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O ideal de beleza feminino está a mudar? #2

por João Miguel Tavares, em 11.11.13

 

Voltemos então ao prometido tema do ideal de beleza feminino estar a mudar e da importância e visibilidade crescente dos chamados plus-size models. Na caixa de comentários do primeiro post, a Maria Cruz (06.11.2013 às 14:02) escreveu isto:

 

A grande maioria das pessoas com quem convivo lá tentam o seu melhor, ou não, nem sei. No dia-a-dia, na rua, na escola dos meus filhos, nos cafés onde vou, vejo pessoas que considero normais, algumas mais bonitas, outras mais feias, mas isso que se vê em revistas é um pouco mais difícil de encontrar (se calhar não vou aos lugares certos). O que quero dizer é que TANTO FAZ, as pessoas que são importantes para a gente têm sempre aquele "je ne sais quoi". E pronto. 


Quem se sente mal com os padrões ideais de beleza, fica aqui o meu conselho: não se sinta, compre outro tipo de revista, assista outro programa de televisão, procure uma loja em que a roupa lhe caia bem (sempre há), cuide de si o melhor que puder e mais nada. Busque o possível, e dentro dele faça o melhor que puder.


Eu discordo da Maria Cruz no "TANTO FAZ" (sobretudo como marido que gosta de ter uma mulher gira) e concordo com a Maria Cruz na parte do "je ne sais quoi", porque há sempre a máxima "quem ama o feio, bonito lhe parece". Mas não é exactamente a isso que me refiro, porque aí não se trata de uma tendência mas de um efeito do amor, velho com o mundo. O que me interessa é mesmo a última frase do seu comentário: "Busque o possível, e dentro dele faça o melhor que puder."


Ou seja, o meu ponto está na atenção que hoje em dia as marcas de roupa e os estilistas estão a dar a este possível. Ou seja, quando a H&M faz publicidade como esta


 

esse possível aumenta enormemente, atinge um espectro muito maior de mulheres e fazer o "melhor que puder" torna-se mais acessível. Mostrar é uma forma de desejar, e a presença de uma mulher com estas medidas (e esta idade, já agora) num catálogo de roupa alarga esse campo do desejo de uma forma que me parece muito positiva.

 

Ou seja, gostos há sempre para tudo - basta olhar para a variedade da pornografia. A questão está na capacidade de diminuir o campo do fetiche, que por definição é algo que escapa à "normalidade". Ora, quando a moda se torna mais democrática e o olhar do desejo incide sobre um número maior e mais variado de corpos, é como se o padrão mainstream de beleza alargasse as suas fronteiras, e o efeito que isso tem entre homens e mulheres é extremamente positivo, na medida em que melhora em muito a sua auto-imagem.

 

Daí que eu, como bom liberal em questões políticas e estéticas, acolha com tanto entusiasmo esta crescente visibilidade de mulheres que nos anos Helmut Newton seriam impensáveis de encontrar em catálogos de grandes marcas. Isto é uma forma de dizer que apreciar, por exemplo, Clementine Desseaux, já pode hoje em dia pertencer ao domínio do bom gosto e não do fetiche por mulheres gordas ou de ancas largas:

 

Contudo, convém notar que quando atrás discordei do comentário do "TANTO FAZ" é porque eu não quero de alguma forma que isto seja entendido como a defesa de qualquer espécie de desleixo com o próprio corpo, ou sequer um encolher de ombros conformista diante das marcas da maternidade. Nada disso. Aceite-se aquilo que é uma prova de que vivemos uma vida, mas mudemos aquilo que está ao nossa alcance melhorar.

 

Para dar outro exemplo de uma mulher lindíssima: embora eu gostasse mais da Jennifer Connelly quando ela era assim, mais cheiinha,

 

 

do que agora que está assim, definitivamente demasiado magra para o meu gosto, 

 

 

não deixa de ser admirável que uma mulher com três filhos exiba uma forma destas perto dos 43 anos.

 

Nesse sentido, o mundo evoluiu muitíssimo. Há meio século não se encontrava uma mãe de três filhos com esta pinta, e isso é um ganho extraordinário, como tentei explicar com o post anterior. Esta parte não convém, de todo, esquecer, sobretudo quando ando por aí a elogiar as plus-size models. Não se trata de fazer aqui necessariamente a apologia do excesso de peso, mas sim a da maravilhosa diversidade do planeta Terra.

 

A minha tese, em resumo, é que as boas notícias são triplas:

 

1. As mães estão giras como nunca foram.

2. O ideal de beleza feminino está a mudar no sentido de uma maior diversidade.

3. Quando a beleza se torna mais variada e inclui cada vez mais mulheres (tenho dúvidas em relação aos homens, por acaso, mas isso seria tema para uma outra conversa), a boa disposição sexual da humanidade aumenta enormemente.

 

Digam-me lá: há quanto tempo não viam boas notícias a triplicar? Nada como aparecer por este blogue para animar um bocadinho.

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publicado às 13:39


O ideal de beleza feminina está a mudar?

por João Miguel Tavares, em 06.11.13

Afirma a Paula, do Vida de Mulher aos 40, a propósito deste post:

 

Também nem 8 nem 80!
Nem escanzeladas, nem obesas...
Não podemos ficar no meio-termo?


Eu neste momento não tenho tempo para estar a escrever sobre isso, porque tenho de sair, mas é um tema que me interessa muito - acho que o ideal de beleza feminina está, felizmente, a evoluir. Mas quem puder vá deixando opiniões por aqui até eu voltar, tanto as senhoras como - neste caso até sobretudo - os senhores. Falta sempre a opinão de gajos sobre estes temas. E para inspirar os textos, deixo-vos convosco a americana Tara Lynn.


E, para rematar, no famoso cadeirão de Emmanuelle:


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publicado às 09:32



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