De Teresa Pinho a 15.03.2013 às 08:32
Na verdade, parece-me que afinal concordamos em quase tudo. O que me interessa é também saber se as relações soçobram mais nos dias de hoje porque nós também semos mais egoístas e vivermos mais centrados na satisfação das nossas necessidades individuais.
A diferença na nossa forma de ver é que, tendo apenas por base o mundo que me rodeia (nada me garante que seja representativo, é verdade), acho que as pessoas estão agora mais abertas para colocar os desejos do outro à frente dos próprios desejos e, por isso, em resposta ao que ambos queremos saber, eu respondo não enquanto que o João Miguel Tavares responde sim.
Há, claro, uma questão de desigualdade de género: poderiamos argumentar que no tempo dos nossos avós as mulheres colocavam os desejos do marido à frente dos seus desejos mais do que as mulheres de agora. Mas isso parece-me uma comparação limitada: não só muitas vezes o faziam a um nível além do aceitável numa relação de respeito mútuo como o faziam porque assim o eram obrigadas.
E agora é diferente: julgo que agora mulheres e homens escolhem abdicar daquilo que lhes dá prazer no imediato em nome de princípios abstractos - o Amor e o compromisso - e não em nome de pressões sociais ou porque não tenham autonomia financeira para que consigam viver se for de outra forma. Agora é por escolha, não por obrigação. E, para mim (e acredito que para o João Miguel Tavares também), 5 anos por escolha, com respeito mútuo e empenhamento de ambas as partes na relação, vale muito mais do que 50 anos por obrigação.
Em resumo, parece-me que concordamos em tudo menos na conclusão.