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Sim, os miúdos adoraram. A aula demorou mais de duas horas (só agora é que consegui falar com a Teresa ao telefone), parece que a excelentíssima esposa fabricou sangue com gomas, cheerios, mirtilos e bolas de açúcar (prémio Nobel, de certeza), os miúdos fizeram perguntas de doutorados em Medicina, e nem sequer queriam sair para o almoço. Quem disse que aprender não é divertido?

 

Vou chatear a excelentíssima esposa para pôr algumas fotos do evento no PD4.

 

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publicado às 13:44


E assim circulou a minha manhã...

por João Miguel Tavares, em 30.10.14

Todos os anos a Teresa vai à escola dos miúdos dar uma aula sobre o corpo humano, que pelo que sei (infelizmente, sou grande e não posso assistir) é sempre um sucesso.

 

Como já terão percebido as pessoas que passam por este blogue, a Teresa quando se aplica é imparável. E quando ela se aplica imparavelmente, eu vou a reboque. As suas capacidades de persuasão, no que me dizem respeito, sempre foram muito eficazes. 

 

Por isso, no dia de hoje, e embora alegadamente nada tivesse a ver com a aula de corpo humano, eu já...

 

...acordei às seis e meia da manhã para desenhar um sistema circulatório em papel cenário, no qual os miúdos conseguissem andar...

fotografia 2 (4).JPG

fotografia (22).JPG

 ...fui à farmácia comprar um pacote de máscaras cirúrgicas...

surgical_mask.jpg

...fui ao supermercado comprar Cheerios, porque parece que depois de passados por corante ficam parecidos com glóbulos vermelhos...

cheerios.jpg

 ...e, de caminho, trouxe também umas gomas para servirem de plaquetas e uma caixa de mirtilos.

blueberry-mirtilo-1336159753401_956x500.jpg

 ...além de uns cogumelos que, à falta de melhor, poderiam fazer (pareceu-me a mim) de glóbulos brancos...

14-b-whitemushrooms.jpg

 ... depois fui ao talho, buscar a encomenda que a Teresa já tinha feito no início da semana: as entranhas de um porco, todas ligadinhas - língua, traqueia, pulmões, coração, fígado. Poupo-vos à fotografia e só espero que não haja crianças vegetarianas na turma do Tomás...

 

... regressei a casa para o inevitável apoio informático na hora de sacar e imprimir imagens...

 

... e quando pensava que poderia largar o sistema circulatório e começar a trabalhar, ainda fui informado que os cogumelos eram péssimos glóbulos brancos e tive de ir a correr comprar umas bombas de açúcar brancas a uma loja de doces...

golf-ball-candy.jpg

 

 ...quando tudo isto acabou, eram 11 da manhã, e a Teresa saiu disparada para a escola. Eu, pelo meu lado, fiquei a olhar para as paredes, mais uma vez confrontado com o velho problema de estar a trabalhar em casa e ser envolvido nos hiperbólicos planos da minha querida mulher. A consequência é esta: o trabalho propriamente dito fica sempre para trás, porque há urgentíssimas 345.726 coisas para fazer.

 

Para a excelentíssima esposa, os assuntos familares têm sempre, mas sempre, prioridade - mesmo que esses assuntos sejam uma simples aula sobre o corpo humano, que ela prepara com a devoção de uma apresentação em Oxford. Gosto tanto que ela seja assim - e lixa-me tanto ela ser assim.

 

Porque 80% daquilo que a Teresa considera ser dever familiar é, pura e simplesmente, um luxo que oferecemos a nós próprios, por termos algum tempo e algum dinheiro. Ou seja, não é, em bom rigor, dever nenhum, ao contrário do meu trabalho, que deveria ser claramente considerado prioritário - mas fazer a excelentíssima esposa aderir a esta magnífica teoria é o cabo dos trabalhos. Ando há 10 anos a tentar, sem sucesso.

 

Felizmente, a aula deve ter sido do caraças.

 

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publicado às 11:10


Piedade, piedade, eu desisto!

por João Miguel Tavares, em 02.10.14

Socorro!

 

 

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publicado às 14:04


Elogio dos cabelos brancos

por João Miguel Tavares, em 04.07.14

 

Eu sempre adorei cabelos brancos. Não consigo explicar porquê. É assim desde que sou criança: eu pedia à minha mãe para não fazer madeixas, porque gostava de cabelos brancos. A minha avó Auriolinda, desde que me lembro, sempre teve uma magnífica cabeleira branca, que nunca me cansei de elogiar. Uma grande amiga minha já tinha imensos cabelos brancos antes de chegar aos trinta e certo dia resolveu pintá-los - é uma atitude perfeitamente compreensível, mas ainda hoje lamento esse dia. 

