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Rating AAA para a mãe portuguesa

por João Miguel Tavares, em 11.11.13

Eu hoje queria voltar, como prometido, à questão das modificações antropológicas na percepção da beleza feminina (decidi dar-lhe o nome de uma tese de doutoramento no ISCTE, para parecer mais imponente). Mas enquanto preparo o texto, deixo-lhes aqui uma crónica antiga minha sobre este tema (foi escrita em Maio de 2010), que até parece entrar em contradição com o que disse no final da semana passada. Poderia até ser simplesmente isso, porque "contradição" é o nome do meio de quase todos nós (ou "metamorfose ambulante", como lhe chamou o grande Raul Seixas), mas, na verdade, é apenas uma parte da perspectiva que gostaria de abordar, e dá para ir aquecendo os motores. Aqui vai, com uma saudosa ilustração do grande José Carlos Fernandes:

 

Numa altura em que a dívida dispara e o país desfalece nas agências de rating, achei por bem trazer aqui um assunto capaz de elevar o moral da nação. O meu, pelo menos, eleva. O assunto é este: as mamãs. A pátria pode estar em cacos, a crise em alta, a produtividade em baixa, a competitividade na cave e os bolsos no subterrâneo, mas no que toca a mamãs, Portugal está cada vez mais AAA. Não me refiro, como é óbvio, à capacidade educativa das senhoras ou ao amor cada vez mais extremoso que dedicam aos filhos. Refiro-me, isso sim, ao facto de – como dizer isto de forma elegante? – a mamã portuguesa estar cada vez mais… erh… boa. Boa no sentido de dar uma certa vontade de contribuir para a escalada demográfica da pátria. 

 

Se a Moody’s e a malvada Standard & Poor’s avaliassem mamãs nacionais em vez do estado da economia, estou convencidíssimo de que nos estaríamos a bater taco a taco com as economias mais competitivas e com taxas de crescimento ao nível da China. Há duas semanas fui ao teatro, estava lá a Catarina Furtado, e dei por mim a pensar: “aquele corpo já teve mesmo duas criancinhas lá dentro?”. Há uma semana fui ao Estoril Open, estava lá a Bárbara Guimarães [NR: isto foi escrito no tempo em que Bárbara Guimarães estava grávida do segundo filho], e dei por mim a pensar: “aquele corpo tem mesmo uma segunda criancinha lá dentro?”. Como se vê, os meus pensamentos não são muito variados, mas achei que havia ali um padrão. E um padrão que não se resume a gente da TV, com ginásio, personal trainer e muito tempo livre.

 

Não. As mamãs, de um modo geral, estão definitivamente melhores. Melhores, isto é, mais boas. Antigamente, ter um filho conduzia quase sempre ao declínio dos corpos, ao derrube de carnes que nunca mais se reerguiam, à criação de barrigas que nunca mais desapareciam. Hoje em dia tudo mudou. Basta andar no Metro. Basta ir ao infantário dos meus filhos. Aliás, basta passar por minha casa, onde tenho uma verdadeira deusa grega (que lê sempre as minhas crónicas). Não é por acaso que os americanos badalhocos inventaram o acrónimo “milf” (Mother I’d Like to F… ocês estão a ver) para descrever esta bela realidade que se abre diante dos nossos olhos: as mulheres estão cada vez mais bonitas durante cada vez mais tempo. As milfs nacionais crescem ao ritmo de dois dígitos ao ano. É uma coisa que salva a pátria? Não salva. Mas anima.


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publicado às 10:13



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