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E trelas para crianças? Essas são aceitáveis?

por João Miguel Tavares, em 21.10.13

 

Nos países europeus mais desenvolvidos, onde a palmada de que temos vindo a falar abundamente não é permitida, é relativamente normal ver os pais a usarem isto:

 

Em Portugal, a utilização de trelas para crianças é ainda muito rara, mas eu já as vi serem utilizadas uma ou outra vez, quase sempre em centros comerciais, onde há invariavelmente muita confusão.

 

Já que o pessoal da brigada anti-palmada, nomeadamente a Helena Araújo (eu avisei que, agora que descobri que partilhámos belos momentos juntos nas ruas de Berlim, ia começar a tratá-la mal), estabeleceu equivalências entre dar palmadas nos filhos e bater nas mulheres, como nesta referência a um velho artigo de um jornal americano (para os mais curiosos, o Huffington Post conta a sua história aqui),

 

 

permitam-me então a provocação (uma provocação sem ironia, porque estou mesmo curioso em conhecer as vossas opiniões) de vos perguntar o que pensam das trelas para crianças, tão popularizados nos países ditos "mais civilizados".

 

Eu confesso que, se conseguisse aceitá-las dentro da minha cabeça como uma coisa normal, já me teriam dado imenso jeito - e certamente evitado um par de palmadas nos tenros rabos dos meus filhos...

 

publicado às 09:52


30 comentários

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De Anónimo a 22.10.2013 às 15:37

Adoro o vosso blog. Mas...
Desculpe o meu comentário: Porque razão fala tanto em palmadas? De cada vez que faz asneiras se a sua esposa lhe desse uma palmada aprendia alguma coisa?
Falando a sério (talvez...): a minha mãe só soube educar os filhos ao som das palmadas. Lhe garanto que não aprendemos nada com isso... bem não é verdade! Aprendemos a mentir-lhe sem sermos apanhados para não apanharmos...
O meu pai nunca nos bateu. Nunca nos berrou. O meu pai falava com voz assertiva e nós respeitávamos-o. Ainda hoje, o respeitamos. Já a minha mãe...
Não sou mãe (por causa da estúpida infertilidade sem causa aparente). Sou tia dos meus sobrinhos e de todos os filhos dos meus amigos. Crianças que passam fins-de-semana/férias comigo. Nunca lhes bati. Sempre me respeitaram. Quando têm problemas telefonam-me. Contam-me os seus segredos. Confidenciam-me os seus "pecados", pedem-me conselhos...
Sou a tia que muitos dizem que gostavam de ter como mãe.
Não sou mãe, e infelizmente talvez nunca venha a ser. Mas se fosse, não sei como agiria pois é diferente a relação do dia a dia da relação de férias. Mas gostava de ser como o meu pai: assertiva!
Também acredito que a imagem que passa de si não corresponde ao que é como pai. Acredito que os seus filhos o amam e o respeitam. Acredito que é bom pai, apesar de só falar de palmadas... ou de crises de nervos porque lhe mexeram nas tralhas...
Por isso lhe peço: fale de outra coisa. Escreve tão bem. Tem tanta imaginação...
Obrigada e desculpe se fiz algum comentário menos sério :)
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De Joana Mendonca a 22.10.2013 às 15:34

Eu não gosto, e não seria capaz de usar, pelo menos até ao momento foi o que sempre achei. A minha filha mais velha andou tardissimo, e usamos o carrinho até ela não caber nele (outro habito dos paises mais nordicos :)). Não gosto da sensação de prender alguem. Também não gosto de parques, nunca usei. E mesmo no carrinho, só prendo quando há perigo de queda.
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De Anónimo a 22.10.2013 às 11:19

Olá JMT,
O que eu me tenho rido com os posts de blogue!!!
O meu filho do meio, que actualmente tem 9 anos teve uma trela. E nao me parece que tenha ficado traumatizado....
Depois de um filho que era um santo, que nunca fugia, que obedecia quando o chamávamos, que dava sempre a mão na rua ( agora está a adolescer e está insuportável, mas é outro campeonato...), eis que o pequeno David aparece para desafiar toda e qualquer espécie de regra, mesmo com uma ou outra palmadita....
Comprei então a trela para que ele pudesse andar sem que nos estivéssemos sempre à beira de um ataque cardíaco com medo que fugisse, caísse, se perdesse.... Tinha um ano, mais ou menos. E foi bom, acredite. Tirando os comentários idiotas que as pessoas insistiam em fazer, claro, mas eu ignorava. Até ao dia em que o malandro aprendeu a abrir a trela ( tinha um fecho no peito, do tipo de encaixe como os cintos das cadeiras) e a festa acabou! Durou portanto uns três meses... Foi aí que ficámos a saber que ele aprende a abrir tudo, até fechos que supostamente são à prova de criancinhas....

