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Alguns comentários sobre a autonomia dos miúdos

por João Miguel Tavares, em 28.09.14

Ainda em relação ao tema da autonomia dos miúdos abordado na semana passada, fica aqui um resumo de alguns comentários muito pertinantes ou de óptimas partilhas de experiências de vida, entre os quase 150 leitores do PD4 que se deram ao trabalho de escrever sobre o assunto. O meu obrigado a todos.

 

Ana Isabel:

 

Temos três raparigas de 25, 21 e 16 anos, por isso eu já tive tempo de me habituar a soltá-las. Que é o que a Teresa precisa, de TEMPO. Tempo para conseguir gerir a preocupação constante que é ter um filho na rua sozinho. Tempo para conseguir perceber que não vai acontecer nada. Tempo para se habituar à ideia que os filhos estão a crescer e a ficarem independentes, e que afinal até se conseguem desenrascar sozinhos! Tempo para aprender a confiar neles. Garanto-lhe que à terceira (no vosso caso, à quarta), quase que já crescem sozinhos! A primeira é que é mais complicada. Mas o início da independência deles é o começo de um novo ciclo em que nunca mais vamos estar descansados. É assim a vida. Menos trabalho físico, mas psicologicamente muito complicado.

 

José Moreira:

 

A culpa é das notícias. O facto de termos acesso a tanta informação, sobre tantas catástrofes e maldades e azares, faz com que tomemos como regra, e como perigos iminentes, situações que são, no nosso país, muito raras. O mundo não está pior. Nós é que sabemos demais. Penso que será esse o principal motivo para sermos pais super protectores.

 

Ana:

 

Acho importante que se dê o tal voto de confiança, que se concedam algumas pequenas liberdades, mas, na mesma proporção, acho que devemos responsabilizar os petizes e atribuir-lhes pequenas tarefas diárias. Porque isso é que é crescer. Ter direitos e deveres, poder ir a pé, mas ter de fazer a cama, arrumar o quarto ou o que seja.

 

Marta:

 

Eu tenho uma filha de 3 anos e dou por mim constantemente a dizer: Mariana, cuidado com o degrau; Mariana, não corras... e reparo que quando a chamo a atenção ela desacelera e fica com um ar apreensivo... obviamente. vejo logo que isto não é bom para ela. A obsessão dos pais com os filhos não é de agora. Os meus avós já o tiveram com os meus pais e os meus pais tiveram comigo (tenho 42 anos). A minha mãe passou a vida a apontar-me perigos e isso tornou-me numa pessoa com pouca autoconfiança e cheia de medo de tudo. Tanto que eu não tenho uma única cicatriz da qual me possa orgulhar...

 

Mara:

 

Concordo em absoluto com o João. Autonomia, autonomia, autonomia! Podem percorrer sozinhos pequenos percursos aos 10 anos, SIM! E ficarem sozinhos em casa pequenos períodos. Podem e devem ir comprar pão à padaria da rua, trazer o jornal do quiosque da esquina, ir à papelaria.

A galinhice generalizada está a criar incapazes e não é baseada em nenhum dado racional, mas em medos não fundamentados. Os pais tendem a achar que os filhos nunca estão preparados para crescer. Acabam nas filas de matrículas nas faculdades, porque os seus marmanjos, coitadinhos, não se podem matricular sozinhos, nem arrendar um quarto sozinhos, nem fazer um contrato de água e luz. 

Tenho 4 filhos, como o João. Tenho lutas épicas com o mais velho, que não é nada fã de autonomia. O seguinte, curiosamente, e só com 7 anos, preza muito a independência e o voto de confiança que lhe damos quando o deixamos ir ao pão sozinho ou brincar sozinho na praceta. Os outros ainda são muito pequenos. A autonomia é uma coisa boa, útil, indispensável. Nem sempre é fácil, crescer às vezes é chato, outras dói. O mundo NÃO está mais perigoso do que há 30 anos, nós é que estamos mais paranóicos, mas não fazemos favor nenhum aos miúdos mantendo-os numa redoma.

 

Teresa A:

 

A minha filha é um "crash test dummy", passa a vida a cair e a ferir-se. Por minha vontade andava sempre a protegê-la mas acho melhor ser a mãe a sofrer do que a pequena, que adora correr, saltar, trepar. Magoa-se? Sim. Mas não tem medo e é uma crianca mexida e feliz. Se a meter numa redoma talvez evite as nódoas negras, os arranhões, os galos, os ossos e os dentes partidos (sim, já tivemos tudo isto nos 4 anos de vida da garota, várias vezes) mas crio uma miúda medrosa e dependente. Concordo com a pessoas que dizem que se a Carolina quer, deve ir. Se a Carolina acha que ainda é cedo, aí é melhor ver...

