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Sobre as praxes #5

por João Miguel Tavares, em 07.02.14

Bom, vamos cá ver se acabamos com o assunto das praxes, porque se isto continua são os leitores deste blogue que vão achar que estão a ser praxados.

 

Quem tem acompanhado as caixas de comentários verificará que há dois Pedros Silvas defensores das praxes. O Pedro Silva II acusa-me de parcialidade nesta matéria:

 

O argumento do João é redutor porque só dá voz a um dos lados da questão. O João só se interessa por casos de pessoas que sofreram na Praxe porque também é contra a Praxe. Eu tento mostrar ao João que nem tudo é assim. Daí ter dado a minha opinião sobre a coisa e ter dito que comigo correu bem.

 

Claro que sou parcial, caro Pedro, porque acho que a praxe é algo estruturalmente errado, e que definitivamente não se deve falar dela grafando-a em maiúsculas (a "Praxe"). Por favor, não se detenha demasiado na minha autobiografia e releia o meu primeiro texto sobre o assunto: a praxe é, no meu entender, um uso de poder ilegítimo sobre o corpo de outra pessoa.

 

E neste ponto permitam-me abordar uma crítica muito directa que me é feita pela Fernanda (a 05.02.2014 às 18:13), a partir do meu papel no programa Governo Sombra:

 

Eu costumo ver o Governo Sombra, sabe? E eu, que também tive uma educação católica e cujo princípio "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti" sempre me guiou, tenho alguma dificuldade em perceber os argumentos que usa contra a praxe, fazendo o que faz com os seus companheiros durante o programa: gozar com outros. (...)

 

Passo a explicar: lembra-se das cerimónias fúnebres de Mandela? Lembra-se do falso intérprete de Língua Gestual Sul Africana? Lembra-se do programa em que falaram disso? Eu lembro-me. Para além de terem achado imensa piada ao que ali se passou, esqueceram que houve milhares de pessoas surdas que não só não tiveram acesso aos discursos como não conseguiram ter voz para denunciar a situação a tempo. Além de terem simplesmente ignorado a gravidade da situação, chamaram essas pessoas de "surdas-mudas" e referiram-se à língua deles como "linguagem gestual". (Presumo que - apesar de não ter lido a mensagem que lhe mandei na altura pelo Facebook porque deve estar perdida entre alguns milhares na caixa das "outras" mensagens, pois não faço parte dos seus amigos facebookianos - já tenha sabido da ignorância que estas duas expressões contêm.) (...)

 

Espero que não leve a mal este meu comentário, mas eu tenho uma espécie de reação alérgica de cada vez que vejo um novo tema de polémica debatido até à exaustão, em que há os da ala in, a ala da maioria, e os da ala out, apenas porque não alinham na moda da maioria. E sendo o João um homem assumidamente de direita num país "adornado à esquerda" (acho que foi assim que disse, uma vez), deve saber bem o que é que se sente quando não se faz parte da ala in.

 

Indo às arrecuas: 

1. Não se trata aqui de estar in ou out, nem eu faço questão de estar sempre do lado das opiniões minoritárias só para me sentir diferente. Os adeptos pró-praxe estão em inferioridade numérica e ainda bem - tendo em conta o que é a praxe, mal fora que a maioria da população estivesse ao lado de desfiles de universitários a fazer figuras tristes.

 

2. De facto, não devo ter lido a mensagem que refere sobre a ignorância das expressões "linguagem gestual" e "surdo-mudo". Neste segundo caso, posso imaginar que é porque um surdo não é realmente mudo. No caso da linguagem gestual, não faço mesmo ideia. Mas estou sempre disposto a aprender. Venham daí as explicações.

 

3. Em relação à comparação com o "gozar com outros". Eu, de facto, sou gozão, mas não consigo perceber o que tem isso a ver com a praxe. A praxe não é gozar, a não ser naquelas aulas inventadas com bibliografia fictícia. A praxe é humilhar (ainda que com puríssimas e integradoras intenções), faltando ao praxado aquilo a que nunca falta a quem está a ver o Governo Sombra - um comando para poder mudar de canal. É essa liberdade que faz toda a diferença.

