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Família numerosa #1

por João Miguel Tavares, em 24.03.13

publicado às 09:35


Diálogos em família #11

por João Miguel Tavares, em 23.03.13
- Papá, eu quero que vás para a biblioteca ler o jornal.
- Porquê, Gui? Estou aqui bem na sala.
- Papá, vai para a biblioteca ler o jornal.
- Ora essa. Mas porquê?
- Tens de ir!
- Ó Gui, não me chateies. Vai mas é brincar.
- Papá, eu quero que vás para a bibilioteca!
- Gui, não é assim que as coisas se fazem. Se tu queres que eu vá para a biblioteca por alguma razão, tens de te explicar e dizer: "papá, eu quero que vás para a biblioteca por causa disto".
- Papá, eu quero que vás para a biblioteca por causa disto.

publicado às 07:44


O Meu Pai É o Mais Selvagem - O vencedor

por João Miguel Tavares, em 22.03.13
Bom, parece que a opinião da esmagadora maioria dos leitores deste blogue pende para a primeira foto. Desta vez o Vítor Cabeça terá de se contentar com um honroso segundo lugar. O grande vencedor do passatempo O Meu Pai É o Mais Selvagem é, portanto, o Daniel Lage Correia, que recebe entradas gratuitas no Jardim Zoológico para si, para a sua mulher e para os seus filhos num qualquer dia à escolha, até final de Abril. Pedia-te, caro Daniel, que depois enviasses os teus dados pessoais e os da tua família para paisdequatro@gmail.com. Parabéns ao vencedor e muito obrigado a todos os participantes (e a todos os leitores que ajudaram à escolha). Eis novamente a foto vencedora.


publicado às 22:19


Passatempo O Meu Pai É o Mais Selvagem

por João Miguel Tavares, em 22.03.13
Caros leitores, desta vez aqui o agregado familiar não se consegue decidir em relação a dois concorrentes ao passatempo do Jardim Zológico. Há como que um empate técnico, e como só pode ganhar um, venho pedir a vossa opinião (e os vossos argumentos). A decisão do vencedor continua deste lado (isto não é para contar comentários a favor e contra no final, ok?), mas queríamos dar-vos também a palavra. As opções são...


...esta foto do Daniel Lage Correia, assinalando, para que não haja acusações de amiguismo, que o Daniel é um velho amigo de Portalegre, que já não vejo há uns bons tempos - obviamente, não é por isso que ele está aqui (nem sequer sabia que ele lia este blogue - olá, Daniel!)...


...ou então mais este elaborado trabalho em Photoshop do Vítor Cabeça, que por um lado já foi um dos vencedores do passatempo anterior, e uma pessoa gosta sempre de uma distribuição mais alargada de prebendas, mas por outro também seria injusto estar a prejudicá-lo por causa disso. Digam então de vossa justiça, sff - com muito amor e carinho, claro.

publicado às 09:29


As notas do 2.º período

por João Miguel Tavares, em 22.03.13
Naqueles discursos moralizadores que de vez em quando faço aos meus filhos, tipo general a dar moral às tropas antes da batalha, exijo apenas uma coisa (além de serem bem-educadinhos, como é óbvio): que sejam bons alunos na escola. Explico-lhes que, por enquanto, eles não têm de se preocupar com a roupa, que aparece lavada e passada; não têm de se preocupar com a comida, que aparece feita; não têm de se preocupar com as despesas da casa, que aparecem pagas. E, de caminho, ainda levam como bónus muitos livros, filmes e brinquedos.

Em troca de tudo isso, os seus papás exigem uma única coisa: aplicação nos estudos. É assim que eles pagam aquilo que têm. Explico-lhes que a primária se faz com uma perna às costas desde que estejam concentrados e atentos, e na hora de fazer o trabalho de casa não há cá brincadeiras. Quando se entra no nosso escritório/ biblioteca/ sala de piano as palhaçadas ficam lá fora. Ali trabalha-se e estuda-se. Ponto final. Eu sou mesmo inflexível a lidar com isso, e já aconteceu metê-los para fora da biblioteca porque não estavam a cumprir as regras.

