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Sobre bater (ou não bater) nas crianças #3

por João Miguel Tavares, em 14.10.13

Fazendo eu parte do grupo de pais que não tem qualquer problema em sacudir o pó a um filho se ele passar dos limites e que, ainda por cima, não sente quaisquer problemas de consciência por causa disso, queria apenas comentar o comentário da Helena Araújo, em dois pontos.

 

O primeiro ponto é uma resposta a esta pergunta: "Agradeço que me expliquem como dizer a uma criança, de modo que ela possa compreender, que os pais podem bater, mas as crianças não." Essa para mim é muito fácil: basta dizer-lhe simplesmente "eu sou teu pai, tu és meu filho, nós não estamos no mesmo plano, não somos iguais, a nossa casa não é uma democracia, eu mando em ti, tu não mandas em mim, eu posso bater-te se passares das marcas, tu não me podes levantar a mão em circunstância alguma, e vai ser assim até tu seres maior de idade, independente, tomares conta de ti próprio e teres liberdade para deixares esta casa." Simples. Até porque nós, pais, chegamos a velhos mais depressa do que eles, e depois terão inúmeras oportunidades para se vingarem de nós.

 

Quem me conhece sabe que eu odeio profundamente argumentos de autoridade - mas odeio argumentos de autoridade entre dois adultos, não entre um adulto e uma criança. Numa relação pai-filho parece-me óbvio que a relação de autoridade tem de estar bem estabelecida. É evidente que sempre que pudermos explicar a um filho as razões das nossas acções devemos fazê-lo, e eu faço-o com certeza. Mas chegado a certo ponto de desentendimento, não vou estar a conversar com ele como se eu fosse o primeiro-ministro e ele a Heloísa Apolónia. Uma família não é um Parlamento. Claro que também não deve ser uma ditadura, mas se cá em casa votássemos em relação a tudo (na verdade, até votamos bastante), e colocássemos as crianças no mesmo plano que nós, a barbárie tomaria conta da civilização.

 

O segundo ponto tem a ver com o comentário final da Helena: "Ao ler o testemunho da Sofia Silva perguntei-me várias vezes 'mas porquê?' 
Porque é que a Sofia Silva precisava de fazer tantas asneiras? Porque é que precisava de ser respondona? Parece-me que perguntar-se 'porque é que a criança precisa de fazer isto' é meio caminho andado para encontrar uma solução que a ajude a crescer bem, em vez do pequeno descarrilamento que é a palmada."

 

Ora bem, aqui eu acho que a Helena entra naquele ardil meio psicoanalítico, meio fé no bom selvagem, que consiste em acreditar que por detrás de cada gesto desregrado existe um trauma escondido, que se for encontrado e devidamente eliminado elevará a criança ao esplendor dos altares. Detecta-se o mal interior, corrige-se com muito amor, e a partir temos um santinho, que levará o resto da sua vida a espalhar o bem pela Terra.

 

Vai-me desculpar, cara Helena, mas eu acho esta visão extremamente errada - ainda que ela me impressione pela tremenda fé na bondade interior e na racionalidade do homem. A verdade é que eu estou como o Po, a personagem principal do Panda do Kung Fu: não existe ingrediente secreto.

 

 

Que é outra forma de dizer: não existe uma determinada forma absolutamente correcta de educar uma criança, um caminho das pedras que conduza à felcidade eterna, uma fórmula geral que possa ser aplicada a todos os miúdos do planeta. E isso por uma razão muito simples: os seres humanos são demasiado complexos para que a sua educação siga uma determina matriz, universalizável, extensível a qualquer alma, independentemente dos seus genes, das suas sinapses, do cocktail químico que corre nas nossas veias, e que é diferente para cada um de nós.

 

Claro que existem caminhos, soluções partilháveis, aprendizagens que se vão acumulando - de outra forma não precisaríamos de pediatras para nada. Não estou a dizer que não temos nada a ver uns com os outros - estou a dizer que não podemos ser reduzidos a uma solução única, uma pedra filosofal capaz de transformar uma criança problemática num adulto exemplar.

