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Quando é que eles devem ir para o infantário?

por João Miguel Tavares, em 06.10.14

Nos comentários a este post, a leitora Sílvia deixou um pedido pertinente e que pode interessar a muitos pais:

 

Vou tentar pedir-lhe, se achar pertinente, para abrir uma nova discussão: Quando é que eles devem ir para a pré-escola/creche/infantário? Sendo que o meu [filho] de um ano tem a sorte de poder ficar com os avós. Para quem tem essa possibilidade, qual a melhor altura para os colocar na escola? Eu estou a pensar na pré aos 3, o meu marido, da velha guarda (fomos para a escola na altura que só se ia aos 6 anos para a primária), acha demasiado cedo (acha melhor aos 4 anos), porque afinal ele vai passar quase 20 anos fechado na escola... Não sei, se puder e quiser abrir essa discussão podia-me elucidar!

 

Ora aqui está uma boa questão. Eu não tenho espectaculares teorias sobre o assunto, pela simples razão de que não tive opção: os meus filhos tiveram de ir para o infantário quando a Teresa voltou a trabalhar. A Carolina, o Tomás e o Gui nasceram todos entre o final de Fevereiro e o início de Março, portanto estavam com seis meses quando chegou Setembro, e foi com essa idade que entraram no infantário. A Rita, como nasceu em finais de Agosto, acabou por ter de esperar um ano. Vivendo os meus pais em Portalegre e os da Teresa em Castelo Branco, não havia alternativa.

 

Assim sendo, não tenho propriamente um termo de comparação, para poder dizer se é melhor eles entrarem para a creche com um, dois, três ou quatro anos. Como o que tem de ser tem muita força, não me recordo sequer de ter discutido isso com o pediatra dos meus filhos. Mas como o Dr. Mário Cordeiro de vez em quando passa por aqui, talvez ele possa esclarecer qual a sua posição. Tenho ideia que, caso haja opção, o Dr. Mário defende os três anos, mas posso estar enganado. Daquilo que já li e ouvi sobre o assunto, é a idade em que as vantagens da socialização e o músculo do sistema imunitário começam a compensar as desvantagens dos "infectários".

 

Mas para responder directamente à questão da Sílvia, e porque cada um de nós acaba por encontrar excelentes razões para justificar os seus próprios actos, devo dizer que nunca me arrependi dessa decisão. É verdade que aos seis meses eles são muito pequenos, mas isso também tem a vantagem de nem saberem o que lhes acontece - e de, por isso, se adaptarem muito melhor ao infantário e às suas rotinas do que uma criança mais velha. Qualquer pai ou mãe que coloca uma criança na creche, pela primeira vez, aos três ou quatro anos, é melhor mentalizar-se para 15 dias de berraria na hora de o deixar na escola.

 

A dimensão da berraria também depende da personalidade dos pais, porque, como todos sabemos, um minuto depois de se fechar a porta os miúdos já estão na maior. Mas para os mais sensíveis a manipulações psicológicas, deixar um filho chorão no infantário pode ser um dos piores momentos do dia - momento pelo qual eu nunca tive que passar. Os meus filhos sempre andaram no mesmo infantário, gosta(ra)m muito de lá andar, e não tenho dúvida que sejam (foram) felizes lá - e eu prefiro tê-los divertidos no meio de miúdos da mesma idade que eles, do que fechados em casa com uma avó ou com uma empregada, sempre a olhar para as mesmas paredes e com diminuta socialização com crianças.

 

A questão da socialização é importante. A Rita está com dois anos, e a diferença em relação à sua postura em Outubro de 2013 é radical, obviamente. Actualmente a Rita já tem amiguinhos, já tem mesas de trabalho, já começa a fazer muitas tarefas, e percebe-se perfeitamente quando uma criança gosta do sítio onde está. Ela gosta, está muito bem adaptada, e para mim é um descanso saber que não vou ter de passar pela berraria dos três anos, porque ela já conhece todos os cantos à casa (os primeiros 15 dias de Setembro, em qualquer infantário, são sempre uma desgraça).

