por João Miguel Tavares, em 01.04.13
Eis o meu texto de ontem na revista do CM:
Ora cá está uma fase pela qual ainda não tinha passado na minha vida, o que só prova que com quatro filhos nunca hei-de morrer de tédio. Quando tudo parece esgotar-se num ramerrame diário, há uma certa manhã em que acordamos e descobrimos: “espera lá, neste preciso momento estou a ser invadido por uma sensação inteiramente nova”. É giro ao fim de quase uma década de paternidade depararmo-nos com pasmos inéditos e estreias sentimentais, para mais sem qualquer relação com o advento da puberdade (que está quase a chegar, receio bem…).
“Mas, afinal, que sensação é essa?”, pergunta o leitor enfadado com a minha incapacidade de ir directo ao assunto, e que só estar a ler este texto porque a bica veio demasiado quente. Peço desculpa. Você tem mais que fazer na vida, não é, caro leitor? Pois comigo passa-se o mesmo: tenho mais que fazer na vida. Ao que acresce uma inultrapassável limitação física, que é onde está a novidade: tenho muito mas já não tenho como. Eu sempre trabalhei muito (nos dias de hoje convém acrescentar “felizmente”), mas só agora, com a chegada da Ritinha e o crescimento da Carolina e do Tomás, é que sinto que cheguei, de facto, ao limite da minha flexibilidade paterno-laboral: por muito que queira, e por muito pouco que durma, já não dá mais.
O resto do texto pode ser lido
aqui. A ilustração é do José Carlos Fernandes.