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Ainda a propósito do tema do sexo no sagrado matrimónio, e a queixa daquele senhor americano sobre o défice de pinanço na sua vida, a Teresa Pinho deixou nos comentários um link para este texto, cuja tese não poderia ser mais clara, sexualmente falando: "as mulheres não te devem nada."

 

A coisa vem acompanhada de gráfico colorido...

 

 

...e de fotografia esclarecedora:

 

 

Mas eu, sem querer dar uma de machista, permito-me discordar. Porque, na verdade, tanto a mulher como o homem casados devem várias coisas um ao outro. Entre as quais, sexo.

 

Sim, sexo. Um casal tem a obrigação legal de pinar. O sexo está na lei, na medida em que a jurisprudência o considera parte integrante do dever de coabitação, estabelecido no artigo 1673º do Código Civil. Aliás, juridicamente o sexo tem a magnífica - e inesquecível - designação de "débito conjugal".

 

Escreve a jurista brasileira Clarissa Bottega:

 

Apresenta-se o débito conjugal na doutrina e na jurisprudência como o direito-dever dos cônjuges de cederem reciprocamente seus corpos no intuito de obterem satisfação sexual.

 

Da mesma forma que um casamento católico pode ser considerado inválido e anulado se não for "consumado" (ou seja, se não houver truca-truca), também no casamento civil a queca está subentendida na lei: se não houver débito conjugal, não há verdadeiro matrimónio.

 

Como em tudo, há complicação e leituras divergentes (veja-se o mui interessante artigo de Clarissa Bottega acima referido), mas no caso de a sua vida sexual andar pelas ruas da amargura, pode sempre tentar o argumento jurídico: "ou damos uma queca ou processo-te". Pode ser que a líbido desperte com a visão de uma barra de tribunal.

 

Enfim, é só uma ideia.

 

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publicado às 11:29


11 comentários

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De Teresa Pinho a 29.07.2014 às 21:45

João Miguel Tavares, até há uma tese de doutoramento em Direito defendida na Universidade de Lisboa sobre os "deveres conjugais sexuais" (informação aqui: http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=3589). Nenhum homem ou mulher deveria sentir-se obrigado a ter sexo com o seu cônjuge e muito menos pressioná-lo para ter sexo porque é um dever. Aliás, se o fizer, não estará a violar o dever de respeito que também está inscrito no Código Civil?
Ver a questão por um prisma legalista parece-me um pouco redutor e um tiro ao lado de uma questão que, a meu ver, é sobretudo ética.
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De Anonimo a 29.07.2014 às 14:17

O mundo à volta, os comentários, os posts, deixam-me a sentir ainda mais em baixo. Por cá, contrariamente ao que parece ser dogma para toda a gente, é o marido que não quer. E não era assim antigamente, foi depois dos filhos. E não, não sou desinteressante, sou bastante nova, tenho o corpo que muitas mulheres gostariam de ter mesmo com dois filhos, portanto a única coisa que mudou foi ele que ficou impressionado/enojado sei lá, com a ideia de que tive dois bebés (e aqui creio que o facto de terem sido partos normais pese ainda mais no psicológico dele do que se tivessem sido cesarianas), e já conversei, já tentei entender...como se faz alguém voltar a desejar se simplesmente essa pessoa já não deseja? Todo o resto na relação está bem, mas o facto do mundo em redor pintar a ideia de que os homens têm maior necessidade, que os homens estão "sempre prontos" etc, faz-me sentir tão cabisbaixa, e mesmo com todo o resto da relaçao estando bem, que se faz nestes casos...
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De jonh a 29.07.2014 às 16:27

Dicas
Acho que também preciso de ver isto

(https://www.youtube.com/watch?v=z3D2x8ObzcM)
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De Carlos Duarte a 29.07.2014 às 17:07

Sem me querer imiscuir no que não me diz respeito, parece-me que se calhar deveria considerar uma boa terapia de casal. Porque a melhor ajuda que pode ter é sempre de profissionais.
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De Carlos Duarte a 29.07.2014 às 10:23

João, a Igreja Católica até vai mais longe. As pessoas acham que a posição da Igreja é a de que o sexo é só para procreação: absolutamente errado. A posição da Igreja é que a relação sexual no matrimónio deve ter um carácter unitivo e procreativo.

Trocando por miúdos, o truca-truca tem por fim não só fazer filhos, mas igualmente unir o casal, ser um sinal de amor entre homem e mulher. Se não houver truca-truca, é sinal que o casal não está unido ou então o que partilha não é, na realidade, um matrimónio (e está, por essa via, a trair os votos que fizeram).