 

É por isso que a questão da palmada não tem, na minha opinião, uma resposta única e definitiva, aplicável a todo o universo de miúdos. Para alguns, calmos e compreensivos, não é certamente a melhor forma de os educar. Para muitos outros, será um instrumento essencial de disciplina, que os ajudará a crescer mais articulados e com uma noção mais precisa dos seus limites. E por isso, parece-me tão fundamentalista (e não estou a dizer que seja o caso da Helena) aquele que acha que sem umas boas chineladas não há criança que se faça homem, como aquele que acha que uma palmada na hora certa é uma forma de violência doméstica que deve ser punida por lei.

 

publicado às 11:02


118 comentários

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De maria fonseca a 04.02.2014 às 14:49

Li sobre as palmadas e gostaria de partilhar uma história: na minha rua havia uma gata com uma ninhada, fui toda arranhada por ela porque o meu cão resolveu investigar as “crianças” e depois escondeu-se atrás de mim, foi perdoada. Era admirável, defendia , brincava e ensinava-os a caçar mas quando eles exageravam dava-lhes sapatadas muito bem aplicadas. Tenho 3 filhos entre os 20 e os 28 anos levaram mais palmadas depois dos 18 anos que antes. Para mim só ensinamos até eles apanharem transportes públicos sozinhos depois é repetir tudo até eles saírem de casa. Nunca fui a amiga fui sempre a mãe, a que manda , apoia e perdoa. Sem ofensa para ninguém os filhos, os cães e os doentes (também sou médica) necessitam de poucas ordens curtas e claras. Boa sorte.
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De Anónimo a 31.01.2014 às 12:39

Bom dia,
Tenho três filhos, com diferenças de idade de 12 anos, do mais velho para o mais novo.
Leio com alguma curiosidade as opiniões do autor e dos comentadores, deste blog, porque tenho muitas vezes dúvidas, sobre a melhor forma de os educar.
Neste post em particular e em algumas coisas, parece-me óbvia a concordância:
As crianças são todas diferentes e os Pais também.
Num processo de educação que dura anos, vão-se fazendo sentir diferenças na maturidade e no comportamento das crianças com os Pais e dos Pais com as crianças.
Dá-se uma palmada num menino de 2 anos, posso concordar nalguma situação muito particular, mas não posso concordar que se dê uma bofetada num de 14. Dar uma palmada por uma birra, é diferente de dar uma bofetada. Num meninos de 2/3 anos é dificil explicar algumas coisas mas num de 12/14, não pode ser assim tão dificil e na maior parte dos casos, um castigo funciona muito melhor.
Sabemos que há Pais que nunca batem, outros que batem por qualquer razão e outros ainda, que não precisam sequer de razão para bater e dizer qual a melhor forma de educar é impossível. Mas a violência, física e psicológica, não é de certeza absoluta a melhor uma forma de educar uma criança.
Educar os meus filhos, tem sido a mais dificil e gratificante tarefa que assumi na minha vida. A forma que adoptei para os educar, é tentando ser um exemplo. Fazendo e mostrando-lhes como podem, como devem e porque é que devem fazer coisas, que nalguns casos gostam menos.
Tem de haver da parte dos pais um comportamento pedagógico, porque é isso que se lhes exige. Não mandamos uma criança fazer alguma coisa simplesmente porque assim queremos. Mandamos e somos autoridade, mas explicamos porquê. Caso contrário, a pergunta do porquê, ficará lá para sempre e na primeira oportunidade que tiverem para não cumprir, não cumprem. Eu não quero que os meus filhos me sejam obrigados a obedecer, quero que eles compreendam, como e porque é que devem fazer as coisas sem eu mandar.

Para terminar, há uma frase neste Post que me deixou triste, pela leviandade que foi usada: "e depois terão inúmeras oportunidades para se vingarem de nós."
Infelizmente, esta "vingança" não será apenas connosco, será uma forma que aprenderão a utilizar, para resolver os problemas que lhes forem surgindo pela frente, com os amigos com os colegas ou professores, com a sociedade que os rodeia. E quando lhes perguntarem porque é que bateram, responderão que foi o exemplo que trouxeram de casa e porque sim, porque a vida não é uma democracia, quem pode manda e não têm de se justificar.

Obrigado
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De Anónimo a 11.01.2014 às 01:45

Será que alguém que usa a palmadas na educação dos seus filhos me consegue esclarecer a diferença entre uma palmada no rabo, uma palmada na mão, uma palmada na cabeça ou uma palmada no estômago?

