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Resposta errada, meu menino

por João Miguel Tavares, em 04.04.14

Devo dizer que há muito tempo não me ria tanto: eis um conjunto de respostas originalíssimas de miúdos americanos, a propósito das mais variadas perguntas académicas (outras extraordinárias originalidades podem ser encontradas aqui). Devíamos fazer isto para Portugal - se algum professor quiser mandar exemplares deste calibre, eu agradeço e publico (sem identificar os prevaricadores, claro).

 

Como não sei se ainda há gente por aí que não percebe inglês, para esses eu ajudo na tradução. Ora cá vai:

 

 

1. "Onde é que foi assinada a Declaração da Independência Americana?" "No fundo", claro. É difícil negar a veracidade da resposta.

 

 

 

2. Como tenho um bocado de humor negro, acho que esta é a minha favorita: "Faz um desenho de como tu estará daqui a 100 anos." E vai daí, o Warren decidiu desenhar uma pedra tumular. O Warren, obviamente, é o maior. 

 

 

 

3. "A Miranda não consegue ver nada quando espreita pelo seu microscópio. Sugere uma razão." Escreve o miúdo: "Ela é cega." Gosto do fairplay da professora: "Boa tentativa!"

 

 

 

4. "As ténias são hermafroditas. O que significa o termo 'hermafrodita'?" Resposta: Lady Gaga.

 

 

 

5. Esta também é das minhas preferidas (e funciona em português): "Para converter centímetros em metros tu tens de...?" Resposta: "Tirar o centí." Eu dava a nota máxima a isto.

 

 

 

6. "A água dos oceanos armazena muita energia térmica. Um engenheiro desenhou um navio capaz de extrair energia das águas a 10ºC e expelir energia para a atmosfera a 20ºC. Ele pensava que tinha tido uma boa ideia, mas o patrão despediu-o. Explica porquê." O aluno, embora certamente já com idade para ter juízo, deu a famosa explicação Leonardo Jardim-Olympiakos: "Porque ele dormiu com a mulher do patrão." 

 

 

 

7. Esta poderia aplicar-se cá em casa, e com resposta semelhante, mas vindo da boca do próprio Tony (que se chama Carolina). "Causa: Tony pratica 20 minutos de piano todos os dias. Efeito... Ele é um grande nerd."

 

 

 

8. Pontos extras por ser uma resposta fofinha: "O diagrama em baixo ilustra melhor..." Hipótese e), acrescentada pelo aluno: "As girafas são animais sem coração."

 

 

 

9. Gosto particularmente desta, porque com grande frequência me apetece responder exactamente isto nos trabalhos de casa do Tomás: "A diferença entre 180 e 158 é... 22." O que está correcto. Mas depois lá vem a pergunta mais irritante de todas: "Explica como chegaste a essa resposta." Responde o miúdo: "Matemática." Bravo! É que é mesmo isso.

 

 

 

10. Ups, esta dispensa tradução.

 

 

 

11. Adoro: "Encontra x." Aluno: "Aqui está ele."

 

 

 

12. Jerónimo de Sousa ficaria muito orgulhoso desta resposta. O PCP tem de encontrar este miúdo americano (até porque, sendo americano, convém tirá-lo de lá): "Alguns átomos partilham electrões, tornando-se mais estáveis. Descreve uma situação em que as pessoas partilhem algo com benefícios para todos." Resposta: "Comunismo."

 

 

 

13. "Como é que nós chamamos à ciência que classifica os seres vivos?" Resposta: "Racismo."

 

 

 

14. Esta também é óptima, até porque os caracteres parecem mesmo chineses. "Assume que és um imigrante chinês em 1870 e escreve uma carta a descrever a tua experiência." Incrível. Espero que tenha tido nota máxima.

 

 

 

15. Uma das resposta mais originais de sempre, e que pena tenho de nunca me ter lembrado de a dar quando andava a estudar no Técnico. A pergunta pede para expandir a equação. E o aluno expandiu...

 

 

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publicado às 10:07


40 comentários

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De Susana Ramos a 10.04.2014 às 22:10

Lololol
De chorar! E a última de facto tinha sido uma excelente oportunidade de brilhar num exame de...AMI. Imagine-se a cara de um Campos Ferreira a ver esta resposta! Ahahahah
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De História a 07.04.2014 às 16:11

Pergunta da professora a um aluno do 7º ano, na disciplina de História, há sensivelmente 3 anos atrás: "Qual foi a razão para D.Dinis ter mandado plantar o pinhal de Leiria?"
Resposta do aluno: "Para poder construir uma fábrica de palitos."

Não é anedota! Foi mesmo verdade!
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De golimix a 06.04.2014 às 12:03


Palavras para quê?

