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O estranho mundo das calças femininas #2

por João Miguel Tavares, em 07.11.14

A Nicole regressou, e trouxe consigo um testemunho na primeira pessoa, que faz todo o sentido partilhar aqui:

 

Eu agora tenho 29 anos e este episódio aconteceu quando eu tinha 19 ou 20 anos... e foi no mesmo ano que houve a polémica campanha na espanha contra a Zara e outras marcas espanholas que reduziram o tamanho das calças e deixaram de fabricar tamanhos ditos maiores.

 

Hoje com 29 anos e no pós-parto de uma filha linda, estou a marimbar-me para o número que visto. Claro que é um pouco irritante quando numa loja o 42 fica a nadar e o 40 serve, e noutra vou buscar o 40 e fica justo e não consigo encontrar número maior. E atenção, não engordei 30 kg na gravidez. Sim, tenho algum peso a mais, mas estou ainda no dito saúdavel.

 

Hoje em dia tenho maturidade suficiente para entender o que as "marcas" fazem e o público alvo a que se destinam, mas covenhamos que a algumas mulheres, e ainda é pior nas adolescentes, isto pode levar a sérios problemas de imagem. O que para uns pode ser rídiculo, para outros pode tomar caminhos perigosos.

 

Ontem vi um documentário na SIC sobre os labirintos de Soraia, uma jovem com distúrbios mentais, causados pelo bullying e afins, com tendências suicidas. Perdi a conta das vezes que se tentou matar com 14 anos apenas e sem nenhum hospital ou instituição poder ajudar, pois o SNS não está preparado para lidar com os problemas mentais dos adolescentes. Mas eles existem.

 

Eu fui vítima de bullying - ligeiro, é certo - durante vários anos na minha escola, e lembro-me como isso me tornou insegura, tímida e anti-social. Nunca fui uma adolescente que saía para ir ao café, ou ao cinema, porque tinha medo de ser gozada por não me vestir de igual, ou não ter o cabelo igual, entre muitas outras coisas. Daí que podem perceber como um par de calças me abalou e muito. Ultrapassei muitas inseguranças à minha conta e graças à "atenção masculina" que recebi no meu primeiro ano de faculdade. Antes era a impopular, a menina que nunca era convidada para nada, e depois quando mudei de cidade e fui para a universidade todos queriam estar comigo e falar comigo.

 

É claro que o meu primeiro e actual marido ajudou, e muito, a lidar com as minhas inseguranças e dramas alimentares. Na mesma faculdade onde eu estudei e na mesma residência onde eu vivi, a minha colega de quarto sofria de bulimia... tinha pânico de comprar roupa, se algum peça não lhe servia comia tudo o que via numa crise de pânico e a seguir ia tudo fora... Ela era, felizmente, acompanhada por um psicólogo, mas chegou a estar internada numa clínica privada para lidar com o problema.

 

Para alguns o bullying é "ah, e tal, antigamente também havia, mas hoje os miúdos são todos uns fraquinhos e maricas que não se sabem defender" (sim, já ouvi barbaridades destas). Se para muitos um par de calças ou a didatura da moda feminina é uma parvoeira, porque se não serve um par de calças, escolhe outro e pronto, siga a marinha, para outros não é assim. Não se esqueçam que não somos todos iguais...

 

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publicado às 09:41



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