Obrigada
Susana
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De susy a 14.08.2014 às 01:07

Vamos lá ver...se eu lhe der um estalo na cara e depois um no rabo, com a mesma intensidade, o que acha q irá doer mais? O que parecerá mais "violento"? O que mais facilmente deixará marca? Não é preciso muita logica para concluir que na cara irá doer mais, irá ficar marca e por ser numa zona sensivel irá parecer mais violento devido as conclusoes anteriores.

Mas usando as referidas opçoes: cabeça e estomago sao zonas sensiveis, deverá ficar fora de opçao para qualquer ser com minimo de estudos sobre o corpo humano. Maos so se for na palma, nunca na parte onde tem as veias.

Bjs
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De Paula a 20.11.2014 às 15:06

Boas!
De certa forma estou surpreendida pelas reações diversas, parece que uma "palmada" se trata da agressão fisica mais absurda... depende!
A "palmada" para mim, é mais o gesto em que a mão do progenitor encontra o rabiosque do(a) pikeno(a) em forma de concha de forma a poder haver um som que demonstre o desagrado quando "os ouvidinhos não ouvem" sem que haja realmente agressão fisica! Ou seja, não é necessário que a palmada produza dor no filhos, basta o gesto!
Acho que estamos a entrar num assunto confundido com a violência que efetivamente ocorre em todo o mundo...
A palmada não é o ato violento mas sim o dizer: pára e ouve!!! porque por vezes a birra sobrepõem a razão em décibeis mais do que os permitidos por lei! :)
A PALMADA que está a originar discussão é a de volência e aí... alto.
Lá por sermos adultos não quer dizer que não necessitemos de compreensão e mimo, no fundo por vezes somos crianças em corpos enormes, cheios de medo.
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De Anónimo a 11.01.2014 às 01:37

Caro João Miguel Tavares, revela ter uma total ignorância sobre o ser humano, e neste caso particular, sobre crianças e as suas etapas de crescimento e desenvolvimento. Infelizmente para os seus filhos, revela pouca vontade em aprender um pouco mais, porque são eles os mais afectados com o seu enorme Ego que se sobrepõe ao amor que sente por eles. Sorte a sua que todos os filhos acabam por perdoar os pais, porque eles sim...são amor.
Curiosamente, fico muito grata por revelar de forma tão inconsciente a sua ignorância porque é dela que me vou usar para aprender ainda mais sobre este tema. Para existir a luz é sem dúvida importante conhecer a sombra.
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De Anónimo a 04.02.2014 às 22:23

E inteligência, não?!
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De Anónimo a 03.01.2014 às 10:01

Vivo na Suécia, país "civilizadíssimo" e exemplo de pedagogia infantil. A lei é muito clara em relação à repreensão física da criança. Absolutamente proíbida e uma das prioridades em termos de investigação criminal. Eu próprio tenho crianças pequenas em casa (das quais não sou pai) e aquilo que vejo é, na realidade, um retrocesso civilizacional. A sociedade sueca assiste em silêncio ao poder que as crianças e jovens tomaram no dia-a-dia. Nunca na minha vida vi tanta birra nos supermercados e tantos pais a "levarem porrada" dos seus pequenos rebentos e a serem chamados dos piores nomes que se possa imaginar e que se houvem com frequência em jogos de futebol.

Na Suécia não se grita sequer com as crianças, em vez disso tenta-se demovê-las suavemente com diplomacia. Funciona? Eu acho que não!

Em criança levei palmadas no rabo (que mereci), as duas únicas vezes que levei uma estaladona a sério percebi imediatamente que eu não podia continuar a portar-me mal e que tinha ido longe demais. E percebia claramente que os meus pais sentiam-se mal quando eles próprios íam tão longe na sua repressão.

Não sou apologista da violência, não quero que as crianças sejam reprimidas dessa forma MAS se fôr necessário não vejo qualquer problema nisso. Tenho-me como uma pessoa de bom senso, muito feliz e sei que um pai ou uma mãe em iguais circunstâncias vão sofrer muito mais por baterem no seu filho que a própria criança...

Não devia haver tabus para uma "boa palmada", na altura certa quando todas as outras medidas se esgotaram.

Imaginem o que é ter uma criança que se porta mal, atira com os brinquedos contra a parede e dá tantos pontapés na porta da casa de banho que acaba por abrir um buraco na porta, tenta bater nos pais e chama nomes a tudo e todos e quando se tenta agarrá-la para que a destruição pare, a criança ameaça com uma participação policial!!! (Sim, na Suécia basta que a criança diga na escola que levou uma palmada em casa, para os pais serem questionados e na pior das hipóteses terem a vida feita num 8).