Muito graças a essa exigência, acho eu, e à infinita paciência que a Teresa tem em estudar com eles (tema que merecerá discussão daqui a uns tempos, já que por eu os querer mais independentes e auto-disciplinados nem sempre concordo com o seu esforço), a Carolina e o Tomás tiveram Satisfaz Muito Bem nos testes de todas as disciplinas: Matemática, Português e Estudo do Meio. Eu digo-lhes sempre que eles não precisam de ser os melhores da turma (embora devam tentá-lo), mas que na primária, quando as coisas ainda são fáceis, abaixo de Satisfaz Muito Bem não há cá sorrisinhos de condescendência nem palmadinhas nas costas.

Felizmente, com estas óptimas notas, já houve sorrisinhos de dever cumprido e palmadinhas de alegria. E, dentro em breve, haverá também uma prenda para os dois que andam na primária, que eles merecem. (O Gui, claro, já se queixou da discriminação, mas eu expliquei-lhe que a vida dele era só regabofe, e que quando deixasse de ser regabofe também teria a sua prenda. Ao que ele replicou: "o que é regabofe?")


publicado às 08:45


A Palmada Contra-ataca

por João Miguel Tavares, em 21.03.13
Deixem-me então voltar ao tema que parece até hoje ter interessado mais os leitores deste blogue: dar ou não dar palmadas nos nossos filhos? (A mais recente entrada está aqui e a partir dela é fácil chegar às outras.) Deixem-me recuperar dois comentários que achei curiosos em relação ao último post. Em primeiro lugar, um leitor anónimo que me decidiu dar pancadinhas nas costas (mas sem bater):

Espero que este texto, magistralmente escrito, tenha feito muitos pais e mães pararem para pensar e repensar na sua forma de educar. O facto de ter voltado à conversa, JMT, mostra (embora não o admita) que tem pensado sobre o assunto e isso é muito bom.

Obrigado, caro leitor anónimo, pela preocupação com a minha forma de educar. Só não percebo porque acha que eu não admito que ando a pensar nisso - então se já me fartei de escrever sobre o assunto e até já admiti que conseguir educar os filhos sem uma única palmada merece estátua numa praça de Lisboa (e das grandes). O que eu não sinto, de facto - e se calhar era a isso que se referia -, é nenhuma espécie de angústia existencial quando enfio uma nalgada num ou noutro, num qualquer momento em que entendo que passaram dos limites.

E porquê? Basicamente porque sinto que isso não é um problema na nossa família. Se percebi que fui injusto, peço-lhes desculpa. Se não tiver sido injusto, eles percebem porque é que levaram. É que, para o caso de os senhores e senhoras com discursos mais cor-de-rosa nunca terem reparado, educar é obrigar seres humanos a fazer coisas para as quais não estão naturalmente talhados. Por que raio é que eu hei-de comer com o garfo na mão esquerda e com a faca na mão direita? Por que não ao contrário? E porque é que tenho de esticar o dedo indicador para pegar na faca? Por que raio hei-de pentear-me? A quem prejudica eu andar desgrenhado? Por que raio hei-de ter de fazer a cama se me volto a deitar nela à noite? (Pergunta recorrente em todas as nossas casas, como se sabe.)

Diz-se muitas vezes que a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro, e eu simpatizo com essa ideia. Mas eu em nada prejudico a liberdade dos outros se não comer com talheres, se não me pentear ou se não fizer a cama. Ou seja, a educação, a socialização de uma criança, é uma diminuição efectiva da liberdade de um ser humano, e não é porque afecte a liberdade dos outros. Fazemo-lo em função de um bem superior? Com certeza. Mas é sempre uma forma de opressão, se quisermos ser trágicos e fundamentalistas.

