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Notas com corantes e conservantes

por Teresa Mendonça, em 28.01.13
Ontem, mesmo antes de sairmos para a nossa aventura na neve, lembrei a Carolina de que ainda não tinha tocado piano. Geralmente costumo estudar com ela para garantir que não memoriza as peças com erros, porque depois é muito complicado fazer com que as reaprenda bem. Como estava a chegar a hora da Ritinha ficar com fome resolvi não acompanhar o estudo e fui para a outra ponta da casa, para poder dar de mamar sossegadamente. Mas, mesmo de longe, não consegui deixar de me irritar com os erros repetidos que a Carolina fazia numa peça que insistia em maltratar, ignorando as teclas pretas do piano. Às tantas pedi ao Gui (que estava a jogar PSP ao meu lado) que fosse dizer à Carolina que a nota era um si bemol. Ele lá foi, todo solícito, mas sem parar de jogar o seu jogo. Daí a nada ouvem-se imensos risos e o Gui aparece-me todo envergonhado no quarto. Perguntei-lhe o que se tinha passado.

- Eles (o João também estava no escritório enquanto a Carolina estudava) começaram a gozar comigo.
- Então porquê, Gui?
- Não sei - protestou ele, com a sua cara de amuado.
- O que é que lhes disseste?
- Eu só disse que a mamã mandava dizer que aquela nota era sumol.

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publicado às 01:38


Amigos para a vida

por Teresa Mendonça, em 28.01.13
Os amigos que vamos ganhando e cuidando ao longo da vida têm um peso importantíssimo nas escolhas que fazemos e no quão felizes seremos. Esse é um dos temas mais presentes nas minhas conversas intimistas com os miúdos, na esperança de que eles aprendam o valor de um amigo leal e incondicional.

Ontem a Carolina recebeu as suas primeiras flores. Quem lhas deu foi uma amiguinha sincera que a surpreendeu com desejos de rápidas melhoras (ela fez uma pequena cirurgia na sexta-feira que lhe custou mais do que estava à espera... e a mim também). Pouco depois, a Carolina comentou comigo que achava que essa sua amiguinha era daquelas boas amigas de que eu lhe costumo falar. 

Acho que está a aprender a lição.


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publicado às 01:12


Penhas Douradas

por João Miguel Tavares, em 27.01.13
Esta noite vamos dormir aqui. Mas os miúdos ainda não sabem.




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publicado às 10:48


Diálogos em Família #7

por João Miguel Tavares, em 26.01.13
- O Hitler foi bué parvo. Mandou o Frankenstein embora e ele foi fazer a bomba atónica para os Estados Unidos.


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publicado às 09:57


E fala, e fala, e fala...

por João Miguel Tavares, em 26.01.13
Se ela já é assim nesta idade, imaginem quando chegar a velha...

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publicado às 08:57


O caso Liliana II

por João Miguel Tavares, em 25.01.13
Em relação ao caso Liliana, o Tribunal de Sintra emitiu uma nota de esclarecimento, que pode ser encontrada aqui. Convém lê-la com atenção. A minha principal dúvida neste momento - e era isso que jornalistas e responsáveis pelo processo deveriam tentar esclarecer - é quanto aos timings da decisão, na medida em que a casa e a família que agora aparecem nas reportagens parecem (e sublinho várias vezes o "parecem") ter condições para acolher as crianças. O eterno pecado da justiça portuguesa - pecado esse que em relação a menores se transforma numa pura e simples obscenidade - é a demora na análise e decisão dos casos. Ou seja, era fundamental sabermos se a decisão de Maio de 2012 foi proferida tendo em conta a situação presente daquela mãe ou a situação passada. Agora, de uma coisa tenho cada vez menos dúvidas: o caso Liliana está muito mal contado, e convém percebermos o que está em causa antes de começarmos a opinar apaixonadamente com base em peças de três minutos na televisão.  

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publicado às 21:42


O caso Liliana

por João Miguel Tavares, em 25.01.13
De seis em seis meses há O CASO. E graças a O CASO, durante um par de semanas o país inteiro indigna-se, ou comove-se, ou faz as duas coisas ao mesmo tempo, as pessoas descobrem que existem tribunais de família e crianças e pobres e filhos que são afastados dos pais, os responsáveis políticos põem ar sério e mostram-se preocupados, novas leis são prometidas, e passados 15 dias já ninguém se lembra, até porque vem aí um jogo do Benfica com o Braga.