 

Sobretudo, sempre tentei combater o terrível preconceito de que o cabelo branco fica bem aos homens e mal às mulheres. Não é verdade. A Helen Mirren nunca teve tanta pinta como hoje em dia:

 

 

Bolas, até a Christine Lagarde, que é tudo menos bonita, consegue ter um estilo do caraças com aquela cabeleira:

 

 

Sim, sim, sim, já estou a ouvir as senhoras a argumentar: "ah, mas isso é porque o cabelo já está todo branco, quando o cabelo está todo branco claro que é muito bonito, mas quando os primeiros brancos começam a aparecer..."

 

Não, não, não. Isso é desculpa da treta. Primeiro, porque muitíssima gente não assume os brancos nem quando a cabeça está toda branca. Segundo, porque quando os primeiros brancos começam a aparecer também é muito bonito. E por isso, urge celebrar esta recente aparição de Penélope Cruz, para grande espanto de alguma imprensa cor-de-rosa:

 

 

Chiça, que bom: uma estrela de Hollywood que ainda só tem 40 anos mas já tem coragem para assumir os cabelos brancos que tem na cabeça. Claro que no próximo filme eles desaparecem, mas, de qualquer forma, esta é uma foto para guardar.

 

O cabelo grisalho é bonito em toda a gente. Nos homens e nas mulheres.

 

Toda esta conversa por causa da Teresa, claro. Os seus primeiros cabelos brancos começaram a aparecer e eu adoro ver aqueles pequenos fios de branco no meio do seu cabelo escuro. Só que ela já me avisou que é possível que venha a fazer madeixas. Eu protesto, protesto, protesto, imploro que não faça tal coisa, mas é possível - diria mesmo: é provável - que ela não me venha a ligar nenhuma.

 

Faço notar - é outra coisa que também sempre disse desde muito pequeno, vejam como há tanto tempo habita um pequeno stylist dentro de mim - que nada tenho contra cabelos pintados. Só não gosto de cabelos pintados para encobrir cabelos brancos. Uma miúda pintar o cabelo de azul aos 18 anos, é lá com ela. Depois sai. Mas pintar o cabelo para esconder a idade que se tem é uma coisa que me encanita.

 

Além de, por vezes, ficar ridículo - cores escuras em avozinhas de 80 anos é quase sempre mortal -, está filosoficamente errado. O avanço da idade é para ser celebrado, não para ser escondido. Cada cabelo branco grita "eu vivi" do alto das nossas cabeças. Pintar cabelos brancos é apagar a história, é lutar contra o tempo, quando a idade deve ser sabiamente acolhida e não coloridamente escondida.

 

Envelhecer é um processo complicado para toda a gente, e por isso a pintura tem sempre alguma coisa de negação. Claro que quase ninguém pensa nisto assim, e até corro o risco de estar a ser injusto para quem simplesmente pinta o cabelo porque gosta, ao mesmo tempo que é uma super-avó super-confortável com a idade. Peço antecipadamente desculpa a essas pessoas por isso. Não é minha intenção ofender ninguém.

 

Mas entristece-me por antecipação o desaparecimento do branco da cabeça da excelentíssima esposa, eu que olho para cada fio do seu cabelo como algo que também é um pouco meu. Aquela melanina foi sendo consumida ao meu lado. Os nossos melanócitos estão cansados tal como nós vamos estando cansados. Os cabelos brancos deveriam ser os mais amados - são aqueles que viveram mais depressa. Ser-lhes fiel, é sermos fiéis a nós próprios.

 

Não pintes. Por favor, por favor, por favor.

 

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publicado às 09:55


39 :-)

por João Miguel Tavares, em 26.04.14

Hoje é dia de festa: a excelentíssima esposa faz 39 anos. Eu podia estar aqui a dizer como ela continua magnífica e encantadora, mas como corria o risco de não acreditarem em mim, decidi recorrer aos desenhos que os nossos dois filhos mais velhos decidiram oferecer-lhe, logo ao acordar. Reparem como ela, aos 39, permanece jovem, elegante e bela. É impressionante.

 

Este é o desenho da Carolina:

 

 

E este é o do Tomás, ainda sob a influência da Revolução dos Cravos:

 

 

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publicado às 11:56



Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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