 

Penso, ainda - e isso é um aspecto muito importante -, que o infantário promove muita a independência dos miúdos e melhora as suas capacidades de autonomia e responsabilização. Há algo que ainda valeria a pena acrescentar aqui, e que tem a ver com a diferença de relação que eu tenho com a Rita quando comparada com os outros três filhos na sua idade. Como a Teresa não se cansa de sublinhar, eu sou muito mais próximo dela do que era dos outros. E isso, só para confundir um pouco as coisas, tem a ver com a minha maior presença em casa - mas isso é matéria para um próximo post, que este já vai longo.

 

Entretanto, digam de vossa justiça e partilhem as vossas experiências.

 

 

 

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publicado às 10:00


61 comentários

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De cp a 07.07.2016 às 15:30

A minha filha esteve os primeiros anos de vida (quase 4 anos) aos cuidados da avó materna e foi muito bom para ela, porque foi muito estimulada e nunca lhe faltou afeto e segurança, que é essencial nestes 3 primeiros anos de vida. Foi para o pré-escolar com quase 4 anos e foi muito boa a sua adaptação, nunca fez birras, nem houve choro! Uns meses antes explicámos-lhe como seria divertido ter novos amiguinhos da sua idade e como iria aprender coisas novas e divertidas, como saber ler e escrever para poder ler os seus livrinhos, visto ser uma criança que sempre mostrou muita curiosidade pelas letras e figuras dos livros. Todas as pessoas com quem comunicava diziam que parecia uma criança que tinha estado sempre em infantário porque sempre foi muito sociável, curiosa e perspicaz nas suas observações. Hoje, tem 9 anos e posso dizer que voltava a fazer tudo igual, porque é uma criança que não tem dado problemas e é óptima aluna e o seu comportamento é elogiado na escola, como sendo exemplar!
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De Sofia Lopes a 08.10.2014 às 13:09

Eu também não tenho termo de comparação porque tenho apenas 1 filho que foi para a creche a caminho dos 8 meses; eu regressei ao trabalho aos 4 meses, desde essa altura até à entrada na creche ficou com o pai. Partilho da experiência do João - o meu filhote as 2 únicas vezes que chorou para ficar na escolinha foi este ano, nos 2 primeiros dias de setembro, após as férias de agosto :) eu a contar com 1 semana de choro, foram 2 dias apenas - nada mau!
agora, se tivesse possibilidade, teria ficado com ele em casa até se calhar este ano. teria passado 20 meses em exclusivo com a mãe (e a mãe com o filhote :) ) e depois então iria em part-time socializar. porque digam o que disserem, o meu filho socializa sim. brinca em conjunto. tem preferência por certos meninos. tem compinchas - os colegas de tropelias, como diz a educadora :)
outra coisa é que, para mim, se não puder ficar comigo ou com o pai - pois que o melhor é a creche, não os avós. acho muito mais positivo estar num ambiente 100% baby, rodeado de crianças, do que passar o dia com avós. porque onde os miúdos passam o dia, são influenciados. criam hábitos. e eu prefiro que sejam profissionais de educação a influenciar e a ajudar o meu filho a criar hábitos do que membros da família que não os pais. porque os profissionais não vão contra as nossas indicações, os nossos desejos, já os avós... salvo raras exceções, fazem tudo ao contrário do que queremos: põem os miúdos a ver televisão, dão coisas a comer que não é suposto, e por aí vai. portanto, para mim - ou fica com a mãe/pai, ou fica num infantário.
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De Sílvia a 08.10.2014 às 16:53

"fazem tudo ao contrário do que queremos: põem os miúdos a ver televisão, dão coisas a comer que não é suposto"

