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Há fotos que enganam

por João Miguel Tavares, em 09.04.14

Neste post eu já tinha referido algumas estatísticas surpreendentes sobre violência doméstica e a sua forte presença em países que temos por mais civilizados e onde os direitos das mulheres estão mais protegidos, como na Escandinávia. Agora encontrei na net esta excelente campanha norueguesa, que parece retirada de um daqueles policiais que vêm do frio.

 

As relações podem parecer normais

 

 

 

Mas a violência esconde-se em qualquer lado

 

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publicado às 15:30


Crimes e parafilias

por João Miguel Tavares, em 12.03.14

O dr. Mário Cordeiro é o pediatra a quem calhou a fava da família Mendonça Tavares: já lá vão dez anos a aturar a nossa rapaziada. Para além de se dividir por 472 actividades, desta vez o dr. Mário ainda teve tempo para vir dar uma perninha opinativa ao nosso blogue, por causa deste post. Eis o seu comentário:

 

É preciso sempre grande cuidado ao interpretar estes dados. Para já, não são amostras representativas, mas sim de conveniência, o que retira qualquer hipótese de extrapolação - não sabemos quantas pessoas responderam mas, mais importante, quantas se recusaram a responder e porque o fizeram.


Depois, as razões para responder "sim" (no sentido de ser vítima ou perpetrador) podem variar conforme o à-vontade com que as pessoas das diversas culturas e países se sentem relativamente a temas "tabus" ou "obscuros". Para já, nem sabemos qual a "definição de caso" usada nos diversos países e como ela é compreendida e interpretada neles.


Há um bom par de anos, um estudo brasileiro mostrava que na Suécia havia muito mais crianças com síndroma de Down ("mongolismo") do que no Brasil, tendo-se depois verificado que a amostragem era o número de crianças com esta doença que se viam na rua... as brasileiras estavam escondidas em casa!

 

Não embarquem, pois, nas "primeiras páginas" - ainda hoje se dizia que os casos de violência sobre crianças tinham aumentado creio que 12,5% - não são "os casos", mas "os casos reportados", o que é muito diferente. Claro que, para um jornal, o primeiro título vende mais... Pena é que não haja uma análise epidemiológica e uma meta-análise coerente e consistente destes estudos e surjam, apenas, resultados aqui e ali que são fogachos e que, bastas vezes, não expressam o real sentido do fenómeno.

 

Talvez por isso, também, é que as pessoas continuam com medo dos pedófilos a ponto de eu ver pais obcecados com as fotografias aos filhos, quando mais de 90% dos abusos sexuais ocorrem em casa, com pessoas conhecidas da criança. Aliás, os media falam de "crime de pedofilia"... que não existe porque a pedofilia não é nem pode ser crime: o que é crime é o abuso sexual ou, melhor, o crime contra a liberdade e autodeterminação sexual de uma criança. Ser pedófilo e não cometer crime de abuso não é passível de denúncia, sequer... é uma parafilia, mas não um crime. Poderemos "esmiuçar" este tema, se o JMT quiser.

 

O dr. Mário regressa no seu parágrafo final à questão da pedofilia, que já havia sido abordada aqui e aqui. Aparentemente, ele acompanha o meu tom mais despreocupado do post inicial sobre o tema. Só que esse tom mudou depois da quantidade impressionante de pessoas que partilharam neste blogue casos pessoais de abuso, quando crianças. Por isso, sim, não me importava nada de "esmiuçar" o tema. Até porque ainda não tive com nenhum dos meus filhos a tal conversa sobre os potenciais perigos da pedofilia.

 

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publicado às 09:10

A Agência dos Direitos Fundamentais (FRA), uma instituição da União Europeia, realizou um impressionante inquérito aos 28 países da UE acerca da violência sobre mulheres (inclui violência doméstica, violência sexual ou assédio sexual), baseado em mais de 42 mil entrevistas.