 

Susana Mendes:

 

Para que as mamãs se habituem aos filhos irem sozinhos para a escola posso aconselhar a minha estratégia, testada por mim no 5.º ano (há dois anos) e que resultou. Na primeira semana - levar à escola. Na segunda semana - ficar a meio da rua, com o portão da escola à vista e vê-la entrar. Na terceira semana - ficar no princípio da rua da escola sem avistar o portão, e ficar a vê-la até se perder de vista... e por aí fora, encolhendo sempre o nosso caminho. Rapidamente conseguimos que ele saísse da paragem do autocarro, e eu seguisse. Eu... sozinha. Nota: Adaptem o número de semanas de estágio em cada etapa conforme a vossa angústia.

 

JP:

 

Lembro-me de uma vez ter visto aquela que considero a mãe mais histérico-protectora de todas as mães que vi até hoje: além de andar sempre atrás da filha [no parque], levava-a ao cimo do escorrega, dizia-lhe para esperar por ela antes de descer. A miúda só podia descer quando a mãe estava em baixo à espera dela. A melhor foi quando a menina começou a correr e aquela mãe desatou aos berros: "Não corras que podes cair!" Que freak!!! Mas como se pode pedir a uma criança para não correr?!

 

Joana:

 

Concordo com a Teresa. A Carolina só mudou de escola este ano, ir já sozinha para a escola parece-me precipitado. Muitas mudanças ao mesmo tempo. Talvez para o ano, quando ela já conheça colegas que possam fazer o mesmo caminho que ela, para não ir completamente sozinha, por exemplo. Deve haver uma transição das coisas. Ir já já, escola nova, 10 anos, muito cedo.

 

Isabel Prata:

 

Na minha cabeça todas as tragédias são possíveis, mas tenho vindo a aprender a lidar com isso, porque é assim que tem que ser. Tenho 3 filhos, 21, 20 e 10, e não há volta a dar, viveremos sempre angustiados, que eles sejam atropelados, que tenham um acidente, que andem em más companhias (por acaso o cenário do rapto nunca me atormentou). Mas os filhos não são nossos são do mundo e a nossa obrigação é dar-lhes asas, procurando que as calças sejam à medida das pernas. Só assim eles ganham autonomia e só assim eles podem aprender a lidar com as situações e a evitar os perigos. E ir estando atentos aos sinais que eles dão.

 

Hoje há uma ajuda muito grande, os telemóveis. Mas mesmo assim é só uma ajuda, e que até se pode tornar contraproducente: no dia em que por alguma razão eles não atendem, entramos em pânico. Quando os mais velhos começaram a sair à noite, iam cheios de recomendações, sobretudo em relação ao álcool. De início íamos buscá-los, depois começaram a vir de táxi, depois com amigos, depois tiram carta... De início não adormecia antes de chegarem, agora, sossegada por os saber ajuizados, apenas quando acordo de manhã vou ver se eles estão nos quartos. É assim, o irem sozinhos para a escola aos 10 anos é só uma pequena etapa. Como dizem os antigos a solução é "alma até almeida".

 

Patrícia C.:

 

Uma vez numa reunião no ATL alguns pais (de miudos de 5.º e 6.º ano) disseram que não permitiam que os filhos fossem de autocarro da Carris fazer uma visita de estudo acompanhados por 3 monitores porque iam muitas pessoas estranhas dentro do referido autocarro!
E ainda hoje tenho amigas cujos filhos de 13/14 anos não têm autorização para irem sozinhos para a escola que fica a 10 minutos de distância a pé nem sequer à padaria que é ainda mais perto!

 

Teresa Power:

 

No ano passado, o David fez sete anos. Convidou cinco amiguinhos para lanchar connosco e brincaram a tarde inteira entre o nosso jardim e o descampado por detrás da casa. No fim do dia, os pais vieram buscar os filhos, e qual não foi o seu espanto ao vê-los à distância, empoleirados sobre várias árvores... E comentaram comigo: "Não sabia que o meu filho era capaz de subir às árvores!" Ou: "O meu filho passa o tempo todo com os jogos de computador... Não imaginei que lhe soubesse tão bem estar sobre uma árvore!" E todos, todos falaram da saudade da sua infância, quando também eles subiam às árvores... Cá em casa vive-se uma "negligência benigna" muito natural, que as pessoas atribuem ao facto de serem muitos, mas que é muito mais do que isso: é propositada!