Eu entendo o que diz, às vezes também penso assim, mas depois lembro-me que também eu fui criada pelos meus avós até ir para a 1ª classe, e , apesar de me deixarem fazer o que queria, não me saí assim muito mal na vida. Sou muito bem educada (obrigada paizinhos e restante família), sempre fui boa aluna, nunca dei problemas.
Por outro lado, vejo aí tantos miúdos que foram logo para o infantário e são do piorio, cada vez mais a juventude assim o é. (não serão todos, claro)
Eu acho é que os pais de hoje em dia se preocupam demasiado com a desautorização que os seus pais lhe fazem, em vez de verem que os miúdos são mais amados e acarinhados junto dos avós do que nos infantários. Mas isso dependerá das prioridades de cada um, claro.
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De Mário Cordeiro a 07.10.2014 às 11:28

Olá
Já que o JMT me pede a opinião, e para ser sucinto, diria:
- não fazer um "cavalo de batalha" acerca do assunto porque cada um é que sabe as linhas com que se cose... se há apoios, se não há, se os apoios que há são eficientes e dão conta do recado (aturar uma criancinha de 18 meses é obra e exige arcaboiço físico e psicológico, mais até do que estimular ou dar de comer...), etc, etc.
- idealmente, a entrada seria aos dois anos e picos (depende muito de quando faz anos, mas há cada vez mais escolas a ter duas entradas: setembro e março)
- antes dessa idade, a interacção social é mais para roubar brinquedos do que para jogo em conjunto. Todavia, com a ausência de irmãos, primos e vida de aldeia, as crianças podem ficar um bocado isoladas
- as "ranhites" e afins aparecem em força, claro, Não quer dizer que ficar em cada seja passaporte para a felicidade, mas a carga de infecções é maior (dez vezes maior, estatisticamente), embora a maioria sejam coisas simples, embora causem alguma disrupção na vida laboral e no quotidiano dos pais, sobretudo quando não há "SOS-avós".
- há crianças que, embora recebendo esta bicharada toda, não reagem; outros é diariamente...
- por outro lado, numa escola há sempre a certeza de haver lá educadores (só depois, no 1º ciclo, é que o senhor professor NC começa a deixar turmas semanas a fio sem "s´tores"...), ao passo que uma pessoa em casa pode ficar doente ou, pura e simplesmente, avisar na sexta à tarde que já não regressa na segunda de manhã.
- sem dramas, é ver qual a melhor solução para o ecossistema familiar. As crianças não vivem isoladas e têm de se enquadrar na vida dos pais.
- a partir sois 2, dois e meio, sim... aí já faz falta.
- convém escolher uma escola que siga, pelo menos parcialmente, o Movimento da Escola Moderna, em que se ensina pela cultura e pelo afecto, em que os pais fazem parte da comunidade escolar e em que se brinca muito. E, também, em que não há espartilhos de idades, mas apenas três conjuntos: os grandes, os médios e os pequenos, com grande interacção entre todos.
- Ah. Last but not least: em que se possa dormir a sesta até aos 6 anos!
Abraços

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De LA-C a 07.10.2014 às 11:34

Caro Mário Cordeiro
Gosto de o ler.
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De Sn a 07.10.2014 às 11:51

Sesta até aos 6?! Depois não dormem à noite!
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De PRP a 07.10.2014 às 12:52

Ai a sesta... São cada vez menos as escolas em que as crianças podem dormir a sesta. Aqui na zona não há um único infantário público em que as crianças façam a sesta. E o meu precisa tanto dela... E mesmo alguns privados têm retirado a sesta a partir dos 4 anos.
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De Patricia C. a 07.10.2014 às 13:20

A sesta tem muito que se lhe diga :)
No ultimo ano da pré do meu filho houve pais que quiseram retirar a hora da sesta para que os miudos se preparassem para a primária e houve pais que quiseram manter, e o que a escola fez foi apresentar uma solução para ambos os casos: os meninos que não iam dormir a sesta iam para a sala do atl enquanto os restantes meninos dormiam.
Passadas algumas semanas soubemos que apesar de os pais não quererem foram os próprios miudos a pedir para irem dormir porque se sentiam cansados.
Os meus filhos sempre precisaram de dormir a sesta e quando não o faziam adormeciam logo a seguir ao banho ainda antes de jantarem e muitas vezes antes de eu chegar a casa...
E vamos lá a ver: qual o adulto que não gosta de dormir uma sesta de vez em quando?
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De Nicole I. a 07.10.2014 às 11:05