A questão acaba por se reduzir, na sua forma mais simples, à questão de se não há sexo, se não "apetece", então é melhor parar para reflectir opções de vida. Saíndo especificamente do sexo, remeto sempre para um belíssimo texto do MEC:

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/cronica-um-segredo-de-um-casamento-feliz-1462647

Se não cuidamos do casamento, ele esboroa-se e desaparece. Portanto, sexo quer-se muito, do bom e por vontade. E se a vontade não existe, é ir atrás dela.
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De Ana a 01.08.2014 às 12:02

Tempos houve em que, visto o sexo como ato de pecado (recorde-se a imaculada conceição - subentendendo que o ato de conceber por si só seria causa de mácula/mancha), o ato conjugal matrimonial - ainda que reconhecidamente parte integrante do matrimónio católico - era um mal inevitável. Entendeu-se e entendia-se então (acho delicioso) se só pecaria aquele que "pedisse" o débito conjugal, ficando ilibado/imaculado/fora de pecado aquele que o aceitasse/proporcionasse/"desse". Felizmente essa NÃO É, como bem explicou o Sr. Carlos Duarte, a perspectiva e posição da Igreja hoje. Graças a Deus! :) Mas que, em jeito de brincadeira, podemos continuar a "pedir o débito" ao cônjuge, isso podemos... ;)
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De José Moreira a 28.07.2014 às 23:40

Uma pequena provocação estatística: as mulheres que mais vezes recusam sexo com os maridos, têm maior probabilidade de ser traídas.

O sexo no casamento não deveria ser encarado como um dever, como é óbvio.

Mas também é óbvio que homens e mulheres, biologicamente, têm diferenças de apetites no que diz respeito ao truca-truca: aqueles sempre com fomeca, estas nem por isso.

Como em tudo, tem de haver cedências de parte a parte. Ainda que uma mulher não esteja a morrer de vontade para o acto, pode sempre fazer um "esforçozinho" para a coisa acontecer. E depois de começar, é como as cerejas, as conversas, o coçar, e por aí fora. Se a coisa for tão má que não valha o esforço... se calhar mais vale repensar o casamento.

Como pequeno incentivo para as senhoras: pensem nisso como uma contrapartida do dever de fidelidade. Bem sei que este é recíproco, mas o esforço dos gajos para o cumprir é muito maior. Enfim, é a biologia. ;)
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De Mário Botelho a 28.07.2014 às 21:00

Pela primeira vez a comentar este blog...

Penso que o João Miguel Tavares adjetiva erradamente desta tese, a par do gráfico colorido, como clara.

Senão vejamos, e basta focarmo-nos no atrativo gráfico. Qual o motivo de tanta hierarquia e evidenciar possíveis motivos que coloquem a mulher em suposta dívida com o homem? E para mais, porque haveria essa dívida de ser paga em divisa sexual? Se o tema fosse uma evidência bastaria a frase central.
Interpreto que o porquê dessa especificação é nada mais que a exposição das situações que colocam em situação indenizatória, primeiro a criadora (assumo que seja) desta arte e depois a autora do texto que empaticamente a usou. Uma nota especial para a evolução da caixa "You are a nice guy?" cuja forma que evolui dá que pensar...

Para rematar, cuidado. A serem acrescentadas mais ligações a hierarquia gráfica ainda podíamos acabar num rotundo: "A man doesn't owe vou a breakfast".

Parabéns aos autores do blog, continuação de bom trabalho.
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De Malu a 28.07.2014 às 16:06

Realmente não considero que seja preciso meter um requerimento para que um casal tenha relações.
Aquilo que me parece é que há uma pergunta que os casais deviam colocar: como era a vida sexual antes do casamento/união?
Já era pouco frequente? Então aqui não devia de existir surpresa posterior...
Era "saudável"? Então o que aconteceu para que deixasse de haver interesse sexual?
E não, só a rotina não explica tudo, pois se o sentimento pela cara metade não muda, lá se arranjam 30 minutinhos para os dois durante a semana, haja vontade!
Acho que uma conversa sincera é uma boa base de resolver estes problemas pois, se o desejo não desapareceu então é preciso pedir ajuda (seja nas tarefas domésticas, bloqueios mentais ou mesmo fisiológicos...seja o que for que causa a indisponibilidade).
Se a paixão/desejo já ficou no passado, então...
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De António a 28.07.2014 às 14:50

É sintomático que a questão se coloque apenas (ou quase exclusivamente) do ponto de vista da mulher que "não deve sexo ao marido/namorado". O que parece indicar que há realmente (em geral) uma visão diferente (marido/mulher) do sexo conjugal.
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De jonh a 28.07.2014 às 14:13

Pergunto-vos
Sinceramente se alguém acha que passar semanas sem sexo é normal?

Alguém acha que é sempre preciso recorrer a estratagemas para convencer a SUA( não no sentido de propriedade) mulher a ter sexo.

Toda a gente gosta de ser conquistada (sim homens também) mas parece-me um pouco ridículo ter que estar a "inventar" estratagemas para ter sexo com a minha mulher, não por que não a ame ou porque seja calão, mas porque ela também devia ter "alguma" vontade de o fazer...

O sempre vi o sexo como um sinal da paixão do casal e quando é preciso SEMPRE ter um plano para mostrar o amor que se sente por alguém ... algo está mal, muito mal.

Deixem me ser um pouco purista, toda a gente gosta de preliminares mas também é bom ir direito ao assunto sem ficar a dever nada a ninguém.

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