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De Anónimo a 22.10.2013 às 11:11

Já me lembrei disso nas ocasiões em que o meu filho mais novo resolve sair sozinho à aventura, seguindo a tradição materna que deixou os avós muito atrapalhados várias vezes. Mas uma trela parece um castigo da Santa Inquisição... Estou, contudo, a ponderar seriamente adquirir um destes:

http://eosfilhosdosoutros.blogspot.pt/2013/09/porque-o-pai-quer-lapa.html
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De Helena Santos a 21.10.2013 às 23:42

Regra geral, acho mal, embora às vezes apeteça. Há uns anos atrás assisti a uma cena na Escócia que me ficou na memória. Dois jovens (um e uma, cerca de 18-20 anos) que deviam ser monitores de jardim de infancia ou algo semelhante andavam (ou tentavam andar) pela rua cada um com cerca de 6 ou 7 crianças todas com trelas. Consegue-se imaginar a confusão? Nunca o fiz, mas deve ser mais ou menos como andar com igual número de cães sendo que em cada grupo havia uma cadela no cio. As crianças puxavam cada uma para seu lado, corriam, entrelaçavam-se nos postes dos sinais (de propósito) e eles penavam para conseguirem seguir caminho. Todas as tentativas de meter alguma ordem nas crianças eram completamente inúteis, os miudos estavam electricos, e completamente a borrifar-se para o que os monitores diziam, às vezes aos gritos (gabo-lhes a coragem de passarem por aquilo se calhar frequentemente). E a ver aquele espectáculo, pensava como era em Portugal, em que tantas vezes via pelas ruas movimentadas de Lisboa, crianças ordeiramente em filas de pares, cada par de mão dada, uma educadora à frente, uma a meio e uma atrás e lá iam eles alegremente na galhofa mas sem largarem as mãos e sem desfazerem a fila...parecia uma visão do paraíso, face ao que estava a assistir naquela altura...é claro que os miudos portam-se muitas vezes melhor na escola do que com os pais (cá, pelo menos), e que cada pai/mãe só leva um filho e que é diferente, mas a questão é a educação. É dificil, dá muito trabalho e às vezes é tããão mais fácil atar uma trela e sabemos que nao vao fugir para lado nenhum, deve ser um descanso...mas acho mais importante que eles passem pelo processo de aprender o que podem e não podem fazer na rua, faz parte da educação. Tenho um filho com 3 anos e meio, nao me posso queixar, até é atinado, mas é igual a todos os miudos da idade dele, passa pelas fases todas do desafio e da exploração dos limites, quando decide fugir na rua ou no centro comercial, sabe que dali para a frente vai pela mão, e aprendeu (mais ou menos cedo) que ganha mais se ficar por perto do que se desobedecer. À medida que cresce e dependendo sempre das circunstâncias, já pode afastar-se um pouco, ou ir mais à frente e vai aprendendo os limites. Aos poucos, e com muita (às vezes menos) paciencia e trabalho.
Helena Santos
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De Sn a 21.10.2013 às 22:16

Não me choca nada. Mas preferia a coleira que dá choque quando os cães estão a ser domesticados. Muito útil na rua: ai não queres dar a mão?! Bzzzz

E voltando aos tcp:.
http://pedagogiadoterror.blogspot.pt/2013/10/posso-te-tratar-por-tu.html

A solução é carregar a criança com palmadas e castigos ou o mundo seria um lugar perfeito se não houvesse TPC?!
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De Teresa A. a 21.10.2013 às 13:22

Eu vivo num país "civilizado", a Alemanha, onde das palmadinhas nas criancas é considerado um crime. Dito isto, devo dizer que aqui nunca vi as trelas e espero nunca ver. Já agora, eu concordo com o JMT no assunto do "bater" nas criancas.
O problema das trelas, a meu ver, nao é o traumatizar ou nao as criancas. A questao é que este método nao educa: as criancas nao aprendem a ouvir os pais, a ficar ao pé deles etc. E olhem que a minha filha, de três anos, é daquelas que fogem sempre que têm oportunidade e já apanhei muitos sustos! Mas nunca consideraria usar a trela: quando ela nao obedece, vai "presa" na mao da mae... E quando vao várias criancas juntas (basta olhar para as criancas do infantário, quando vao passear) há o sistema de dar as maos uns aos outros.
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De inesdeportugal a 21.10.2013 às 14:52