Eu de facto não tive essa hipotese a minha filha com 5 meses foi indo aos poucos a creche, não foi para uma pública por só a aceitarem em Setembro e assim iria ter já 10 meses e eu não tinha com quem a deixar. Nunca gostei de amas, muitas são ilegais, não respeitam as minímas condições de segurança e tem crianças de idades diferentes no mesmo espaço.
Posso é falar das diferenças que vejo na minha filha e nos meus sobrinhos gémeos e sobrinha mais velha. Ou seja a minha filha tem 11 meses agora, os gémeos 12 e a mais velha 14 meses.
Quanto a sociabilização a Melissa não é agressiva com outras crianças, sabe brincar e partilhar os brinquedos, os gémeos estão na avó e tem muito estimulo e desenvolvimento muto por isso nunca se notou muita diferença. Mas com a outra sobrinha que ora vai a ama ora fica com a avó, nota-se nela menos a vontade a brincar e mais egoista. Claro que são pequenos e pode ser da personalidade deles.

Quanto aos choros a minha filha sim teve uma fase de chorar muito ali com 10 meses, depois passou... mas lá esta assim que lhe dão uma bolacha ela cala-se e vai brincar, quando a vou buscar esta sempre tranquila a brincar.
Com a creche noto que tem rotinas mais rígidas e horários diferentes da alimentação dos restantes sobrinhos, que não andam na creche. Os primos da Melissa fazem as sestas que querem e comem a horarios mais ou menos identicos ao da família. A Melissa não come as 7:30/ 8.00 depois almoça 11h e dorme a sesta do 12 a 15 e lancha as 15:00/15:30... logo janta pelas 18:30/19h e dorme logo as 20H... nos meus sobrinhos comem as 9h almoçam a 1h dormem a sesta das 14h as 16h tendo dormido uma hora as 11h. E lancham as 17h e jantam as 20h/20h.30.
Logo ai o que aconselho quando entram na creche ou infantário é saber as rotinas e regras e tentar preparar o caminho em casa.

Quanto a doenças a minha menina só apanhou congetivite, de resto tem tido muitas otites mas são naturais dela.

Depois depende da educação que os avós ou cuidadores da criança dão. Se são muito premissivos e não fazem brincadeiras de estimulo e educativas é natural ver um ligeiro atraso na criança quando vai para o pré-escolar. Com a minha sobrinha de 7 anos aconteceu isso, ficou com a avó até aos 3 anos.. Só começou a andar após 1 ano, falar o mesmo e tinha um vocabulário muito fraco comparado com crianças que iam a creche desde bebes, não sabia cores nem contar, não sabia nada quando entrou na creche nem sabia que devia de ficar sentada na hora da história. Porque a avó paterna fazia as suas lidas da casa com a neta atrás a ver ela limpar, lavar e cuidar da horta e do gado.

Tal como foi dito, se a criança passar os seus dias na mesma sala, com os mesmos brinquedos e com avós a falar a bebe e a olhar para paredes não vale a pena a criança ficar nesse meio. Se forem avós que leem, levam os meninos ao parque quando não chove, mostram as cores e afins acho que não fará grande mal.

P.S- Para verem a grande diferença da sobrinha de 7 anos, eu lembro me dela com 3 ou 4 anos e ainda não saber encaixar as peças naqueles cubos de formas, a minha filha tem 11 meses e sabe encaixar se eu apontar o local, e se não apontar ela vai por tentativa e erro.. já a outra sobrinha não o conseguia fazer a não ser se indica-se o local a por a peça. Logo dai veem a falta de estimulo que teve por parte dos avós e pais.
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De Sílvia Correia a 06.10.2014 às 23:31