O último O CASO chama-se "Liliana". Liliana Melo, 34 anos, 10 filhos e cara escarrapachada em tudo o que é jornal, é a mais recente senhora a ser alegadamente alvo de uma injustiça por parte do Estado. Motivo? O tribunal ordenou a retirada das sete crianças mais novas e a sua entrega para adopção, e lá pelo meio do processo falou numa laqueação de trompas que demorava a ser levada a cabo por Liliana.

Os jornais e as televisões encheram-se de notícias; Liliana Melo foi fotografada 20 vezes rodeada de 30 peluches; a Associação Nacional de Famílias Numerosas decidiu perguntar se laquear trompas era uma nova política do governo; um senhor voluntarioso criou de imediato um grupo no Facebook intitulado Mãe fica sem 7 filhos por recusar laqueação de trompas; Isabel Moreira, sempre com o indignómetro no vermelho, foi fazer perguntas a Pedro Mota Soares; os políticos foram acusados de não quererem que os pobres tenham filhos; a sirene tocou na Procuradoria-Geral da República; Henrique Monteiro escreveu um texto com cinco pontos de exclamação e citou 1984 e Admirável Mundo Novo; Daniel Oliveira comparou Portugal à China; nos blogues levantaram-se suspeitas de racismo e afirmou-se que o Estado andava a raptar menores; e eu pelo caminho comecei a despejar frascos de sais de fruto para o bucho a ver se conseguia aguentar tanta palermice junta.

Não, não quero estar aqui a defender o Estado, nem os tribunais. Que podem até ter errado aqui, como já erraram noutros lados. O que eu desconfio - e desconfio mesmo - é que tanta gente (CPCJ, procuradores, juízes) tenham errado de forma tão primária como dizem. Não quero pôr as mãos no fogo por ninguém. O que eu quero é uma coisa muito mais simples, mas aparentemente muito complexa: quero a modéstia de não tratar casos destes como se estivéssemos a falar de bola no café e a chamar nomes ao árbitro.

Quero que questões com tamanha seriedade não sejam transformadas em campo de batalha de interesses instalados, sejam os da direita (então agora as pessoas já não podem ter os filhos que querem?), sejam os da esquerda (então agora os pobres já não podem ter filhos?). Quero que se não reduza as obrigações de uma mãe para com um filho a não lhe bater (como se fosse aceitável o raciocínio: se não há maus tratos, se a mãe gosta dos filhos e os filhos gostam da mãe, então onde é que está o problema?). Quero que se fale da laqueação de trompas assumindo toda a complexidade do problema, até porque há casos em que ela é admitida por parte do Estado.

Quero que não se caricaturize aquilo que merece ser tratado com o maior cuidado do mundo. Quero que cada um exija à comunicação social que nos dê todos os elementos que nos permitam construir uma opinião sustentada, em vez de nos pormos a papaguear a habitual cartilha da pobre mãe ultrajada pela máquina da justiça. Quero, se possível, que a Liliana não seja fotografada agarrada aos peluches dos filhos. E quero - quero muito - que O CASO não seja apenas a pastilha elástica moral da semana.

Infelizmente, desconfio que vou ter muito pouco daquilo que eu quero.


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publicado às 18:29


Ainda a hiperactividade

por João Miguel Tavares, em 25.01.13
Ainda sobre o tema da hiperactividade, aqui fica mais um texto que vale a pena ler, da autoria do cirurgião pediátrico (e pai) João Moreira Pinto.

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publicado às 16:59


Dicionário da Língua Paternal-Filial #1

por João Miguel Tavares, em 25.01.13
Conhecem aquela sensação de entrar no quarto de brincar de um puto e ele dar um pulo só de nos ver? Aconteceu-me hoje de manhã e acho que essa pode ser a primeira entrada do Dicionário da Língua Paternal-Filial. Aceitam-se sugestões para o enriquecimento de tão necessária obra.

Pular assim que nos vê: Em linguagem filial significa "estou em pleno processo de execução de uma grande porcaria, que sei perfeitamente que não devia estar a fazer, mas infelizmente não estava à espera de te encontrar aqui neste momento."

Pode-se seguir, consoante o talento da criança, um...

Olhar de carneiro mal morto: Em linguagem filial significa "pedia encarecidamente que não sofresse represálias demasiado desagradáveis por este meu impensado acto".


