde de tudo isto e ainda sofra tanto.
Obrigada Sofia, por me responder e por todos os seus comentários.

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