Realmente a idade certa para entrar no infantário depende em primeiro lugar da disponibilidade dos pais em arranjar alternativa. Não parece ser o caso da Sílvia pois tem a sorte de poder deixar o filhote com os pais e sogros. Então centrando-me apenas nas questões do desenvolvimento cognitivo e social, considero que a idade correcta é por volta dos 2 anos. Por isso mesmo, foi com essa idade que inscrevi os meus pois também eu tive a sorte de poder optar. Mas eu também tive a sorte de poder ter os meus filhos no infantário apenas das 9h00 às 16h30.
Nas outras questões, o João já as abordou muito bem (expondo as vantagens).
p.s. - A Conceição M. já alertou a Sílvia para algumas questões de natureza logística que a inscrição num infantário acarreta. Mesmo que a Sílvia opte por colocar o filho apenas com 4 anos no infantário, terá de começar já a pesquisar onde o que inscrever e tratar de garantir vaga. Esteja atenta!
p.s. 2 - A entrada do meu filho mais velho no infantário permitiu a detecção muito precoce do seu autismo. Se eu tivesse inscrito o meu filho aos três, como cheguei a ponderar, teria perdido um ano de tratamento precioso.
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De fca a 06.10.2014 às 20:03

http://qz.com/273255/how-american-parenting-is-killing-the-american-marriage/

Não tem haver com este tópico, mas tb gostava de ver este tema discutido! Mto bom texto.
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De Nicole I. a 07.10.2014 às 11:47

Eheh eu debato o tema consigo!

Li algo semelhante numa revista sobre uma psicológa que falava de uma mãe que dizia não amar os filhos da mesma forma e sentia-se mal e pessima e não podia falar com ninguém sobre isso porque ninguém a compreendia.

Ela dizia gostar mais do seu filho de 4 anos do que a filha de 9 anos que estava numa fase parva da vida de responder e tratar mal e o filho de 4 anos está na fase de dar beijos e adorar a mãe.

A psicológa falava na pressão que a sociedade exerge contra as mães e pais deste pais, temos de ser perfeitos sempre e por o bem estar dos filhos em primeiro lugar de tudo. Somos inundados por leites infantis, sapatos especiais da chicco que custam 70 euros, jogos educativos e mil e quinhentos gadgets inventados para os pais... Depois é a questão da amemtação em qualquer lado que uma recém mama vã é sempre a mesma pergunta e mama, e tem leite e olha a menina parece magra demais o leite não deve de ser bom e trinta por uma linha.

Eu confesso que os primeiros 3 meses com a minha Melissa foram muito stressantes para mim, por ela chorava muito e exigia muito de mim e nunca se adaptou bem a amamentação e eu odiava e amava amamentar ao mesmo tempo, mas tanto ela demorava uma hora naquilo e a seguir chorava como se não tivesse mamado nada, como bebia em 30 min e ficava bem durante 3 horas... cheguei a ficar doida no Ano Novo a chorar a meia noite agarrada ao bomba com a minha filha a chorar desde das 10 e o marido a tentar dar leite artificial porque não saia pinga de leite da minha mama com a bomba..... claro que nos dias seguintes a usar a bomba voltei a ter leite... Mas agora olhando para trás sei que a amamentação não correu bem, a minha filha fazia má pega, estimulava pouco a mama e o choro não eram cólicas mas fome.. porque quando fui operada de urgência ainda lutei para manter o leite, e os médicos olhavam para mim do tipo oh ta louca, quando finalmente pedi para secar o meu leite a chorar a sentir me a pior mãe do mundo, finalmente encontrei quem me compreendesse e disseram Mãe para a sua filha estar bem a mãe precisa de estar melhor, seja que leite der a sua filha vai crescer bem e feliz...

E eu pensei nestas palavras, eu vivi 3 meses da vida da minha filha os primeiros 3 dela com muito receio da hora da comida, adorava dar lhe mama de manhã e a noite, quando tinha muito leite, mas durante o dia parecia jogar a lotaria. Hoje só encontrei 1 mãe que referiu passar pelo mesmo que eu e que desistiu...

O que eu sinto e sinti quando pedia ajuda, que era a pior mãe do mundo que tinha de dar mama e que tinha de continuar a insistir em dar mama...