 

Os números são assustadores: uma em cada dez mulheres já experimentou alguma forma de violência sexual a partir dos 15 anos de idade, uma em cada 20 já foi violada, uma em cada cinco já sofreu violência física e/ou sexual do seu parceiro ou de parceiros anteriores, e uma em cada dez indicou ter experimentando alguma forma de violência sexual por parte de um adulto ainda antes dos 15 anos de idade. O jornal The Guardian faz um resumo das conclusões do estudo aqui.

 

Mas aquilo que realmente mais me surpreendeu foi a distribuição geográfica dessa violência. Eis os cinco países onde é praticada maior violência sobre as mulheres:

 

1. Holanda

2. Suécia

3. Finlândia

4. Dinamarca

5. Reino Unido

 

Há quem argumente que os números são mais altos nesses países porque há neles uma maior conscencialização sobre os direitos das mulheres. Mas confesso que me faz alguma impressão a defesa de que é necessária muita conscencialização para uma mulher perceber o que é a violência doméstica ou uma violação.

 

Se trago para aqui estes números é também para voltar, de forma assumidamente provocadora, à vaca fria do bater ou não bater nos filhos. Em Janeiro deste ano eu coloquei aqui um post sobre a Suécia, país apontado por muita gente como grande exemplo a seguir, na medida em que lá é criminalizada qualquer tipo de palmada a uma criança.

 

Pelos vistos, não está a servir de grande coisa a longo prazo. A palmada que muitas das crianças não levam quando pequenas, passam depois a dar na idade adulta. Claro que estas inferências podem ser algo abusivas. Mas o que estes números demonstram é que, ao contrário do que pensam muitos leitores assolapados, que consideram uma simples nalgada a um filho violência doméstica, não há qualquer espécie de relação entre corrigir uma criança com uma palmada e a sua futura tendência para a pancadaria. A Suécia que o diga.

 

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publicado às 10:26


Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho #4

por João Miguel Tavares, em 25.02.14

Tendo em conta que dediquei abundante atenção neste blogue ao conflito de Manuel Maria Carrilho com Bárbara Guimarães (posts aqui, aqui e aqui), queria chamar a atenção para esta última notícia sobre o caso. O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, perante as suspeitas de violência doméstica, proibiu Carrilho de contactar a sua mulher e de se aproximar da sua residência.

 

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publicado às 14:06


Uma história de violência doméstica

por João Miguel Tavares, em 17.02.14

Nota de 18 de Feverereiro de 2014: a autora destas fotos, Sara Naomi Lewkowicz, contactou-me via email para me informar que apenas autoriza a publicação de uma das suas fotos no blogue Pais de Quatro, pedindo que as restantes sejam redireccionadas para locais onde a sua publicação esteja legalmente autorizada. O melhor local é este, da Alexia Foundation, que lhe concedeu uma bolsa para a execução do projecto. Mesmo sem as fotos, decidi manter o texto original. As minhas reflexões sobre a posição da autora podem ser encontradas aqui.

 

 

Estava a ler o Diário de Notícias de sábado e a ver os vencedores do World Press Photo de 2014 quando me deparo com esta foto da americana Sara Naomi Lewkowicz, uma de um conjunto de 12 sobre violência doméstica, vencedoras do primeiro prémio na categoria de Histórias Contemporâneas.

 

 

A legenda dizia apenas: 

 

A pequena Memphis, de dois anos, corre e coloca-se entre a mãe Maggie, que está a ser ameaçada pelo namorado Shane.

 

Como imaginam, fiquei impressionadíssimo pela foto, não só por causa da reacção de desespero da criança, de uma espontaneidade tal que não pode ser encenada, mas também por todas as outras questões que uma imagem destas levanta: como é que a fótografa tirou isto?, como é que o abusador permitiu que fosse fotografado a agredir a sua mulher?, qual a história que se esconde por detrás desta imagem?

 

Já que o jornal não fez esse trabalho, fui perguntar ao senhor Google, que sabe tudo, e a história é esta.