 

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publicado às 09:50


14 comentários

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De Natacha a 10.02.2014 às 17:01

Não li todas as mensagens mas resumo a minha história. Nos finais dos anos 90 vim estudar para Lisboa. Na minha faculdade só havia pinturas, representações e afins, nada de farinhas e os exageros que se vê hoje. Conheço pessoas que na altura se recusaram a ser praxadas e não houve problemas. Mas sempre fui tímida pelo que nunca me senti sequer capaz de recusar estas praxes mais leves. De tão tímida e insegura que era, dizer que não queria ser praxada àquelas pessoas todas pareceu-me impossível. Assim, acho que dizer que nos podemos recusar a ser praxados é um grande engano. Se calhar quem diz isso são pessoas que sempre foram extrovertidos, brincalhões, sem vergonha perante terceiros e não compreendem o que uma pessoa mais reservada e insegura sente quando se vê nesse ambiente. Na altura da minha praxe, apesar de ter sido "mais leve", senti-me humilhada, ansiosa, com vergonha e com verdadeiro receio se me chamavam para cantar ou algo semelhante perante aquelas dezenas de pessoas. Hoje em dia gostava de ter tido a coragem de ter dito que me recusava a ser praxada. Por tudo isto, acho excelente a ideia lançada anteriormente pela margo :)
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De Anónimo a 08.02.2014 às 14:02

Como praxista que sou, ao ler todos estes textos sobre o mesmo assunto, vejo-me "obrigada" a comentar.
Sabem qual é o problema de todas estas pessoas que falam contra a praxe? De todos estes meios de comunicação que insistem em investigar o que se passou na Tragédia do Meco?
O grande problema é a generalização que se está a fazer. Pertenço a uma faculdade em que a comunidade praxista existente representa cerca de 75% dos alunos que frequentam a faculdade. Se alguém for lá entrevistar caloiros, doutores ou engenheiros, nenhum deles vai dizer que alguma vez se sentiu humilhado.
Na minha faculdade todos tem direito à liberdade, só entra na praxe quem quer. Sim, são os doutores ou engenheiros que dão ordens, mas nenhum caloiro é obrigado a cumprir, não quer fazer, simplesmente responde que não faz e a sua opinião é respeitada.
Se calhar é por isso que há tanta gente envolvida na praxe.

Agora não vou dizer que em outras faculdades a praxe não+e exagerada, porque na verdade é.
Mas por isso não é necessário haver esta generalização toda.

Com bons doutores/engenheiros, existirá sempre uma boa praxe.
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De Susete Silveiro a 07.02.2014 às 23:37

Não me querendo pronunciar sobre este assunto, porque mão sou anti praxes mas com a idade tenho de admitir que já lhes achei mais piada e agora até acho meio ridículo... mas queria mesmo só dizer que a senhora tem razão no sentido que se deve dizer Língua gestual e não linguagem. Continuação de boas conversas! Eu cá me vou divertindo a ler!
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De Maria a 07.02.2014 às 22:14

Ainda bem que já mudaram de assunto...pois eu gosto de me rir com o vosso blogue , com as vossas peripécias de familia e Basta de tanta retórica!!! de um tema que afectou a minha filha B.( amiga de uma das
vitimas).

Maria
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De LL a 07.02.2014 às 22:02

Se forem ver, ao priberam, a definição de linguagem, são capazes de perceber o ridículo desse preciosismo, dessa grande ofensa, de se dizer linguagem gestual e não língua gestual.
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De Fernanda a 08.02.2014 às 10:25

Depende do que considera preciosismo, do contexto em que se refere a "linguagem" e do que leu no Priberam.
Se disser linguagem gestual por oposição a linguagem oral, de facto está bem dito, como está no dicionário que refere: «1. Expressão do pensamento pela palavra, pela escrita ou por meio de sinais.» ("linguagem", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http :/ www.priberam.pt dlpo /linguagem [consultado em 08-02-2014]).

Se disser linguagem portuguesa (ou outra) por oposição a linguagem gestual portuguesa (ou outra), está mal, mas ao menos está coerente no erro.

Se disser linguagem gestual por oposição a língua portuguesa (ou outra), está a demonstrar que não sabe que a língua gestual da comunidade surda de um país é um «2. [Linguística] Sistema de comunicação comum a uma comunidade linguística.» ("língua", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http :/ www.priberam.pt dlpo /l%C3%ADngua [consultado em 08-02-2014].). Além disso, estará a demonstrar que não sabe que as línguas gestuais diferem de país para país, tal como as línguas orais. Mas a isso já eu respondi noutro post.