O que eu sei hoje e vou fazer com um segundo filho é dar mama mas se me vir a stressar e a não saborear a vida do meu filho passo a tirar o leite e a dar por biberão e ignorar os outros.

Ainda hoje quando me perguntavam pela minha filha eu dizia bem esta numa fase de birrar para dormir, algumas pessoas comentavam e diziam pois eu sei o que isso é e passa, mas a maioria ficava a olhar do tipo, o que não estas a dizer que a tua filha é a mais perfeita do mundo e que adoras estar com ela?!

Ainda hoje me passo com uma colega/amiga que teve bebe a dois meses pergunto como estão? Estamos óptimos é um querido tenho de aproveitar todos os segundos porque amo ser mãe.. Boa então não tem cólicas e dorme bem?! Ah não tem muitas cólicas e chora muito mas pronto faz parte!

E eu fico olha uma daquelas mães que o filho é mais lindo e que não diz nada de mal do filho, mas vamos puxar pelo ponta do novelo e encontramos uma mãe normal que chora quando não consegue acalmar o filho e uma mãe que pensa .... no que me fui meter.

Sim porque desculpem lá que atire a primeira pedra o pai ou mãe que não pensou nunca na frase no que eu me fui meter?! E será que eu devia de ter sido pai e mãe, ou que nunca teve saudades da vida antes de ter filhos?!
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De Cláudia a 07.10.2014 às 18:27

Aproveito para acrescentar mais um "ponto" a este tópico. A maior parte das depressões pós-parto, quanto a mim, devem-se justamente à questão do amamentar.
Toda a gente diz que é uma experiência linda e fabulosa mas não é nada.
É chato e dói. Essa é que é a realidade!
Tenho 2 filhos e foram amamentados até eu ir trabalhar e ainda um pouco depois disso (6 meses), não gostei especialmente mas fi-lo porque penso ser o mais saudável para eles.
Agora ninguém me diga que é a melhor experiência que tiveram na vida (já ouvi insto muitas vezes) porque ou essas pessoas têm uma vida muito triste ou então são umas grandes mentirosas.

E agora para algo mesmo chocante :) trocava de bom grado os primeiros 5 meses em casa com eles pelos meses seguintes em que são muito mais interactivos e de facto tornam a experiência de ser mãe uma coisa fantástica. Quando fui trabalhar foi justamente quando me começava a apetecer ficar em casa.

A gestão de expectativas é uma coisa tramada. De tanto ouvirmos os outros falar das maravilhas e do amor imediato e incondicional ficamos a achar que temos algum problema.
Amo os meus filhos mas uma vez por outro penso que teria uma vida muito mais relaxada sem eles. Mas a questão é: trocava? Claro que não! Se bem que às vezes...
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De Bruxa Mimi a 07.10.2014 às 22:21

Eu amamentei três filhos. Os primeiros 15 dias de cada vez foram horríveis (ingenuamente pensei, à 2ª filha, que já saberia corrigir a pega, etc. e tal, mas não, foram tão maus os tais 15 dias como tinham sido na 1ª filha; quando nasceu o 3º, já estava a contar com um mau início, por isso, quando ele veio, aguentei mais facilmente, sabendo que haveria de passar). No entanto, apesar dos primeiros 15 dias terem sido sempre horríveis, a verdade é que depois de eles passarem, dar de mamar foi uma experiência muito boa. Não foi, na sua totalidade, uma maravilha, mas teve muitos momentos absolutamente maravilhosos - que foram a regra a partir de certa altura.
Agora, só porque passei horrores, não chamo mentirosa a quem só tem mesmo maravilhas a dizer da sua experiência de dar de mamar. Tenho duas irmãs que não tiveram uma pontinha de dor quando passaram pela experiência. Uma tem uma filha, a outra tem três. E não ter dores faz toda a diferença... Se eu não tivesse tido dores e chatices, também diria que tinha sido das melhores experiências da minha vida!
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De Sofia Lopes a 08.10.2014 às 15:32

ahahahahahahah "ninguém me diga que é a melhor experiência que tiveram na vida (já ouvi insto muitas vezes) porque ou essas pessoas têm uma vida muito triste ou então são umas grandes mentirosas"

oh senhora já que me chama mentirosa a mim (sim, amamentei em exclusivo o meu filho até aos 6 meses e meio e ainda o amamento aos 20 meses, portanto, para si "ou sou mentirosa ou tenho uma vida muito triste"), sinto-me no direito de lhe aconselhar a aproveitar melhor as coisas boas da vida ;)
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De onossolugar a 06.10.2014 às 18:26