 

Dr. Mário Cordeiro:

 

Como pediatra, pai de crianças de 11 e 12 anos que vão sozinhas para a escola, e como fundador da APSI, acho que tem toda a razão. Aliás, já que refere o caso Maddie, só houve um, mas foi repetido "ad nauseum" de modo a parecer que todos os dias desapareciam dezenas de crianças no Algarve... e resta a saber o que realmente aconteceu, ou se o "o pecado não morava afinal ao lado". Ainda com esta claustrofobia em que colocamos as crianças (nós em relação a elas, entenda-se), não se esqueçam, leitores do PD4, que 95% dos abusos sexuais de menores são cometidos por familiares e conhecidos da criança... leram bem. 95%.


E também estou de acordo com o Luís Januário, meu colega e amigo, que uma coisa é correr riscos de forma controlada, outra é estar em situações de perigo. Risco é probabilidade de acontecer alguma coisa. Perigo é uma situação que, por si, tem tudo para acabar mal. Uma diferença que pode parecer meramente semântica, mas que é fundamental neste contexto. Claro que é preciso ensinar as crianças, mostrar-lhe os caminhos melhores, debater com eles e rever os riscos e perigos, no fundo, gastar tempo nessa missão que é educar e ensinar/aprender.

 

Não sou adepto do "antigamente" - se não, não tinha dedicado 30 anos da minha vida à prevenção de acidentes e promoção da segurança infantil... - mas o excesso de protecção dá uma falsa sensação de segurança. para lá disso, como alguém bem comenta, os pais mais restritivos esquecem-se depois de coisas como a segurança rodoviária e outras coisas assim. Não há situação mais letal que a vida... mas tem de ser vivida sob pena de morrermos, quando mais não seja, de tédio e espartilhos...

 

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publicado às 18:57


Um ponto prévio sobre comentários agressivos

por João Miguel Tavares, em 18.06.14

Na segunda-feira, eu tinha prometido responder ao comentário da Diana Figueiredo sobre a Miley Cyrus, mas antes de o fazer sinto alguma necessidade de sair em sua defesa, visto que ela foi alvo de alguns comentários mais agressivos do que seria desejável.

 

Nós aqui no Pais de Quatro temos um entendimento muito lato da liberdade de expressão, e desde que não se chamem nomes às pessoas ou se tente deliberadamente sabotar a discussão com comentários incompreensíveis, tudo é permitido. Ainda por cima, tendo em conta que eu próprio tenho um estilo provocador e que sou apreciador do músculo argumentativo e da ironia, não me vou estar a armar em virgem ofendida quando alguém diz mal do que escrevo.

 

Chateia-me bastante mais, contudo, quando sou eu que tomo a opção de puxar para o corpo central do blogue alguém que tem uma opinião contrária à minha e a expressa na caixa de comentários, e esse leitor (neste caso, leitora), que até deu o seu nome e teve a simpatia de deixar aqui a sua opinião, é vítima de tratos de polé. Não é bonito, porque sinto que, de certa maneira, fui eu que a amarrei ao poste para depois outros leitores lhe poderem mandar flechadas, como nos filmes de índios e cowboys. Tivesse o comentário da Diana Figueiredo permanecido no meio da caixa de comentários e muito menos gente se teria indignado com ele.

 

No entanto, eu gosto de valorizar certos comentários dos leitores e de dar-lhes destaque - é uma forma de este blogue ser mais dialogante do que é hábito na blogosfera. E não queria, mesmo, perder isso. Donde, pediria, se possível, que os leitores fossem um pouco mas meigos quando se trata de responder a leitores que receberam um destaque que não pediram, e que reservassem o seu melhor fel para mim, já que levar porrada pelo que escrevo faz parte da minha profissão, e vou tendo o lombo bastante calejado.

 

Agradeço por antecipação.

 

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publicado às 10:23


Comentários super-fixes #1

por João Miguel Tavares, em 30.05.14

Bom, isto anda animadíssimo por aqui. Antes de eu entrar em modo "vamos então falar muito a sério que há gente a ficar irritada", por causa dos posts anteriores (é ir aqui e seguir os links), queria destacar alguns comentários, conforme prometido, porque há coisas bastante boas por ali e pode haver quem esteja receoso de frequentar as caixas de comentários, não leve com alguma das garrafas que andam a voar de um lado para o outro.

 

Em primeiro lugar, queria destacar este comentário da Mãe Sabichona, que faz jus ao seu nome com uma análise deveras pertinente:

 

Bateu num ponto com o qual concordo muito. Essa ideia de exigência interna extremada, de que apenas o filho tem necessidades e vontades. Os filhos também precisam de crescer sabendo que as outras pessoas com quem (con)vivem têm desejos, nomeadamente os pais. Embora eles sejam menores e caiba-nos a nós a maior responsabilidade de os entender e não vice-versa, faz parte da vida não serem sempre totalmente compreendidos. Penso que temos de nos adaptar aos filhos tal como eles têm de se adaptar a nós e o González foca uma relação unidireccional em que o foco é sempre o dos filhos.