Nesse sentido, eu oprimo sempre, mesmo que não bata. E aí pergunto, para esticar a corda: qual é a diferença entre opressão física e opressão psicológica? Qual é a diferença entre dar uma palmada ou impor um castigo violento? O que se prende com um segundo comentário, que achei bem curioso, e com o qual concordo em absoluto:

Verdade, verdadinha, que eu estive todo o tempo à espera que algum progenitor ou educador mais afoito viesse aqui discorrer sobre os exageros do diálogo, da negociação, do compromisso, da dialéctica e etc., que podem resultar em meninos mimados, mal agradecidos, abusadores, dissimuladores, manipuladores e outros horrores... Pois, pois, é que eu conheci alguns. Com eles tudo tinha de ser eternamente negociado! Será que no meio é que está a virtude, com pessoas bem resolvidas?

Sim, sim, sim. É isso mesmo. Não só no meio é que está a virtude, como certos castigos não-corporais podem ser muito mais violentos do que uma palmada. Imaginem que um dos meus filhos está insuportável e eu, em vez de lhe bater para conseguir baixar as suas rotações, o enfio na casa de banho e fecho a porta, proibindo-o de sair de lá. Garanto-vos, meus caros: para ele, isso seria de uma violência infinitamente maior.

Portanto, das duas, uma. Ou temos em casa uns anjinhos abertos a todas as formas de negociação - e atenção que eu tenho um filho assim: o meu Tomás é muito mais sensível a um "estou desiludido contigo" do que a uma palmada no rabo -, ou então, se nos sai uma peste reguila, eu francamente não sei como a pôr em sentido de forma mais eficaz do que uma palmada (justa, suave, formativa) na hora certa.

Lamento desapontar-vos, caros leitores. Eu não sou nenhum Ghandi da educação infantil. Não partilho certas teses da não-violência e não sinto que a palmada seja um problema cá em casa. E, portanto, continuarei alegremente a distribuí-la enquanto a considerar um meio eficaz de educação (ou de opressão necessária, se quiserem).

E, já agora, também acho contraproducente uma educação demasiado pensada, demasiado controlada, aquela coisa do "se eu acho que vou perder o controlo saio da sala e peço a alguém para me substituir". É evidente que se eu estiver quase a ir buscar a faca de cortar os bifes para transformar o meu filho em bitoque, se calhar é melhor dar um passo atrás. Mas também é educativo que os filhos nos vejam perder a paciência. Porque viver é isso. Riso e choro, gargalhadas e gritos. Quando nos preocupamos demasiado com a perfeição tenho sempre aquele medo de que os nossos filhos saiam de casa para partir os dentes na primeira desilusão com que esbarrarem na rua.

Portanto, e em resumo, cá em casa, se tiver mesmo de ser, lá continuará a saltar uma palmada de vez em quando. Mas sempre - ou quase sempre - com amor.

publicado às 17:01


Um dia de sapatos altos

por Teresa Mendonça, em 21.03.13
Ontem de manhã, enquanto preparava o pequeno-almoço para a família, reparei que a Carolina passou no corredor com um pequeno escadote na mão.

Só mais tarde percebi porquê: para conseguir chegar a um par de sapatos altos que, por serem pouco usados (não me deixam manter a pedalada necessária para tudo o que há a fazer num dia de trabalho, além de que o meu engenho para andar elegantemente em cima de antas deixa muito a desejar), estão arrumados fora do alcance das mulheres da casa.

Mas a Carolina, como a maioria das meninas princesas friendly, adora sapatos altos. E daí a nada lá estava ela a tomar o pequeno-almoço em cima de uns botins. Eu comecei logo a dizer-lhe que não queria que ela andasse muito tempo com os saltos porque lhe faziam mal à coluna. Mas ela contra-argumentou (a sua especialidade) que passar o dia em casa a fazer trabalhos de casa, ter aulas de inglês, ver filmes e brincar com os legos não implica andar em pé - e que por isso não ia custar nada.

Lá a deixei usar os sapatos, mas disse-lhe que tinha a certeza que se iria cansar daquilo a meio do dia. Quando isso acontecesse, ela que fizesse o favor de arrumar os botins no sítio onde estavam. E então a Carolina, provocadora, resolveu apostar comigo que iria conseguir andar de saltos altos todo o dia.

E não é que conseguiu? Até cair de sono nunca largou aquilo. Até para lavar os dentes manteve a postura.