Por todos os comentários que li e pela experiência que tenho com amigas(os) a única conclusão que tiro é que não há idade certa.
Tudo depende da personalidade da criança.
No meu caso, o meu filho tem 4 anos e meio e tive a sorte de o deixar com as avós até aos 3 anos. Sorte até certo ponto e abro aqui um parênteses.
A minha mãe sempre me incutiu, o que julgo ser, bons hábitos. Quando tive o meu filho uma das primeiras coisas que me disse foi para não o habituar à nossa cama e demasiado colo. Graças a Deus sempre foi uma criança fácil. Habituou-se a adormecer sozinho e na sua cama. Como é óbvio, houve uma ou outra noite em que tivemos de o levar para a nossa cama, ou porque estava constipado e não conseguia respirar ou simplesmente porque devia ter pesadelos.
Custou-me muito quando comecei a trabalhar, ter de o deixar também com a minha sogra que é o oposto da minha mãe.
Tive uma conversa com ela, expliquei-lhe os nossos hábitos e mencionei coisas que não queria que ela fizesse, uma delas era adormecê-lo ao colo.
De pouco ou nada serviu e os problemas começaram a surgir, de repente o meu filho passou a querer companhia para adormecer. Exigia-nos muito mais atenção e não ficava um minuto sozinho. Conversei com ela que me disse que o adormecia ao colo ou que se deitava com ele. Não fazia mais nada o dia inteiro senão brincar com ele. Dava-lhe o comando da televisão, telemóveis, bibelôs ou o que fosse para ele brincar. Resumindo, fazia tudo o que eu não queria e habituava-o mal.
Por sorte, como já disse, a minha mãe é o oposto e incutiu-lhe regras tal como eu. Com o passar do tempo ele foi percebendo o que podia ou não fazer na casa de quem. Com a minha mãe ia ao café ou às compras, convivia com outras crianças, andava de triciclo na rua, ou seja, não estava fechado em casa. Fecho agora o parênteses.
Relativamente ao tema principal deste post, a adaptação ao infantário foi pacífica. Nos primeiros dias dizia que não queria ir à escola e que preferia ficar em casa. Houve dias que choramingou, mas nada de dramas. Durante estas férias perguntou várias vezes quando começava a escola porque tinha muitas saudades dos amigos e da educadora.
Se fosse hoje voltava a deixá-lo nas avós. De preferência só com a minha mãe, mas iria iniciar “guerra” com o meu marido e não quero de todo que isso aconteça. Se por acaso só tivesse hipótese de o deixar com a minha sogra optaria pela creche sem dúvida alguma.
Concluindo, para mim, depende da criança e de com quem a deixamos.
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De Anita a 06.10.2014 às 17:13

Olá

Mãe de 5 filhos e os 3 mais velhos sem local para os deixar, tiveram que ir (mal comecei a trabalhar) para a cresche, aos 6 meses. O 4º filho, também foi para a cresche aos 6 meses, mas como em 2 meses apanhou mais doenças, que metade da região Norte no verão, decidi tirá-lo. Aí a minha sogra ofereceu-se e ficou com ele até aos 4 anos.

Bem, de todos os meus filhos é o mais sociável, o mais comunicador. Quando foi para a pré, nunca houve uma birra, uma choro. Sabe-estar e comportar-se.

O meu bebé, também está com a avó. Se calhar irá seguir o caminho do irmão, mas o tempo o dirá.

Na minha opinião, as crianças só ganham por ir para a escola aos 3 ou 4 anos.