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publicado às 08:34


Ainda sobre o novo super-mega-hiper leite

por João Miguel Tavares, em 24.01.13
Ainda em relação ao leite, lembrei-me que já escrevi um texto sobre isso há uns anos, que entretanto foi publicado no livro Os Homens Precisam de Mimo. Já nessa altura suspirava pelo tempo em que apenas havia leito gordo, meio gordo e magro. E ainda nem sequer havia toda a variedade actual: há uns dias ia comprar leite sem lactose, não encontrei, e deparei-me com um pacote intitulado "digestão fácil" que prometia 0,9% de lactose. Às tantas já não sabia se aquela 0,9% era o antigo 0% depois de ter sido obrigado a sair do armário pela ASAE, ou se era mesmo um novo 0,9%, e quanto é que isso poderia dar em percentagem de diarreias do meu filho Tomás, só para saber se arriscava ou não.

Bom, mas aqui fica o referido texto, intitulado "Vai um copinho de leite com isoflavonas?":

Ah, como eu tenho saudades do tempo em que o leite era apenas leite. Hoje em dia, ir ao supermercado aviar duas embalagens de Mimosa, é uma autêntica aventura linguística e sociológica. Aqui há uns dez anos, ir comprar leite significava escolher entre pacotes de gordo, meio gordo ou magro. Nos dias que correm, implica um mergulho nos abismos das vitaminas, das fibras, do cálcio e do ómega 3. Tenho cá para mim que seria muito útil começar a transportar um farmacêutico no nosso carrinho das compras.

Uma pessoa entra no Continente e tem dois corredores de leite. Um, mixuruca, de pacotes pouco ambiciosos e acomodados à vida, que não desejam ser mais do que o resultado de uma vaca pobremente espremida e se deixam comprar por cinquenta e poucos cêntimos. Pacotes à antiga, digamos assim, que manifestamente não acompanharam o progresso da humanidade. E depois temos outro corredor, de pacotes reluzentes, muito classe média-alta, que além do líquido que jorra do bovino são vitaminados por uma miríade de quinquilharia química que promete deixar-nos a apenas dois dedos de distância do Super-Homem. Como tudo o que reluz, há o reverso da medalha: cheguei a ver um pacote, que prometia afogar o colesterol, a 360 paus, moeda antiga.

O problema, claro, é que tansos como eu são irresistivelmente atraídos pelos líquidos que prometem – qual poção mágica do druida Panoramix – revolucionar a nossa existência em troca de 20 centilitros ao pequeno-almoço. Para tudo o que nos acontece na vida, inventaram um tipo de leite que ajuda a enfrentar a situação. Em verdade vos digo: o tipo que viu no pacote de leite um cruzamento entre nutricionista e psicanalista merecia uma estátua nos prados verdejantes dos Açores.

Ele há o leite “especial mamãs”, com ácido fólico . Ele há o leite “cardio”, com vitaminas B6, B12 e B9. Ele há o “bem activo”, com vitamina D (que ajuda “na fixação do cálcio”, aparentemente um elemento químico que tem dificuldades em parar quieto). Ele há o “efeito bífidus ”, que todos sabemos ser um efeito maravilhoso, à base de “fibras solúveis”. Ele há o leite “sem lactose”, que é a cerveja sem álcool e o chocolate sem açúcar dos leites. Ele há o “bem especial crescimento”, muito apropriado às criancinhas, que por sua vez se subdivide em “1-3 anos” e “a partir dos 3 anos”, que os putos não são todos iguais. Ele há o novo e moderno leite de soja, claro, que só por si é um mundo à parte. Ele há o ecologicamente sensível leite biológico, que promete uma ligação directa às tetas das vacas mais felizes do planeta.

E depois há nomes finíssimos como o “leite fibresse”, que ajuda “à regularidade intestinal”, como se o uso do sotaque francês ajudasse nas idas à casa de banho. Além, claro, de maravilhosas novidades a cair mensalmente nas prateleiras, como o recentíssimo “especial para mulheres maduras” (oh, maravilhoso eufemismo), com (agarrem-se) “isoflavonas de soja e vitamina D”. Da próxima vez que vir a minha avó mais abatida, vou poder-lhe dizer: “Avozinha, isso parece-me falta de isoflavonas. Tome aqui este leitinho.” Obrigado, rapazes da Mimosa. Sem vocês, as minhas idas ao supermercado seriam bastante mais rápidas – mas muito mais aborrecidas.



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publicado às 18:12




Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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