Há uns meses um psicólogo sueco - David Eberhard - alertou para os perigos deste tipo de exemplo civilizacional e chamou os jovens e crianças suecas de "mimados" na sua pior forma. E porquê? Porque as crianças são apenas crianças, em minha casa quem manda sou eu e eu tudo vou fazer para explicar e educar da forma mais civilizada possível, mas a diplomacia não resolve todos os males do mundo. Sou apologista da palmada no rabo. Não doi, mas mostra quem manda. Quando já não existe respeito, parte-se para o culto do medo (de levar uma palmada). Quando dizia ao meu pai que não tinha medo dele, respondia-me ele que "tu não deves ter medo de mim, deves é ter respeito". É verdade que nunca tive medo de levar uma palmada, mas desrespeitei muitas vezes os meus pais enquanto criança. Aquelas duas estaladonas fizeram-me entender o quão longe eu tinha ido.
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De Mia a 02.08.2014 às 10:57

Reduzir os problemas educacionais na Suécia à falta de palmadas é extremamente básico. Sou sueca e vivo em Portugal há muitos anos. Os problemas são os mesmos e há muitas palmadas. Isto tudo é uma questão de relacionamentos pais e filhos, não sobreais castigos e mais palmadas. Além disso, o David Eberhard não trabalha, bem nunca trabalhou com crianças. Recomendo o blog e livro da Petra Krantz Lindgren.
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De Eu a 26.08.2014 às 14:41

"Reduzir os problemas educacionais na Suécia à falta de palmadas é extremamente básico. Sou sueca e vivo em Portugal há muitos anos. Os problemas são os mesmos e há muitas palmadas." (sic)
hum....a coisa não faz sentido...se na Suécia não se pode dar uma palmada e os "problemas são os mesmos" só posso deduzir que...o modelo sueco não funciona!
como em tudo na vida....bom senso e cada um sabe de si! e duas palmadas no real traseiro nunca mataram ninguém.
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De nuno a 20.12.2013 às 10:17

Em tempos dava palmadas - poucas - no meu filho de dois anos.
Ele estava a começar a bater-me também porque era o que conhecia.
Deixei de fazê-lo e há pouco tempo ele levantou-me a mão. Perguntei porquê e se eu lhe batia. Respondeu que não, pediu desculpa e não o fez de novo.
Percebo o João e a sua argumentação. Acho que na educação do meu filho ele há de apanhar duas ou três palmadas. Mas que sejam por razões sérias e não porque estou descontrolado.
Ler sobre o assunto tem-me ajudado. Resulta e sinto-me melhor por não lhe andar a sacudir o pó...
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De Helena Araujo a 17.10.2013 às 15:13

Mal uma pessoa se distrai, lá aparece um post e uma enorme caixa de comentários. Só vi agora, por isso só agora respondo:

1. "Se tu me podes bater, também te posso bater"
Eu estava a falar de crianças que viveram em sociedades onde não é normal nem desejável que se bata nos filhos. Bater é um descarrilamento, de modo que, na realidade, a pergunta da criança era: "porque é que tu podes descarrilar, e eu não?" (e a resposta "porque sou tua mãe", no caso, não é válida. Ser mãe não dá direito a ficar acima da lei, digamos assim. Ou melhor: o correcto e o errado são categorias exteriores aos pais, e às quais eles se submetem tal e qual como os filhos.)
2. "Porque é que a criança precisa de fazer isto?"
"Ora bem, aqui eu acho que a Helena entra naquele ardil meio psicoanalítico, meio fé no bom selvagem, que consiste em acreditar que por detrás de cada gesto desregrado existe um trauma escondido, que se for encontrado e devidamente eliminado elevará a criança ao esplendor dos altares. Detecta-se o mal interior, corrige-se com muito amor, e a partir temos um santinho, que levará o resto da sua vida a espalhar o bem pela Terra."
Por partes:
- o modo como argumentou é ofensivo para mim. Pensa mesmo que eu sou a pateta que aí descreveu?
- qual é o seu problema com a psicanálise? E que argumentos tem contra as abordagens da Dolto e do Sévérin, ou contra livros do género "conferência de família", "educar Caim" (recomendo-lhe este, em especial), "como falar com crianças de modo a que elas ouçam, e como as ouvir de modo a que elas falem"? (os títulos serão talvez outros, em Portugal, mas a ideia é essa)
- não, por trás de cada gesto desregrado não existe um trauma, mas existe uma causa. Detecta-se a causa, corrige-se com inteligência, e a partir daí temos não um santinho, mas uma criança que foi compreendida e ajudada a sair do problema que a bloqueava, em vez de ter sido dominada à força.