 

Agora, se tem uma visão extremada e idílica, isso não retira um fundo de verdade. Para mim, não é demais reflectir sobre momentos em que as nossas reacções são fruto das nossas próprias frustrações. Os pais descarregam mesmo muito nos filhos e esse é um dos motivos para se sentirem tão culpados. Porque sabem que agiram mal. Sabem que chegaram a casa e lhes deram uma palmada porque vinham massacrados com o trânsito e com o patrão. Claro que têm o direito de agir mal, não são perfeitos, e os filhos hão-de também crescer a perceber isso, ou seja, que os pais também são injustos. Mas daí a dizer que o filho levou a palmada porque realmente mereceu vai uma grande distância. É só isto que a meu ver falha no seu discurso: não conceber que, em parte, ele mexe nalgumas feridas da parentalidade. Ele foca-se demasiado nos filhos e o JMT nos pais :)

 

É uma bela lição da Mãe Sabichona, incluindo na parte em que me critica. Ela tem toda a razão: eu centro-me mesmo muito nos pais. Um princípio de justificação é este: acho que nos dias de hoje é preciso contrabalançar o barco. Tentaria explicar porquê num próximo post.

 

Queria também chamar a atenção para este comentário da Polliejean, que vai numa direcção semelhante:

 

Às vezes dá-me a sensação que o JMT se foca demasiado no papel do pai mártir que cria os filhos ali no limite da paciência porque já lhe estão a estragar o dia e berram muito ao jantar. No entanto, acredito que não é o tipo de pai que passa o tempo a bufar de cada vez que os filhos se aproximam de si. É só um certo show-off para o blogue, que tem a sua piada. Claro que sempre tem a Teresa para contrabalançar alguma falta de paciência ou momentos cutchi-cutchi com os seus filhos... :)

Mas agora ao que interessa: estas teorias do Sr. González, por muito estapafúrdias que pareçam, podem servir para encontrarmos ali um meio termo entre o estaladão e a permissividade total. Também é importante sabermos ver com olhos críticos as teorias "irrefutáveis" com que crescemos e moldá-las à nossa situação específica. Não acredito na permissividade total, mas, por exemplo, também cada vez acredito menos que o castigo seja a solução...

 

É uma posição perfeitamente aceitável - e uma excelente análise da minha pessoa. Deixo apenas esta questão: o que é que precisamos mais hoje em dia? De um pediatra que nos ensine a mimar mais os nossos filhos ou de um pediatra que nos ensine a ser mais exigentes com eles?

 

E por falar nisso, deixem-me recuperar um dos muitos comentários do Dr. Mário Cordeiro, que em boa parte por minha culpa anda para aqui a sujeitar-se a levar pancada com fartura. Ele tem cabedal para isso e não precisa de advogado de defesa, mas não ficaria de bem com a minha consciência se não fizesse duas breves notas pessoais. Em primeiro lugar, quem sugere que o Dr. Mário não respeita as opiniões dos pais só pode estar a ir às consultas de um qualquer terrível sósia ou do seu malévolo irmão gémeo - confirmem isso. Esse tipo impositivo não é, de certeza, o mesmo pediatra que atura a minha quádrupla descendência há dez anos.

 

Em segundo lugar, e exactamente porque o Dr. Mário respeita as opiniões dos outros, ele de certeza que não concorda com imensa coisa que eu escrevo neste blogue. Incluindo a história da palmada correctiva. Portanto, não confundam as coisas, por favor. Nós somos duas pessoas que pensamos pelas respectivas cabeças, e apreciamos muito essa actividade, ok?

 

Dito isto, cá vai o prometido comentário, que, ao contrário do que alguns querem fazer crer, me parece uma posição perfeitamente equilibrada em relação à educação das crianças:

 

Porquê esta coisa de gerir afectos, de dar ordens sobre ensino/ aprendizagem, de regulamentar a relação pais/ filhos? (e instilar culpa, doses imensas de culpa, nos pais?). E porquê colocar sempre amor e educação como coisas antagónicas? As crianças NÃO são adultos em miniatura e estão num processo de aquisição de autonomia, de liberdade, responsabilidade, direitos e deveres. Sem modelos, faróis, guias, não irão a parte alguma. Um rio com margens muito estreitas evolui em turbulência, mas se as margens são demasiado largas e pequenas, espraia-se na lezíria e não chega à foz.

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publicado às 10:25



Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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