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Tão divertidos que eles andam

por João Miguel Tavares, em 18.03.14

O post da Teresa sobre a pista de esqui na sala, escrito apenas para me causar ciúmes e para que eu saiba o que ando a perder (claro que eu tenho tratado de me vingar), colocou-me de novo diante do facto consumado de que os sacanas dos miúdos parecem divertir-se sempre mais quando eu não estou por perto. Até a excelentíssima esposa aposta em caprichar nestas ausências, não sei se para compensar a falta do pai, deitando mão a doses extra de paciência e disponibilidade para aturar as criancinhas e lhes fazer as suas vontades.

 

Juro que não me lembro de algum dia ter regressado de viagem e de repente ter diante de mim os miúdos macambúzios, suspirando pelo tempo que eu estive ausente. Nope. Nada disso. Eles têm sempre 47 coisas para contar, 46 das quais provavelmente não teriam feito se eu estivesse presente. Já se fosse ao contrário, e a Teresa estivesse três dias fora, o meu humor por esta altura andaria pela hora da morte. Para a rapaziada lá de casa, contudo, mini-férias de pai são festa da grossa. As três elas e os dois eles andam todos felizes da vida quando falam comigo ao telefone, muito enérgicos e bem-dispostos.

 

A triste verdade, caros senhores, é esta: nós precisamos muito mais delas do que elas precisam de nós. Se calhar vou ficar pela Madeira mais uns dias.

 

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publicado às 15:12


Saudades deles

por João Miguel Tavares, em 03.01.14

Hoje alguém me perguntava sobre os miúdos e eu explicava que esta semana tinha estado sozinho em Lisboa, com os filhos todinhos na província. Sucedeu-se o seguinte diálogo:

 

- Já tem saudades deles, não é?

- Não. Por acaso não tenho.

- Ah, ah ah, está a brincar.

- Não, não estou. Eles estão óptimos. Falamos ao telefone.

- Mas sente-se sempre um bocadinho a ausência.

- Não.

- Parece que falta alguma coisa em casa.

- Não, está lá tudo. Ouça, só passaram cinco dias desde que os vi pela última vez. Para eu ter saudades têm de passar pelo menos 15.

 

A pessoa ficou a olhar para mim como se eu fosse muito brincalhão, ou meio parvo, e ela não quisesse acreditar.

 

Mas que caraças. Será que um bom pai tem de ficar perdido de saudades dos seus filhos dois minutos depois de lhes tirar a vista de cima?

 

Tenho quatro filhos. Estou junto deles, contas altas, 350 dias por ano. Sobrarão uns 15 em que consigo estar sem nenhum deles (quando eles são bebés, nem isso). Isto dá uma média de 95,89% dos dias do ano junto dos meus filhos de manhã, à noite e muitas vezes no meio.

 

Será que me permitem passar os restantes e depauperados 4,11% dos dias em paz e sossego, a recarregar baterias, a ler e a escrever, e sem o mais leve vestígio de problemas de consciência, nem a menor saudade, nem o mais ínfimo suspiro, nem nadica de nada que não seja uma vaga lembrança e um estado de perfeita solidão e espírito zen?

 

Eu não fui para a guerra, caraças. Eles estão a divertir-se à bruta, longe de mim. Os avós estão a estragá-los com mimos, que também é uma coisa importante. Estão a aprofundar laços e a saborear o facto de haver mais gente no mundo, além dos pais, que gosta muito deles, o que é uma coisa fundamental. E eu estou a aproveitar as minhas mini-mini-mini férias paternais, que deveriam ser um direito constitucional.

 

Posso? Obrigado.

 

E agora vou agarrar no carro, que tenho de ir buscar três deles a Portalegre.

 

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publicado às 15:38



Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios


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