Tenacidade não lhe falta. Nem teimosia. Já bom-senso...

publicado às 08:36


Ainda o pesadelo do Dia do Pai

por João Miguel Tavares, em 20.03.13
Voltando à história do pesadelo do Dia do Pai, aquilo que me impressiona quando penso nisso é o facto de a parte mais horrorosa do sonho, aquilo que me fez acordar de susto, não foi a Teresa ter seguido a sua vida, não foi ter-se casado com outro homem, não foi sequer ter tido filhos com ele - foi quando ele e ela começaram a ter uma discussão doméstica à minha frente.

O meu inconsciente malévolo esteve particularmente bem nessa parte. Aquilo que me magoou profundamente não foi a abstracção de "um outro homem" ou de "uma outra vida", projecções relativamente comezinhas, que qualquer pessoa já fez. Foi o concreto de uma discussão doméstica, aquelas discussões totalmente estúpidas que só temos com quem amamos ou com quem odiamos, mas que significam invariavelmente que existe uma enorme percurso em conjunto.

E pensando bem, isto é de um extraordinário engenho: eu revelo a minha maior intimidade com uma pessoa não quando vou para a cama com ela mas quando discuto com ela. Sabem que mais? É absolutamente verdade. As pessoas até podem ir para a cama com semi-desconhecidos numa one night stand. O que elas nunca farão é ter discussões idiotas, parvas, irritantes, aquelas discussões que têm escritas no meio da testa muitos-anos-a-virar-frangos-em-conjunto, com quem não conhecem bem.

E é notável olhar para essas discussões não como o resultado de anos e anos de desgaste de uma relação, mas como manifestações de amor. Quão twisted pode ser um pesadelo? Altamente twisted, devo dizer-vos. Eu acordei porque senti um ciúme brutal de uma discussão doméstica. Não do marido dela. Não dos filhos dela. Mas dessa profunda manifestação de intimidade que é permitirmo-nos que a tampa salte com quem vivemos há muito tempo. Foi aí que eu percebi "ela é de outro e não minha". Foi aí que eu percebi que toda a minha vida me fora roubada. E foi aí que eu acordei.

publicado às 09:16


Imaginem o rufar de tambores, e tal. Uns gajos e umas gajas giras a abrirem envelopes. Um pequeno momento de suspense. E eis os grandes vencedores do 1.º Passatempo do Blogue Pais de Quatro. Cada um dos felizes contemplados irá receber um exemplar assinado de O Pai Mais Horrível do Mundo. E eles são:

1. Vítor Cabeça
2. Susana Rosa
3. Patrícia Barbosa Pinto
4. Bruxa Mimi
5. Luísa Duarte Carinhas

Muitos parabéns aos vencedores e muito, muito obrigado a todos os que se deram ao trabalho de participar. Como sou um bocado burro, esqueci-me de pedir para me dizerem no mail a quem queriam que dedicasse o respectivo livro. Tenho as moradas de todos mas falta-me essa preciosa informação. Se me a puderem enviar para paisdequatro@gmail.com ou deixar na caixa de comentários deste post, agradecia.

Entretanto, vencedores e não-vencedores, não se esqueçam que até à meia-noite de amanhã continua em vigor o passatempo do Jardim Zoológico. As participações já aumentaram - por isso, caprichem.

E para finalizar, deixo-vos a imagem do primeiro classificado do passatempo O Pai Mais Horrível do Mundo, que é para vocês verem que há gente que se aplica a sério. Parabéns ao Vítor e ao seu filho Tomás. Pelo Photoshop e pela interpretação. Aquele é definitivamente um olhar de Pai Mais Horrível.

publicado às 08:32


O sentido da vida

por João Miguel Tavares, em 19.03.13
Um miúdo de nove anos discute o sentido da vida. O autor do vídeo, Zia Hassan, jura que nada daquilo foi ensaiado. Eu não imagino a minha filha Carolina a ter uma conversa destas, mas mesmo assim apetece-me acreditar nele.



publicado às 22:40




Os livros do pai


Onde o pai fala de assuntos sérios



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