P. S. Ao contrário do tema das praxes, esta não é uma questão de opinião. Está devidamente estudado, provado e registado em muita bibliografia. E decerto conhece as limitações de um dicionário geral. Experimente um dicionário de linguística, por exemplo.
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De Pedro Silva a 07.02.2014 às 11:48

João da minha parte assunto arquivado. Vejo que pelo menos percebeu a minha posição tal como eu percebi a sua. E isto para mim chega e basta

Só queria deixar duas pequenas ressalvas:

1- Não sou a favor de todo o tipo de Praxe. Sou totalmente contra a Praxe física e psicológica. Para mim a Praxe deve-se basear na aprendizagem da sua história, na história do Traje (e como se o deve usar), explicar quais são os instrumentos de Praxe e como se usam e pelo meio meter algumas brincadeiras que não sejam nunca de mau gosto.

Assim de repente lembro-me de uma brincadeira que eu gostava muito que era a de pedir aos Caloiros que me fizessem uma Tese sobre o facto de o Pato Donald ter de tapar as partes baixas quando tomava banho Outras vezes eu pedia para que me fizessem uma tese a explicar porque razão era o Bayern Munique patrocinado por uma empresa de seguros

2- Há uma certa confusão no meio da argumentação de quem está contra a Praxe no que aos Códigos de Praxe diz respeito. Isto porque nem todas as Faculdades tem um Código destes. A minha era um exemplo disto mesmo e fazia tábua rasa aos ditos Códigos (ou seja não lhe ligava puto para ser mais directo). Antes de se opinar penso que o pessoal deveria informar-se melhor para não se equivocar.

Posto isto, venha o fim de semana que já se faz tarde! Há Clássico no Domingo e eu vou estar à espera que percam os seus dois protagonistas e que não chova no Domingo para eu poder ir ao Dragão
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De Carla Correia a 07.02.2014 às 11:44

Caro JMT quando a nossa ideologia não é abrangente, claro que não consegue entender o que é a praxe. Se o JMT é contra a praxe e ponto final (porque não entende a ideologia da Praxe) nunca vai entender ou sentir a Praxe. Isto é como falarmos de religiões. Podemos criticar os islamismo radical, mas na ideologia deles eles é que estão certos, e por mais explicações que dermos, nunca mais saímos da "cepa torta". tente não generalizar toda e qualquer praxe como forma de humilhação.

No seu caso, acho que estrapolou os seus sentimentos de insegurança que sentiu quando foi para a faculdade (medo de estar sozinho numa cidade grande, sem família...) para a suposta humilhação que foi sujeito. Acho que se na noite anterior se tivesse divertido ou não tivesse tanto medo encarava a praxe com outros olhos. Pensava: estou aqui para tentar me divertir. Mas como em qualquer diversão há limites. E por isso passamos a linha ténue da diversão para o gozo e mal dizer.

Eu sou da opinião da Fernanda, a praxe desde que seja de comum acordo (realço que ninguem é obrigado a participar) e seja divertida é um momento agradável que fica na nossa memória.
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De Carlos Duarte a 07.02.2014 às 11:13

Caro João,

Só mais uma nota: o gozo depende muito da percepção que temos dele. A praxe É gozo (aliás, é exactamente esse o termo que está nos diversos códigos), mas tem de haver a percepção por parte de quem goza que existe uma linha muito ténue entre gozo e humilhação (e que não pode ou deve ser dolosamente ultrapassada). E isto aplica-se na praxe e no humor em geral.

Lembra-se do "sketch" do Herman e do Arcebispo de Braga com o Império dos Sentidos? Acha que foi humor ou humilhação?
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De Carlos Duarte a 07.02.2014 às 10:45

Caro João,

Não sei se reparou, mas o seu argumento apresenta uma falácia lógica. O João assume que a praxe é SEMPRE humilhação (como disse a Fernanda, outros comentadores e eu próprio, não é). Para si foi, tenho pena que tenha sido, mas não pode generalizar de uma experiência pessoal para toda a gente.

Deixe-me puxar um pouco à política: concorda com a expressão que todos os patrões são exploradores dos seus trabalhadores? Eu não concordo. Conheço alguns (ou até muitos) que são, mas a grande maioria não é. E não é lícito generalizar nesse sentido.

No caso da praxe passa-se o mesmo, com a diferença crucial que se uma grande maioria dos novos alunos se sentissem humilhados, a praxe ou mudava ou morria (de morte natural). Não foi isso que aconteceu nem é isso que acontece, o que significa (e ao contrário do que diz) que a maioria dos alunos não se incomóda com a praxe (é praxado mas depois tem pouca ligação à mesma) ou participa activamente nela. Quem se afasta da praxe (e sem discutir as razões) é que constitui uma minoria.

