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A amamentação contra-ataca

por João Miguel Tavares, em 10.12.14

Os leitores estão certamente recordados do entusiasmo, poucas vezes visto neste blogue, em relação à discussão sobre amamentar em público (posts aqui, aqui e aqui). Pois bem: mais uma vez, o PD4 mostra estar atento às grandes tendências do momento. E isto porque...

 

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 Foto Reuters

 

...voltou a acontecer em Inglaterra. Desta vez por causa de uma senhora chamada Louise Burns, que quando se encontrava a amamentar a sua filha recém-nascida no Claridge's, um hotel de cinco estrelas de Londres, foi convidada por um empregado a cobrir-se com o pano que podem ver na imagem em baixo.

 

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Depois de colocar esta foto no twitter, a polémica estalou de imediato.

 

A coisa tomou tal dimensão que até já há declarações sobre o tema de um porta-voz de David Cameron e de Nigel Farage, do UKIP. O Independent conta toda a história aqui, o Guardian aqui e a BBC aqui.

 

No entanto, eu tive em primeiro lugar conhecimento dela através do óptimo texto de opinião da Maria João Marques no Observador. Citação para abrir o apetite:

 

Trata-se acima de tudo de alimentar um bebé. Há uma extensa informação sobre os benefícios da amamentação. E tendo em conta que estamos no Ocidente supostamente livre e igualitário – o que dá às doidivanas das mães a ilusão de que podem ir, acompanhadas dos seus bebés, às compras, passear, almoçar com amigos e outras atividades subversivas semelhantes – é uma inevitabilidade vermos uma mãe a amamentar um filho longe do recato da sua casa. Há quem escolha ofender-se com isso? Temos pena.

 

(Não que a visibilidade da amamentação seja novidade. Se viajarmos até uma galeria renascentista, encontraremos quadros com a Madonna a amamentar.)

 

Já agora, só mais uma nota acerca do texto da Maria João Marques, já que lá para o meio ela aborda um outro tema que muito me interessa: as mamas e a sua firmeza. Escreve ela:

 

Confesso: sou parcial com a amamentação. Amamentei imenso tempo e adorei amamentar. Vem, reconheça-se, com uma das maiores mentiras que se conta às mães: que ajuda a perder os quilos da gravidez. (Desenganem-se: temos fome e só emagrecemos no fim.) Mas não se diz – e é grave a omissão, porque se trata de informação essencial – que um período de amamentação prolongado, com um desmame suave ao longo de meses, é o garante de acabar com o peito igual ao de antes da gravidez.

 

Existe uma ténica de desmame suave que permite ao peito retornar ao seu estado pré-gravidez? Ena. A Maria João tem duplamente razão: 1) nunca ouvi falar disso e 2) parece-me informação absolutamente essencial.

 

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publicado às 22:08


O tabu da amamentação #2

por João Miguel Tavares, em 18.11.14

A discussão a propósito deste post, na caixa de comentários, está a atingir níveis particularmente acirrados, pelo que eu pedia um pouco mais de moderação aos leitores, para eu próprio não ser obrigado a moderar o que ali é dito. Como sabem, os meus níveis de tolerância argumentativa são bastante elevados, mas convém mantermo-nos dentro de certos limites de razoabilidade.

 

O que se querem são opiniões equilibradas e, de preferência, argumentadas, como é o caso desta da faty eilans:

 

Confesso que este debate acerca de amamentar me deixa muito frustrada. Ter um seio à mostra para dar de alimento a um filho está longe de ser obsceno, a natureza fez-nos fisiologicamente eficientes. Infelizmente, ter um seio à mostra é visto por uma sociedade dita evoluída como um acto sexual.

 

Logo, esteja o seio à mostra para amamentar ou por qualquer outro motivo, a interpretação do acto acaba por não ser diferenciada. Nos dias de hoje, em que uma mulher é julgada por se sentir capaz de suportar os olhares muito indiscretos na exposição do seu corpo, aceita-se mais facilmente uma Kim "artística" do que uma Alyssa "mãe que alimenta filho".

 

Respeito ambas, mas nunca julgarei uma mãe que alimenta um filho e que o partilhe numa rede social. Como mãe que sou e que amamenta, luto todos os dias contra o preconceito de amamentar em espaços públicos quando a minha filha precisa. Um seio à mostra para amamentação não é um acto sexual, seja ele visto ao vivo ou fotografado.

 

Países como o Reino Unido introduziram o Acto de Igualdade em 2010, de forma que a amamentação não seja ostracizada quando feita em público. Acto este que permitiu a defesa de uma mãe que foi fotografada sem saber a amamentar na rua e a sua foto publicada numa rede social com um título ofensivo. O debate sobre este tópico merece um pouco mais de construção e menos julgamento moral & trocas de insultos.

 

O caso que a leitora refere neste último parágrafo aconteceu em Março deste ano, quando uma inglesa chamada Emily Slough foi fotografada às escondidas a amamentar o filho na rua e a sua foto acabou vítima de insultos no Facebook. A imagem é esta e o inacreditável comentário está em baixo:

 

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O Daily Mail conta a história aqui. Várias dezenas de mães reagiram numa manifestação pública, em que deram de amamentar aos seus filhos no mesmo local em que Emily Slough foi fotografada.

 

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A questão, obviamente, não se coloca apenas em Inglaterra. Aqui encontram um texto brasileiro que faz um bom resumo da situação, e dá exemplos - a meu ver, inconcebíveis - de mulheres que são incomodadas, inclusivamente em instituições públicas, por amamentarem os filhos.

 

Foi o que aconteceu à modelo Priscila Bueno num museu de São Paulo, também este ano, o que deu origem a um protesto no mesmo local semelhante ao das inglesas em defesa de Emily Slough, a que os brasileiros dão o colorido nome de "mamaço". A história pode ser lida aqui.

 

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O facto de estarmos na presença de uma mulher muito bonita, apenas dá razão àquelas que defendem que o problema não está no acto em si mas na cabeça de quem olha para ele. Nesse sentido, não há como negar a utilidade do Equality Act referido pela faty eilans, e que no que diz respeito à amamentação pode ser consultado aqui.

 

O que o Acto de Igualdade diz é muito simples: é considerada discriminação sexual tratar desfavoravelmente uma mulher por estar a amamentar em público. Ninguém pode pedir que pare, nem recusar prestar-lhe um serviço (num café, por exemplo) por causa disso. Parece-me uma coisa básica - mas, pelos vistos, há coisas básicas que necessitam de ser verbalizadas.

 

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publicado às 09:22


Os pais também são vítimas de ridículos preconceios

por João Miguel Tavares, em 17.07.14

Ah, e tal, coitadinhas das mulheres e dos preconceitos de que são alvo. E os homens, minhas senhoras? O que é que me têm a dizer deste anúncio supostamente sensível de uma empresa de telecomunicações móveis tailandesa chamada DTAC, que nos últimos dias se tornou viral?

 

À boleia de uma campanha que gostaria de ser muito humanista, e que garante que "a tecnologia nunca substituirá o amor", o que se está a fazer é tratar os papás como anormais e incapazes - uau!, incrível!, o gajo conseguiu largar o telemóvel e pegar no filho ao colo!, que extraordinário!

 

Em bom tailandês, fuck off.

 

 

 

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publicado às 11:14


Antigamente é que era bom?

por João Miguel Tavares, em 04.12.13

Da próxima vez que a minha excelentíssima esposa argumentar que eu não faço nada em casa e que o papel do homem e da mulher continua tão desequilibrado como antigamente, vou mostrar-lhe isto:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 14:32



Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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