3. "Não existe uma determinada forma absolutamente correcta de educar uma criança" - pois não. Isso sabemos todos. Por isso é que insisto que é fundamental apelar à inteligência e sensibilidade dos pais, em vez de sair pelo curto-circuito que é a palmada.

4. Parece-em que há um erro fundamental de entendimento em muitos dos participantes nesta discussão: confundem "não bater" com "não educar". O que eu defendo é que quando os pais decidem que bater está fora de causa, iniciam um caminho de aprendizagem com criatividade, sensibilidade e inteligência. Bater é o recurso da preguiça: é o que dá menos trabalho.
Tenho participado neste debate porque me parece que aceitar pacatamente que uma palmada não faz mal a ninguém é impedir os pais de serem convidados a olhar para o seu papel de outro modo, e a tornarem-se mais maduros no seu papel de educadores. É verdade que uma palmadinha não faz mal a ninguém. Mas esse não é o caminho, é apenas um episódio de perda de controle.

Finalmente, duas pequenas notas:
- Hoje em dia, nem para treinar cães se usa a palmada.
- Amigos meus têm um filho com deficiência mental. Nunca precisaram de dar uma palmada para o educar - conseguiram sempre "civilizá-lo" usando apenas palavras. Como é possível então afirmar que as palmadas são necessárias, porque as crianças não entendem? Pois se até com uma criança com deficiência mental resultam!
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De Maria a 26.10.2013 às 23:28

Provavelmente já ninguém lê isto...
Só para dizer que concordo em absoluto com a Helena Araújo. Trabalho todos os dias com crianças, com e sem deficiências. Já entrei em "curto-circuito" algumas vezes, e de todas me arrependo por não ter conseguido controlar-me. A adulta sou eu!
Educar é amar.
Palmadas, bofetadas, "sacudidelas"?! Só a imagem mental do gesto já assusta.
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De Helena Araujo a 27.10.2013 às 12:55

Maria, eu li. :)
E gostei.
Só mudaria uma coisa: educar é mais que amar - é humanizar. É um enorme desafio que pede, para além do amor, muito sentido de responsabilidade e algum distanciamento interior.
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De - a 05.02.2014 às 10:53

Ola Helena,

Entendo o seu ponto de vista. Mas então não vamos falar de bater mas antes de punir.

Como vamos fazer entender a uma criança que o que ela fez esta errado? é certo que podemos conversar com ela, mas e se reincidir ? Não sou pedagogo ou psicólogo, mas vejo e percebo que as crianças são muito ardilosas e percebem quando podem pisar.
Tem de haver algum meio de as fazer entender que o que fizeram esta errado.

Talvez me diga agora que a punição tem uma carga negativa. Devemos antes usar reforços positivos por bom comportamento. Tenho visto que nas escolas se utiliza ultimamente uma forma de reforço positivo, para incentivar as crianças a fazer o bem. Uma tabela, com o nomes de todos e sinais verde, amarelo e vermelho associado ao seu comportamento. Mas, pergunto eu, não é isso também uma forma de pressão e punição social? No fundo andamos sempre a volta do mesmo, apenas com técnicas diferentes. Neste caso transferimos a tarefa negativa de punição da professora para o grupo - uma forma de "peer pressure". Certamente que é mais grato para a professora, mas como se sentira uma criança excluída pelo grupo? Sera que vai ter sempre o desejo de re-integração? não é isto uma forma de punição encapotada?
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De Helena Araujo a 05.02.2014 às 13:03