Obrigada

Anita
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De JP a 06.10.2014 às 15:37

Aqui está uma equação com muitas variáveis, algumas já discutidas em comentários anteriores.

Deixando o meu testemunho: os meus filhos foram para a pré com os 4 anos feitos. E não, não ficaram com os avós nem foram para o infantário. As pessoas de fora chamam "ama" à pessoa que cuida de crianças mas as amas que eu conhecia eram as que se limitavam a mudar a fralda e alimentar as crianças à horinha e entregar as crianças imaculadamente limpas aos pais ao fim do dia. Isso assustava-me! Deveras! Sempre preferi o infantário a uma ama. Mas conhecia esta senhora, que se ofereceu a ficar com os meus bebés. Nós gostávamos dela e da sua família e decidimos deixá-los lá até aos 18 meses. Não fazíamos ideia do mundo que ela era capaz de abrir para os nossos filhos e ficaram lá até aos 4 anos.

Em termos de socialização, posso dizer que foram muitas as vezes que, ao fim de semana ou nas nossas férias, ao passar com os meus filhos numa rua qualquer aqui das redondezas eram eles que metiam conversa com pessoas que nós não conhecíamos mas que eles conheciam tão bem dos passeios matinais com a C., com outras crianças, além das do prédio, que também conheciam do parque onde iam quase todos os dias. Calor ou frio, saíam sempre de casa. Apenas a chuva os retia. Todos os dias havia trabalhos e coisas novas que me mostravam quando os ia buscar. Quantas vezes, na Primavera, os ia encontrar ao fim da tarde a preparar a papinha para as formigas do seu carreiro favorito. Levavam os tarecos às costas e lá iam ter com as amigas ao carreiro. Foi nestes passeios diários que eles aprenderam a respeitar toda e qualquer forma de vida. Visitas de estudo "improvisadas" aos bombeiros, à esquadra da polícia e ao museu. E quando os ia buscar e me contavam que tinham estado a estudar as nuvens, deitados na relva do jardim?... E quando os ia buscar, havia sempre um saco com roupa que trazia vestígios de brincadeira, havia sempre verdete e terra nos joelhos. Teriam os meus filhos aprendido, desenvolvido e divertido tanto num infantário? Acho que não.

Não, eles não tiveram uma ama. Eles tiveram a C. que era incapaz de os ter a olhar para as paredes. Em vez disso, mostrava-lhes o mundo. Com muitos passeios, todos os dias, muita brincadeira, muitas aguarelas, muitos livros, muitas histórias e muito, muito!, afecto.

Foram para a pré quando achamos que tinham maturidade para tal: nunca houve berros nem choros. São crianças independentes, curiosas, seguras, apaixonadas pelos seus interesses, que respeitam os outros, sonhadoras e felizes.

Tivemos muita sorte em ter a C.: não é qualquer pessoa que se propõe a tratar de crianças que o faz com tamanha alma e paixão. A C. não será única neste mundo mas é a única C. que conheço e é a C. dos meus filhos.
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De Marina Amaro a 21.05.2015 às 16:25

Boas tardes!
Tenho estado num enorme dilema acerca deste assunto da idade ideal para a entrada para o infantário, pois a minha pequena fez agora dois anos. Ao ver este seu comentário sobre a vossa encantadora C., senti que se podia ter aberto uma porta para mim.Descreveu tudo o que eu pretendia encontrar na pessoa com quem a minha filha ficasse. Seria possível darem-me o contacto da C.? Agradecia de coração!
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De Simplesmente Ana a 06.10.2014 às 15:22

Eu escolhos os avós em detrimento da escola (se houver esta possibilidade, claro está),pois as vantagens que se associam à escola (maior autonomia, socialização,desenvolvimento, etc.) não têm obrigatoriamente de se sobrepor ao amor deles, ensinamentos, convívio com os mais velhos, passeios e outras vivências que têm na casa dos avós.

E acho um cliché dizer que a adaptação será mais difícil. Será mais provável, mas não é mais que certo, A minha filha entrou com 4 anos e adaptou-se lindamente. Acredito que tem mais a ver com a personalidade da criança.

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