 

Sara Naomi Lewkowicz começou por querer realizar um trabalho fotográfico sobre a integração na sociedade de condenados após saírem da prisão. Shane, o homem que está nestas imagens, tem 31 anos, e passou metade da sua vida encarcerado. Maggie tem 19. Os seus dois filhos - Memphis, de dois anos, e Kayden, de quatro - não são filhos de Shane, mas de uma relação anterior de Maggie, que terminara meses antes.

 

Maggie e Shane conheceram-se através da irmã dele antes da sua última detenção. Tornaram-se amigos próximos enquanto ele esteve preso e começaram a namorar quando saiu. Essas são as primeiras imagens que Sara Naomi Lewkowicz tem para nos mostrar. Imagens - grandes imagens, diga-se - de paz e amor.

 

Shane estava tão apaixonado por Maggie que pouco depois de terem começado a sua relação fez uma gigantesca tatuagem com o seu nome no pescoço.

 

Infelizmente, o seu cadastro criminal e até as suas tatuagens faciais eram um obstáculo na hora de tentar arranjar emprego. Ao mesmo tempo, à medida que a ligação entre ambos se prolongava, ele queixava-se de ela se preocupar mais com os seus filhos do que com a sua relação: "Porque é que eu não posso ser, por uma vez, o mais importante?", perguntava Shane.

 

Certa noite, saíram juntos sem os filhos. Foram a um bar de karoke local, em Lancaster, Ohio. Sara Naomi Lewkowicz foi com eles.

 

A noite acabou mal. Maggie foi-se embora após ter acusado Shane de estar a tentar seduzir outra mulher. Um amigo do casal, em cuja casa ambos estavam a viver durante aquela semana, conduziu-a de volta a casa. Quando Shane regressou, estava completamente fora de si, acusando Maggie de o "ter abandonado".

 

Foi na sequência dessa discussão que Sara Naomi Lewkowicz tirou as fotos que lhe valeram o World Press Photo.

 

Kayden encontrava-se a dormir durante a agressão, mas a pequena Memphis correu para junto da mãe e recusou-se a sair do seu lado. "Por favor, Shane, deixa-ma tirá-la daqui", pediu Maggie. "Ela não devia estar a ver isto." Sara Naomi Lewkowicz publicou o seu trabalho pela primeira vez aqui, no final de 2012, e as críticas não se fizeram esperar. Como é que ela podia ter assistido àquilo sem reagir?, porque é que não largou a máquina fotográfica e os foi tentar afastar?, ou pelo menos tirar a criança dali? Há sobre isso um magnífico texto na Salon, onde se explica que Sara Naomi Lewkowicz foi mais corajosa do que se poderia pensar à primeira vista e coube-lhe a ela telefonar para o 911. Além disso, estavam presentes mais dois adultos, amigos do casal, que retiraram rapidamente a criança dali. Mais perturbador ainda: o texto levanta a hipótese de aquela ser, na cabeça de Shane, uma violência tolerável para se ter diante de amigos e de uma fotógrafa estranha. Na verdade, ele queria ir a sós com Maggie para a cave da casa. Mas ela recusou. Pouco depois, apareceu a polícia.

 

Maggie chorou e disse que não queria causar problemas a Shane. A polícia respondeu: "Ele não vai parar. Eles nunca param. Habitualmente, só param quando te matam."

 

Quando era levado pela polícia, Shane implorou: "Por favor, Maggie, não os deixes prenderem-me, eu amo-te, diz-lhes que eu não fiz isso." 

 

Maggie resistiu e apresentou queixa contra Shane, que agora enfrenta uma pena que pode ir de cinco a 17 anos de prisão, por violência doméstica e violação da sua liberdade condicional.

 

Enquanto Kayden dormia, a única preocupação de Memphis parecia ser a sua mãe: "Não chores, mamã, eu adoro-te."

 

Maggie decidiu afastar-se definitivamente de Shane e regressar ao Alaska, onde vive o pai dos seus dois filhos.

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publicado às 12:18



Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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