Sou mais a favor de
1. prevenir (não deixo avançar situações de conflito - há tempos o João Miguel dizia que teve de dizer "não" à Ritinha uma dúzia de vezes, para ela não se aproximar de não sei quê. Eu, ou tirava o não sei quê dali, ou a Ritinha. Dizia-lhe "não" duas vezes, no máximo. Muitas vezes, em casas de amigos ou em museus, por exemplo, estive sempre perto dos meus filhos, a entretê-los para nem se lembrarem de fazer asneiras. Dá muito trabalho, claro.)
2. não deixar a situação tornar-se hábito ou luta de poder (geralmente passa por levar os miúdos para outro contexto, onde não podem continuar esse comportamento, ou onde ele não incomoda. Uma amiga minha, quando pressentia que o filho estava com vontade de começar a chatear, ia dar uma corrida com ele ao quarteirão - ele usava a energia que tinha a mais, e esquecia-se que estava virado para chatear.)
3. ouvir (tentar entender a que se deve o comportamento)
4. conversar e convidar a criança a colaborar ("ajudas-me a despachar estas compras o mais depressa possível, e depois levo-te ao parque infantil" ou "o pai precisa muito de descansar - achas que consegues brincar sem fazer barulho?")
Os meus filhos (de 17 e 19 anos) dizem-nos que exagerámos nos castigos. Talvez tenham razão. Estou ansiosa para ver o que vão fazer com os filhos deles.

Esses quadros de comportamento para envergonhar as crianças publicamente parecem-me horrorosos. Se me fala da escola, lembro-me logo do que gostei de ver nas escolas dos meus filhos. Perante miúdos que se portavam mal, algum professor informava que a avó do miúdo tinha morrido, ou que os pais se estavam a divorciar; todo o corpo docente perdia tempo a pensar a que se devia aquele comportamento e como podiam ajudar a criança. Contudo, este esforço de compreensão anda a par de uma autoridade sem complexos. A criança é respeitada, mas também se exige que aprenda o respeito. E os professores não se ensaiavam nada para dizer aquilo que não lhes agradava no comportamento do aluno. Assim, a pronto, sem gráficos a cores nem quadros de honra.
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De Ana a 15.10.2013 às 16:50

Tenho lido o seus post's sobre a temática....como mãe tenho os meus limites e tento fazer com que as minhas filhas percebam isso, sou humana, sou mãe, não sou super-herói, arrependo-me algumas vezes, converso, peço desculpa quando necessário, mas por vezes dou por mim a subir o decibel, ou a dar uma palmada...sinto-me culpada em alguns momentos, dói mais em mim em outros momentos, mas não há livro de instruções...
Mas vi a reportagem da TVI com o Psicólogo Clinico Quintino Aires e penso que é bastante esclarecedora..
Fica o link
http://www.tvi.iol.pt/videos/13795368
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De Maria Helena a 15.10.2013 às 13:58

Concordo com o JMTavares...
Não impor limites às crianças é traí-las... A verdade é que a Sociedade segrega quem nãos abe o seu lugar...
É mal feito? Talvez, mas é assim que funciona, cada vez mais e mais...
Compete aos Pais 'ensinar-lhes' o que é a vida fora do Ninho...
Aprender a lidar com a frustração é uma ferramenta muito importante, porque ela chega sempre a todos...
Criámos duas filhas, com 11 anos de diferença uma da outra... De certeza que foram educações diferentes, éramos muito novos quando a mais velha chegou e já mais vividos aquando da mais nova. Nesse intervalo a vida também nos educou.
Às duas demos sempre a ideia 'real' da vida... Os brinquedos não caiem do céu, dá muito trabalho a construir uma Família... E a noção de que ter Sorte custa muitas horas de dedicação e esforço.
As crianças não são de vidro... não partem.
Sempre tivemos receio de que mais tarde, ao baterem de frente com as dificuldades, se voltassem para nós e dissessem: Vocês não nos avisaram que viver é isto, e agora?
As pessoas que costumam dizer em relação ao passado: Se fosse hoje fazia tudo igual!
É sinal de que não aprenderam nada... Mesmo que tenha sido bom, então ainda podemos fazer melhor no futuro...
Graças a Deus, criámos lutadoras, atentas e solidárias com o próximo, gente do Bem.
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De Eduardo a 15.10.2013 às 13:13

Concordo plenamente. Amar os filhos é também orientá-los para seguirem um caminho correto, o do respeito por tudo e por todos e o da responsabilidade. Para tal é imprescindível incutir-lhes que os seus atos têm consequências. Logo uma má atitude pode resultar numa palmada e/ou num castigo. É uma forma de educar.

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