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Olha tão giro - uma viagem dominical ao Piódão

por João Miguel Tavares, em 22.09.14

Como por esta altura os frequentadores do PD4 já terão certamente reparado, a excelentíssima esposa é também, com assustadora frequência, uma doidíssima esposa. Tendo ela ficado embevecida com a aplicação do Tomás na composição escolar sobre o Piódão, decidiu seguir a sugestão de certos leitores e lançar-se num verdadeiro trabalho de campo:

 

- E se hoje fossêmos ao Piódão com os miúdos?

- Olha que ideia tão gira. Sabes onde fica o Piódão?

- Para os lados de Viseu. Os miúdos iam adorar.

- Olha que ideia tão gira. Deixa-me cá ir ao Google... 296 quilómetros a partir de Lisboa. Ir e vir dá 592 quilómetros, se a matemática não me falha.

- Até podíamos passar por Viseu, para dar um beijinho ao teu irmão.

- Olha que ideia tão gira. Deixa-me cá ir ao Google... 84,1 quilómetros do Piódão a Viseu. De facto, era super-fixe irmos fazer 700 quilómetros de carro este domingo por entre montes e serras. Lembro-me de poucas coisas que me apetecessem mais.

- Fazíamos uma surpresa aos miúdos e não lhes dizíamos nada.

- Olha que ideia tão gira. Eles ainda não fizeram os trabalhos de casa.

- O Tomás ia adorar.

- Ia, ia. Infelizmente, ainda não fizeram os trabalhos de casa.

- Fazem rapidamente os trabalhos de casa e depois vamos.

- Já passa das dez da manhã. O Tomás tem de treinar um ditado.

- Treinamos pelo caminho.

- Já passa das dez da manhã.

- Comemos pelo caminho, no carro. Sobraram croissants do piquenique de ontem.

- #!##$&&#%#!!!

 

E lá fomos.

 

Partimos de casa às 11.30. Regressámos a casa às 23.30. No total foram para aí sete horas de carro, duas das quais às rodas na serra do Açor. Mas fizemos tudo o que a excelentíssima esposa planeou dentro da sua energética mona - incluindo ir a Viseu dar um beijinho ao meu mano.

 

Eis a prova:

 

 

Mas sabem qual foi a coisa mais curiosa? É que o melhor do Piódão não foi o Piódão. Foi a descoberta de uma ponte suspensa e de um incrível conjunto de santuários nas encostas de xisto na Foz d'Égua, num pequeno paraíso privado escondido num vale da Serra do Açor. Só para abrir o apetite (talvez um dia destes possa contar a sua história), ficam estas fotos, tiradas num dia cinzento, mas que, graças às extraordinárias capacidades persuasivas (género pica-miolos) da doidíssima esposa, acabou por ser bem divertido:

 

 

 

 

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publicado às 10:41


Os Mendonça Tavares nas Berlengas

por João Miguel Tavares, em 09.07.14

Quando se é pequenino e citadino, basta um barco e uma ilha para se ter uma grande aventura. E como toda a gente gosta de aventuras, nem que durem apenas cinco horas, no domingo, aproveitando o nosso fim-de-semana no Oeste, decidimos ir às Berlengas.

 

Os preparativos da viagem foram duros. Todos os nossos filhos têm medo de alguma coisa: a Carolina dos pesadelos e de dormir sozinha, o Tomás das alturas e das vergonhas, o Gui não gosta nada de entrar em barcos. E para as Berlengas não se vai de helicóptero. Pior: quando se sai do porto de Peniche, o mar é muito atribulado, o barco dança excessivamente para quem só está habituado a cacilheiros, e à entrada distribuem saquinhos pretos pelos viajantes - adivinhem para quê.

 

Como eu acho que os males se exorcizam falando deles e encarando-os de frente, após o longo período de convencimento do Gui (que começou no dia anterior) e com toda a gente já sentada no barco que nos levaria às Berlengas, pedi uma simulação conjunta de enjoo, para eles aprenderem o que havia a fazer no caso de o estômago lhes saltar para a boca.

 

 

Mas tudo correu pelo melhor. Não houve enjoos, apesar de o mar estar alterado, que isto é família de marinheiros, e ao fim de 40 minutos de viagem (se quiserem saber os preços: 20 euros por adulto, 10 por criança, abaixo dos cinco anos não pagam) lá chegámos ao nosso destino.

 

Aí, mudámos de barco e fizemos um pequeno tour de meia hora pelas grutas da ilha (cinco euros por pessoa, bebés não pagam), que deu para ficar a conhecer rochas como a Tromba do Elefante (o Gui só perguntava "onde está o elefante?, onde está o elefante?", e eu: "a sério, estás a gozar comigo?")

 

 

ou o Guardião da Gruta, um efeito de luz muito curioso, em forma de face humana. 

 

 

Além da apresentação da fascinante história da ilha por parte de um senhor que nasceu efectivamente nas Berlengas (é um de três, garante ele), nos tempos em que o farol não funcionava sozinho, a viagem de barco pelas grutas teve uma outra vantagem: ficámos logo no Forte de São João Baptista, o ex-libris local, o que dispensou a viagem de ida - ao fim de um par de horas, bastou-nos regressar ao porto de embarque.