Só eles e o Calvin do Bill Watterson!
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De M a 05.04.2014 às 20:38

Está a dar na tvi, neste preciso momento, uma reportagem sobre a exclusão das crianças nos hotéis!

Wow, tu és O poder :P
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De Luís Monteiro a 05.04.2014 às 21:29

Ah, já podem entrar à vontade nos hotéis?
O novotel até lhes cobra só meio-preço, não sei se estão todas na prostituição infanto-juvenil, a reportagem averigua isso?
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De Júlio Martins a 05.04.2014 às 20:29

É uma época peculiar, esta em que o jornalismo e os jornalistas se dedicam aos leitores sem filhos, ou com filhos excepcionais, que são perfeições absolutas e os filhos dos outros coitadinhos, são duma bruteza total.
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De Rute Santos a 05.04.2014 às 15:25

O 14º está mesmo escrito em chinês. O aluno devia ser chinês ou estudante de chinês.
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De Maria joao a 05.04.2014 às 13:04

Nos anos oitenta foram editadas duas "Historia de Portugal em disparates". A minha reacção andava entre o riso incontrolável e a incredulidade por tanta ignorância.
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De Pusinko a 05.04.2014 às 09:33

Há um livro de Jean-Charles editado em Portugal com uma colecção deste género. Chama-se "O livro vermelho dos cábulas"
http://bibliotecas.utl.pt/cgi-bin/koha/opac-detail.pl?biblionumber=70506

Ou aqui alguns excertos: http://yulunga.blogs.sapo.pt/28183.html

Não conheço versões recentes, essa é de 1970 mas, tem muitas gargalhadas lá dentro :)
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De Adolfo Sá a 05.04.2014 às 11:32

Procuro este livro há 41 anos !!! Tem alguma ideia onde adquirir ?
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De Pusinko a 05.04.2014 às 14:25

Esse livro chegou-me às mãos por um tio quando eu era adolescente.
No entanto, fui averiguar e sugiro-lhe que consulte a página da biblioteca municipal de Matosinhos, Biblioteca Nacional de Portugal ou o leitura.gulbenkian.pt pois qualquer um deles tem esse livro ou informação a respeito.
Boa sorte. É diversão que nunca passa de moda.
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De Adolfo Sá a 07.04.2014 às 23:53

Muito obrigado.
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De Tânia a 04.04.2014 às 19:19

Linda! A 9 fez-me lembrar uma colega da minha filha, que, perante uma pergunta idêntica, respondeu que chegou ao resultado pensando com a sua cabeça.
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De Sílvia a 04.04.2014 às 18:31

Faz-me lembrar a seguinte história:

«Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota 'zero'. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma 'conspiração do sistema' contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido.

Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: 'Mostrar como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro.' A resposta do estudante foi a seguinte:

'Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício.'

Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredito. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de Física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de Física.

Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder.Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.

No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

'Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula: h = (1/2)gt^2 e calcule a altura do edifício.'

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.

Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro."

(O estudante deu várias outras respostas simples. Podem ver a história completa aqui: http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/jokes/barometro.html)

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.»

Diz-se que o estudante desta história era Niels Bohr, prémio Nobel da física em 1922!
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De Anónimo a 05.04.2014 às 14:55

Eu nunca cheguei a Nobel da Física, aliás segui Humanísticas, mas a minha relação com a disciplina de Físico-Química era meia estranha.
Era quase sempre a única a ter as respostas todas certas, mas quando me pediam para explicar como tinha chegado aos resultados... a coisa corria mal.
Por qualquer razão, "apaixonei-me" pela Regra de 3 Simples e com essa regra resolvia quase tudo o que era pedido.
Se era tão simples, para quê complicar? - pensava eu...

Ainda hoje uso essa regra para muita coisa... ;-)
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De Anónimo a 07.04.2014 às 10:42

Eu também uso essa regra em tanta coisa... e o meu filho já a aprendeu comigo e também usa, muitas vezes para confirmar resultados, já que - lá está - tem de ir por outros caminhos para chegar à mesma resposta!
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De Sílvia a 07.04.2014 às 11:13

Resposta de uma professora de CFQ (eu): não há problema nenhum em usar regras de três desde que a resposta implique uma proporcionalidade directa. Acontece que nem todas as relações são lineares. Também não há obrigatoriedade nenhuma em usar uma fórmula, apesar de as mesmas serem fornecidas nos exames. As fórmulas são deduzidas. O ideal seria o aluno saber deduzi-las todas (e alguns até sabem). Não o sabendo, podem optar por usar o produto final (fórmula) que o professor preferencialmente deduziu na aula. Também podem expressar qualquer outro algoritmo que considerem válido desde que o mesmo respeite as leis matemáticas.

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