O que deve ser ponto basilar e assente é que essa minoria tem todo o direito a ser respeitada e não ser incomodada pelas suas opções.
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De Fernanda a 07.02.2014 às 10:37

Bom dia, João.
Antes de passar à resposta que me pede, gostaria de repetir o que disse anteriormente: nada tenho contra as praxes desde que não violentem quem é praxado. Acho que (apesar de o ter explicado mais do que uma vez) ainda não percebeu que isso é diferente de dizer "Sou a favor da praxe (independentemente da sua forma)" ou "Sou contra a praxe (independente da sua forma)". E acho que é aí que peca: é contra a praxe, independente da sua forma. Eu não vejo mal nenhum em ver jovens voltarem à infância, rebolarem na relva, atirarem-se para a água ou para a lama, atirarem farinha ou ovos uns aos outros - desde que isso os divirta e os descontraia. Veja lá que até há psicólogos que defendem que grandes problemas mentais desenvolvidos por adultos estão relacionados com a "forma" em que somos metidos através da educação, tornando-nos incapazes de voltar a ser crianças, ainda que por breves momentos. Portanto, se for divertido para eles, eu sou 100% a favor da diversão. Acho-a uma terapia fabulosa! Claro que também sou contra se a praxe for contra esse princípio, mas não me considero nenhum ser superior que sabe o que é que pode ou não ser divertido. Mais: dei-lhe o exemplo de 3 instituições de ensino superior com as quais contactei nos últimos 6 anos para lhe provar que a praxe não é obrigatória. Pelo menos não em todas as universidades. Portanto, provei-lhe que a sua generalização não estava correta.

Agora respondendo à sua pergunta sobre a Língua Gestual, desculpe a preguiça mas aproveitei a definição de Língua Gestual Portuguesa na Wikipédia , uma vez que está excelente:
«A expressão "língua gestual" refere-se à língua materna de uma comunidade de surdos. As línguas gestuais são línguas naturais, que se surgem e se desenvolvem naturalmente, como as línguas orais. Esta língua é produzida por movimentos das mãos, do corpo e por expressões faciais e a sua recepção é visual. Tem um vocabulário e gramática próprios.
Uma língua é um sistema de comunicação específico e exclusivo do ser humano, sendo gerido por regras particulares. Assim como as línguas orais, a LGP possui as características das línguas naturais:
é composta, maioritariamente por símbolos arbitrários;
é um sistema linguístico;
é partilhada por uma comunidade de pessoas que a utilizam como sua forma de expressão mais natural;
possui propriedades como a criatividade e a recursividade;
possui aspectos contrastivos;
é um sistema em constante renovação e evolução: apresenta o fenómeno da dinâmica linguística.
Há quem pense que a língua gestual, em todo o mundo, é igual, o que não é verdade. Assim como as línguas orais, as línguas gestuais desenvolveram-se naturalmente, e assim sendo, cada comunidade tem a sua. Existem países com diversas línguas gestuais e em todo o mundo existem dezenas de línguas gestuais diferentes. Além disso, os surdos sentem as mesmas dificuldades que os ouvintes quando necessitam comunicar com outros que utilizam uma língua diferente.2 Por isso, cada país (e, por vezes, região dentro de um país, como acontece no Québec onde é usada a Língua Gestual Quebequiana ao invés da Língua Gestual Americana no resto do país) terá a sua própria língua gestual. Por exemplo, no Brasil existe a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).
Para acrescentar, como qualquer língua oral, a LGP possui variantes dentro do seu próprio órgão (idioma), alterando, relativamente, de região para região e dependendo do grau de instrução e das profissões dos surdos em cada uma das regiões. Existem, por isso, dialetos regionais.» (Pode ler mais em http://pt wikipedia .org/wiki/L%C3%ADngua_gestual_portuguesa)

Em relação ao seu ponto 3: foi o João que disse que não suportava ser gozado. Tentei mostrar-lhe outra perspetiva sobre gozar e ser gozado. Volto a dizer que gosto de ver o programa. É divertido, está a ver? :)
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De Fernanda a 07.02.2014 às 10:43

Já agora, a respeito de surdo ou surdo-mudo. Eu era criança (de uns 5 ou 6 anos) quando me contaram a história de Hellen Keller. Começaram por me dizer que era cega, surda e muda. Quando chegaram à parte da história em que ela aprendeu a falar, eu perguntei como é que era muda se afinal falava. Quem me estava a contar a história é que ficou repentinamente muda.
Mas eu sempre fui muito precoce, eu sei. ;)

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