 

 

O estado em que se encontra o Forte de São João Baptista é miserável. Aquilo hoje em dia é usado como pousada, mas a chunguice da coisa não dá para acreditar. Na sua sujidade e decadência, parece um buraco parado no tempo desde os anos 60. O potencial que aquilo teria em mãos decentes é inimaginável.

 

 

Portanto, não nos demorámos muito por lá, e iniciámos a subida para o alto da ilha, onde se situa o farol. Foi uma actividade particularmente difícil para o Tomás, que sofre de imensas vertigens e teve de subir duas ou três centenas de escadas sem protecção. Para mim também não foi fácil, porque tive de alombar com a Ritinha, que já pesa uns bons quilos.

 

 

Aqui o Tomás está a esboçar um sorriso para a fotografia, mas a maior parte do tempo não se foi a rir. Ao contrário do palhaço-mor do reino, claro, como se pode ver por esta sequência de imagens:

 

 

 

 

Lá chegámos ao farol, e depois iniciámos a descida para a praia dos pescadores. 

 

 

 

Aí, a Carolina obrigou-me a dar um mergulho com ela numa água geladíssima, enquanto o Tomás e o Gui se juntaram a uns miúdos locais para um jogo de futebol de praia.

 

 

Foi o que se chama um domingo bem passado. Um dia destes, vamos ter de voltar. É ridículo termos tanta coisa para descobrir às portas de Lisboa e andarmos sempre a bater com o nariz nos mesmos lugares.

 

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publicado às 10:18


Os Mendonça Tavares no Oeste #2

por Teresa Mendonça, em 08.07.14

Descobrir experiências na natureza para um casal com quatro filhos pequenos que vive no centro de Lisboa, sem gastar muito dinheiro e permitindo conhecer o nosso país, não tem sido pêra doce.

 

Começando logo pela falta de fins-de-semana disponíveis, a difícil tarefa de afastar o excelentíssimo pai de perto dos seus livros e computador e esbarrando constantemente na questão monetária, poucas têm sido as aventuras que temos conseguido fazer. Vamo-nos consolando com a inesgotável Sintra ou com Monsanto para umas escapadinhas pontuais, já que o pai da casa acha detestáveis zonas em que abundem areia, sol e mar.

 

Sempre a chatice da areia que se entranha nos livros (como se houvesse tempo para ler numa praia com quatro crianças pequenas à solta) e o creme protector que engordura as mãos. As praias deviam ser feitas de sofás confortáveis à beira-mar e devia haver um massagista por pessoa para espalhar o creme e fazer uma massagem de relaxamento, e mais um outro que tratasse das crianças para que estas estivessem quietas a maior parte do tempo.

 

Mas no último fim-de-semana conseguimos fugir aos entraves habituais e a família inteira adorou a experiência. Conseguir uma casa onde caiba toda a família confortável e economicamente (comparando com os preços a que o contexto económico actual já nos habituou), no meio da natureza e perto de sítios fantásticos para descobrir, foi uma grande surpresa para todos.

 

Como a metereologia não nos foi muito favorável no sábado, resolvemos aproveitar actividades indoor ou "perto de door". O resort da Praia d'El Rey tem um simpático Club Aventura que disponibiliza muitas actividades para miúdos e graúdos (surf, kitesurf, equitação, observação de aves, canoagem, BTT, mergulho), mas é preciso marcação com 24 horas de antecedência, pelo que não conseguimos participar nesses programas. Aproveitámos o recinto do Club para um bom jogo de matraquilhos e a Ritinha deleitou-se com os Nenucos e seus acessórios que estavam mesmo à espera dela para comer a papinha.

 

 

 

Mas, mesmo sem marcação, conseguimos aproveitar para aprender a fazer tiro com arco, experiência inesperadamente adorada por todos. É caro - 10 euros por pessoa por uma hora de actividade - mas valeu a pena. O golfe também estava disponível, mas, aí sim, os preços roçam o proibitivo: mesmo em grupo, uma hora ficava a 24 euros por cabeça. É mesmo um desporto para gente rica.

 

De qualquer forma, é sempre necessário aventurarmo-nos para descobrir novos dons dentro de nós - e o tiro com arco serviu perfeitamente para esse efeito. Por mim, acho que se tivesse menos 30 anos, teria algum futuro. 

 

 

 

Como não conseguimos trazer bicicletas connosco e a Carolina fazia questão de andar, ainda alugámos uma para ela (5 euros/hora) e fizemos um passeio até ao pequeno parque infantil do resort, qual Volta a Portugal em bicicleta: a ciclista a pedalar desalmadamente nas subidas e nós no carro a controlar a segurança da atleta.
As refeições foram muito bem aproveitadas para iniciar a Carolina e Tomás nos mistérios das equações. E...
  
...grande novidade: a Ritinha estreou-se a comer completamente sozinha. Foi num jantar maravilhoso que... 
...terminou aqui:

 

Não é todos os dias.

 

 

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publicado às 10:10



Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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