Concordo que não é um método de educação. A minha menina, que agora tem 6 anos e se porta muito bem, quando tinha 3 anos não parava quieta e era daquelas que corria para a estrada. Era de mão dada que andava e assim aprendeu. E acho que a trela não é a maneira mais eficaz de aprender a andar junto aos pais, sem fugir ou sem correr para a estrada ou outro local perigoso. Agora, experimente a ir para um aeroporto, carregada de bagagem, com milhentos pormenores para prestar atenção, bilhete daqui, hora acolá, corre para aqui, corre para acolá, multidões e um sem número de imprevistos. A trela, não utilizada regularmente, porque não ensina nada, pelo contrário, desresponsabiliza o adulto e a criança da aprendizagem, mas para ocasiões específicas, em que o adulto precisa de se assegurar que a criança não corre perigo e tem pouca mobilidade, afinal, o que tem de mal?
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De Andrea a 21.10.2013 às 13:12

Assisti há alguns anos duas situações distintas: na baixa de Setúbal uma mãe desesperada à procura do filho que lhe tinha escapado por breves segundos e não o encontrava (*)...na baixa de Setúbal uma mãe despreocupada a ver montras e tudo mais que lhe apetecia porque tinha o filho "preso" por uma "trela" destas...
Depois destas duas situações (não foram na mesma altura) pensei para comigo "quando tiver um filho, vou comprar uma coisa daquelas"!
Não precisei, felizmente a minha criança sempre foi atinadinha...
PS. (*) o miudo apareceu, escondido dentro de um provador de uma loja...
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De Anónimo a 21.10.2013 às 13:23

Já agora: eu, quando quero ir às compras descansada, deixo a minha filha em casa...
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De Andrea a 21.10.2013 às 14:07

E para estar mais descansada ainda não se tinha filhos...certo?
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De Viajante a 21.10.2013 às 12:06

Acho as trelas uma coisa horrível. Só mesmo em situações completamente extremas que poriam em grande risco a segurança de uma criança é que me parecem justificáveis.
Já vi uma criança basicamente arrastada de rojo por uma trela.
Ensinamento para a vida é saberem como se comportar na rua - em crianças muito pequenas talvez em certas situações a trela pudesse ser alternativa, já não me parece aceitável para crianças com a idade de algumas que aparecem nas fotos.
Eu tenho três crianças e quando vou sozinha não tenho mãos para todos... vamos todos de mão dada em corrente humana.
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De Duarte Silva a 21.10.2013 às 13:00

Bem, nunca tendo utilizado este sistema, nunca iria criticar quem o utilizasse.
Tendo uma filha de 2 anos e 3 meses, que a primeira coisa que faz quando vai passear é fugir dos pais com aquele sorriso insolente e provocador, a preocupação está sempre presente, assim como o risco de acontecer algo de menos bom.
Assim sendo, primeiro a segurança e só depois a questão estética...
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De Viajante a 21.10.2013 às 13:12

Só para esclarecer: o meu comentário foi sobretudo no sentido de explicar porque não recorro à trela e menos para criticar quem optou por a usar - lá está, se uma criança tem tendência para estar sempre a fugir e sobretudo para estradas movimentadas, essa é obviamente uma decisão dos seus pais e não estava a criticar a opção nesses termos...
Depois, não estava a pôr a questão em termos estéticos - isso é a coisa mais subjectiva do mundo. Achar horrível não é por achar feio, é por achar que lhes limita imenso os movimentos e porque me parece que há outros argumentos muito mais pedagógicos para limitar (ou regrar) essa movimentação. No meu caso, os argumentos mais pedagógicos têm funcionado muito bem...
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De Duarte Silva a 21.10.2013 às 15:29

Bem, no meu caso a pedagogia(por mais que eu insista) é simplesmente ignorada pela minha filha... Quanto à limitação de movimentos, não posso estar de acordo, pois "dar a mão" acaba por limitar mais os movimentos da criança. Concordo sim, que deve ser utilizado em ocasiões muito extraordinárias, pois os pais também precisam de sentir responsabilidade pelos seus filhos, e a "trela" pode ser um factor de relaxamento dessa mesma responsabilidade.
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De inesdeportugal a 21.10.2013 às 11:30

Quando a minha filha tinha 3 anos tive de viajar sozinha com ela para os Estados Unidos. Pedi uma mochila-trela emprestada a uma amiga minha e levei-a. Sem qualquer complexo de culpa! A minha filha ia toda contente, dizia que era um cãozinho (a mochila tinha um cão) e eu ia segura que, carregando uma cadeira de automóvel, uma mala gigante e mala de mão, não a perdia de vista. Podia contar-vos mil aventuras dessa viagem e como foi difícil estar só com ela a correr por corredores e quase a perder aviões de ligação ou estar nos confins do mundo e a reserva de aluguer de carro correr mal - mas uma coisa é certa: a minha filha esteve sempre junto a mim e nunca se perdeu. Também não lhe noto qualquer trauma por ter ido atrelada a mim - as reminiscências que tem dessa viagem são o Sea world e o zoo de San Diego.

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